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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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                <journal-title>Revista gestão em análise</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">R. Gest. Anál.</abbrev-journal-title>
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            <issn pub-type="ppub">1984-7297</issn>
            <issn pub-type="epub">2359-618X</issn>
            <publisher>
                <publisher-name>Unichristus</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi"
                >10.12662/2359-618xregea.v15i1.6109.pe6109.2026</article-id>
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                    <subject>ARTIGOS</subject>
                </subj-group>
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            <title-group>
                <article-title>ANÁLISE DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA SOBRE O REGISTRO DE MARCAS:
                    UM ESTUDO BIBLIOMÉTRICO (2010 - 2024)</article-title>
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                    <trans-title>ANALYSIS OF BRAZILIAN SCIENTIFIC PRODUCTION ON TRADEMARK
                        REGISTRATION: A BIBLIOMETRIC STUDY (2010 - 2024)</trans-title>
                </trans-title-group>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Sampaio</surname>
                        <given-names>Auzimara Barroso</given-names>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Pires</surname>
                        <given-names>Edilson Araújo</given-names>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Estadual do Ceará
                    (UECE)</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de
                    Iniciação Científica (PIBIC)</institution>
                <addr-line>
                    <city>Fortaleza</city>
                    <state>CE</state>
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                <country country="BR">BR</country>
                <email>auzimara.barroso@aluno.uece.br</email>
                <institution content-type="original">Graduanda em Administração pela Faculdade de
                    Educação e Ciências Integradas do Sertão de Canindé (FECISC), da Universidade
                    Estadual do Ceará (UECE). Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de
                    Iniciação Científica (PIBIC). Técnica em Eventos (2016) e graduada em Tecnologia
                    em Gestão de Turismo (2016) pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e
                    Tecnologia do Ceará (IFCE), campus Canindé. Fortaleza - CE - BR. E-mail:
                    auzimara.barroso@aluno.uece.br</institution>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Estadual do Ceará
                    (UECE)</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Programa de Propriedade Intelectual e
                    Transferência de Tecnologia para Inovação (PROFNIT)</institution>
                <addr-line>
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                <country country="BR">BR</country>
                <email>edilson.pires@uece.br</email>
                <institution content-type="original">Doutor em Ciência da Propriedade Intelectual
                    pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Professor da Faculdade de Educação e
                    Ciências Integradas do Sertão de Canindé (FECISC), Universidade Estadual do
                    Ceará (UECE) e do Programa de Propriedade Intelectual e Transferência de
                    Tecnologia para Inovação (PROFNIT), ponto focal UFRB. Fortaleza - CE - BR.
                    E-mail: edilson.pires@uece.br</institution>
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            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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                <year>2026</year>
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                <year>2026</year>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution NonCommercial, que permite uso,
                        distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que sem
                        fins comerciais e que o trabalho original seja corretamente
                        citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>RESUMO</title>
                <p>A crescente valorização dos ativos intangíveis tem ampliado a relevância das
                    marcas como instrumentos estratégicos de competitividade e inovação no ambiente
                    empresarial brasileiro. Nesse contexto, compreender como a produção científica
                    nacional tem abordado o registro de marcas torna-se fundamental para o
                    fortalecimento das políticas de propriedade intelectual. Este estudo tem como
                    objetivo analisar a evolução da produção científica brasileira sobre registro de
                    marcas no período de 2010 a 2024, identificando padrões, periódicos de destaque
                    e lacunas de pesquisa. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa
                    bibliométrica, de abordagem quantitativa, realizada a partir de dados da
                    plataforma Lens.org, com aplicação das leis de Bradford, Zipf e Lotka. Os
                    resultados indicam crescimento das publicações a partir de 2016, com forte
                    concentração no periódico Cadernos de Prospecção. Observa-se predominância de
                    termos associados aos aspectos operacionais do registro de marcas e lacunas
                    relacionadas à transferência do conhecimento para micro e pequenas empresas e à
                    exploração de tecnologias emergentes. Conclui-se que o estudo contribui para a
                    sistematização do campo e para o avanço das pesquisas em propriedade
                    intelectual.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>ABSTRACT</title>
                <p>The growing appreciation of intangible assets has increased the relevance of
                    trademarks as strategic instruments for competitiveness and innovation in the
                    Brazilian business environment. In this context, understanding how national
                    scientific production has addressed trademark registration is essential for
                    strengthening Intellectual Property policies. This study aims to analyze the
                    evolution of Brazilian scientific production on trademark registration between
                    2010 and 2024, identifying patterns of publications, leading journals, and
                    research gaps. Methodologically, this is a quantitative bibliometric study based
                    on data collected from the Lens.org platform, applying Bradford’s, Zipf’s, and
                    Lotka’s laws. The results indicate a significant increase in publications from
                    2016 onwards, with a strong concentration of articles in the journal
                        <italic>Cadernos de Prospecção</italic>, confirming the existence of a
                    specialized core in the field. The keyword analysis reveals a predominance of
                    terms related to the operational and bureaucratic aspects of trademark
                    registration, as well as gaps in knowledge transfer to micro and small
                    enterprises, and the limited exploration of emerging technologies. The study
                    contributes to the systematization of research on trademark registration in
                    Brazil and reinforces scholars, innovation managers, and policymakers.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>registro de marca</kwd>
                <kwd>propriedade intelectual</kwd>
                <kwd>produção científica</kwd>
                <kwd>políticas públicas. Inovação</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>trademark registration</kwd>
                <kwd>intellectual property</kwd>
                <kwd>scientific production</kwd>
                <kwd>public policies</kwd>
                <kwd>innovation</kwd>
            </kwd-group>
        </article-meta>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>1 INTRODUÇÃO</title>
            <p>A propriedade intelectual (PI) — que reúne os direitos sobre criações do intelecto
                humano e está dividida em áreas como direito autoral, propriedade industrial e
                proteções sui generis, como cultivares e conhecimentos tradicionais (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B37">OMPI, 2021</xref>) — tem ganhado cada vez mais
                destaque nos meios acadêmico e empresarial, impulsionada pela crescente valorização
                de ativos intangíveis, como as marcas. Esse movimento reflete uma mudança estrutural
                na economia. Dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B21">INPI, 2025b</xref>) indicam que, na última década, os
                ativos intangíveis cresceram, em média, 2% ao ano no Brasil e já representam 47% do
                investimento total do país. Entre 2020 e 2021, esse crescimento se acelerou para
                14%, superando o dos ativos tangíveis (8%). Nesse contexto, as marcas respondem por,
                aproximadamente, 25% do investimento intangível total no país (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B22">INPI, 2025a</xref>).</p>
            <p>Nesse cenário, a marca se destaca por sua capacidade de identificar produtos e
                serviços e de criar vínculos com os consumidores (<xref ref-type="bibr" rid="B17"
                    >Evangelista; Almeida, 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">Medrado
                        <italic>et al.,</italic> 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B47">Silva
                        <italic>et al</italic>., 2024</xref>). Longe de ser apenas um nome ou
                símbolo, ela se consolida como um elemento estratégico que incorpora valores,
                reputação e identidade organizacional (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Evangelista;
                    Almeida, 2024</xref>).</p>
            <p>Marcas bem construídas representam um patrimônio valioso, sendo responsáveis por
                parcela significativa do valor de mercado das organizações (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B15">Castro, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B30">Magro <italic>et
                        al</italic>., 2017</xref>). No entanto, para que esse valor seja
                efetivamente protegido, o registro de marca torna-se essencial (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B50">Sousa; Lima, 2025</xref>). No Brasil, esse processo é
                regulamentado pela Lei n° 9.279/1996 (Lei da Propriedade Industrial – LPI) e deve
                ser realizado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O
                registro garante ao titular o direito exclusivo de uso da marca em todo o território
                nacional, funcionando como uma ferramenta estratégica para expansão, licenciamento e
                fortalecimento institucional (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Brasil, 1996</xref>).
                Ademais, a gestão da marca deve integrar a estratégia empresarial, uma vez que
                constitui um ativo fundamental para a geração de valor, a diferenciação de produtos
                e a proteção da reputação organizacional (<xref ref-type="bibr" rid="B44">Sales;
                    Pires; Peralta, 2025</xref>).</p>
            <p>Apesar de sua importância amplamente reconhecida e de o Brasil se destacar em volume
                de registros de marcas (<xref ref-type="bibr" rid="B21">INPI, 2025b</xref>), o
                número de depósitos ainda se encontra abaixo do potencial do país. Essa limitação é
                ainda mais acentuada entre micro e pequenas empresas, que frequentemente desconhecem
                os benefícios da proteção marcária e deixam de realizar o processo de registro
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B45">Sgoda; Freitag, 2015</xref>).</p>
            <p>Diante desse contexto, emerge o seguinte problema de pesquisa: como a produção
                científica brasileira sobre o registro de marcas tem se desenvolvido no período de
                2010 a 2024 e quais padrões, concentrações e lacunas caracterizam esse campo de
                investigação? Assim, o objetivo deste estudo é analisar a evolução da produção
                científica brasileira sobre o registro de marcas entre 2010 e 2024, identificando
                tendências de publicação, periódicos de maior destaque, recorrência temática e
                aspectos ainda pouco explorados na literatura.</p>
            <p>Ao sistematizar esse conhecimento, o trabalho busca contribuir para o fortalecimento
                do debate acadêmico em Propriedade Intelectual, oferecendo subsídios tanto para
                pesquisadores quanto para gestores de inovação e formuladores de políticas públicas.
                Para tanto, o artigo está estruturado em seções que apresentam, além desta
                introdução, a fundamentação teórica sobre Propriedade Intelectual e registro de
                marcas; em seguida, os procedimentos metodológicos adotados; posteriormente, os
                resultados e as discussões; e, por fim, as considerações finais do estudo.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>2 REFERENCIAL TEÓRICO</title>
            <p>O referencial teórico deste estudo tem como finalidade estabelecer as bases
                conceituais necessárias para a compreensão do registro de marcas no contexto PI e de
                sua relevância estratégica para organizações e sistemas de inovação. Para tanto, a
                discussão é organizada em três subseções interdependentes. Inicialmente, aborda-se o
                conceito de PI, seus fundamentos jurídicos e seu papel no estímulo à inovação e ao
                desenvolvimento econômico. Em seguida, discute-se o papel estratégico das marcas
                enquanto ativos intangíveis, bem como suas principais classificações no ordenamento
                jurídico brasileiro. Por fim, analisa-se a importância do registro de marcas e os
                principais aspectos do seu processo no Brasil, considerando seus impactos na
                proteção jurídica, na competitividade empresarial e na consolidação de políticas
                públicas de inovação.</p>
            <sec>
                <title>2.1 FUNDAMENTOS DA PROPRIEDADE INTELECTUAL E SUA ESTRUTURA NO BRASIL</title>
                <p>A propriedade intelectual (PI) é um conjunto de direitos conferidos por lei aos
                    autores de criações resultantes do intelecto humano e abrange as áreas
                    industrial, científica, literária e artística (<xref ref-type="bibr" rid="B37"
                        >OMPI, 2021</xref>). Essa proteção jurídica garante que criadores e
                    inventores recebam o devido reconhecimento e a recompensa financeira por suas
                    inovações (<xref ref-type="bibr" rid="B46">Sherwood, 1992</xref>; <xref
                        ref-type="bibr" rid="B54">Vale, 2024</xref>).</p>
                <p>Para promover e coordenar os direitos de PI em nível global, a Organização
                    Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) foi criada em 1967. Em 1974, a OMPI
                    foi incorporada ao sistema da Organização das Nações Unidas (ONU), fortalecendo
                    seu papel na administração de tratados internacionais essenciais, como a
                    Convenção da União de Paris (1883), que trata da propriedade industrial, e a
                    Convenção de Berna (1886), focada nos direitos autorais (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B5">Barbosa, 2003</xref>). Conforme o autor, Juntos, esses acordos
                    criaram um Escritório Internacional que serviu de base para a estrutura atual da
                    OMPI, formalizada em 1970, com a Convenção de Estocolmo.</p>
                <p>No Brasil, a PI é dividida em três áreas principais, cada uma com sua própria
                    legislação: Propriedade Industrial, Direito Autoral e proteções sui generis
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Pires, 2014</xref>).</p>
                <p>A propriedade industrial abrange patentes de invenção, modelos de utilidade,
                    desenhos industriais, marcas e indicações geográficas (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B6">Brasil, 1996</xref>). Essa área é regulamentada pela LPI, que
                    também trata da repressão à concorrência desleal. O INPI é o órgão responsável
                    pelo registro e pela fiscalização dessa modalidade no Brasil.</p>
                <p>Os direitos autorais protegem os direitos de autor para obras literárias,
                    artísticas e científicas, como livros, músicas, filmes etc.; os direitos conexos
                    para intérpretes, atores, fotografias, radiodifusão etc. e; programas de
                    computador, entre outras manifestações criativas. Essa proteção é regulamentada,
                    principalmente, pelas Leis n° 9.610/1998 (Lei de Direito Autoral) e n°
                    9.609/1998, que dispõe sobre a proteção dos programas de computador,
                    equiparando-os às obras literárias (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Brasil,
                        1998a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B9">1998b</xref>).</p>
                <p>Por fim, as proteções <italic>sui generis</italic> se aplicam a criações que não
                    se encaixam nas categorias tradicionais, como cultivares (variedades de
                    plantas), conhecimentos tradicionais e topografias de circuitos integrados
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Brasil, 1997</xref>; <xref ref-type="bibr"
                        rid="B10">Brasil, 2007</xref>). A Lei n° 9.456/1997, por exemplo, regula os
                    direitos de obtentores de novas variedades de plantas, administrados pelo
                    Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC), ligado ao Ministério da
                    Agricultura e Pecuária (MAPA). Outras legislações protegem conhecimentos
                    tradicionais e patrimônio genético. Embora muitos desses registros sejam feitos
                    no INPI, algumas modalidades têm sistemas próprios (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B10">Brasil, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B40">Pires,
                        2014</xref>).</p>
                <p>A proteção da PI desempenha um papel fundamental no estímulo à inovação, à
                    criatividade e ao desenvolvimento econômico (<xref ref-type="bibr" rid="B28"
                        >Lima <italic>et al</italic>., 2024</xref>). Ao garantir segurança jurídica
                    aos criadores e inventores, promove o investimento em pesquisa e desenvolvimento
                    e valoriza o capital intelectual (<xref ref-type="bibr" rid="B46">Sherwood,
                        1992</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B39">Pietrobon-Costa; Fornari
                        Junior; Santos, 2012</xref>). Ademais, a PI representa ainda uma vantagem
                    competitiva para as organizações, fortalecendo sua posição no mercado por meio
                    da originalidade e da exclusividade (<xref ref-type="bibr" rid="B32"
                        >Matias-Pereira, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B31">Maia; Matias;
                        Oliveira, 2020</xref>).</p>
                <p>Além disso, a proteção adequada desses direitos contribui para o crescimento
                    cultural e científico do país, incentivando o surgimento de novos produtos,
                    serviços e soluções tecnológicas com potencial impacto social positivo (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B4">Araújo <italic>et al</italic>., 2005</xref>; <xref
                        ref-type="bibr" rid="B32">Matias-Pereira, 2011</xref>).</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>2.2 MARCAS COMO ATIVOS INTANGÍVEIS: FUNÇÃO ESTRATÉGICA E CLASSIFICAÇÕES
                    JURÍDICA</title>
                <p>A marca é um dos principais instrumentos de identificação e diferenciação de
                    produtos e serviços perante o comércio (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Ruão,
                        2017</xref>). Sua importância vai além do aspecto visual, envolvendo
                    atributos simbólicos, emocionais e funcionais que se relacionam com a percepção
                    dos consumidores (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Aires, 2011</xref>; <xref
                        ref-type="bibr" rid="B43">Ruão, 2017</xref>). Ela representa um conjunto de
                    associações mentais que os consumidores fazem com uma empresa ou produto,
                    influenciando diretamente sua decisão de compra (<xref ref-type="bibr" rid="B23"
                        >Kotler; Keller, 2012</xref>). Para os autores, uma marca bem construída
                    pode criar vínculos duradouros com o público, gerando fidelidade e
                    preferência.</p>
                <p>No entanto, o valor de uma marca consolidada atrai o interesse de terceiros
                    mal-intencionados, que podem tentar aproveitar-se indevidamente de sua reputação
                    no mercado (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Bruch, 2010</xref>). A legislação
                    brasileira classifica as marcas com base em sua composição:</p>
                <list list-type="alpha-lower">
                    <list-item>
                        <p>marcas nominativas: usam apenas palavras, letras ou números. Sua proteção
                            se dá pelo conteúdo textual, independentemente da fonte ou do
                            estilo;</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>MARCAS FIGURATIVAS: compostas exclusivamente por elementos visuais, como
                            símbolos, imagens, desenhos ou emblemas;</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>marcas mistas: uma das categorias mais comuns, combinam elementos
                            nominativos e figurativos para criar uma identidade visual completa
                            (nome e logotipo);</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>marcas tridimensionais: protegem a forma plástica de um produto ou de sua
                            embalagem, desde que a forma não seja técnica ou funcional (<xref
                                ref-type="bibr" rid="B6">Brasil, 1996</xref>, art. 122);</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>marcas de posição: aplicação de um sinal distintivo em uma posição
                            singular e específica de um determinado suporte, dissociada de efeito
                            técnico ou funcional (<xref ref-type="bibr" rid="B21">INPI,
                            2025b</xref>).</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>Além dessas classificações, o sistema jurídico brasileiro oferece proteções
                    especiais para marcas de destaque. As marcas de alto renome, conforme o artigo
                    125 da Lei da Propriedade Industrial, recebem proteção em todos os ramos de
                    atividade, independentemente do setor em que atuam (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B6">Brasil, 1996</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">INPI,
                        2025b</xref>). Esse privilégio protege o prestígio e o valor simbólico da
                    marca, impedindo que seu nome seja utilizado em produtos ou serviços
                    completamente diferentes.</p>
                <p>As marcas notoriamente conhecidas são tratadas com base na Convenção da União de
                    Paris (CUP), da qual o Brasil é signatário. Segundo a Lei da Propriedade
                    Industrial, uma marca notoriamente conhecida em seu ramo de atividade tem sua
                    proteção assegurada mesmo que não esteja registrada ou depositada no país (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B6">Brasil, 1996</xref>). Isso garante que marcas
                    estrangeiras amplamente reconhecidas possam ser protegidas no território
                    nacional, desde que o conhecimento de seu público-alvo seja comprovado (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B52">Tavares, 2007</xref>).</p>
                <p>Em suma, a marca vai além de um simples símbolo. Como aponta <xref
                        ref-type="bibr" rid="B15">Castro (2015)</xref>, trata- se um ativo
                    intangível de grande valor econômico, capaz de fortalecer a imagem da empresa no
                    mercado e compor seu patrimônio. Ativos intangíveis como as marcas já
                    representam uma parte importante do valor de mercado das empresas modernas,
                    refletindo seu papel estratégico na geração de valor e competitividade (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B30">Magro <italic>et al</italic>., 2017</xref>).</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>2.3 REGISTRO DE MARCAS NO BRASIL: IMPORTÂNCIA JURÍDICA E PROCEDIMENTOS
                    ADMINISTRATIVOS</title>
                <p>O registro de marca garante ao titular o direito exclusivo de uso do sinal
                    distintivo em todo o território nacional (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Brasil,
                        1996</xref>). Previsto pela LPI, ele impede que outras empresas usem marcas
                    idênticas ou similares em ramos de atividade parecidos (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B6">Brasil, 1996</xref>). Esse direito é concedido pelo INPI, o órgão
                    federal responsável por analisar e autorizar os registros. De acordo com o art.
                    129 da LPI, o direito sobre a marca é adquirido pelo requerimento, e sua
                    proteção é conferida por um prazo inicial de dez anos, contados da data de
                    concessão, e pode ser renovado sucessivamente por períodos iguais (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B6">Brasil, 1996</xref>). A renovação periódica é
                    crucial, pois garante a continuidade da proteção e exclusividade, evitando
                    conflitos legais e transformando a marca em um diferencial competitivo (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B51">Souza, 2015</xref>).</p>
                <p>Além de ser uma exigência legal, o registro constitui uma estratégia jurídica
                    para salvaguardar o patrimônio imaterial de uma organização (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B27">Lima, 2018</xref>). Sem ele, o uso da marca pode
                    ser contestado ou até mesmo apropriado por terceiros, resultando em prejuízos
                    financeiros e danos à imagem da empresa. O registro é, portanto, a base jurídica
                    que permite à empresa tomar medidas legais em casos de uso indevido ou
                    falsificação. Uma marca bem registrada e distintiva é um ativo valioso que
                    protege contra a concorrência desleal e fortalece a identidade do produto para
                    os consumidores (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alves; Alves; Alves,
                    2017</xref>).</p>
                <p>O processo de registro, embora burocrático (<xref ref-type="bibr" rid="B35"
                        >Menezes; Aquino, 2024</xref>), é fundamental para garantir a segurança
                    jurídica e a consolidação da marca no mercado. Ele inclui a verificação da
                    disponibilidade do nome, a escolha das classes de produtos e serviços e o
                    acompanhamento do pedido até sua concessão (<xref ref-type="bibr" rid="B24"
                        >Ladeira, 2022</xref>). A legislação brasileira proíbe o registro de marcas
                    que utilizem símbolos oficiais, expressões genéricas ou descritivas, assegurando
                    que as marcas registradas sejam verdadeiramente distintivas (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B44">Sales; Pires; Peralta, 2025</xref>).</p>
                <p>Para organizar o processo, o Brasil adota a Classificação Internacional de
                    Produtos e Serviços do Acordo de Nice. Conhecida como Classificação de Nice,
                    essa ferramenta organiza produtos e serviços em 45 classes — 34 para produtos e
                    11 para serviços — facilitando a busca e o registro de marcas (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B14">Carvalho, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
                        rid="B21">INPI, 2025b</xref>). No <xref ref-type="table" rid="T1">quadro
                        1</xref>, observa-se a organização das classes de produtos e serviços, por
                    setores da economia, adotada no Brasil para o registro de marcas, conforme a
                    Classificação de Nice (NCL).</p>
                <table-wrap id="T1">
                    <label>Quadro 1</label>
                    <caption>
                        <title>Organização das classes de produtos e serviços, por setores da
                            economia, adotada no Brasil para o registro de marcas, conforme a
                            Classificação de Nice</title>
                    </caption>
                    <table>
                        <thead>
                            <tr>
                                <th valign="top" align="left">Setores Econômicos</th>
                                <th valign="top" align="center">Classe Nice</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Agricultura</td>
                                <td valign="top" align="left">29, 30, 31, 32, 33, 43</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Construção</td>
                                <td valign="top" align="left">6, 19, 37, 40</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Equipamento doméstico</td>
                                <td valign="top" align="left">8, 11, 20, 21</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Lazer e educação</td>
                                <td valign="top" align="left">15, 16, 28, 41</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Serviços prestados às empresas</td>
                                <td valign="top" align="left">35, 36</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Produtos químicos</td>
                                <td valign="top" align="left">1, 2, 3, 4, 5</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Pesquisa e tecnologia</td>
                                <td valign="top" align="left">38, 42, 45</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Roupas e acessórios</td>
                                <td valign="top" align="left">14, 18, 22, 23, 25, 26</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Saúde</td>
                                <td valign="top" align="left">5, 10, 44</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Transporte</td>
                                <td valign="top" align="left">12, 39</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <attrib>Fonte: elaborado pelos autores com dados da OMPI (2025).</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>A divisão em classes é essencial para evitar conflitos, permitindo que empresas
                    de diferentes setores usem nomes semelhantes sem infringir direitos de terceiros
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B44">Sales; Pires; Peralta, 2025</xref>). A
                    correta escolha da classe é responsabilidade do requerente, pois um erro pode
                    abrir margem para que concorrentes utilizem sinais parecidos em áreas
                    relacionadas, enfraquecendo a proteção da marca (<xref ref-type="bibr" rid="B38"
                        >Oliveira, 2013</xref>).</p>
                <p>A padronização internacional da Classificação de Nice não apenas facilita a
                    identificação de possíveis violações de direitos, mas também promove a
                    harmonização entre os países signatários, o que é fundamental para a atuação
                    global das empresas (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Miranda Filho,
                    2023</xref>). Em última análise, o sistema de classes estimula a inovação e a
                    competitividade, oferecendo segurança para que novas empresas entrem no mercado,
                    respeitando os direitos já estabelecidos (<xref ref-type="bibr" rid="B38"
                        >Oliveira, 2013</xref>).</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="methods">
            <title>3 METODOLOGIA</title>
            <p>Esta pesquisa se caracteriza como exploratória e descritiva, com abordagem
                quantitativa, fundamentada na aplicação de técnicas bibliométricas. O estudo tem por
                objetivo analisar a evolução da produção científica brasileira sobre registro de
                marcas no período de 2010 a 2024, identificando seus principais padrões, periódicos
                de destaque e lacunas de pesquisa, além da evolução temporal das publicações,
                frequência de termos e produtividade de autores.</p>
            <p>A pesquisa bibliométrica foi adotada por possibilitar a análise sistemática da
                literatura científica por meio de indicadores quantitativos, sendo amplamente
                utilizada para compreender a estrutura, o desenvolvimento e as tendências de um
                determinado campo do conhecimento (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Araújo,
                    2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B48">Soares; Picolli; Casagrande,
                    2018</xref>).</p>
            <sec>
                <title>3.1 PROCEDIMENTOS DE COLETA E SELEÇÃO DE DADOS</title>
                <p>A coleta de dados foi realizada em 17 de outubro de 2024, abrangendo todas as
                    publicações acadêmicas disponíveis até essa data, na plataforma Lens.org, uma
                    ferramenta gratuita com vasto acervo de publicações acadêmicas e patentes. A
                    plataforma inclui cerca de 289,5 milhões de trabalhos acadêmicos e mais de 165,5
                    milhões de patentes (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Lens.org, 2025</xref>). A
                    escolha dessa base justifica-se por sua ampla cobertura multidisciplinar,
                    disponibilidade gratuita e capacidade de indexar publicações acadêmicas
                    associadas a temas de inovação, tecnologia e PI.</p>
                <p>A coleta teve início com a aplicação de uma estratégia de busca abrangente,
                    descrita no <xref ref-type="table" rid="T2">quadro 2</xref>, construída para
                    assegurar a amplitude e a relevância dos resultados recuperados. A inclusão
                    intencional de termos em português e em inglês, como <italic>registro</italic>,
                        <italic>marca</italic> e <italic>trademark</italic>, teve como objetivo
                    captar tanto a produção científica nacional quanto estudos internacionais
                    relacionados ao registro de marcas no contexto brasileiro. A busca foi realizada
                    de forma integrada nos campos <italic>Title, Abstract, Keyword</italic> e
                        <italic>Field of Study</italic> (Título, Resumo, Palavras-chave e Campo de
                    Estudo), de modo a maximizar a recuperação de documentos pertinentes e garantir
                    que o escopo da pesquisa contemplasse os principais conceitos, abordagens e
                    contextos associados à temática investigada.</p>
                <table-wrap id="T2">
                    <label>Quadro 2</label>
                    <caption>
                        <title>Frase de busca para seleção de artigos científicos relacionados a
                            registro de marca</title>
                    </caption>
                    <table>
                        <thead>
                            <tr>
                                <th valign="top" align="center">Frase de Busca</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">( Title: ( registro AND ( and AND
                                    marca ) ) OR ( Abstract: ( registro AND ( and AND marca ) ) OR (
                                    Keyword: ( registro AND ( and AND marca ) ) OR Field of Study: (
                                    registro AND ( and AND marca ) ) ) ) ) OR ( ( Title: ( trademark
                                    ) OR ( Abstract: ( trademark ) OR ( Keyword: ( trademark ) OR
                                    Field of Study: ( trademark ) ) ) ) OR ( ( Title: ( marca AND (
                                    and AND registrada ) ) OR ( Abstract: ( marca AND ( and AND
                                    registrada ) ) OR ( Keyword: ( marca AND ( and AND registrada )
                                    ) OR Field of Study: ( marca AND ( and AND registrada ) ) ) ) )
                                    OR ( ( Title: ( marca AND ( and AND gestão ) ) OR ( Abstract: (
                                    marca AND ( and AND gestão ) ) OR ( Keyword: ( marca AND ( and
                                    AND gestão ) ) OR Field of Study: ( marca AND ( and AND gestão )
                                    ) ) ) ) OR ( Title: ( marca AND ( and AND INPI ) ) OR (
                                    Abstract: ( marca AND ( and AND INPI ) ) OR ( Keyword: ( marca
                                    AND ( and AND INPI ) ) OR Field of Study: ( marca AND ( and AND
                                    INPI ) ) ) ) ) ) ) )</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <attrib>Fonte: elaborado pelos autores (2025).</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Após a busca, foi aplicado o filtro de "país/região da instituição" para
                    selecionar somente documentos publicados por instituições brasileiras,
                    resultando em um total de 1.229 publicações. Esses documentos foram extraídos em
                    formato CSV e processados no Microsoft Excel 2016. Na planilha, foi possível
                    identificar e excluir os documentos duplicados, realizar uma seleção e
                    categorização das publicações, levando em consideração aqueles com maior
                    afinidade com o objetivo da pesquisa. O processo de filtragem para selecionar os
                    artigos mais relevantes seguiu as etapas descritas no <xref ref-type="table"
                        rid="T3">quadro 3</xref>.</p>
                <table-wrap id="T3">
                    <label>Quadro 3</label>
                    <caption>
                        <title>Estrutura descritiva de filtragens e seleções das publicações
                            científicas</title>
                    </caption>
                    <table>
                        <thead>
                            <tr>
                                <th valign="top" align="center">Etapas de Fluxo Metodológico</th>
                                <th valign="top" align="center">Descrição</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">Etapa 0</td>
                                <td valign="top" align="center">Dados gerais /sem filtragens</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">Etapa 1</td>
                                <td valign="top" align="center">Artigos publicados em
                                    revistas/periódicos científicos</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">Etapa 2</td>
                                <td valign="top" align="center">Remoção de duplicatas</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">Etapa 3</td>
                                <td valign="top" align="center">Leitura dos títulos</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">Etapa 4</td>
                                <td valign="top" align="center">Leitura dos resumos</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">Etapa 5</td>
                                <td valign="top" align="center">Leitura dinâmica</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">Etapa 6</td>
                                <td valign="top" align="center">Leitura completa</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <attrib>Fonte: elaborado pelos autores (2025).</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Os critérios de inclusão adotados consideraram apenas publicações de instituições
                    brasileiras, especificamente os artigos científicos publicados em revista ou
                    periódicos científicos, que tratassem diretamente do registro de marcas. Por
                    outro lado, foram excluídos documentos duplicados, indisponíveis em acesso
                    integral ou que não apresentaram afinidade temática com o objeto de
                    investigação.</p>
                <p>A triagem inicial, baseada na leitura de títulos e resumos, reduziu o acervo de
                    1.116 para 104 documentos. Uma leitura dinâmica subsequente resultou em 67
                    artigos filtrados para análise. Desses, verificou-se que 9 eram artigos
                    publicados em anais de eventos ou monografias, portanto, foram excluídos,
                    restando 56 artigos. A exclusão de anais de eventos foi uma decisão metodológica
                    para focar a análise em artigos publicados em periódicos científicos, que
                    geralmente passam por um processo de revisão por pares mais rigoroso e são
                    considerados fontes de conhecimento mais consolidadas na comunidade acadêmica.
                    Dessa forma, buscou-se garantir que o corpus final de 56 artigos fosse composto
                    por publicações de maior impacto e relevância para o tema, proporcionando uma
                    base de dados de alta qualidade para a análise bibliométrica.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>3.2 PROCEDIMENTOS ANÁLISE DOS DADOS</title>
                <p>Para a análise aprofundada, foi aplicada a análise bibliométrica. Esta permitiu a
                    mensuração e a organização da produção científica a partir distribuição de
                    artigos por ano, para identificar a evolução cronológica e o crescimento do
                    tema, da aplicação da Lei de Bradford, para identificar os periódicos mais
                    produtivos na temática, e da Lei de Zipf, para mensurar a frequência das
                    palavras-chave nos textos e da Lei de Lotka, para analisar a produtividade dos
                    autores (<xref ref-type="bibr" rid="B48">Soares; Picolli; Casagrande,
                        2018</xref>).</p>
                <p>A Lei de Bradford, também conhecida como Lei da Dispersão, descreve como os
                    artigos sobre um determinado assunto são distribuídos entre diferentes
                    periódicos. Formulada por Samuel Clement Bradford a partir de estudos na área
                    médica, a lei postula que a maior parte dos artigos de um tema específico está
                    concentrada em um pequeno grupo de revistas, enquanto o restante se dispersa por
                    um número muito maior de publicações (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Araújo,
                        2006</xref>). De acordo com o autor, a lei pode ser visualizada na forma de
                    três "zonas" de produtividade. A primeira, denominada "núcleo", é composta por
                    um pequeno número de periódicos que são altamente produtivos no assunto em
                    questão. A segunda zona, ou "zona secundária", contém um número maior de
                    periódicos, cada um com uma menor quantidade de artigos sobre o tema. Por fim, a
                    terceira zona, ou "zona periférica", engloba um volume ainda maior de
                    periódicos, cada qual contribuindo com uma produtividade reduzida. A
                    característica essencial da lei é que cada uma dessas zonas contribui com
                    aproximadamente a mesma quantidade de artigos para o corpus total, mesmo que o
                    número de periódicos em cada zona aumente exponencialmente (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B3">Araujo, 2006</xref>).</p>
                <p>A Lei de Zipf é uma lei empírica da linguística quantitativa que descreve a
                    relação inversa entre a frequência de uma palavra em um texto e sua
                    classificação (ou ranking) nessa lista de frequência (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B49">Sousa; Almeida; Bezerra, 2024</xref>). No âmbito da bibliometria,
                    a análise de frequência de termos, realizada por meio da análise de conteúdo e
                    fundamentada na Lei de Zipf, permitiu identificar os conceitos mais relevantes e
                    recorrentes em um conjunto de documentos. A hierarquia de frequência dos termos
                    não se resume a uma mera contagem; ela reflete a importância temática e a
                    centralidade de certos conceitos para a área de pesquisa em questão (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B49">Sousa; Almeida; Bezerra, 2024</xref>). Nos dados
                    analisados, a Lei de Zipf foi aplicada ao texto do resumo dos artigos.</p>
                <p>Além das leis de dispersão e frequência, a bibliometria oferece outras métricas
                    para avaliar o impacto e a estrutura de uma área de pesquisa. A Lei de Lotka,
                    por exemplo, é utilizada para analisar a produtividade de autores em um
                    determinado campo, estabelecendo que um pequeno número de autores é responsável
                    pela maioria das publicações.</p>
                <p>Essa abordagem metodológica rigorosa e multifacetada permitiu uma análise
                    seletiva e aprofundada do material, garantindo que o estudo fosse guiado por
                    dados robustos e relevantes para responder à questão de pesquisa.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="results|discussion">
            <title>4 RESULTADOS E DISCUSSÕES</title>
            <p>Esta seção apresenta e discute os principais resultados obtidos a partir da análise
                bibliométrica da produção científica brasileira sobre o registro de marcas no
                período de 2010 a 2024. Inicialmente, examina-se a evolução temporal das
                publicações, com o objetivo de identificar tendências e momentos de inflexão no
                desenvolvimento do campo. Em seguida, são analisados os periódicos científicos por
                meio da aplicação da Lei de Bradford, evidenciando a concentração editorial da
                produção. Na sequência, a distribuição e a frequência das palavras-chave são
                examinadas à luz da Lei de Zipf, permitindo a identificação dos principais eixos
                temáticos e lacunas de pesquisa. Por fim, a produtividade dos autores é analisada
                com base na Lei de Lotka, oferecendo subsídios para a compreensão da estrutura e do
                grau de consolidação da comunidade científica dedicada ao estudo do registro de
                marcas no Brasil.</p>
            <sec>
                <title>4.1 EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA SOBRE REGISTRO DE MARCAS
                    (2010–2024)</title>
                <p>A seleção dos artigos constituiu etapa fundamental para a análise do desempenho
                    da produção científica brasileira relacionada ao registro de marcas e à PI no
                    período de 2010 a 2024. A evolução temporal das publicações, apresentada no
                        <xref ref-type="fig" rid="F1">gráfico 1</xref>, permite identificar mudanças
                    relevantes no grau de maturidade acadêmica do campo ao longo do tempo,
                    evidenciando diferentes fases de consolidação da temática no contexto
                    nacional.</p>
                <fig id="F1">
                    <label>Gráfico 1</label>
                    <caption>
                        <title>Quantidade de artigos por ano de publicação (2010-2024)</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1984-7297-regea-15-01-e6109-gf01.tif"/>
                    <attrib>Fonte: elaborado pelos autores (2025).</attrib>
                </fig>
                <p>Conforme ilustrado no <xref ref-type="fig" rid="F1">gráfico 1</xref>, observa-se
                    que, entre os anos de 2010 e 2015, a produção científica manteve-se em patamares
                    reduzidos, com uma média anual de um a três artigos publicados. Esse
                    comportamento pode ser interpretado como reflexo da ainda incipiente
                    incorporação da PI nas agendas institucionais de pesquisa e nas políticas
                    públicas de ciência, tecnologia e inovação (CT&amp;I) no Brasil durante esse
                    período. Estudos sobre o sistema nacional de inovação indicam que, apesar dos
                    avanços institucionais observados desde o final da década de 1990, persistiram
                    limitações relacionadas à fragmentação das políticas, à baixa articulação entre
                    os atores do sistema e à dificuldade de transformar produção científica em
                    resultados aplicáveis, como registros de PI e inovações efetivas (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B53">Turchi; Morais, 2017</xref>).</p>
                <p>Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B18">Ferreira (2018)</xref> destaca que
                    a consolidação da produção científica e tecnológica depende diretamente da
                    existência de políticas públicas robustas, contínuas e articuladas, capazes de
                    integrar universidades, institutos de pesquisa, setor produtivo e mecanismos de
                    proteção da PI. A ausência ou fragilidade desses instrumentos tende a limitar
                    não apenas o volume de pesquisas desenvolvidas, mas também sua orientação
                    estratégica para resultados tecnológicos e inovadores, o que ajuda a explicar o
                    baixo número de publicações sobre registro de marcas observado no período
                    inicial da série analisada.</p>
                <p>A partir de 2016, observa-se um crescimento consistente da produção científica
                    brasileira relacionada ao registro de marcas, ainda que marcado por oscilações
                    ao longo dos anos. Esse movimento se intensifica de forma mais evidente no
                    período pós-pandemia da Covid-19, culminando no ano de 2023, que apresenta o
                    maior volume de publicações da série analisada, com média de doze artigos. Tal
                    expansão sugere um processo de amadurecimento do campo, associado à maior
                    centralidade atribuída à PI nas agendas acadêmicas, institucionais e
                    empresariais.</p>
                <p>A crise sanitária desencadeada pela pandemia da Covid-19 promoveu uma
                    reconfiguração das prioridades em CT&amp;I, evidenciando a necessidade de
                    soluções rápidas, proteção jurídica do conhecimento e valorização dos ativos
                    intangíveis. No âmbito da PI, esse contexto impulsionou tanto a produção
                    científica quanto a demanda por mecanismos formais de proteção, como marcas e
                    patentes. Conforme demonstrado por <xref ref-type="bibr" rid="B25">Leal e Barros
                        (2022)</xref>, o INPI manteve níveis expressivos de desempenho durante o
                    período pandêmico, graças à adoção de estratégias institucionais de adaptação,
                    como o teletrabalho, assegurando a continuidade dos serviços e a tramitação dos
                    pedidos de registro de marcas.</p>
                <p>Esse cenário de fortalecimento institucional se reflete também no aumento
                    significativo dos pedidos de registro de marcas no país. Em 2023, o INPI
                    registrou 402.460 pedidos de marcas, o que tem uma representatividade de um
                    aumento de 143% em relação a 2013, evidenciando a consolidação de uma cultura de
                    proteção de ativos intangíveis no Brasil e a crescente percepção das marcas como
                    instrumentos estratégicos de competitividade no ambiente empresarial (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B20">INPI, 2024</xref>). Esse movimento está alinhado
                    ao diagnóstico apresentado por <xref ref-type="bibr" rid="B19">Heck
                        (2020)</xref>, ao destacar que, mesmo diante de limitações estruturais
                    históricas, o país passou a reconhecer, de forma mais clara, a importância da
                    inovação e da proteção do conhecimento como vetores de desenvolvimento econômico
                    e social.</p>
                <p>Além do impacto organizacional e do aumento expressivo dos registros de marcas, a
                    intensificação da produção científica no período analisado está associada à
                    atuação de políticas públicas e programas estruturantes voltados à CT&amp;I.
                    Destaca-se, nesse contexto, o papel do Programa Institucional de Bolsas de
                    Iniciação Científica (PIBIC), coordenado pelo Conselho Nacional de
                    Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), como importante mecanismo de
                    formação de novos pesquisadores e de inserção de temas relacionados à inovação e
                    à PI nos níveis de graduação e pós-graduação (<xref ref-type="bibr" rid="B16"
                        >CNPq, 2023</xref>).</p>
                <p>Complementarmente, o Programa de Mestrado Profissional em Propriedade Intelectual
                    e Transferência de Tecnologia para Inovação (PROFNIT) emerge como um elemento
                    central na consolidação dessa agenda no país. Estudos recentes demonstram que o
                    PROFNIT tem atuado como uma política pública de alcance nacional, contribuindo
                    para a formação de massa crítica qualificada, a interiorização da cultura da
                    inovação e a valorização dos ativos intangíveis, incluindo marcas, patentes e
                    tecnologias aplicadas. Ao articular instituições de ensino, setor produtivo e
                    sistemas regionais de inovação, o programa tem desempenhado papel relevante na
                    aproximação entre ciência e mercado e na redução das assimetrias regionais do
                    sistema brasileiro de inovação (<xref ref-type="bibr" rid="B42">Quintella;
                        Santos; Pires, 2025</xref>).</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>4.2 PERIÓDICOS CIENTÍFICOS E CONCENTRAÇÃO EDITORIAL: EVIDÊNCIAS DA LEI DE
                    BRADFORD</title>
                <p>A aplicação da Lei de Bradford exige a contagem do número de artigos por
                    periódico, o ranqueamento por produtividade decrescente e o agrupamento em zonas
                    de produtividade equivalente (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Bradford,
                        1934</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">Araújo, 2006</xref>). No
                    presente estudo, o corpus analisado foi composto por 56 artigos. Considerando a
                    divisão clássica proposta pela lei, cada zona deveria concentrar,
                    aproximadamente, um terço da produção, o que corresponde a cerca de 19 artigos
                    por zona.</p>
                <p>Conforme se observa na <xref ref-type="table" rid="T4">tabela 1</xref>, a análise
                    revelou forte concentração da produção científica em um único periódico. O
                    “Cadernos de Prospecção” reuniu 24 artigos, número suficiente para,
                    isoladamente, constituir o núcleo de maior produtividade (Zona 1), superando a
                    cota mínima esperada para essa zona. Esse resultado evidencia um padrão de
                    concentração acentuado, típico de áreas em processo de especialização
                    editorial.</p>
                <table-wrap id="T4">
                    <label>Tabela 1</label>
                    <caption>
                        <title>Aplicação da Lei de Bradford aos 56 artigos analisados sobre registro
                            de marca no Brasil</title>
                    </caption>
                    <table>
                        <thead>
                            <tr>
                                <th valign="top" align="center">Zona</th>
                                <th valign="top" align="center">N° de Artigos</th>
                                <th valign="top" align="center">N° de Periódicos</th>
                                <th valign="top" align="center">% de Artigos</th>
                                <th valign="top" align="center">% de Periódicos</th>
                                <th valign="top" align="center">Revistas</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">Zona 1 (Núcleo)</td>
                                <td valign="top" align="center">24</td>
                                <td valign="top" align="center">1</td>
                                <td valign="top" align="center">42,86%</td>
                                <td valign="top" align="center">3,23%</td>
                                <td valign="top" align="center">Cadernos de Prospecção</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">Zona 2</td>
                                <td valign="top" align="center">15</td>
                                <td valign="top" align="center">14</td>
                                <td valign="top" align="center">26,79%</td>
                                <td valign="top" align="center">45,16%</td>
                                <td valign="top" align="left">E-Revista Logo; Holos; Gestão e
                                    Desenvolvimento; Animus. Revista Interamericana de Comunicação
                                    Midiática; Conhecimento &amp; Diversidade; Revista Brasileira de
                                    Direito; Proceedings Systems &amp; Design 2017; Revista
                                    Catarinense de Economia; Observatório de La Economía
                                    Latinoamericana; Revista de Gestão e Secretariado; Modapalavra
                                    E-Periódico; Rege - Revista de Gestão; Revista Jurídica Cesumar
                                    – Mestrado; Design e Tecnologia</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">Zona 3</td>
                                <td valign="top" align="center">17</td>
                                <td valign="top" align="center">17</td>
                                <td valign="top" align="center">30,36%</td>
                                <td valign="top" align="center">51,61%</td>
                                <td valign="top" align="left">Revista ee Gestão Industrial; Informe
                                    Econômico (Ufpi); IFL Developmen; Revista de Propriedade
                                    Intelectual - Direito Contemporâneo e Constituição; Revista
                                    Brasileira de Administração Cientí¬fica; Revista Brasileira de
                                    Direito Civil; Revista Práticas em Contabilidade e Gestão;
                                    Anuário Pesquisa e Extensão Unoesc São Miguel do Oeste; Revista
                                    Organizações em Contexto; Revista de Administração Pública;
                                    Revista Planejamento e Políticas Públicas; Revista Geintec:
                                    Gestão, Inovação e Tecnologia; Revista De Direito, Inovação,
                                    Propriedade Intelectual e Concorrência; Revista Admpg; Revista
                                    de Empreendedorismo e Gestão de Micro e Pequenas Empresas;
                                    Cadernos de Direito; Revista da Faculdade de Direito,
                                    Universidade de São Paulo</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">Total</td>
                                <td valign="top" align="center">56</td>
                                <td valign="top" align="center">32</td>
                                <td valign="top" align="center">100%</td>
                                <td valign="top" align="center">100%</td>
                                <td valign="top" align="center"/>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <attrib>Fonte: elaborado pelos autores (2025).</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Os demais periódicos apresentaram produtividade significativamente inferior. A
                    Zona 2 foi composta por 15 artigos distribuídos em 14 periódicos distintos,
                    enquanto a Zona 3 concentrou 17 artigos publicados em 17 revistas diferentes, e
                    a maioria desses periódicos contribuiu com apenas um artigo ao longo do período
                    analisado. Esse comportamento confirma a lógica de dispersão progressiva
                    prevista pela Lei de Bradford, segundo a qual, à medida que se afastam do
                    núcleo, aumenta o número de periódicos necessários para reunir quantidade
                    equivalente de publicações.</p>
                <p>A centralidade do Cadernos de Prospecção não se configura como um fenômeno
                    aleatório, mas está associada ao seu escopo editorial, explicitamente voltado à
                    prospecção tecnológica, à propriedade intelectual, à transferência de tecnologia
                    e à inovação (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Cadernos de Prospecção,
                        2008</xref>). Essa especialização favorece a atração recorrente de pesquisas
                    sobre registro de marcas, consolidando o periódico como principal canal de
                    difusão científica do tema no Brasil. Desse modo, o padrão identificado valida,
                    empiricamente, a aplicação da Lei de Bradford ao campo analisado.</p>
                <p>Por outro lado, a elevada concentração da produção em um único periódico também
                    sugere que o ecossistema de publicação nacional sobre registro de marcas
                    apresenta características de nicho. Embora a existência de um periódico
                    altamente especializado represente um fator positivo para a consolidação do
                    campo, a baixa dispersão da produção pode limitar a ampliação do diálogo
                    acadêmico e a circulação do conhecimento em comunidades científicas mais
                    amplas.</p>
                <p>Nas zonas periféricas, a distribuição dos artigos por periódicos de áreas como
                    direito, administração, economia, comunicação e inovação evidencia o caráter
                    interdisciplinar da temática. Esse resultado indica que, embora exista um núcleo
                    editorial dominante, os debates sobre marcas e PI extrapolam um único campo do
                    conhecimento, dialogando com diferentes áreas das ciências sociais aplicadas e
                    tecnológicas.</p>
                <p>Do ponto de vista bibliométrico, os resultados permitem identificar o núcleo como
                    principal repositório de conhecimento acumulado sobre o tema, ao mesmo tempo em
                    que as zonas periféricas revelam a transversalidade da pesquisa em registro de
                    marcas. Essa configuração oferece subsídios tanto para a orientação de futuras
                    pesquisas quanto para a definição de estratégias de publicação, ao indicar
                    periódicos centrais e alternativos para a difusão científica.</p>
                <p>Em síntese, os achados confirmam o padrão previsto pela Lei de Bradford: um
                    número reduzido de periódicos concentra a maior parte da produção científica,
                    enquanto um conjunto mais amplo de revistas absorve os trabalhos restantes de
                    forma progressivamente dispersa. Tal resultado evidencia simultaneamente a
                    consolidação de um periódico central no Brasil e a expansão do debate sobre PI e
                    marcas em diferentes campos do conhecimento</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>4.3 PADRÕES LEXICAIS E VOCABULÁRIO DOMINANTE: APLICAÇÃO DA LEI DE
                    ZIPF</title>
                <p>A análise de frequência das palavras-chave presentes nos 56 artigos (<xref
                        ref-type="table" rid="T5">tabela 2</xref>) indicou que o vocabulário segue a
                    distribuição típica prevista pela Lei de Zipf (1949), segundo a qual a
                    frequência de ocorrência de uma palavra é inversamente proporcional à sua
                    posição no ranking de frequência. Ou seja, a palavra mais usada (no estudo, uma
                    combinação de “marcas” e “marca”) tende a aparecer, aproximadamente, o dobro de
                    vezes que a segunda colocada, o triplo da terceira, e assim sucessivamente.</p>
                <table-wrap id="T5">
                    <label>Tabela 2</label>
                    <caption>
                        <title>Classificação e Frequência das Palavras-Chave de artigos científicas
                            relacionados a registro de marca no Brasil aplicada à lei de
                            Zipf</title>
                    </caption>
                    <table>
                        <thead>
                            <tr>
                                <th valign="top" align="center">Ranking</th>
                                <th valign="top" align="center">Palavra</th>
                                <th valign="top" align="center">Frequência</th>
                                <th valign="top" align="center">Frequência Esperada (Zipf)<xref
                                        ref-type="table-fn" rid="TN1">*</xref></th>
                                <th valign="top" align="center">Ranking</th>
                                <th valign="top" align="center">Palavra</th>
                                <th valign="top" align="center">Frequência</th>
                                <th valign="top" align="center">Frequência Esperada (Zipf)<xref
                                        ref-type="table-fn" rid="TN1">*</xref></th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>1</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">marcas</td>
                                <td valign="top" align="center">111</td>
                                <td valign="top" align="center">150.95</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>26</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">caso</td>
                                <td valign="top" align="center">18</td>
                                <td valign="top" align="center">17.56</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>2</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">marca</td>
                                <td valign="top" align="center">86</td>
                                <td valign="top" align="center">95.51</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>27</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">inovação</td>
                                <td valign="top" align="center">17</td>
                                <td valign="top" align="center">17.13</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>3</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">registro</td>
                                <td valign="top" align="center">85</td>
                                <td valign="top" align="center">73.08</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>28</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">pelo</td>
                                <td valign="top" align="center">17</td>
                                <td valign="top" align="center">16.72</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>4</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">estudo</td>
                                <td valign="top" align="center">59</td>
                                <td valign="top" align="center">60.43</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>29</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">presente</td>
                                <td valign="top" align="center">16</td>
                                <td valign="top" align="center">16.34</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>5</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">pesquisa</td>
                                <td valign="top" align="center">53</td>
                                <td valign="top" align="center">52.15</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>30</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">pedidos</td>
                                <td valign="top" align="center">16</td>
                                <td valign="top" align="center">15.98</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>6</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">objetivo</td>
                                <td valign="top" align="center">47</td>
                                <td valign="top" align="center">46.24</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>31</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">base</td>
                                <td valign="top" align="center">15</td>
                                <td valign="top" align="center">15.63</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>7</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">propriedade</td>
                                <td valign="top" align="center">40</td>
                                <td valign="top" align="center">41.76</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>32</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">anos</td>
                                <td valign="top" align="center">15</td>
                                <td valign="top" align="center">15.31</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>8</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">proteção</td>
                                <td valign="top" align="center">37</td>
                                <td valign="top" align="center">38.24</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>33</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">partir</td>
                                <td valign="top" align="center">15</td>
                                <td valign="top" align="center">15.0</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>9</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">dados</td>
                                <td valign="top" align="center">36</td>
                                <td valign="top" align="center">35.38</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>34</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">sendo</td>
                                <td valign="top" align="center">14</td>
                                <td valign="top" align="center">14.71</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>10</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">INPI</td>
                                <td valign="top" align="center">34</td>
                                <td valign="top" align="center">33.0</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>35</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">consumidores</td>
                                <td valign="top" align="center">14</td>
                                <td valign="top" align="center">14.43</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>11</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">empresas</td>
                                <td valign="top" align="center">33</td>
                                <td valign="top" align="center">30.99</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>36</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">analisar</td>
                                <td valign="top" align="center">14</td>
                                <td valign="top" align="center">14.16</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>12</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">meio</td>
                                <td valign="top" align="center">33</td>
                                <td valign="top" align="center">29.26</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>37</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">nacional</td>
                                <td valign="top" align="center">14</td>
                                <td valign="top" align="center">13.91</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>13</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">desenvolvimento</td>
                                <td valign="top" align="center">31</td>
                                <td valign="top" align="center">27.75</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>38</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">maior</td>
                                <td valign="top" align="center">13</td>
                                <td valign="top" align="center">13.67</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>14</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">foram</td>
                                <td valign="top" align="center">29</td>
                                <td valign="top" align="center">26.42</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>39</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">tema</td>
                                <td valign="top" align="center">13</td>
                                <td valign="top" align="center">13.43</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>15</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">artigo</td>
                                <td valign="top" align="center">28</td>
                                <td valign="top" align="center">25.25</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>40</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">processo</td>
                                <td valign="top" align="center">13</td>
                                <td valign="top" align="center">13.21</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>16</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">este</td>
                                <td valign="top" align="center">27</td>
                                <td valign="top" align="center">24.19</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>41</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">sentido</td>
                                <td valign="top" align="center">12</td>
                                <td valign="top" align="center">13.0</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>17</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">gestão</td>
                                <td valign="top" align="center">26</td>
                                <td valign="top" align="center">23.25</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>42</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">relação</td>
                                <td valign="top" align="center">12</td>
                                <td valign="top" align="center">12.79</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>18</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">análise</td>
                                <td valign="top" align="center">24</td>
                                <td valign="top" align="center">22.38</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>43</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">registros</td>
                                <td valign="top" align="center">12</td>
                                <td valign="top" align="center">12.6</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>19</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">Brasil</td>
                                <td valign="top" align="center">24</td>
                                <td valign="top" align="center">21.6</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>44</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">empresa</td>
                                <td valign="top" align="center">12</td>
                                <td valign="top" align="center">12.41</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>20</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">industrial</td>
                                <td valign="top" align="center">24</td>
                                <td valign="top" align="center">20.88</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>45</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">instituto</td>
                                <td valign="top" align="center">11</td>
                                <td valign="top" align="center">12.22</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>21</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">intelectual</td>
                                <td valign="top" align="center">21</td>
                                <td valign="top" align="center">20.22</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>46</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">quanto</td>
                                <td valign="top" align="center">11</td>
                                <td valign="top" align="center">12.05</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>22</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">resultados</td>
                                <td valign="top" align="center">20</td>
                                <td valign="top" align="center">19.61</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>47</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">principais</td>
                                <td valign="top" align="center">11</td>
                                <td valign="top" align="center">11.88</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>23</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">produtos</td>
                                <td valign="top" align="center">20</td>
                                <td valign="top" align="center">19.04</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>48</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">junto</td>
                                <td valign="top" align="center">11</td>
                                <td valign="top" align="center">11.71</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>24</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">trabalho</td>
                                <td valign="top" align="center">19</td>
                                <td valign="top" align="center">18.51</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>49</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">processos</td>
                                <td valign="top" align="center">11</td>
                                <td valign="top" align="center">11.55</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center"><bold>25</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">mercado</td>
                                <td valign="top" align="center">18</td>
                                <td valign="top" align="center">18.02</td>
                                <td valign="top" align="center"><bold>50</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">deste</td>
                                <td valign="top" align="center">11</td>
                                <td valign="top" align="center">11.4</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn id="TN1">
                            <label>*</label>
                            <p>A frequência esperada foi calculada usando a equação de regressão
                                conforme Figura X. Frequência Esperada = e4.67−0.66×log(Rank)</p>
                        </fn>
                        <attrib>Fonte: elaborado pelos autores (2025).</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>No corpus analisado, ao termo “marcas” aparece 111 vezes, seguida de “marca” (86)
                    e “registro” (85). Essa concentração evidencia que o eixo central da discussão é
                    voltado à temática da gestão e proteção de marcas, coerente com o escopo dos
                    documentos e confirma o delineamento dos objetivos da pesquisa. Ao longo do
                    ranking, observa-se o aparecimento de termos como “estudo” (59), “pesquisa”
                    (53), “objetivo” (47), “propriedade” (40) e “proteção” (37), que funcionam como
                    palavras estruturantes, conectando a discussão acadêmica ao campo da PI e ao
                    papel das instituições reguladoras, especialmente o INPI (34).</p>
                <p>O gráfico log-log (<xref ref-type="fig" rid="F2">gráfico 2</xref>) confirmou a
                    aderência ao comportamento descrito por Zipf. A curva decrescente apresenta um
                    padrão aproximadamente linear, reforçando que o texto apresenta uma concentração
                    de sentido em torno de poucas palavras de grande frequência, enquanto a maioria
                    das palavras aparece poucas vezes. Esse padrão é típico de textos científicos e
                    jurídicos, em que determinados conceitos nucleares são reiterados como forma de
                    consolidar a argumentação e a ênfase temática.</p>
                <fig id="F2">
                    <label>Gráfico 2</label>
                    <caption>
                        <title>Gráfico Log-Log da Lei de Zipf aplicado à Classificação e Frequência
                            das Palavras-Chave de artigos científicas relacionados a registro de
                            marca no Brasil</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1984-7297-regea-15-01-e6109-gf02.tif"/>
                    <attrib>Fonte: elaborado pelos autores (2025).</attrib>
                </fig>
                <p>A análise da regressão log-log aplicada aos dados revelou que a dispersão das
                    palavras segue uma tendência linear em escala logarítmica, evidenciando forte
                    correlação entre ranking e frequência, em conformidade com a Lei de Zipf. A
                    equação estimada para a reta de regressão foi y = −0,66x + 4,67, com inclinação
                    de −0,66, valor próximo, mas menos acentuado que o −1,0 previsto no modelo
                    teórico ideal, o que indica uma distribuição típica de textos reais, que
                    raramente seguem a lei em sua forma pura. O coeficiente de determinação
                        (R<sup>2</sup> = 0,9822) reforça a robustez do ajuste, demonstrando que mais
                    de 98% da variação na frequência das palavras pode ser explicada pela variação
                    em seu ranking logarítmico. Esses resultados confirmam que a distribuição das
                    palavras no corpus analisado se aproxima fortemente do modelo de Zipf, sendo o
                    ranking uma excelente variável preditora da frequência observada.</p>
                <p>Do ponto de vista teórico, a análise reforça a noção de que textos
                    especializados, como os que abordam PI, tendem a concentrar-se em um vocabulário
                    nuclear repetido diversas vezes, garantindo precisão conceitual e clareza
                    argumentativa. Em termos práticos, a forte aderência ao modelo sugere que é
                    possível mapear os campos semânticos dominantes do discurso – como “marcas”,
                    “registro”, “propriedade” e “proteção” – para identificar os conceitos-chave que
                    estruturam o debate acadêmico e institucional, fornecendo subsídios para
                    análises bibliométricas, estratégias de indexação de documentos e, até mesmo,
                    para o fortalecimento da comunicação científica na área.</p>
                <p>De modo geral, a análise de Zipf, que confirmou a dominância de termos como
                    marca, registro, INPI e gestão, revela que a preocupação central da pesquisa
                    está nos aspectos práticos e burocráticos do sistema de propriedade industrial.
                    Os artigos investigam os desafios do registro, a relação entre o registro e o
                    desenvolvimento econômico, as dificuldades enfrentadas por micro e pequenas
                    empresas, e as fragilidades do próprio INPI.</p>
                <p>Curiosamente, os próprios estudos apontam para uma contradição no sistema. Por
                    exemplo, os artigos de <xref ref-type="bibr" rid="B33">Medeiros Filho e Russo
                        (2016)</xref> e de <xref ref-type="bibr" rid="B41">Portela Júnior e Ribeiro
                        (2023)</xref> documentam o alto índice de indeferimentos de pedidos de
                    registro no INPI e a falta de conhecimento das empresas sobre o funcionamento do
                    sistema de proteção às marcas. Isso sugere que, embora a academia esteja
                    ativamente produzindo conhecimento sobre a importância e o processo de registro,
                    esse conhecimento não está sendo traduzido de forma eficaz para o setor
                    empresarial, resultando em barreiras práticas e falhas na proteção de
                    ativos.</p>
                <p>Entretanto, essa concentração temática também revela lacunas relevantes. Embora
                    haja ampla discussão sobre a importância do registro de marcas, parte da
                    literatura aponta elevados índices de indeferimento de pedidos e limitado
                    conhecimento empresarial acerca do funcionamento do sistema, indicando um
                    descompasso entre a produção acadêmica e sua apropriação prática pelo setor
                    produtivo. Além disso, observa-se baixa incidência de termos associados a
                    tecnologias emergentes e aos novos ambientes digitais, como inteligência
                    artificial, blockchain ou metaverso, sugerindo que a pesquisa nacional sobre
                    marcas ainda se encontra pouco explorada no que se refere às transformações
                    tecnológicas contemporâneas. Tal lacuna aponta para oportunidades relevantes de
                    investigação futura no campo da PI.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>4.4 PRODUTIVIDADE AUTORAL E ESTRUTURA DA COMUNIDADE CIENTÍFICA: LEI DE
                    LOTKA</title>
                <p>A distribuição da produtividade científica por autor no corpus analisado segue o
                    padrão previsto pela Lei de Lotka, segundo a qual um número reduzido de autores
                    é responsável por múltiplas publicações, enquanto a maioria contribui com apenas
                    um trabalho ao longo do período observado (<xref ref-type="bibr" rid="B29"
                        >Lotka, 1926</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B49">Sousa; Almeida;
                        Bezerra, 2024</xref>). Esse comportamento é recorrente em estudos
                    bibliométricos e reflete a concentração da produção científica em grupos
                    restritos de pesquisadores mais especializados.</p>
                <p>No conjunto de 56 artigos analisados, identificou-se um total aproximado de 125
                    autores com apenas uma publicação, contrastando com um grupo restrito de oito
                    autores que apresentaram duas publicações cada. A <xref ref-type="table"
                        rid="T6">tabela 3</xref> apresenta o ranking dos autores mais produtivos e
                    suas respectivas instituições de vínculo, evidenciando a presença de
                    pesquisadores associados a universidades públicas e programas de pós-graduação
                    com atuação consolidada nas áreas de PI, gestão e inovação.</p>
                <table-wrap id="T6">
                    <label>Tabela 3</label>
                    <caption>
                        <title>Ranking de Autores por Produtividade</title>
                    </caption>
                    <table>
                        <thead>
                            <tr>
                                <th valign="top" align="center">Autor</th>
                                <th valign="top" align="center">Frequência de Artigos</th>
                                <th valign="top" align="center">Instituições de Vínculo</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Adonis Reis de Medeiros Filho</td>
                                <td valign="top" align="center">2</td>
                                <td valign="top" align="center">UFS</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Alessandro Aveni</td>
                                <td valign="top" align="center">2</td>
                                <td valign="top" align="center">UnB</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Andreia Rodrigues Ferreira Baro</td>
                                <td valign="top" align="center">2</td>
                                <td valign="top" align="center">UFAL</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Edilson Araújo Pires</td>
                                <td valign="top" align="center">2</td>
                                <td valign="top" align="center">UFRB</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Eugenio Andrés Díaz Merino</td>
                                <td valign="top" align="center">2</td>
                                <td valign="top" align="center">UFSC</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">José Matias-Pereira</td>
                                <td valign="top" align="center">2</td>
                                <td valign="top" align="center">UnB</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Marcos Augusto Oliveira Sales</td>
                                <td valign="top" align="center">2</td>
                                <td valign="top" align="center">UFRB</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left">Suzana Leitão Russo</td>
                                <td valign="top" align="center">2</td>
                                <td valign="top" align="center">UFS</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <attrib>Fonte: elaborado pelos autores (2025).</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Os autores mais produtivos encontram-se distribuídos em diferentes instituições e
                    regiões do país, o que indica que, embora a produção científica seja concentrada
                    em poucos pesquisadores, ela não se restringe a um único núcleo institucional.
                    Esse resultado sugere a existência de uma massa crítica descentralizada, ainda
                    que limitada em termos quantitativos, responsável por sustentar e aprofundar o
                    debate acadêmico sobre registro de marcas no Brasil.</p>
                <p>A predominância de autores com apenas uma publicação pode indicar que o tema do
                    registro de marcas é frequentemente abordado de forma pontual, muitas vezes
                    associado a pesquisas mais amplas sobre inovação, direito ou gestão, e não
                    necessariamente como uma linha contínua de investigação. Por outro lado, a
                    presença de autores recorrentes sinaliza a consolidação de especialistas que
                    atuam como referências no campo, contribuindo para a continuidade e o
                    aprofundamento das discussões teóricas e empíricas.</p>
                <p>Em síntese, os resultados confirmam a aderência do corpus analisado ao padrão
                    descrito pela Lei de Lotka, evidenciando uma estrutura típica de produção
                    científica, caracterizada pela coexistência entre um núcleo reduzido de autores
                    mais produtivos e um conjunto amplo de pesquisadores ocasionais. Esse padrão
                    reforça a interpretação de que o campo de estudos sobre registro de marcas no
                    Brasil encontra-se em processo de consolidação, com potencial para ampliação e
                    maior continuidade das agendas de pesquisa.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec>
            <title>5 CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
            <p>O presente estudo analisou a evolução da produção científica brasileira sobre o
                registro de marcas no período de 2010 a 2024, por meio de uma abordagem
                bibliométrica, com o objetivo de identificar padrões de publicação, periódicos de
                maior destaque, recorrência temática e lacunas de pesquisa no campo da PI. Os
                resultados evidenciam um crescimento consistente das publicações a partir de 2016,
                com destaque para a consolidação do periódico <italic>Cadernos de
                    Prospecção</italic> como núcleo central de disseminação científica sobre o tema
                no Brasil, em consonância com os pressupostos da Lei de Bradford.</p>
            <p>A análise da frequência de palavras-chave, fundamentada na Lei de Zipf, revelou a
                predominância de termos associados aos aspectos operacionais e burocráticos do
                registro de marcas, especialmente aqueles vinculados ao INPI. Esse achado indica que
                a produção científica nacional tem priorizado discussões voltadas à formalização e
                aos procedimentos administrativos do sistema de proteção marcária, em detrimento de
                abordagens mais exploratórias relacionadas a tecnologias emergentes e aos novos
                desafios da proteção de ativos intangíveis no ambiente digital.</p>
            <p>Embora os resultados apontem para a consolidação do campo e para o fortalecimento do
                debate acadêmico sobre o registro de marcas, observa-se que a transferência desse
                conhecimento para o ambiente empresarial, em especial para micro e pequenas
                empresas, ainda se apresenta como uma lacuna relevante. Tal constatação reforça a
                necessidade de maior articulação entre a produção científica, as políticas públicas
                de inovação e os instrumentos de apoio à proteção da PI, de modo a ampliar o impacto
                prático das pesquisas desenvolvidas.</p>
            <p>É importante destacar que os achados deste estudo devem ser interpretados à luz de
                algumas limitações metodológicas. A utilização exclusiva da base Lens.org, embora
                justificada por sua ampla cobertura e acesso aberto, pode ter restringido a inclusão
                de trabalhos indexados em outras bases relevantes. Da mesma forma, a estratégia de
                busca adotada, ainda que abrangente, pode não ter capturado estudos que utilizam
                terminologias alternativas. Ademais, o recorte para publicações vinculadas a
                instituições brasileiras, bem como o tamanho do corpus final analisado, composto por
                56 artigos, limitam a possibilidade de generalização dos resultados e de comparações
                diretas com o cenário internacional. Ressalta-se, ainda, que a adoção exclusiva de
                técnicas bibliométricas fornece um panorama quantitativo e estrutural do campo, não
                contemplando análises empíricas ou qualitativas aprofundadas sobre os impactos
                práticos do registro de marcas.</p>
            <p>Apesar dessas limitações, o estudo oferece uma contribuição relevante ao sistematizar
                e organizar a produção científica brasileira sobre o registro de marcas, fornecendo
                subsídios teóricos e analíticos para pesquisadores, gestores de inovação e
                formuladores de políticas públicas. Como perspectivas para pesquisas futuras,
                recomenda-se a ampliação do escopo metodológico por meio da incorporação de
                múltiplas bases de dados, a realização de estudos comparativos internacionais e a
                adoção de abordagens mistas, capazes de aprofundar a compreensão sobre a efetividade
                das políticas de registro de marcas e sua relação com a inovação, o desempenho
                empresarial e o desenvolvimento econômico no Brasil.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <ack>
            <title>AGRADECIMENTOS</title>
            <p>Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
                (CNPq) pela concessão da bolsa de Iniciação Científica do Programa Institucional de
                Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), referente ao período 2024/2025, cujo apoio
                foi fundamental para o desenvolvimento desta pesquisa.</p>
        </ack>
        <ref-list>
            <title>REFERÊNCIAS</title>
            <ref id="B1">
                <mixed-citation>AIRES, G. M. O conceito de marca e sua proteção jurídica.
                        <bold>Revista CEPPG</bold>, [<italic>s. l</italic>.], v. 25, n. 2, p.
                    115-129, 2011.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>AIRES</surname>
                            <given-names>G. M.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <article-title>O conceito de marca e sua proteção jurídica</article-title>
                    <source>Revista CEPPG, [s. l.]</source>
                    <volume>25</volume>
                    <issue>2</issue>
                    <fpage>115</fpage>
                    <lpage>129</lpage>
                    <year>2011</year>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B2">
                <mixed-citation>ALVES, C. R.; ALVES, M. B. N.; ALVES, T. N. Correlação entre o
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