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   <journal-id journal-id-type="nlm-ta">R Gest Anál</journal-id>
   <journal-id journal-id-type="publisher-id">regea</journal-id>
   <journal-title-group>
    <journal-title>Revista Gestão em Análise</journal-title>
    <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">R. Gest. Anál.</abbrev-journal-title>
   </journal-title-group>
   <issn pub-type="ppub">1984-7297</issn>
   <issn pub-type="epub">2359-618X</issn>
   <publisher>
    <publisher-name>Unichristus</publisher-name>
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   <article-id pub-id-type="doi">10.12662/2359-618xregea.v14i1.p104-119.2025</article-id>
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    <subj-group subj-group-type="heading">
     <subject>ARTIGOS</subject>
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   <title-group>
    <article-title>ANÁLISE DE VARIÂNCIA COMO SUPORTE PARA A FILOSOFIA <italic>LEAN</italic> NA
     FABRICAÇÃO DE GESSO</article-title>
    <trans-title-group xml:lang="en">
     <trans-title>VARIANCE ANALYSIS AS SUPPORT FOR <italic>LEAN</italic> PHILOSOPHY IN GYPSUM
      MANUFACTURING</trans-title>
    </trans-title-group>
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    <contrib contrib-type="author">
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      <surname>Santos</surname>
      <given-names>Pedro Vieira Souza</given-names>
     </name>
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      <surname>Silva</surname>
      <given-names>Eduína Carla da</given-names>
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      <given-names>Isabela Tito Pereira</given-names>
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      <surname>Araújo</surname>
      <given-names>Maurilio Arruda de</given-names>
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     <xref ref-type="aff" rid="aff4"/>
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    <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Vale do São Francisco</institution>
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     <city>Juazeiro</city>
     <state>BA</state>
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    <country country="BR">Brazil</country>
    <email>pedrovieirass@hotmail.com</email>
    <institution content-type="original">Mestre em Engenharia de Produção (UFPE). Graduado em
     Engenharia de Produção (UNIVASF). Atua como Professor, Pesquisador e Professor Conteudista na
     Universidade Federal do Vale do São Francisco. Juazeiro - BA – BR.
     pedrovieirass@hotmail.com</institution>
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    <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Campina Grande</institution>
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    <email>eduinac@gmail.com</email>
    <institution content-type="original">Graduada em Engenheira de Produção pela Universidade
     Federal de Campina Grande. Campina Grande - PB - BR. eduinac@gmail.com</institution>
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    <institution content-type="orgdiv1">Universidade Federal do Vale do São Francisco</institution>
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    <email>isabelatito@hotmail.com</email>
    <institution content-type="original">Mestra em Administração Pública pela Universidade Federal
     do Vale do São Francisco. Professora Substituta no curso de Engenharia de Produção na
     Universidade Federal do Vale do São Francisco. Salgueiro - PE - BR.
     isabelatito@hotmail.com</institution>
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   <aff id="aff4">
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    <institution content-type="orgdiv1">Universidade Federal do Vale do São Francisco</institution>
    <addr-line>
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    <country country="BR">Brazil</country>
    <email>maurilioarruda@hotmail.com</email>
    <institution content-type="original">Doutorando pelo Programa de Pós-graduação em Ciências
     Contábeis da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Professor Assistente (Efetivo) na
     Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA). Maraba - PA - BR.
     maurilioarruda@hotmail.com</institution>
   </aff>
   <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
    <day>11</day>
    <month>02</month>
    <year>2025</year>
   </pub-date>
   <pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
    <season>Jan-Apr</season>
    <year>2025</year>
   </pub-date>
   <volume>14</volume>
   <issue>1</issue>
   <fpage>104</fpage>
   <lpage>119</lpage>
   <history>
    <date date-type="received">
     <day>29</day>
     <month>07</month>
     <year>2024</year>
    </date>
    <date date-type="accepted">
     <day>23</day>
     <month>10</month>
     <year>2024</year>
    </date>
   </history>
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    <license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/"
     xml:lang="pt">
     <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative
      Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem
      restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
    </license>
   </permissions>
   <abstract>
    <title>RESUMO</title>
    <p>Considerando as diversas abordagens que são propostas e dispostas para aplicação nas
     indústrias dos mais variados setores, pode-se citar a estatística como uma das mais
     consolidadas. Trata-se de uma área que pode contribuir com uma gama de testes e tratamento de
     dados. Por outro lado, a Filosofia Lean possui um leque de ferramentas que viabilizam a redução
     de desperdícios. Nesse sentido, o presente artigo objetivou utilizar informações estatísticas
     para projetar o nível de produção de sacos de gesso, em uma calcinadora pernambucana. Nesse
     contexto, a avaliação estatística somada à abordagem proposta pelo Lean Manufacturing
     justifica-se diante da necessidade de proposição de melhorias no processo produtivo do gesso.
     Tratase de um enfoque metodológico híbrido, que une duas vertentes a favor do caso analisado. A
     maior parte das empresas da região carece de estudos e métodos que proporcionem ganhos efetivos
     em qualidade e produtividade dos processos internos. Quanto aos objetivos, esta pesquisa pode
     ser enquadrada como exploratória e, em relação aos procedimentos técnicos, a pesquisa
     classifica-se como sendo um estudo de campo, pois busca aprofundar o debate acerca da realidade
     específica do Arranjo Produtivo Local (APL) do Gesso, em Pernambuco. A pesquisa foi
     desenvolvida em duas fases: inicialmente, com base nos dados coletados, as análises
     estatísticas foram executadas e, posteriormente, os dados da produção obtidos foram submetidos
     ao processo de nivelamento, com o método Heijunka. Definiu-se o nível de produção local em
     10.000 sacos para cada linha de produção. Com isso, haverá uma quantidade de 500 sacos
     produzidos acima da demanda, que serão tratados como estoque de segurança. Pode-se evidenciar a
     associação possível de informações estatísticas como entrada para ferramentas da manufatura
     enxuta.</p>
   </abstract>
   <trans-abstract xml:lang="en">
    <title>ABSTRACT</title>
    <p>Considering the various approaches proposed and available for application in industries
     across a wide range of sectors, statistics can be cited as one of the most consolidated. It is
     an area that can contribute to a range of tests and data processing. On the other hand, Lean
     Philosophy has a range of tools that enable waste reduction. In this sense, this article aimed
     to use statistical information to project the production level of gypsum bags in a calciner in
     Pernambuco. In this sense, the statistical evaluation combined with the approach proposed by
     Lean Manufacturing is justified, given the need to input improvements in the gypsum production
     process. It is a hybrid methodological approach that combines two aspects in favor of the case
     analyzed. Most companies in the region lack studies and methods that provide effective gains in
     the quality and productivity of internal processes. Concerning the objectives, this research
     can be classified as exploratory, and in relation to the technical procedures, the research is
     classified as a field study, as it seeks to deepen the debate about the specific reality of the
     Local Production Arrangement (APL) of gypsum, in Pernambuco. The research was developed in two
     phases: initially, based on the data collected, statistical analyses were performed, and
     subsequently, the production data obtained were subjected to the leveling process with the
     Heijunka method. The local production level was defined as 10,000 bags for each production
     line. Therefore, there will be a quantity of 500 bags produced above the demand, which will be
     treated as safety stock. The possible association of statistical information as input for lean
     manufacturing tools can be evidenced.</p>
   </trans-abstract>
   <kwd-group xml:lang="pt">
    <title>Palavras-chave:</title>
    <kwd>ANOVA</kwd>
    <kwd>Heijunka</kwd>
    <kwd>Lean</kwd>
    <kwd>gesso</kwd>
    <kwd>Araripe</kwd>
   </kwd-group>
   <kwd-group xml:lang="en">
    <title>Keywords:</title>
    <kwd>ANOVA</kwd>
    <kwd>Heinjunka</kwd>
    <kwd>Lean</kwd>
    <kwd>gypsum</kwd>
    <kwd>Araripe</kwd>
   </kwd-group>
  </article-meta>
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 <body>
  <sec sec-type="intro">
   <title>1 INTRODUÇÃO</title>
   <p>No competitivo ambiente mercadológico atual, as empresas buscam, continuamente, a
    sustentabilidade das operações, observando as novas demandas impostas pelos clientes. À medida
    que a concorrência aumenta em paralelo aos requisitos técnicos, as indústrias de manufatura, em
    especial, são direcionadas a moldar as operações e seus processos internos com foco na melhoria
     (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Santos, 2020a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B34"
     >2020b</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9">Dias Neto <italic>et al</italic>., 2023</xref>;
     <xref ref-type="bibr" rid="B40">Silva; Silva; Santos, 2024</xref>).</p>
   <p>Assim, as organizações objetivam a manutenção do nível exigido de qualidade e serviço com
    vistas ainda ao aumento da eficiência. Todos esses fatores são atrelados à perspectiva
    financeira, isto é, à redução dos custos de fabricação. Para atingir esse objetivo, recorre-se a
    técnicas, filosofias e ferramentas de aprimoramento que permitem que as instituições modifiquem
    seus sistemas de produção (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Bohnen; Maschek; Deuse, 2015</xref>;
     <xref ref-type="bibr" rid="B42">Souza Júnior <italic>et al</italic>., 2022</xref>; <xref
     ref-type="bibr" rid="B23">Oliveira; Silva; Santos, 2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B41"
     >Soares <italic>et al</italic>., 2022</xref>).</p>
   <p>Nesse contexto, um setor que se destaca é o de produção de gesso, sobretudo das empresas
    localizadas no Arranjo Produtivo Local (APL) da região do Araripe, situado no Estado de
    Pernambuco. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B39">Santos e Clemente (2019)</xref>, as
    empresas do APL apresentam um significativo volume de produção, sendo um dos principais
    fornecedores de gesso em pó para indústrias diversas, como a construção civil, arquitetura,
    ortopedia e outras. Para <xref ref-type="bibr" rid="B38">Santos, Ferraz e Silva (2019)</xref>,
    as empresas do APL vêm buscando, continuamente, formas de agregar valor a seus produtos, seja
    por meio de melhores métodos de gestão, seja até por formas de inovação, em um constante
    processo de desenvolvimento local.</p>
   <p>Diversas ferramentas de gestão podem ser empregadas nos mais variados tipos de realidade e/ou
    processos, como as de base estatística. Nesse sentido, a Estatística pode ser entendida como uma
    ciência que engloba a coleta, a organização, a análise, a interpretação e ainda a apresentação
    de dados. Por meio desse conhecimento estatístico, o gestor propicia “à empresa a vantagem
    competitiva contra organizações que não compreendem seus dados internos e externos de mercado”
     (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Doane; Lori, 2014, p. 5</xref>).</p>
   <p>Outra abordagem contemporânea trata da Filosofia Lean Manufacturing, ou produção enxuta.
    Traduz-se como uma forma de gestão com foco na eliminação de atividades que não agregam valor ao
    produto ou serviço. Em outras palavras, direciona-se à redução de desperdícios atrelados à
    produção em excesso, ao tempo de espera, transporte, processamento, estoque, movimento e/ou aos
    defeitos (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Lee <italic>et al</italic>., 2007</xref>; <xref
     ref-type="bibr" rid="B5">Bortolotti; Romano; Nicoletti, 2010</xref>; <xref ref-type="bibr"
     rid="B22">Oliveira; Santos Filho; Santos, 2024</xref>).</p>
   <p>Diversas ferramentas compõem a abordagem Lean, como o Heijunka. Essa ferramenta é aplicada com
    o intuito de executar o nivelamento da produção, sendo uma técnica capaz de reduzir a
    irregularidade, que, consequentemente, pode reduzir o desperdício. Por tal, é uma contribuição
    vital para o desenvolvimento da eficiência da produção na manufatura enxuta (<xref
     ref-type="bibr" rid="B16">Hüttmeir <italic>et al.,</italic> 2009</xref>; <xref ref-type="bibr"
     rid="B18">Korytkowski; Grimaud; Dolgiu, 2014</xref>).</p>
   <p>Nesse contexto, a avaliação estatística, somada à abordagem proposta pelo Lean Manufacturing,
    justifica-se diante da necessidade de proposição de melhorias no processo produtivo do gesso
     (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Santos; Clemente, 2019</xref>). Trata-se de um enfoque
    metodológico híbrido, que une duas vertentes a favor do caso analisado. A maior parte das
    empresas da região carece de estudos e métodos que proporcionem ganhos efetivos em qualidade e
    produtividade dos processos internos (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Fernandes <italic>et
      al</italic>., 2021</xref>).</p>
   <p>Isso posto, a problemática levantada é: como ferramentas estatísticas podem auxiliar na
    implementação de ferramentas <italic>Lean</italic> em empresas do setor de gesso? Logo, o
    presente artigo tem como objetivo utilizar informações da Análise de Variância (ANOVA) para
    definir e projetar o nível de produção de sacos de gesso em pó, em uma calcinadora localizada na
    Região do Araripe, em Pernambuco.</p>
  </sec>
  <sec>
   <title>2 CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS SOBRE O LEAN MANUFACTURING</title>
   <p>No contexto organizacional contemporâneo, há uma busca cada vez mais constante por
    metodologias efetivas em gestão (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Santos, 2017</xref>). Nesse
    contexto, a manufatura enxuta (<italic>Lean Manufacturing</italic>) é uma abordagem que
    exemplifica uma nova visão de aperfeiçoamento nos processos das empresas, considerando a
    melhoria contínua como um dos seus pilares (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Cox; Chicksand,
     2005</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B37">Santos; Araújo, 2018</xref>).</p>
   <p>O termo manufatura ou produção enxuta teve início no Japão, após a Segunda Guerra Mundial, e
    foi utilizado pela <italic>Toyota Motor Company</italic>. Na ocasião, tinha-se como intuito a
    formulação de um sistema produtivo prático, capaz de gerir a produção de acordo com as demandas
    específicas por modelo e cor do veículo (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Corrêa; Corrêa,
     2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Piercy; Rich, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr"
     rid="B32">Santos, 2019</xref>).</p>
   <p>Logo, a <italic>Lean Manufacturing</italic> tornou-se acessível após a divulgação da obra
    intitulada “A máquina que mudou o mundo” de autoria de Womack, Jones e Roos, publicado na década
    de 1990. O livro aborda um amplo estudo acerca da indústria automobilística mundial,
    desenvolvida pelo <italic>Massachusetts Institute of Technology</italic> (MIT). Ademais, destaca
    as diferenças relevantes em termos de qualidade, produtividade e demais benefícios acarretados
    pela aplicação do Sistema Toyota de Produção (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Lasa; Laburu;
     Vila, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">Pacheco, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
     rid="B38">Santos; Ferraz; Silva, 2019</xref>).</p>
   <p>A proposta indicada pelo <italic>Lean Manufacturing</italic> pretende favorecer a redução do
    desperdício em termos de recursos, enquanto fornece produtos de qualidade com eficiência (<xref
     ref-type="bibr" rid="B43">Womack; Jones; Roos, 1990</xref>). Tais perdas podem ser distribuídas
    em sete tipos ou fontes, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B24">Ohno (2004)</xref>:</p>
   <list list-type="simple">
    <list-item>
     <p>a) superprodução: quando há produção em excesso e/ou antecipada, podendo derivar em excesso
      de inventário;</p>
    </list-item>
    <list-item>
     <p>b) espera: traduzido em períodos extensos de ociosidade de recursos humanos, peças ou
      informação, originando lead times mais longos;</p>
    </list-item>
    <list-item>
     <p>c) transporte: compreendido pelo movimento sem necessidade de insumos ou materiais,
      ocorrendo, em geral, em plantas com layouts mal planejados;</p>
    </list-item>
    <list-item>
     <p>d) processamento: engloba os procedimentos utilizados de modo inadequado, representado por
      processar além do necessário;</p>
    </list-item>
    <list-item>
     <p>e) estoque: significa alto nível de armazenamento e ausência de informação e/ou produtos,
      acarretando em custos em excesso;</p>
    </list-item>
    <list-item>
     <p>f) movimentação: deslocamento do operador sem necessidade, reduzindo a produtividade do
      mesmo;</p>
    </list-item>
    <list-item>
     <p>g) defeitos: falhas na qualidade do produto, gerando itens defeituosos.</p>
    </list-item>
   </list>
   <p>Apesar de ser originário da indústria automotiva, a manufatura enxuta e suas ferramentas já
    foram aplicadas em vários setores. Recentemente, essas técnicas têm se destacado além dos
    ambientes de manufatura, evidenciando ganhos significativos (<xref ref-type="bibr" rid="B14"
     >Holden, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B36">Santos; Araújo, 2020</xref>). No contexto
    Lean, diversas ferramentas estão dispostas, como o Mapeamento do Fluxo de Valor (MFV), o Kanban
    e o Heijunka.</p>
   <p>O Heijunka trata de um conceito que busca a estabilidade ao processo de fabricação,
    convertendo a demanda desigual do cliente em um processo de manufatura uniforme e previsível. Na
    literatura, o Heijunka é citado como prática capaz de melhorar a eficiência operacional em
    vários ramos, cooperando para atingir objetivos estratégicos, como a flexibilidade, a qualidade,
    o custo e o nível de serviço ao cliente (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Hopp; Spearman,
     2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">Melton, 2005</xref>; <xref ref-type="bibr"
     rid="B17">Jones, 2006</xref>).</p>
   <p>O conceito de nivelamento da produção (Heijunka) é conhecido há mais de 50 anos, desenvolvido
    pela Toyota no contexto da indústria automotiva (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Araujo; Queiroz,
     2010</xref>). As primeiras referências e os estudos sobre o tema foram publicados na década de
    1960 e, desde o início, o nivelamento da manufatura desempenhou um papel significativo no
    sistema Just-in-Time (JIT) e na produção enxuta, ou <italic>Lean Manufacturing</italic> (<xref
     ref-type="bibr" rid="B3">Beckman, 1961</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">Elmaleh; Eilon,
     1974</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Hüttmeir <italic>et al.,</italic>
    2009</xref>).</p>
   <p>Do ponto de vista prático, a abordagem proposta pela Filosofia Lean inclui ganhos relevantes,
    do ponto de vista operacional (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Deshkar <italic>et al.,</italic>
     2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2">Baysan <italic>et al</italic>., 2019</xref>; <xref
     ref-type="bibr" rid="B26">Pena <italic>et al</italic>., 2020</xref>). Tais como:</p>
   <list list-type="simple">
    <list-item>
     <p>a) melhora os processos de produção para aumentar a capacidade de resposta à crescente
      demanda;</p>
    </list-item>
    <list-item>
     <p>b) eliminação de faltas de estoque;</p>
    </list-item>
    <list-item>
     <p>c) maior autonomia dos trabalhadores;</p>
    </list-item>
    <list-item>
     <p>d) redução no tempo de parada da produção;</p>
    </list-item>
    <list-item>
     <p>e) identificação de desperdícios na produção;</p>
    </list-item>
    <list-item>
     <p>f) melhor Takt Time;</p>
    </list-item>
    <list-item>
     <p>g) redução de custo de estoques; e, outros mais.</p>
    </list-item>
   </list>
   <p>Logo, a operação nivelada sob a perspectiva Lean direciona a organização a desenvolver novas
    formas de negociar e planejar compras com os fornecedores, melhorar o uso de equipamentos e o
    uso mais eficiente dos recursos em geral, podendo ainda agregar a inclusão de novos processos e
    aprimorar o planejamento de equipe (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Lee <italic>et al</italic>.,
     2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Powell; Alfnes; Semini, 2010</xref>; <xref
     ref-type="bibr" rid="B28">Portioli-Staudacher, 2010</xref>).</p>
  </sec>
  <sec sec-type="methods">
   <title>3 METODOLOGIA</title>
   <sec>
    <title>3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA: ABORDAGEM E TIPOLOGIA</title>
    <p>Quanto aos objetivos, esta pesquisa pode ser enquadrada como exploratória, uma vez que busca
     proporcionar maior familiaridade com o problema de gestão de operações no processo produtivo do
     gesso no polo pernambucano. Quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa classifica-se como
     sendo um estudo de campo, pois busca aprofundar o debate acerca da realidade específica do
     Arranjo Produtivo Local (APL) do Gesso, em Pernambuco (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Gil,
      2008</xref>).</p>
    <p>Basicamente, este tipo de abordagem é realizado por meio da observação de modo direto das
     atividades do cenário estudado. Foram feitas entrevistas com informantes para captar as
     explicações e as interpretações do que ocorre na realidade do APL.</p>
   </sec>
   <sec>
    <title>3.2 ETAPAS DA PESQUISA</title>
    <p>Em relação aos aspectos metodológicos, a presente pesquisa foi desenvolvida em duas fases:
     inicialmente, as análises estatísticas foram executadas (fase 1) e, posteriormente, os dados
     obtidos foram submetidos ao processo de nivelamento da produção, por meio do método Heijunka
     (fase 2). As etapas de cada fase são descritas a seguir.</p>
    <sec>
     <title>3.2.1 Fase 1 – Abordagem estatística</title>
     <list list-type="simple">
      <list-item>
       <p>a) coleta de dados: a fim de analisar as variâncias no processo produtivo do gesso, na
        etapa inicial, foram registrados dados referentes aos seis últimos meses de 2023. Tais
        valores compreendem a quantidade média de sacos produzida por linha de produção em cada mês.
        O saco de gesso em pó aqui citado compreende o tipo <italic>standart</italic> com 40kg,
        cada;</p>
      </list-item>
      <list-item>
       <p>b) formular as hipóteses: em paralelo, foram definidas as hipóteses a serem testadas,
        sendo H<sub>0</sub> a hipótese nula e H<sub>1</sub> a hipótese alternativa:</p>
       <p><italic>H<sub>0</sub>: μ1 =</italic> μ<italic>2 =</italic> μ<italic>3 =</italic>
         μ<italic>4 (as médias de cada linha de produção são iguais) H<sub>1</sub>: Nem todas as
         médias são iguais</italic></p>
      </list-item>
      <list-item>
       <p>c) construir a regra de decisão: os dados coletados estão agrupados em 4 grupos (c), cada
        um associado a uma linha de produção e 24 observações (n). Essas informações são úteis para
        definição dos graus de liberdade (g.l.) do teste F, em que são indicados como:
         g.<sub>l.1</sub> = c – 1 = 4 – 1 = 3 (entre tratamentos/fator) e g.<sub>l.2</sub> = n – c =
        24 – 4 = 20 (dentro dos tratamentos/erro);</p>
      </list-item>
      <list-item>
       <p>d) resolução do teste F: com os dados obtidos na etapa “c” e usando o nível de
        significância alfa (α = 0,05) para o teste, busca-se o valor crítico de F. A estatística de
        teste é a razão entre o quadrado médio devido ao tratamento (QMEnt) e o quadrado médio
        dentro dos tratamentos ou residual (QMErro), isto é: F = QMEnt/QMErro. Para obtenção dos
        valores dos quadrados médio, o <italic>software</italic> Microsoft Excel é utilizado;</p>
      </list-item>
      <list-item>
       <p>e) execução do teste de Tukey <italic>studentizado</italic>: caso a hipótese nula (citada
        em “b”) não seja aceita, ou seja, se há indícios de diferença entre as médias, o teste
        complementar pode ser aplicado para identificar onde há distinção entre as observações. Isto
        é, qual ou quais das linhas de produção divergem em relação às médias obtidas das demais
        linhas. Esse teste é chamado Teste de Tukey, um teste de natureza bilateral de igualdade de
        pares de médias de “c” grupos, que podem ser comparados simultaneamente. Para os dados de
        produção de gesso, há 4 linhas de produção (grupos) e 24 observações (n), portanto
         <italic>c</italic> = 4 e <italic>n – c</italic> = 24 – 4 = 20. A regra de decisão para cada
        par de médias é dada por:</p>
        <p>Rejeitar H<sub>0</sub> se</p>
      </list-item>
     </list>
     <p><fig>        
      <graphic xlink:href="1984-7297-regea-14-01-0104-gf07.tif"/>     
     </fig></p>
     <p>Ou ainda se,</p>
     <p><fig>        
      <graphic xlink:href="1984-7297-regea-14-01-0104-gf08.tif"/>     
     </fig></p>
     <p>em que</p>
     <p><fig>        
      <graphic xlink:href="1984-7297-regea-14-01-0104-gf09.tif"/>     
     </fig></p>
     <p>Sendo considerada, nesse caso, a variância combinada em substituição a quadrado médio dentro
      dos tratamentos (QMErro).</p>
    </sec>
    <sec>
     <title>3.2.2 Fase 2 – Nivelamento da produção (Projeção - Heijunka)</title>
     <list list-type="simple">
      <list-item>
       <p>f) validação da hipótese alternativa: com dados do teste estatístico, pode-se verificar se
        há diferenças entre as linhas produtivas e, ainda, quais delas devem ser reguladas; caso
        positivo, novas medidas de produção padronizadas por linha são elencadas para sustentar o
        ritmo de produção sem gerar grande volume de estoque de sacos de gesso em pó;</p>
      </list-item>
      <list-item>
       <p>g) cálculo de estoque: com base no histórico de produção registrado no último semestre de
        2023, obteve-se a média de estoque produzida em cada mês, além do valor total. Essa
        informação é útil para verificar a oscilação no quantitativo de sacos de gesso em pó
        armazenados, oriundos da produção acima da demanda;</p>
      </list-item>
      <list-item>
       <p>h) projeção: sabendo do nível estimado de demanda esperado para os primeiros seis meses de
        2024, definiu-se o valor de produção por linha e ainda a capacidade total da planta. Nessa
        fase, considerou-se um intervalo positivo para o nível de produção em comparação com a
        demanda;</p>
      </list-item>
      <list-item>
       <p>i) ações de controle: de modo a complementar o estudo, algumas ações foram apontadas a fim
        de garantir a viabilidade de manter os níveis produtivos adequados para a produção enxuta,
        ou seja, atividades que reforçarão a implementação do modelo operacional Lean, com foco na
        ferramenta Heijunka.</p>
      </list-item>
     </list>
    </sec>
   </sec>
  </sec>
  <sec sec-type="results|discussion">
   <title>4 RESULTADOS E DISCUSSÃO</title>
   <sec>
    <title>4.1 DADOS DO PROCESSO</title>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="T1">tabela 1</xref> mostra o número médio mensal de sacos de
     gesso produzidos na calcinadora durante um semestre (observação). O registro foi feito para
     cada uma das quatro (4) linhas de produção (L1, L2, L3 e L4).</p>
    <table-wrap id="T1">
     <label>Tabela 1</label>
     <caption>
      <title>Quantidade de sacos de gesso produzido por linha de produção</title>
     </caption>
     <table frame="hsides" rules="groups">
      <thead>
       <tr>
        <th colspan="5" align="center" valign="middle"
         style="background-color:#3a54a5;color:#ffffff;border-bottom:1pt solid black">Linha de
         produção</th>
       </tr>
       <tr>
        <th align="center" valign="middle">Observação</th>
        <th align="center" valign="middle">L1</th>
        <th align="center" valign="middle">L2</th>
        <th align="center" valign="middle">L3</th>
        <th align="center" valign="middle">L4</th>
       </tr>
      </thead>
      <tbody>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle">1</td>
        <td align="center" valign="middle">7100</td>
        <td align="center" valign="middle">11369</td>
        <td align="center" valign="middle">10900</td>
        <td align="center" valign="middle">8014</td>
       </tr>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle">2</td>
        <td align="center" valign="middle">8006</td>
        <td align="center" valign="middle">11047</td>
        <td align="center" valign="middle">13245</td>
        <td align="center" valign="middle">10466</td>
       </tr>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle">3</td>
        <td align="center" valign="middle">12922</td>
        <td align="center" valign="middle">9326</td>
        <td align="center" valign="middle">10004</td>
        <td align="center" valign="middle">8036</td>
       </tr>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle">4</td>
        <td align="center" valign="middle">11391</td>
        <td align="center" valign="middle">7921</td>
        <td align="center" valign="middle">12300</td>
        <td align="center" valign="middle">7751</td>
       </tr>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle">5</td>
        <td align="center" valign="middle">7451</td>
        <td align="center" valign="middle">13759</td>
        <td align="center" valign="middle">12010</td>
        <td align="center" valign="middle">9679</td>
       </tr>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle">6</td>
        <td align="center" valign="middle">11953</td>
        <td align="center" valign="middle">11010</td>
        <td align="center" valign="middle">13463</td>
        <td align="center" valign="middle">8605</td>
       </tr>
      </tbody>
     </table>
     <table-wrap-foot>
      <fn id="TFN1">
       <p>Fonte: dados da pesquisa (2024).</p>
      </fn>
     </table-wrap-foot>
    </table-wrap>
    <p>Visualmente, nota-se a variação particular a cada linha de produção, conforme <xref
      ref-type="fig" rid="f1">gráfico 1</xref>.</p>
    <p><fig id="f1">
      <label>Gráfico 1</label>
      <caption>
       <title>Representação gráfica dos dados</title>
      </caption>
      <graphic xlink:href="1984-7297-regea-14-01-0104-gf01.tif"/>
      <attrib>Fonte: dados da pesquisa (2024).</attrib>
     </fig></p>
    <p>No caso em avaliação, questiona-se se a variação entre as linhas de produção da calcinadora
     está dentro do intervalo associado ao acaso ou se as amostras coletadas indicam que há, de
     fato, diferenças nas médias. Para responder a esse quesito, a Análise de Variância (ANOVA) é
     calculada.</p>
    <p>Contudo, antes da avaliação do ponto de vista estatístico, algumas pontuações importantes
     acerca da diferença entre produção de sacos de gesso são consideradas:</p>
    <list list-type="simple">
     <list-item>
      <p>a) as linhas um e dois (L1/L2) são usadas, na maior parte das vezes, em alternância. Isso
       ocorre para garantir, segundo o operador local, melhor ritmo de produção com base na
       quantidade de gesso disponível e na demanda diária;</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>b) a linha três (L3) é usada com maior frequência em função das boas condições dos
       equipamentos mecânicos utilizados, tais como o motor do moinho e a esteira de transporte;</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>c) a linha quatro (L4) tem um motor conectado à rosca sem fim da esteira de transporte que
       necessita de manutenção.</p>
     </list-item>
    </list>
    <p>Essas observações são importantes para compreender melhor os resultados da ANOVA,
     demonstrados na seção 4.2.</p>
   </sec>
   <sec>
    <title>4.2 AVALIAÇÃO ESTATÍSTICA (ANÁLISE DE VARIÂNCIA – ANOVA)</title>
    <p>Utilizando a função de análise de dados do Microsoft Excel, obteve-se a Análise de Variância
     (ANOVA), conforme <xref ref-type="table" rid="T2">tabelas 2</xref> e <xref ref-type="table"
      rid="T3">3</xref>.</p>
    <table-wrap id="T2">
     <label>Tabela 2</label>
     <caption>
      <title>Resumo ANOVA</title>
     </caption>
     <table frame="hsides" rules="groups">
      <thead style="background-color:#3a54a5;color:#ffffff">
       <tr>
        <th align="center" valign="middle">Grupo</th>
        <th align="center" valign="middle"/>
        <th align="center" valign="middle">Soma</th>
        <th align="center" valign="middle">Média</th>
        <th align="center" valign="middle">Variância</th>
       </tr>
      </thead>
      <tbody>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle">L1</td>
        <td align="center" valign="middle">6</td>
        <td align="center" valign="middle">58823</td>
        <td align="center" valign="middle">9803,833</td>
        <td align="center" valign="middle">6587945</td>
       </tr>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle">L2</td>
        <td align="center" valign="middle">6</td>
        <td align="center" valign="middle">64432</td>
        <td align="center" valign="middle">10738,67</td>
        <td align="center" valign="middle">3924659</td>
       </tr>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle">L3</td>
        <td align="center" valign="middle">6</td>
        <td align="center" valign="middle">71922</td>
        <td align="center" valign="middle">11987</td>
        <td align="center" valign="middle">1794699</td>
       </tr>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle">L4</td>
        <td align="center" valign="middle">6</td>
        <td align="center" valign="middle">52551</td>
        <td align="center" valign="middle">8758,5</td>
        <td align="center" valign="middle">1175556</td>
       </tr>
      </tbody>
     </table>
     <table-wrap-foot>
      <fn id="TFN2">
       <p>Fonte: dados da pesquisa (2024).</p>
      </fn>
     </table-wrap-foot>
    </table-wrap>
    <table-wrap id="T3">
     <label>Tabela 3</label>
     <caption>
      <title>Resultados da ANOVA com um fator do Excel</title>
     </caption>
     <table frame="hsides" rules="groups">
      <thead style="background-color:#3a54a5;color:#ffffff">
       <tr>
        <th align="center" valign="middle">Fonte da variação</th>
        <th align="center" valign="middle">SQ</th>
        <th align="center" valign="middle">gl</th>
        <th align="center" valign="middle">MQ</th>
        <th align="center" valign="middle">F</th>
        <th align="center" valign="middle">valor-P</th>
        <th align="center" valign="middle">F crítico</th>
       </tr>
      </thead>
      <tbody>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle">Entre grupos</td>
        <td align="center" valign="middle">33953190</td>
        <td align="center" valign="middle">3</td>
        <td align="center" valign="middle">11317730</td>
        <td align="center" valign="middle">3,357665</td>
        <td align="center" valign="middle">0,039292</td>
        <td align="center" valign="middle">3,098391</td>
       </tr>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle">Dentro dos grupos</td>
        <td align="center" valign="middle">67414298</td>
        <td align="center" valign="middle">20</td>
        <td align="center" valign="middle">3370715</td>
        <td align="center" valign="middle"/>
        <td align="center" valign="middle"/>
        <td align="center" valign="middle"/>
       </tr>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle">Total</td>
        <td align="center" valign="middle">101367488</td>
        <td align="center" valign="middle">23</td>
        <td align="center" valign="middle"/>
        <td align="center" valign="middle"/>
        <td align="center" valign="middle"/>
        <td align="center" valign="middle"/>
       </tr>
      </tbody>
     </table>
     <table-wrap-foot>
      <fn id="TFN3">
       <p>Fonte: dados da pesquisa (2024).</p>
      </fn>
     </table-wrap-foot>
    </table-wrap>
    <p>Tendo em vista os dados fornecidos pelo modelo ANOVA, apontados na <xref ref-type="table"
      rid="T3">tabela 3</xref>, o valor da estatística F (3,357665) é superior ao F crítico
     (3,098391), o que indica a não aceitação da Hipótese nula (H<sub>0</sub>: μ1 = μ2 = μ3 = μ4)
     que diz que as médias de cada linha de produção são iguais. Nesse caso, valida-se a hipótese
     alternativa, H<sub>1</sub>: nem todas as médias são iguais. Além dessa observação, o valor-p
     (0,039292) é menor que o alfa definido (α = 0,05), o que reforça a aceitação da hipótese
     alternativa. Isto posto, é necessário identificar qual das linhas de produção difere em termos
     de média produzida de sacos de gesso em pó. Utilizando o teste de Tukey, é possível apontar a
     linha que diverge.</p>
    <p>Utilizando o <italic>software</italic> PAST, versão 2.17c, para executar o teste de Tukey,
     pôde-se identificar os resultados significantes utilizando o código em cor vermelha, como
     destacado na <xref ref-type="fig" rid="f2">figura 1</xref>.</p>
    <p><fig id="f2">
      <label>Figura 1</label>
      <caption>
       <title>Resultado do teste de Tukey</title>
      </caption>
      <graphic xlink:href="1984-7297-regea-14-01-0104-gf02.tif"/>
      <attrib>Fonte: dados da pesquisa (2024).</attrib>
     </fig></p>
    <p>O gráfico de probabilidade, ilustrado no <xref ref-type="fig" rid="f3">gráfico 2</xref>,
     revela pequenos desvios da linearidade nas extremidades inferiores e superiores, mas, de modo
     geral, o gráfico é consistente com a hipótese de normalidade, sendo um teste visual para a
     normalidade. As hipóteses testadas, nesse caso, são:</p>
    <p><fig id="f3">
      <label>Gráfico 2</label>
      <caption>
       <title>Gráfico de probabilidade</title>
      </caption>
      <graphic xlink:href="1984-7297-regea-14-01-0104-gf03.tif"/>
      <attrib>Fonte: dados da pesquisa / PAST (2024).</attrib>
     </fig></p>
    <disp-quote>
     <p><italic>H<sub>0</sub>: Erros são normalmente distribuídos</italic></p>
     <p><italic>H<sub>1</sub>: Erros não são normalmente distribuídos</italic></p>
    </disp-quote>
    <p>Como o gráfico de probabilidade (<xref ref-type="fig" rid="f3">gráfico 2</xref>) dos resíduos
     é linear, a hipótese nula é considerada verdadeira.</p>
    <p>Além de verificar a normalidade, isto é, quando os resíduos têm a distribuição normal,
     complementa-se a verificação em relação à magnitude do erro, que deve ser constante para todos
     os valores de <italic>X</italic>. Caso isso ocorra, os erros são classificados como
     homocedásticos, o que se comporta como a situação ideal.</p>
    <p>Para visualização da condição de homocedasticidade, elabora-se o diagrama de dispersão (<xref
      ref-type="fig" rid="f4">gráfico 3</xref>), como um teste de cunho visual mais geral. De modo
     ideal, não deve ser notado nenhum padrão nos resíduos à medida que a observação no eixo X
      (<italic>group means</italic>) se move da esquerda para a direita.</p>
    <p><fig id="f4">
      <label>Gráfico 3</label>
      <caption>
       <title>Resíduos (homocedasticidade)</title>
      </caption>
      <graphic xlink:href="1984-7297-regea-14-01-0104-gf04.tif"/>
      <attrib>Fonte: dados da pesquisa / PAST (2024).</attrib>
     </fig></p>
    <p>A partir do gráfico acima, pode-se visualizar que os resíduos sempre têm média próxima ou
     igual a zero. Verificadas as condições de normalidade e homocedasticidade, as informações
     estatísticas foram utilizadas para guiar a gestão local na adoção de medidas de revisão e
     atualização dos níveis de produção, como indicado na subseção 4.3.</p>
   </sec>
   <sec>
    <title>4.3 REVISÃO DO NÍVEL DE PRODUÇÃO</title>
    <p>A média de produção atual, calculada paras as quatro linhas de produção, é de 10.322 sacos.
     Com isso, gera-se estoque, o que deve ser evitado com a ótica de manufatura enxuta. O
     quantitativo de sacos de gesso produzidos acima da demanda pode ser observado na <xref
      ref-type="table" rid="T4">tabela 4</xref>.</p>
    <table-wrap id="T4">
     <label>Tabela 4</label>
     <caption>
      <title>Estoque gerado por linha de produção</title>
     </caption>
     <table frame="hsides" rules="groups">
      <thead>
       <tr>
        <th rowspan="2" align="center" valign="middle"/>
        <th colspan="4" align="center" valign="middle" style="border-bottom:1pt solid black">Linha
         de produção</th>
       </tr>
       <tr>
        <th align="center" valign="middle">L1</th>
        <th align="center" valign="middle">L2</th>
        <th align="center" valign="middle">L3</th>
        <th align="center" valign="middle">L4</th>
       </tr>
      </thead>
      <tbody>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle" style="border-bottom:1pt solid black">Média de produção
         (un.)</td>
        <td align="center" valign="middle" style="border-bottom:1pt solid black">9803,8</td>
        <td align="center" valign="middle" style="border-bottom:1pt solid black">10738,7</td>
        <td align="center" valign="middle" style="border-bottom:1pt solid black">11987,0</td>
        <td align="center" valign="middle" style="border-bottom:1pt solid black">8758,5</td>
       </tr>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle" style="border-bottom:1pt solid black">Demanda média
         (un.)</td>
        <td align="center" valign="middle" style="border-bottom:1pt solid black">9500</td>
        <td align="center" valign="middle" style="border-bottom:1pt solid black">9500</td>
        <td align="center" valign="middle" style="border-bottom:1pt solid black">9500</td>
        <td align="center" valign="middle" style="border-bottom:1pt solid black">9500</td>
       </tr>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle" style="border-bottom:1pt solid black">Estoque médio
         gerado (un.)</td>
        <td align="center" valign="middle" style="border-bottom:1pt solid black">304</td>
        <td align="center" valign="middle" style="border-bottom:1pt solid black">1239</td>
        <td align="center" valign="middle" style="border-bottom:1pt solid black">2487</td>
        <td align="center" valign="middle" style="border-bottom:1pt solid black">-742</td>
       </tr>
       <tr>
        <td align="center" valign="middle">Total geral</td>
        <td colspan="4" align="center" valign="middle">3288</td>
       </tr>
      </tbody>
     </table>
     <table-wrap-foot>
      <fn id="TFN4">
       <p>Fonte: dados da pesquisa (2024).</p>
      </fn>
     </table-wrap-foot>
    </table-wrap>
    <p>Percebe-se que a Linha 4 (L4) apresenta comportamento diferente das demais, produzindo níveis
     inferiores de sacos de gesso, causando um <italic>déficit</italic> em relação à demanda de
     9.500 sacos, em média. Essa informação concorda com os dados do Teste de Tukey, que apontou a
     L4 como a operação com média diferente das demais. De modo a ilustrar as informações da <xref
      ref-type="table" rid="T4">tabela 4</xref>, tem-se o <xref ref-type="fig" rid="f5">gráfico
      4</xref>.</p>
    <p><fig id="f5">
      <label>Gráfico 4</label>
      <caption>
       <title>Níveis atuais de produção em relação à capacidade e à demanda</title>
      </caption>
      <graphic xlink:href="1984-7297-regea-14-01-0104-gf05.tif"/>
      <attrib>Fonte: dados da pesquisa (2024).</attrib>
     </fig></p>
    <p>Diante do exposto, percebe-se que o método Heijunka elimina a necessidade de operar com horas
     extras, além disso, atende à demanda na produção sem aumentar o nível de estoque de produtos. O
     modelo de nivelamento aqui proposto engloba três elementos básicos:</p>
    <list list-type="simple">
     <list-item>
      <p>a) o volume de produção: isto é, a quantidade de um produto específico que deve ser
       fabricado considerando um determinado período de tempo;</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>b) o nível de agregação: que especifica o nivelamento de famílias ou tipos de produtos;</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>c) o planejamento de escala: que define o intervalo do plano de produção, ou seja, execução
       em um dia ou em um turno.</p>
     </list-item>
    </list>
    <p>Como há um desnível entre linhas de produção, optou-se por definir um nível padrão de
     produção de sacos de gesso para todas as linhas igualmente. Com isso, definiu-se o nível de
     produção local em dez mil (10.000) sacos para cada linha de produção. Assim, haverá uma
     quantidade de quinhentos (500) sacos produzidos acima da demanda, que serão tratados como
     estoque de segurança.</p>
    <p>Logo, o estoque total para as quatro linhas de produção permanecerá em média de dois mil
     (2.000) sacos por mês, mil duzentos e oitenta e oito (1.288), menos que o indicado na <xref
      ref-type="table" rid="T4">tabela 4</xref>, com valores atuais. Por outro lado, a capacidade de
     produção de cada uma das quatro linhas de produção da calcinadora é de quatorze mil e
     quinhentos (14.500) sacos, sendo este o nível máximo estipulado no modelo Heijunka, indicado no
      <xref ref-type="fig" rid="f6">gráfico 5</xref>.</p>
    <p><fig id="f6">
      <label>Gráfico 5</label>
      <caption>
       <title>Projeção do nível de produção para o semestre</title>
      </caption>
      <graphic xlink:href="1984-7297-regea-14-01-0104-gf06.tif"/>
      <attrib>Fonte: dados da pesquisa (2024).</attrib>
     </fig></p>
    <p>O nível máximo de trabalho estipulado em 14.500 sacos de gesso é baseado nas condições de
     produção da planta, ou seja, na capacidade nominal dos equipamentos da fábrica. Além disso,
     esse nivelamento será aplicado em um período em que o ajuste do <italic>lead time</italic> e a
     implementação do estoque controlado estratégico sejam capazes de suavizar essa taxa.</p>
    <p>O Heijunka, como ferramentas de manufatura enxuta, requer a distribuição da operação de
     manufatura aliado com todo o cronograma de produção. Isso ocorre para que seja permitida uma
     utilização da capacidade média mais alta, assumindo ainda que o tempo de ciclo seja mantido
     constante ao longo do tempo.</p>
    <p>Portanto, com a implementação correta do sistema de nivelamento, espera-se alcançar
     benefícios em longo prazo, como:</p>
    <list list-type="simple">
     <list-item>
      <p>a) fluxo contínuo em toda a cadeia de suprimentos;</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>b) redução do <italic>lead time</italic>;</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>c) eliminação dos picos de produção;</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>d) redução do estoque de Gipsita e de gesso em pó;</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>e) mitigação da sobrecarga de trabalho;</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>f) adequação da capacidade de produção da calcinadora;</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>g) satisfação do cliente;</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>h) redução de custos ligados a estoque e horas extras;</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>i) maximização a eficiência dos equipamentos.</p>
     </list-item>
    </list>
    <p>Para que os resultados pontuados sejam consolidados, algumas recomendações para verificação e
     controle são feitas, como indicadas a seguir.</p>
   </sec>
   <sec>
    <title>4.4 AÇÕES DE CONTROLE</title>
    <p>Com as ações indicadas para verificação do controle do processo de produção, tem-se:</p>
    <list list-type="simple">
     <list-item>
      <p>a) criação do Plano Mestre de Produção (PMP): em formato de documento que apresenta quais
       itens serão manufaturados e as respectivas quantidades, durante um determinado período de
       tempo;</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>b) implementação da Manutenção Produtiva Total (TPM): paulatinamente, a empresa pode adotar
       estratégia de incrementar ações da TPM com o intuito de reduzir desperdícios no processo,
       além de evitar falhas e quebras nos equipamentos envolvidos no processo da calcinadora;</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>c) utilização de cartas de controle: tratase de um tipo de gráfico direcionado para o
       acompanhamento de um determinado processo. Este recurso estabelece, estatisticamente, uma
       faixa de valor intitulada limite de controle (superior e inferior), além de uma linha média.
       Com isso, os supervisores do processo poderão acompanhar, em tempo real, a quantidade que
       está sendo produzida em cada linha de produção e se este valor está entre os limites
       estipulados;</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>d) aplicação do 5S: filosofia japonesa que busca promover mudanças de comportamento no
       âmbito interno da organização. Trata-se de uma técnica japonesa com cinco sensos, a saber:
        <italic>Seiri</italic> (utilização), <italic>Seiton</italic> (organização),
        <italic>Seiso</italic> (limpeza), <italic>Seiketsu</italic> (padronização) e
        <italic>Shitsuke</italic> (disciplina);</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>e) treinamento e capacitação: recomenda-se o investimento em capacitação dos funcionários
       com foco em métodos de gestão e revisão dos padrões de execução de atividades
       operacionais;</p>
     </list-item>
     <list-item>
      <p>f) realizar a revisão do mapeamento do processo: uma das técnicas indicadas para tal é o
       Mapeamento do Fluxo de Valor (MFV) que indica quais atividades limitam a agregação de valor
       ao longo do fluxo do processo. É uma ferramenta Lean que pode ser utilizada com ajuda de
       softwares dispostos no mercado.</p>
     </list-item>
    </list>
   </sec>
  </sec>
  <sec sec-type="conclusions">
   <title>5 CONCLUSÕES</title>
   <p>A abordagem proposta pelo <italic>Lean Manufacturing</italic> sugere que o processo seja
    revisado de modo que se torne mais responsivo às demandas dos clientes, reduzindo, assim,
    diferentes tipos de desperdício, observando o impacto financeiro e operacional. A Filosofia
    Lean, embora seja constituída por uma gama de técnicas e/ou ferramentas, nem sempre é necessário
    aplicar todas elas.</p>
   <p>Neste estudo, pôde-se demonstrar como o conhecimento estatístico e seus testes podem
    contribuir para guiar práticas de manufatura enxuta. Em suma, a estatística como ciência
    favorece a evidência de relações fundamentais entre dados de um determinado contexto. A partir
    dessa consideração, a tomada de decisão torna-se facilitada, fazendo que o gestor tenha uma base
    analítica completa.</p>
   <p>No caso específico do nivelamento da produção, tal prática é relevante no contexto de
    organizações que desejam melhorar o plano de produção local, evitando picos no valor dos bens
    manufaturados no cronograma da operação. Sem esse ajuste, a empresa pode ter maior dificuldade
    em controlar e prever, precisamente, a execução do planejamento de produção e o estoque de
    produtos acabados, por exemplo.</p>
   <p>Logo, pode-se concluir que o objetivo do presente artigo foi atingido, evidenciando a
    associação possível entre informações estatísticas como entrada para ferramentas da manufatura
    enxuta ou Lean. Para estudos futuros, indica-se a aplicação de outras ferramentas Lean no
    processo de empresas calcinadoras e pesquisas que verifiquem os resultados pós-implementação de
    tais técnicas, comparando com o estado inicial.</p>
  </sec>
 </body>
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