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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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            <journal-title-group>
                <journal-title>Revista gestão em análise</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">R. Gest. Anál.</abbrev-journal-title>
            </journal-title-group>
            <issn pub-type="ppub">1984-7297</issn>
            <issn pub-type="epub">2359-618X</issn>
            <publisher>
                <publisher-name>Unichristus</publisher-name>
            </publisher>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.12662/2359-618xregea.v14i1.p27-38.2025</article-id>
            <article-categories>
                <subj-group subj-group-type="heading">
                    <subject>ARTIGOS</subject>
                </subj-group>
            </article-categories>
            <title-group>
                <article-title>UM ESTUDO BIBLIOMÉTRICO ACERCA DOS LABORATÓRIOS DE INOVAÇÃO NO SETOR
                    PÚBLICO</article-title>
                <trans-title-group xml:lang="en">
                    <trans-title>A BIBLIOMETRIC STUDY ABOUT INNOVATION LABORATORIES IN THE PUBLIC
                        SECTOR</trans-title>
                </trans-title-group>
            </title-group>
            <contrib-group>
                <contrib contrib-type="author">
                    <name>
                        <surname>Silva</surname>
                        <given-names>José Roberto Carvalho</given-names>
                    </name>
                    <xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
                    <xref ref-type="aff" rid="aff3"/>
                    <bio>
                        <p>Mestre em Gestão Pública pela Universidade Federal do Piauí. Mestre em
                            Ciências Contábeis e Administração pela Fucape Business School. Bacharel
                            em Administração pela Faculdade Piauiense do Piauí - Fap Teresina.
                            Especialista em Gestão Pública Municipal pela Universidade Estadual do
                            Piauí. Bacharel em Direito pela Faculdade Estácio - Ceut / Teresina-Pi.
                            professor de Pós-graduação em MBA Executivo em Gestão de Pessoas e
                            Coaching pela FAR Faculdade Adelmar Rosado</p>
                    </bio>
                </contrib>
                <contrib contrib-type="author">
                    <name>
                        <surname>Campelo</surname>
                        <given-names>Eulálio Gomes</given-names>
                        <suffix>Filho</suffix>
                    </name>
                    <xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
                    <bio>
                        <p>Doutor em Engenharia de Negócios/Administração pela Universidade de
                            Karlsruhe/Alemanha (2009). Mestre em International Business Analysis
                            pela Universidade de Leicester/Inglaterra (1999). Graduado em
                            Administração pela Universidade Federal do Ceará (1997).</p>
                    </bio>
                </contrib>
            </contrib-group>
            <aff id="aff1">
                <institution content-type="orgname">Instituto Federal do Piauí</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Curso de Formação de Agentes de
                    Microcrédito</institution>
                <addr-line>
                    <city>Teresina</city>
                    <state>PI</state>
                </addr-line>
                <country country="BR">BR</country>
                <email>adm.joserobertocsUva@gmaU.com</email>
                <institution content-type="original">Professor Mediador do Curso de Formação de
                    Agentes de Microcrédito do Instituto Federal do Piauí IFPI, Co Fundador da
                    Cactvs Instituição de Pagamento. Teresina - PI - BR.
                    adm.joserobertocsUva@gmaU.com</institution>
            </aff>
            <aff id="aff3">
                <institution content-type="orgname">Cactvs Instituição de Pagamento</institution>
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            <aff id="aff2">
                <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Piauí
                    (UFPI)</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Curso de Engenharia de Produção</institution>
                <email>eulaliocampelo@ufpi.edu.br</email>
                <institution content-type="original">Atualmente é professor Associado III da
                    Universidade Federal do Piauí (UFPI) no Curso de Engenharia de Produção e
                    Professor permanente dos Programas de Mestrado em Administração Pública
                    PROFIAP/UFPI e Mestrado em Gestão Pública.
                    eulaliocampelo@ufpi.edu.br</institution>
            </aff>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
                <day>31</day>
                <month>01</month>
                <year>2025</year>
            </pub-date>
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                <season>Jan-Apr</season>
                <year>2025</year>
            </pub-date>
            <volume>14</volume>
            <issue>1</issue>
            <fpage>27</fpage>
            <lpage>38</lpage>
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                    <year>2024</year>
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                    <day>23</day>
                    <month>10</month>
                    <year>2024</year>
                </date>
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                <license license-type="open-access"
                    xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" xml:lang="pt">
                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution NonCommercial, que permite uso,
                        distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que sem
                        fins comerciais e que o trabalho original seja corretamente
                        citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>RESUMO</title>
                <p>Os laboratórios de inovação constituem um espaço de experimentação com o objetivo
                    principal de promover melhorias em setores considerados críticos na gestão
                    pública. O objetivo desta pesquisa é fazer um levantamento bibliométrico acerca
                    dos laboratórios de inovação no setor público, usando como base de dados a Web
                    of Science e o Portal Periódico da Capes. Para tanto, realizou-se uma análise
                    bibliométrica das publicações disponíveis entre os anos de 2018 a 2024. Dessa
                    forma, desprenderam-se esforços analíticos para o entendimento e a compreensão
                    de quatro pontos centrais: 1) área de concentração do estudo; 2) análise de
                    cocitação; 3) literaturas mais citadas; 4) acoplamento bibliográfico por país.
                    Os resultados encontrados sugerem uma área de pesquisa importante, porém,
                    nascente, havendo a necessidade de mais pesquisas em busca de realidades de
                    aplicação prática dessas ferramentas, assim como estudos para a mensuração dos
                    resultados dos laboratórios de inovação em atividade no setor público.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>ABSTRACT</title>
                <p>Innovation labs are a space for experimentation with the main objective of
                    promoting improvements in sectors considered critical in public management. The
                    objective of this research is to conduct a bibliometric survey of innovation
                    labs in the public sector using the Web of Science and the Capes Periodical
                    Portal as a database. To this end, a bibliometric analysis of publications
                    available between 2018 and 2024 was carried out. Thus, analytical efforts were
                    made to understand and comprehend four central points: 1) area of study
                    concentration; 2) co-citation analysis; 3) most cited literature; 4)
                    bibliographic coupling by country. The results suggest an important but emerging
                    area of research, with the need for further research in search of practical
                    application realities of these tools, as well as studies to measure the results
                    of innovation labs operating in the public sector.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>laboratórios de inovação</kwd>
                <kwd>setor público</kwd>
                <kwd>bibliometria</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>innovation labs</kwd>
                <kwd>public sector</kwd>
                <kwd>bibliometrics</kwd>
            </kwd-group>
        </article-meta>
    </front>
    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>1 INTRODUÇÃO</title>
            <p>O tema <italic>inovação</italic> tem atraído o interesse de pesquisadores, acadêmicos
                e empresários (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Oliveira <italic>et al.,</italic>
                    2015</xref>). O fenômeno <italic>inovação no setor público</italic> surge como
                alternativa para soluções de problemas vivenciados pelas organizações públicas
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Beneyto <italic>et al.,</italic> 2020</xref>).
                No Brasil, por exemplo, as pesquisas com o tema inovação no setor público ganharam
                relevância especialmente a partir dos anos 1990, quando a administração pública
                brasileira começou a enfrentar uma forte demanda da sociedade por mudanças e
                melhorias em seus serviços (Sucupira <italic>et al.,</italic> 2018).</p>
            <p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B15">Swiatek (2019)</xref>, a inovação em governos
                tornou-se uma necessidade amplamente reconhecida, especialmente diante dos desafios
                cada vez mais complexos que as administrações públicas enfrentam. A criação de
                laboratórios de inovação dentro das estruturas governamentais reflete essa demanda,
                oferecendo espaços dedicados ao desenvolvimento de soluções inovadoras para melhorar
                a eficiência, a transparência e a qualidade dos serviços prestados à população.
                Esses laboratórios funcionam como ambientes experimentais onde novas ideias,
                tecnologias e abordagens podem ser testadas e adaptadas para atender às necessidades
                específicas dos cidadãos e às exigências contemporâneas da governança.</p>
            <p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B14">Schuurman e Tõnurist (2016)</xref>, os
                laboratórios de inovação representam “ilhas de experimentação” dentro do contexto do
                setor público, funcionado como ambientes dedicados ao teste e à ampliação de novas
                ideias e abordagens inovadoras. Essas estruturas são projetadas para permitir que
                funcionários públicos, pesquisadores e cidadãos colaborem em um espaço seguro e
                criativo, em que podem explorar soluções para desafios complexos e interligados que
                a gestão pública enfrenta.</p>
            <p>Essas ilhas de experimentação são fundamentais, pois oferecem um espaço para a
                experimentação sem o risco imediato de consequências adversas que poderiam ocorrer
                em um ambiente governamental tradicional, em que processos e estruturas mais rígidas
                podem inibir a inovação. Assim, os laboratórios possibilitam um ciclo de aprendizado
                contínuo, em que novas propostas podem ser testadas, avaliadas e ajustadas antes de
                serem implementadas em larga escala. Isso não só aumenta a probabilidade de sucesso
                das inovações, mas também permite que o setor público desenvolva uma cultura mais
                adaptativa e receptiva a mudanças, essencial em um cenário social e econômico em
                constante evolução. Portanto, os laboratórios de inovação não apenas fomentam a
                criatividade e a experimentação, mas também servem como catalisadores para a
                transformação e a melhoria dos serviços públicos.</p>
            <p>Por isso, ao compreender a importância desse tipo de laboratório, é que propusemos
                esta pesquisa, com o objetivo de realizar um levantamento bibliométrico acerca dos
                laboratórios de inovação no setor público, usando como base de dados a <italic>Web
                    of Science e</italic> o Portal de Periódicos da CAPES, nos anos de 2018 a
                2024.</p>
            <p>Na acepção de Bezerra <italic>et al.</italic> (2021), as pesquisas acerca dos
                laboratórios de inovação vêm gerando crescente interesse entre pesquisadores e
                gestores públicos no mundo inteiro, enquanto espaços de experimentação voltados à
                promoção de melhoria, sejam elas incrementais, sejam radicais. Por isso, este estudo
                se torna relevante, ao passo que contribui para ampliar as pesquisas nesta área, que
                ainda são escassas.</p>
            <p>A fim de obter bons resultados, o estudo desprendeu esforços analíticos para o
                entendimento e a compreensão de quatro pontos centrais:</p>
            <list list-type="simple">
                <list-item>
                    <p>a) área de concentração do estudo;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>b) análise de cocitação;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>c) literaturas mais citadas;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>d) acoplamento bibliográfico por país.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Os resultados alcançados indicam a necessidade de mais pesquisas em busca de
                resultados práticos e estudos de mensuração de resultados dos laboratórios de
                inovação focados neste setor.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>2 REVISÃO DA LITERATURA</title>
            <p>As organizações públicas passaram, cada vez mais, a se preocupar com o fomento da
                prática inovadora em resposta às constantes mudanças econômicas, políticas, sociais
                e tecnológicas em um mundo mais globalizado e em rede, limitadas por expectativas
                crescentes dos cidadãos, problemas complexos e orçamentos apertados (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B4">Cavalcante; Cunha, 2017</xref>). De outra maneira, a
                atuação do setor público, voltada tanto à viabilização da inovação no setor privado
                quanto ao aparato estatal, ultrapassa a visão restrita do papel do Estado meramente
                para fins de correção de falhas de mercado, incorporando outras perspectivas, como a
                construção de (e participação em) sistemas de inovação.</p>
            <p>Com efeito, a inovação no setor público emerge como uma alternativa para mudanças
                políticas, econômicas, tecnológicas e sociais do ambiente contemporâneo, aliada a
                reduções orçamentárias, maiores expectativas dos cidadãos, além da necessidade de
                prestação de serviços públicos com qualidade pelo aparato estatal (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B6">Emmendoerfer; Olavo; Carvalho Júnior, 2019</xref>).</p>
            <p>Nessa perspectiva, <xref ref-type="bibr" rid="B6">Emmendoerfer, Olavo e Carvalho
                    Júnior (2019)</xref> ratificam que a inovação no setor público contribui para
                aumentar a confiança no Estado e promover a cidadania, a partir da inserção da
                sociedade e de parceiros (outras organizações públicas, privadas e do terceiro
                setor) no desenvolvimento de soluções inovadoras.</p>
            <p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B9">Macena <italic>et al.</italic> (2019)</xref>,
                neste setor, não é tão comum que a prática da inovação e, quando ela acontece, é
                recebida de forma positiva e percebida por seus usuários e com resultados positivos
                para toda a sociedade. Por sua vez, <xref ref-type="bibr" rid="B1">Agostinho e
                    Valença (2022)</xref> afirmam que, no setor público, a inovação surge como
                resposta às inúmeras transformações de ordem social, econômica e tecnológica. Diante
                dessas transformações, a inovação torna-se uma necessidade premente para os governos
                e as organizações do setor público. Com isso, a inovação pode assumir diversas
                formas, desde a introdução de novas tecnologias para melhorar a eficiência dos
                serviços públicos até a criação de novos modelos de governança e participação
                cidadã.</p>
            <p>Em contraponto ao que declaram <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bezerra <italic>et
                        al.</italic> (2022)</xref>, que apontam uma percepção generalizada de que as
                organizações públicas são vistas como resistentes à mudança, com uma cultura de
                aversão à inovação, é crucial reconhecer que essa visão pode ser simplista e não
                considerar as complexidades envolvidas na gestão pública. Apesar da imagem de ser
                pouco dinâmica e anti-inovadora, muitos laboratórios de inovação dentro do setor
                público têm-se esforçado para desafiar esses estigmas, adotando práticas mais
                flexíveis e colaborativas que visam promover a criatividade e a experimentação.</p>
            <p>Esses laboratórios surgem como iniciativas que buscam reverter essa percepção,
                oferecendo um espaço propício para a colaboração entre diferentes stakeholders,
                incluindo cidadãos, especialistas e gestores públicos. Assim, embora haja uma
                resistência histórica à mudança em muitos setores governamentais, as inovações em
                ambientes experimentais têm demonstrado que é possível cultivar uma cultura mais
                adaptativa e inovadora, que pode, gradualmente, transformar a forma como os serviços
                públicos são concebidos e entregues à sociedade.</p>
            <p>Neste arcabouço, surge o papel do laboratório de inovação que, segundo <xref
                    ref-type="bibr" rid="B16">Vianna <italic>et al.</italic> (2012)</xref>, é um
                espaço empresarial projetado para criar condições favoráveis para que a inovação
                ocorra. A partir do estabelecimento de um ambiente criativo e colaborativo, novos
                conhecimentos podem ser facilmente compartilhados e ideias desenvolvidas. Para isso,
                é necessária uma equipe de trabalho, composta por profissionais capacitados e
                qualificados, podendo ser colaboradores da empresa ou seus parceiros, dependendo das
                necessidades do laboratório (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Vianna <italic>et
                        al.,</italic> 2012</xref>). Para esses autores, do ponto de vista prático,
                um laboratório de inovação serve como um espaço lúdico em que novas soluções podem
                ser testadas com protótipos de baixo custo, antes de suas efetivas
                implementações.</p>
            <p>Com isso, observa-se que os laboratórios de inovação desempenham um papel fundamental
                para a aquisição de uma visão holística dos desafios enfrentados pelos governos,
                permitindo que as soluções sejam desenvolvidas por meio de diferentes perspectivas e
                áreas de expertise. Essa abordagem multidisciplinar é essencial, uma vez que os
                problemas que surgem na gestão pública costumam ser complexos e interconectados,
                exigindo uma análise que transcenda as fronteiras tradicionais das disciplinas e
                setores. Ao colocar o usuário final no centro de todo o processo, esses laboratórios
                garantem que as soluções não apenas abordem os problemas técnicos, mas também
                considerem as necessidades e experiências dos cidadãos, promovendo um verdadeiro
                engajamento da comunidade.</p>
            <p>Nesse contexto, os laboratórios de inovação têm se mostrado eficientes na aplicação
                de metodologias ágeis, que permitem a prototipagem rápida e a iteração de ideias com
                base no feedback dos usuários. Esse ciclo contínuo de teste e aprendizado contribui
                para o aprimoramento das políticas públicas, resultando em iniciativas mais eficazes
                e adaptadas às realidades locais. Além disso, a colaboração entre diferentes setores
                - governo, academia, setor privado e sociedade civil - favorece a troca de
                conhecimentos e experiências, potencializando a capacidade de inovação e a criação
                de soluções que realmente atendam às demandas da sociedade. Essa dinâmica
                colaborativa não só fortalece a governança, mas também promove uma cultura de
                inovação dentro das instituições públicas, preparando-as para lidar com os desafios
                do futuro.</p>
            <p>Para a compreensão da forma de atuação dos laboratórios de inovação no setor público,
                a literatura internacional destaca a relevância tanto dos aspectos institucionais –
                dentre os quais se incluem o tamanho da equipe, a fonte de recursos financeiros
                etc.–, quanto dos metodológicos, adotados pelos Laboratórios de Inovação no Setor
                Público (LISPs) (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Sano, 2020</xref>).</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B13">Sano (2020)</xref>, a partir de uma revisão da
                literatura acerca dos laboratórios inovação, definiu que, no setor público, eles são
                ambientes colaborativos que buscam fomentar a criatividade, a experimentação e a
                inovação, por meio da adoção de metodologias ativas e de cocriação na resolução de
                problemas. Para o susodito autor, a cocriação busca, ainda, diferenciar os
                laboratórios de firmas de consultoria, que podem oferecer soluções administrativas e
                tecnológicas inovadoras, cujas soluções não derivam de um processo participativo e
                dialógico, com estímulo à inovação e experimentação.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B13">Sano (2020)</xref> afirma que a experimentação, por
                sinal, é um dos desafios dos laboratórios, pois a perspectiva é de que as soluções
                sejam testadas em escala menor para analisar a viabilidade, bem como compreender a
                complexidade envolvida em uma posterior implementação, em maior escala.</p>
            <p>Em consonância com <xref ref-type="bibr" rid="B6">Emmendoerfer, Olavo e Carvalho
                    Junior (2019)</xref>, quando a ideia de implantação dos laboratórios de inovação
                é adotada por um (experiente) empreendedor político, o projeto torna-se mais
                suscetível de realização. Esse empreendedor político não se refere, exclusivamente,
                à figura de um indivíduo, podendo ser representado, também, por um conjunto de
                pessoas. Assim, quanto maior for a sua força de convencimento na janela de
                oportunidades, maior será a probabilidade de obter sucesso em sua empreitada.</p>
            <p>Coadunando <xref ref-type="bibr" rid="B6">Emmendoerfer, Olavo e Carvalho Junior
                    (2019)</xref>, os laboratórios de inovação podem, ainda, ser uma novidade no
                setor público. Contudo, novidades podem enfrentar resistência, especialmente em
                organizações estatais, assim como questões ligadas ao baixo orçamento, concorrência
                de propostas e outros interesses configuram a realidade nesses novos ambientes de
                trabalho.</p>
            <p>Um mapeamento de laboratórios de inovação no Brasil, realizado por <xref
                    ref-type="bibr" rid="B13">Sano (2020)</xref>, demonstrou a presença crescente
                destes equipamentos no setor público brasileiro, carecendo de pesquisas acadêmicas
                para maior embasar a prática e a condução deste novo modelo de gestão junto às
                organizações governamentais. Nesta perspectiva, esta pesquisa contribui com a área,
                trazendo um novo <italic>insight</italic> sobre o estado da arte deste tema por meio
                de uma pesquisa bibliométrica em uma das principais bases de dados a nível
                global.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="methods">
            <title>3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS</title>
            <p>A metodologia utilizada nesta pesquisa teve um caráter quantitativo e descritivo,
                que, inicialmente, empreendeu uma pesquisa bibliográfica sobre os temas bibliometria
                e laboratórios de inovação no setor público, objetivando levantar o estado da arte
                da literatura nacional e internacional acerca desses laboratórios. Realizou-se,
                então, uma pesquisa bibliométrica com o auxílio do <italic>software
                    VOSviewer,</italic> tendo como base de dados a <italic>Web of Science</italic> e
                o Portal de Periódicos da CAPES, entre os anos de 2018 e 2024.</p>
            <p>A bibliometria, consoante Vieira e Gonçalves (2015), é a maneira quantitativa de
                avaliar a relevância das publicações selecionadas por meio de indicadores,
                direcionando o processo de seleção do referencial bibliográfico que mais se aproxima
                do interesse do assunto pesquisado.</p>
            <p>Para a análise, seguimos os pressupostos das leis da bibliometria de Bradford, Lotka
                e Zipf, que se tornaram fundamentais para a análise quantitativa da produção
                científica e da disseminação do conhecimento, sendo aplicadas, frequentemente, em
                estudos bibliométricos.</p>
            <p>Acerca da Lei de Bradford (1934), ela está relacionada à dispersão dos artigos
                científicos entre periódicos. Segundo essa lei, um pequeno número de periódicos
                concentra a maior parte dos artigos sobre determinado tema, enquanto a maioria dos
                periódicos publica poucos artigos. Essa regra permite identificar as principais
                fontes de conhecimento em uma área, orientando a seleção de revistas para
                pesquisa.</p>
            <p>A Lei de Lotka (1926), por sua vez, trata da produtividade dos autores e demonstra
                que a maior parte dos pesquisadores publica poucos artigos, enquanto um pequeno
                número de autores é altamente produtivo. Conforme Lotka, o número de autores que
                publica ‘n’ artigos é inversamente proporcional ao quadrado de ‘n’, sendo uma
                importante ferramenta para analisar padrões de autoria e contribuição científica em
                diversas áreas.</p>
            <p>Já a Lei de Zipf (1949) foca na frequência de palavras em um texto, mostrando que
                poucas palavras são utilizadas com alta frequência, enquanto a maioria aparece
                esporadicamente. Aplicada à análise linguística de textos, essa lei permite
                identificar padrões e relevância de termos específicos em corpora de dados.</p>
            <p>Com isso, a partir das leis mencionadas acima, a pesquisa foi realizada reputando
                algumas etapas sequenciais, a saber: o primeiro passo foi a busca dos termos
                    <italic>innovation lab* and public sector</italic>* na base da <italic>Web of
                    Science</italic> e no Portal de Periódicos da CAPES, tendo como resultado 129
                publicações, sem exclusões; o segundo passo diz respeito à análise de gráficos,
                tabelas e categorias nas bases pesquisadas; o terceiro passo deu-se com a exportação
                e a importação dos dados para o <italic>VOSviewer,</italic> em que foram gerados
                mapas bibliométricos concernentes a cada item pesquisado, conjugado com os
                    <italic>clusters,</italic> a serem apresentados e discutidos na próxima
                seção.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="discussion">
            <title>4 DISCUSSÃO E ANÁLISE DOS DADOS</title>
            <p>Na pesquisa estabelecida na base da <italic>Web of Science,</italic> usando as
                expressões <italic>innovation lab</italic>* e <italic>public sector</italic>*,
                encontraram-se 129 trabalhos relacionados ao tema proposto. Nesse universo
                pesquisado, tendo como critérios as expressões referidas, não houve exclusão de
                trabalhos.</p>
            <p>Na análise dos resultados da pesquisa, executou-se um filtro, levando em consideração
                as categorias das seis áreas com maior concentração de estudos, que são: (21)
                Gestão; (21) Administração Pública; (18) Estudos Ambientais; (17) Ciências
                Ambientais; (17) Tecnologia de Ciências Sustentável Verde; (15) Economia (<xref
                    ref-type="fig" rid="F1">figura 1</xref>).</p>
            <p><fig id="F1">
                    <label>Figura 1</label>
                    <caption>
                        <title>Área de concentração dos estudos selecionados para a
                            bibliometria</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1984-7297-regea-14-01-0027-gf01.tif"/>
                    <attrib>Fonte: elaborado pelos autores (2024).</attrib>
                </fig></p>
            <p>Das 129 publicações trabalhadas no Vosviewer, encontraram-se 1.690 referências, sendo
                selecionados os 33 trabalhos mais citados (<xref ref-type="fig" rid="F2">figura
                    2</xref>). A partir da análise de cocitação, é possível identificar como a
                comunidade científica tem relacionado a produção acadêmica sobre os laboratórios de
                inovação no setor público.</p>
            <p><fig id="F2">
                    <label>Figura 2</label>
                    <caption>
                        <title>Mapa com rede a partir da análise de cocitação</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1984-7297-regea-14-01-0027-gf02.tif"/>
                    <attrib>Fonte: elaborado pelos autores (2024).</attrib>
                </fig></p>
            <p>O Vosviewer possibilitou a análise dos documentos, que foram agrupados em três
                    <italic>clusters,</italic> indicando um alinhamento com os agrupamentos
                construídos a partir do acoplamento bibliográfico – uma vez que se percebe uma
                proximidade do número de agrupamentos.</p>
            <p>A partir dos dados sistematizados e extraídos das bases de dados pesquisados,
                demonstra-se uma evolução na pesquisa acerca dos laboratórios de inovação. Não
                obstante, essa evolução ainda é considerada pequena, tendo em vista a relevância dos
                laboratórios de inovação na gestão pública, abrindo um precedente para futuras
                pesquisas nesta área de estudo.</p>
            <p>Das 129 publicações levantadas na pesquisa, foram analisadas as cincos mais citadas
                entre os anos de 2018 a 2024. Foi observada uma tendência notável de aumento do
                interesse acadêmico ligado aos laboratórios de inovação no setor público. Esses
                trabalhos enfatizam a relevância de práticas e uso de ferramentas da inovação nos
                processos de melhoria do setor público. As publicações indicam que a incorporação de
                novas tecnologias, novas ferramentas de trabalho e a cultura da inovação no setor
                público não só otimiza a eficiência, mas também promove um crescimento sustentável,
                alinhado às exigências do mercado contemporâneo.</p>
            <table-wrap id="T1">
                <label>Quadro 1</label>
                <caption>
                    <title>Os cinco artigos mais citados, por ano de publicação</title>
                </caption>
                <table frame="box" rules="all">
                    <thead>
                        <tr>
                            <th align="center" valign="middle" rowspan="2"/>
                            <th align="center" valign="middle" rowspan="2"
                                style="background-color:#d0cece">Título</th>
                            <th align="center" valign="middle" rowspan="2"
                                style="background-color:#d0cece">Autores</th>
                            <th align="center" valign="middle" colspan="7"
                                style="background-color:#d0cece">Quantidade de citações, por
                                ano</th>
                            <th align="center" valign="middle" style="background-color:#d0cece"
                                >Total de citações</th>
                        </tr>
                        <tr>
                            <th align="center" valign="middle" style="background-color:#d0cece"
                                >2018</th>
                            <th align="center" valign="middle" style="background-color:#d0cece"
                                >2019</th>
                            <th align="center" valign="middle" style="background-color:#d0cece"
                                >2020</th>
                            <th align="center" valign="middle" style="background-color:#d0cece"
                                >2021</th>
                            <th align="center" valign="middle" style="background-color:#d0cece"
                                >2022</th>
                            <th align="center" valign="middle" style="background-color:#d0cece"
                                >2023</th>
                            <th align="center" valign="middle" style="background-color:#d0cece"
                                >2024</th>
                            <th align="center" valign="middle" style="background-color:#d0cece"/>
                        </tr>
                    </thead>
                    <tbody>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle">1</td>
                            <td align="left" valign="top">Quando o design encontra o poder: design
                                thinking, inovação do setor público e a política de formulação de
                                políticas</td>
                            <td align="left" valign="top"><xref ref-type="bibr" rid="B7">Lewis, J.
                                    M., McGann, M. &amp; Blomkamp, E. (2020)</xref>.</td>
                            <td align="center" valign="middle">00</td>
                            <td align="center" valign="middle">00</td>
                            <td align="center" valign="middle">4</td>
                            <td align="center" valign="middle">14</td>
                            <td align="center" valign="middle">23</td>
                            <td align="center" valign="middle">18</td>
                            <td align="center" valign="middle">15</td>
                            <td align="center" valign="middle">74</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle">2</td>
                            <td align="left" valign="middle">Laboratórios de inovação e coprodução
                                na resolução de problemas públicos</td>
                            <td align="left" valign="middle"><xref ref-type="bibr" rid="B8">McGann,
                                    Michael; Wells, Tamas; Blomkamp, Emma (2019)</xref>.</td>
                            <td align="center" valign="middle">0</td>
                            <td align="center" valign="middle">0</td>
                            <td align="center" valign="middle">2</td>
                            <td align="center" valign="middle">15</td>
                            <td align="center" valign="middle">14</td>
                            <td align="center" valign="middle">14</td>
                            <td align="center" valign="middle">15</td>
                            <td align="center" valign="middle">60</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle">3</td>
                            <td align="left" valign="middle">O Living Lab como Metodologia de
                                Pesquisa em Administração Pública: uma Revisão Sistemática da
                                Literatura sobre suas Aplicações nas Ciências Sociais</td>
                            <td align="left" valign="middle"><xref ref-type="bibr" rid="B5">Dekker,
                                    R; Contreras, JF e Meijer, A (2020)</xref></td>
                            <td align="center" valign="middle">0</td>
                            <td align="center" valign="middle">0</td>
                            <td align="center" valign="middle">2</td>
                            <td align="center" valign="middle">17</td>
                            <td align="center" valign="middle">11</td>
                            <td align="center" valign="middle">11</td>
                            <td align="center" valign="middle">6</td>
                            <td align="center" valign="middle">47</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle">4</td>
                            <td align="left" valign="middle">Laboratórios de inovação sistêmi-ca: um
                                laboratório para problemas perversos</td>
                            <td align="left" valign="middle"><xref ref-type="bibr" rid="B18"
                                    >Zivkovic, S (2018)</xref></td>
                            <td align="center" valign="middle">0</td>
                            <td align="center" valign="middle">1</td>
                            <td align="center" valign="middle">7</td>
                            <td align="center" valign="middle">20</td>
                            <td align="center" valign="middle">10</td>
                            <td align="center" valign="middle">3</td>
                            <td align="center" valign="middle">2</td>
                            <td align="center" valign="middle">43</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle">5</td>
                            <td align="left" valign="middle">Co-design, avaliação e o Laboratório de
                                Inovação da Irlanda do Norte</td>
                            <td align="left" valign="middle"><xref ref-type="bibr" rid="B17"
                                    >Whicher, A e Crick, T (2019)</xref></td>
                            <td align="center" valign="middle">0</td>
                            <td align="center" valign="middle">0</td>
                            <td align="center" valign="middle">1</td>
                            <td align="center" valign="middle">7</td>
                            <td align="center" valign="middle">8</td>
                            <td align="center" valign="middle">9</td>
                            <td align="center" valign="middle">5</td>
                            <td align="center" valign="middle">30</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <fn id="TFN1">
                        <p>Fonte: elaborado pelos autores (2024).</p>
                    </fn>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B7">Lewis, McGann e Blomkamp (2020)</xref> pesquisaram
                que, na busca por inovação por parte do setor público, os governos estão explorando
                o <italic>design thinking</italic> como um método para reformular políticas e testar
                novas soluções. O Artigo investiga as novidades do design thinking, contrastando-o
                com abordagens tradicionais e participativas na formulação de políticas, ressaltando
                suas diferentes lógicas e fundamentos ao “falar a verdade ao poder”. Na mesma
                publicação, avalia-se o impacto do design thinking na prática política, com foco nos
                laboratórios de inovação do setor público (PSI). O estudo conclui que, embora o
                design thinking enfrente desafios significativos no cenário político, apresenta
                oportunidades promissoras para melhorar a interação entre design e políticas
                públicas.</p>
            <p>Por sua vez, <xref ref-type="bibr" rid="B8">McGann, Wells e Blomkamp (2019)</xref>
                observaram que os governos estão, cada vez mais, estabelecendo laboratórios de
                inovação para aprimorar a solução de problemas públicos. Embora essas novas unidades
                continuem a surgir rapidamente, apenas recentemente elas começaram a atrair a
                atenção dos estudiosos da administração pública. Este estudo analisa como esses
                laboratórios estão fortalecendo a capacidade estratégica das políticas, promovendo
                abordagens colaborativas e centradas no cidadão para o desenvolvimento de políticas
                públicas. <xref ref-type="bibr" rid="B8">McGann Wells e Blomkamp (2019)</xref>
                basearam a pesquisa em um estudo de caso original sobre cinco laboratórios na
                Austrália e Nova Zelândia, que examinou a estrutura das relações desses laboratórios
                com parceiros governamentais, bem como a extensão e natureza de suas atividades para
                fomentar a participação cidadã na resolução de problemas públicos.</p>
            <p>Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B5">Dekker, Contreras e Meijer (2020)</xref>, a
                metodologia dos laboratórios vivos emergiu como promissora na pesquisa em
                administração pública, facilitando o design e o estudo de inovações públicas. Este
                estudo revisa, sistematicamente, as aplicações atuais dos laboratórios vivos nas
                ciências sociais, correlacionando-as com oportunidades de pesquisa em administração
                pública. Além disso, oferece diretrizes para o uso eficaz dos living labs e discute
                o valor inerente desta metodologia.</p>
            <p>O artigo de <xref ref-type="bibr" rid="B18">Zivkovic (2018)</xref> questiona a
                adequação dos laboratórios atuais para resolver problemas perversos e propõe um novo
                modelo: o Laboratório de Inovação Sistêmica, que combina características de
                iniciativas existentes, como Laboratórios de Inovação Social, Laboratórios Vivos,
                Laboratórios Urbanos, Laboratórios de Transição Urbana e Laboratórios de Inovação do
                Setor Público. Para abordar problemas complexos, os laboratórios devem adotar um
                design sistêmico, focar em abordagens locais e de transição, permitir a ação
                colaborativa de diversos atores, envolver usuários como cocriadores e promover uma
                governança em rede, reconhecendo o governo como facilitador da mudança. Este novo
                laboratório, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B18">Zivkovic (2018)</xref>, visa
                apoiar profissionais na adoção de um ecossistema de soluções e inovação sistêmica,
                fundamentado em princípios que cruzam design e teoria da complexidade. O artigo,
                portanto, analisa diferentes tipos de laboratório e propõe um modelo específico para
                enfrentar problemas perversos.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B17">Whicher e Crick (2019)</xref> identificaram mais de
                100 laboratórios de políticas globais, compostos por equipes governamentais
                multidisciplinares que desenvolvem serviços e políticas públicas por meio de métodos
                inovadores, envolvendo cidadãos e partes interessadas. Esses laboratórios utilizam
                abordagens como coprodução, cocriação, codesign, insights comportamentais,
                pensamento sistêmico, etnografia e ciência de dados, destacando a participação ativa
                do público na criação de soluções. O Laboratório de Inovação do Setor Público da
                Irlanda do Norte (iLab) exemplifica essa tendência, aplicando codesign para gerar
                valor em conjunto com os usuários e aprimorar a governança pública. O estudo aborda
                três questões principais: fatores que determinam a eficácia do codesign,
                consequências não intencionais dessa abordagem e lições para outros laboratórios de
                políticas. A legitimidade na formulação de políticas públicas deve ser restaurada
                por meio de um envolvimento cidadão mais eficaz, com os governos criando
                Laboratórios de Políticas que promovem a participação em várias etapas do
                desenvolvimento. O iLab oferece um ambiente seguro para a geração de ideias, teste
                de protótipos e refinamento de conceitos com os beneficiários.</p>
            <p>Com relação à distribuição geográfica das pesquisas, o <xref ref-type="fig" rid="F3"
                    >gráfico 1</xref> apresenta os países em que mais se pública sobre o tema, sendo
                o Espanha o país com o maior número de publicações nas plataformas pesquisadas,
                contando com dezoito publicações; seguido pela Inglaterra com seis; Estados Unidos;
                Países Baixos com onze; Itália, vindo logo atrás com dez artigos, seguindo Australia
                com nove, Noruega com oito artigos, Brasil com sete em seguida Canadá e França com
                seis artigos catalogados nessas bases de dados.</p>
            <p><fig id="F3">
                    <label>Gráfico 1</label>
                    <caption>
                        <title>Dez países que mais publicam na <italic>Web of
                            Science</italic></title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1984-7297-regea-14-01-0027-gf03.tif"/>
                    <attrib>Fonte: <italic>Web of Science</italic> (2024).</attrib>
                </fig></p>
            <p>A <xref ref-type="fig" rid="F4">figura 3</xref> está estruturada em três agrupamentos
                (clusters) com um total de 4.799 de força de ligação (link strength). O Cluster 1
                (tonalidade vermelha) inclui seis países: a) Austrália, com 664 de força de ligação
                e 9 documentos; b) Brasil, com 373 de força de ligação e 7 documentos; c) Canadá,
                com 547 de força de ligação e 6 documentos; d) Itália, com 464 de força de ligação e
                10 documentos; e) Espanha, com 1.011 de força de ligação e 19 documentos; f)
                Ucrânia, com 6 de força de ligação e 5 documentos. O Cluster 2 (tonalidade verde) é
                composto por quatro países: a) Finlândia, com 1.188 de força de ligação e 5
                documentos; b) França, com 577 de força de ligação e 6 documentos; c) Noruega, com
                1.233 de força de ligação e 8 documentos; d) EUA, com 1.085 de força de ligação e 13
                documentos. O Cluster 3 (tonalidade azul) abrange: a) Inglaterra, com 963 de força
                de ligação e 16 documentos; b) Alemanha, com 975 de força de ligação e 6 documentos;
                c) Holanda, com 512 de força de ligação e 11 documentos.</p>
            <p><fig id="F4">
                    <label>Figura 3</label>
                    <caption>
                        <title>Mapa com rede de relações construídas mediante análise de acoplamento
                            bibliográfico por país</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1984-7297-regea-14-01-0027-gf04.tif"/>
                    <attrib>Fonte: VOSviewer (2024).</attrib>
                </fig></p>
            <p>Apesar das complexas relações entre os clusters, observa-se uma interessante dinâmica
                de colaboração entre os países. No Cluster 1, a Espanha destaca-se com a maior força
                de ligação, apresentando uma forte rede de cooperação. Já no Cluster 2, Noruega,
                Finlândia e Estados Unidos exibem alta conectividade, refletindo parcerias
                significativas. No Cluster 3, a Alemanha e a Inglaterra apresentam valores de
                ligação próximos, indicando trocas acadêmicas robustas. Essa análise revela não
                apenas a diversidade de interações, mas também o potencial para futuras
                colaborações. Essas redes são fundamentais para o avanço científico e tecnológico
                global.</p>
            <p>Os oito países com maior quantitativo de documentos são a Austrália, com nove, Brasil
                com sete, Itália com dez, Espanha com dezenove, Noruega com oito, Estados Unidos 13
                artigos seguido da Inglaterra com 16 documentos e Holanda com onze. No aglomerado de
                    <italic>clusters,</italic> identificaram-se os países com maior força no
                    <italic>link,</italic> sendo: Noruega (1.233), Finlândia (1.188), Espanha
                (1.011), Estados Unidos (1.085), Germânia (975), Inglaterra (963), Austrália (664),
                França (577), Canadá (547), Holanda (512), Itália (464), Brasil (373), nesta ordem;
                e com menor força, Ucrânia (6).</p>
            <p>A propósito, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Marques (2021)</xref> esclarece que a
                técnica de associação de forças consiste em um tratamento matemático feito nos
                objetos a serem analisados (cocitação, citação, palavrachave, acoplamento
                bibliográfico, etc.). Os dados corroboram <xref ref-type="bibr" rid="B10">Marques
                    (2021)</xref>, o qual afirma que eles são espacialmente distribuídos em um
                sistema de coordenadas e conectados por <italic>links</italic> que representam uma
                relação entre os objetos, de modo que a cada <italic>link</italic> é atribuída uma
                força (um peso), representada por um valor inteiro e positivo. Quanto maior esse
                valor, maior a força do <italic>link,</italic> cuja força pode representar, por
                exemplo, o número de referências comuns citadas entre dois artigos (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B10">Marques, 2021</xref>).</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>5 CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
            <p>Esta pesquisa teve como objetivo realizar um levantamento da literatura sobre os
                laboratórios de inovação no setor público, utilizando a análise bibliométrica, tendo
                como base de indexação a <italic>Web of Science</italic> e o Portal Periódico da
                Capes. Para tanto, foram utilizadas as expressões <italic>innovation lab</italic>*
                and <italic>public sector</italic>*, sendo listado um universo de 129 documentos. A
                pesquisa mostrou que, no universo de cinco áreas com maior concentração de estudos,
                a Administração Pública e Gestão se destacam no que tange ao quantitativo de
                publicações.</p>
            <p>Ao mais, foram identificadas nas pesquisas 1.690 referências citadas, dado que levou
                em consideração as 129 publicações indexadas no <italic>Vosviewer,</italic> de cujo
                universo foram selecionados os 33 trabalhos mais citados. Com essa análise e a
                cocitação, foi possível identificar como a comunidade científica tem relacionado a
                produção acadêmica acerca dos laboratórios de inovação no setor público.</p>
            <p>A partir dos dados sistematizados na pesquisa, percebeu-se uma evolução nos estudos
                acerca dos laboratórios de inovação. Todavia, essa evolução ainda é considerada
                tímida, tendo em vista a relevância dos laboratórios de inovação na gestão pública,
                abrindo um precedente para futuras pesquisas nesta importante área do
                conhecimento.</p>
            <p>No estudo, analisaram-se as cinco publicações mais citadas de 2018 a 2024, somando-se
                254 citações relacionadas a eles. Nesse contexto, concebe-se que as pesquisas sobre
                os laboratórios de inovação no setor ainda se concentram muito no campo teórico, daí
                porque se depreende a necessidade de pesquisas com casos concretos e resultados
                práticos no setor público.</p>
            <p>Com relação ao quantitativo de publicações, a Espanha apresenta-se em primeiro lugar,
                com dezoito publicações; em segundo, a Inglaterra com dezesseis, Estados Unidos com
                treze, Países Baixos com onze, Itália com dez, Austrália com nove, Noruega com oito,
                Brasil com sete, Canadá e França, ambas com seis publicações. Os achados consistiram
                em artigos publicados na base da <italic>Web of Science</italic> e o Portal
                Periódico da Capes, o que pode ser considerado uma das limitações da pesquisa. Com
                isso, sugere-se, para pesquisas futuras, a ampliação da quantidade de base de dados
                utilizada com um intuito de possibilitar uma visão mais ampla deste tema nascente,
                mas, ao mesmo tempo, tão relevante para a sociedade moderna.</p>
        </sec>
    </body>
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