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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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                <journal-title>Revista gestão em análise</journal-title>
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            <issn pub-type="ppub">1984-7297</issn>
            <issn pub-type="epub">2359-618X</issn>
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                >10.12662/2359-618xregea.v15i1.6124.pe6124.2026</article-id>
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                    <subject>ARTIGOS</subject>
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                <article-title>COMPOSIÇÃO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO E A RELAÇÃO COM A POLÍTICA DE
                    DIVIDENDOS DAS EMPRESAS LISTADAS NA B3</article-title>
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                    <trans-title>COMPOSITION OF THE BOARD OF DIRECTORS AND ITS RELATIONSHIP WITH THE
                        DIVIDEND POLICY OF COMPANIES LISTED ON B3</trans-title>
                </trans-title-group>
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                        <surname>Monteiro</surname>
                        <given-names>Mauro Mateus de Sousa</given-names>
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                        <surname>Sant’Ana</surname>
                        <given-names>Naiara Leite dos Santos</given-names>
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                        <surname>Santos</surname>
                        <given-names>Adriana Vasconcelos Carneiro dos</given-names>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Ceará</institution>
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                <institution content-type="original">Graduado em Ciências Contábeis pela
                    Universidade Federal do Ceará. Fortaleza - CE - BR. E-mail:
                    mauromateusmonteiro@gmail.com</institution>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG em
                    Administração</institution>
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                <institution content-type="original">Professora Adjunta da Universidade Federal do
                    Ceará. Doutora pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG em
                    Administração, linha Finanças. Fortaleza - CE - BR. E-mail:
                    naiarasantana@ufc.br</institution>
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                <institution content-type="original">Mestranda em Administração e Controladoria pela
                    Universidade Federal do Ceará. Fortaleza - CE - BR. E-mail:
                    adrianavcs01@gmail.com</institution>
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                <email>nelidacervantes@hotmail.com</email>
                <institution content-type="original">Doutora em Ciência Política pelo Instituto de
                    Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa. professora da
                    Universidade Federal do Ceará desde 1999. Fortaleza - CE - BR. E-mail:
                    nelidacervantes@hotmail.com</institution>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Ceará</institution>
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                <institution content-type="original">Graduanda em Ciências Contábeis pela
                    Universidade Federal do Ceará. Fortaleza - CE - BR. E-mail:
                    gilvaniralima@outlook.com</institution>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution NonCommercial, que permite uso,
                        distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que sem
                        fins comerciais e que o trabalho original seja corretamente
                        citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>RESUMO</title>
                <p>Esta pesquisa tem como objetivo analisar a influência da composição do Conselho
                    de Administração na política de dividendos das empresas listadas no Brasil,
                    Bolsa, Balcão (B3). Sendo um estudo descritivo, quantitativo e documental,
                    utilizou-se estatística descritiva, método de regressão logit e método de
                    regressão linear múltipla. Os resultados evidenciaram que o tamanho, a
                    independência, o gênero, a dualidade do CEO, o Comitê de Auditoria e o nível de
                    listagem de governança corporativa são determinantes para explicar a decisão de
                    distribuir dividendos. Contudo, verificou-se que apenas a dualidade do CEO, o
                    Comitê de Auditoria e o nível de listagem exercem influência estatisticamente
                    significativa, evidenciando que a relevância do reforço nas práticas de
                    governança para as organizações contribui com a estratégia de investidores, os
                    quais devem atentar para a composição dos conselhos de administração das
                    empresas em que planejam investir, uma vez que a supervisão da gestão varia
                    conforme os diferentes conselheiros que compõem tais órgãos.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>ABSTRACT</title>
                <p>This research aims to analyze the influence of the composition of the Board of
                    Directors on the dividend policy of companies listed on the Brazilian Stock
                    Exchange (B3). Being a descriptive, quantitative, and documentary study,
                    descriptive statistics, logit regression, and multiple linear regression methods
                    were used. The results showed that the size, independence, gender, CEO duality,
                    Audit Committee, and corporate governance listing level are determinants in
                    explaining the decision to distribute dividends. However, it was found that only
                    CEO duality, the Audit Committee, and the listing level exert a statistically
                    significant influence, demonstrating that the relevance of strengthening
                    governance practices for organizations contributes to the strategy of investors,
                    who should pay attention to the composition of the boards of directors of the
                    companies in which they plan to invest, since the supervision of management
                    varies according to the different directors who compose these bodies.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>Conselho de Administração</kwd>
                <kwd>política de dividendos</kwd>
                <kwd>investidores</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>Board of Directors</kwd>
                <kwd>dividend policy</kwd>
                <kwd>investors</kwd>
            </kwd-group>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>1 INTRODUÇÃO</title>
            <p>A política de dividendos fundamenta-se no estabelecimento de uma diretriz pela
                administração da companhia com relação a uma parte do lucro líquido que será retida
                na empresa e distribuída aos acionistas (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Kaveski
                        <italic>et al.,</italic> 2017</xref>). A distribuição de dividendos pelas
                empresas é uma importante variável para que investidores deliberem quanto as opções
                disponíveis no mercado de ações (<xref ref-type="bibr" rid="B56">Ribeiro,
                    2010</xref>). Ademais, os gestores da organização possuem informações
                privilegiadas no contexto operacional da companhia, caracterizando a presença de
                assimetria informacional (<xref ref-type="bibr" rid="B51">Moreiras; Tambosi Filho;
                    Garcia, 2012</xref>).</p>
            <p>No geral, os acionistas acessam apenas informações públicas, enquanto os gestores
                detêm informações privilegiadas da companhia por estarem inseridos em seu contexto
                operacional (<xref ref-type="bibr" rid="B51">Moreiras; Tambosi Filho; Garcia,
                    2012</xref>). Nesse sentido, a governança corporativa visa reduzir essa
                assimetria informacional alinhando os interesses gerados pelos conflitos de agência
                entre gestores e proprietários (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Jensen; Meckling,
                    1976</xref>), por meio de um conjunto de mecanismos de monitoramento da gestão e
                desempenho da firma (<xref ref-type="bibr" rid="B60">Shleifer; Vishny,
                1997</xref>).</p>
            <p>Semelhante à governança corporativa, a política de dividendos adotada pela empresa,
                ao ser deliberada pelo Conselho de Administração, emite sinais de que, em um
                ambiente de assimetria informacional, podem ser considerados mecanismos sujeitos à
                discricionariedade dos stakeholders (<xref ref-type="bibr" rid="B61">Spence,
                    1973</xref>). Algumas pesquisas anteriores buscaram relacionar a estrutura do
                Conselho de Administração e a política de dividendos, com enfoque na diversidade de
                gênero, tamanho e independência do conselho (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Chen;
                    Leung; Goergen, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B58">Sanan,
                2019</xref>). No estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B65">Thompson e Manu
                    (2021)</xref>, foram empregadas empresas norte-americanas e uma extensa
                variedade de atributos dos conselhos de administração a fim de examinar a interação
                entre esses elementos e a política de distribuição de dividendos.</p>
            <p>O estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B59">Santos e Félix Júnior (2023)</xref>
                aplicou diversas características das pesquisas anteriores no mercado brasileiro, com
                grandes diferenças em relação ao mercado externo, em função de a Lei 6.404/76 exigir
                a distribuição de dividendos. A utilização de um amplo conjunto de atributos dos
                conselhos no cenário brasileiro pode apresentar indícios de que a composição do
                conselho desempenha um papel crucial na formulação da política de dividendos nesses
                mercados (<xref ref-type="bibr" rid="B59">Santos; Félix Júnior, 2023</xref>).
                Considerando o exposto, este estudo busca responder à seguinte questão de pesquisa:
                    <italic>Qual a influência da composição do Conselho de Administração na política
                    de dividendos das empresas listadas no Brasil, Bolsa, Balcão (B3)?</italic></p>
            <p>Assim, tem-se o objetivo geral de analisar a relação entre a composição dos conselhos
                de administração e a política de dividendos nas empresas não financeiras listadas na
                B3. Adicionalmente, pretende-se verificar as principais companhias que distribuíram
                dividendos, conforme o segmento econômico das empresas listadas, o nível de
                governança corporativa e a presença do comitê de auditoria, com o objetivo de obter
                um diagnóstico por setor e nível da qualidade na governança corporativa.
                Complementarmente, busca-se verificar as influências das características da
                estrutura dos conselhos nas políticas de dividendos das companhias.</p>
            <p>O presente trabalho, caracterizado como descritivo, quantitativo e documental,
                contribui com a literatura existente acerca da relação entre a composição do
                Conselho de Administração e a política de dividendos e se diferencia dos demais
                estudos dos autores (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Chen; Leung; Goergen,
                    2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B58">Sanan, 2019</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B59">Santos; Félix Júnior, 2023</xref>). O aspecto de
                diferenciação está na investigação dos níveis de governança (Novo Mercado, Nível 1,
                Nível 2 e tradicional) e na presença do Comitê de Auditoria nas companhias
                brasileiras, complementando as características investigadas na literatura
                brasileira.</p>
            <p>O artigo possui como estrutura inicialmente a apresentação da introdução, em
                sequência o referencial teórico com abordagem sobre a composição do Conselho de
                Administração e a relação com a política de dividendos das empresas. Em seguida,
                apresenta-se a metodologia, a análise dos dados, as conclusões e as referências
                utilizadas.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>2 REFERENCIAL TEÓRICO</title>
            <p>O Conselho de Administração atua como um mecanismo essencial de governança
                corporativa, desempenhando a crucial função de monitorar a gestão para mitigar
                problemas de agência entre acionistas e administradores (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B27">Fama; Jensen, 1983</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">Drakos;
                    Bekiris, 2010</xref>), influenciando diversas decisões corporativas (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B19">Cho; Kim, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B42"
                    >Kao; Hodgkinson; Laafar, 2019</xref>). Dessa maneira, as empresas necessitam
                fortalecer seus conselhos de administração para alcançar sucesso na performance
                empresarial e reduzir incertezas originadas por conflitos de agência (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B44">Kiel; Nicholson, 2003</xref>; <xref ref-type="bibr"
                    rid="B19">Cho; Kim, 2007</xref>). Diversos estudos sobre conselhos de
                administração focaram estabelecer sua relação com características das empresas,
                especialmente a geração de valor e desempenho (<xref ref-type="bibr" rid="B32"
                    >Guest, 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">Baglioni; Colombo,
                    2013</xref>). Contudo, nem sempre esses resultados trouxeram evidências
                suficientes para firmar essa relação (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Daily; Dalton;
                    Cannella Junior, 2003</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2">Acero; Alcalde,
                    2021</xref>). Assim, a avaliação do Conselho de Administração pode ser explorada
                de maneira mais eficiente ao analisar questões e decisões específicas que impactam
                diretamente no desempenho das empresas, como fusões e aquisições (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B54">Redor, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2"
                    >Acero; Alcalde, 2021</xref>) ou política de dividendos (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B64">Tahir; Masri; Rahman, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B58"
                    >Sanan, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B65">Thompson; Manu,
                2021</xref>), por exemplo.</p>
            <p>A tomada de decisão sobre a política de dividendos assume uma posição crucial no
                campo das finanças corporativas (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Benjamin; Biswas,
                    2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Chen; Leung; Goergen, 2017</xref>),
                uma vez que os dividendos representam uma parcela dos lucros obtidos pela empresa
                durante um determinado período (<xref ref-type="bibr" rid="B46">Kulathunga; Azeez,
                    2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B66">Uwalomwa; Olamide; Francis,
                    2015</xref>). Conforme destacado por <xref ref-type="bibr" rid="B64">Tahir,
                    Masri e Rahman (2020)</xref>, fatores como especulação nos mercados de capitais,
                assimetria de informações econômicas, considerações tributárias e legais, além de
                problemas de agência reforçam a importância de alinhar a política de dividendos às
                estratégias empresariais para estabelecer uma abordagem que atenda aos interesses de
                todas as partes envolvidas.</p>
            <p>A política de dividendos está intrinsecamente ligada à decisão de distribuir ou não
                dividendos, e, em caso afirmativo, também está relacionada ao montante a ser
                distribuído (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Guttman; Kadan; Kandel, 2010</xref>).
                Trata-se de uma das decisões financeiras mais relevantes para as empresas, pois
                influencia tanto o seu crescimento, por meio do reinvestimento de recursos quando os
                dividendos não são distribuídos, quanto a percepção dos investidores, uma vez que o
                pagamento de dividendos sinaliza ao mercado a capacidade da empresa de gerar
                recursos financeiros (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Cho; Kim, 2007</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B20">Cooper; Lambertides, 2018</xref>).</p>
            <p>Diversos estudos têm-se dedicado a identificar os determinantes das políticas de
                dividendos (<xref ref-type="bibr" rid="B65">Thompson; Manu, 2021</xref>). Entre
                esses determinantes, o excesso de caixa (<xref ref-type="bibr" rid="B48">Lie,
                    2000</xref>), as oportunidades de investimento das empresas (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B33">Gugler, 2003</xref>), o crescimento das empresas
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B47">La Porta <italic>et al</italic>., 2000</xref>),
                a sinalização de lucros futuros (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Benartzi; Michaely;
                    Thaler, 1997</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Brav <italic>et
                    al</italic>., 2005</xref>), o tamanho da empresa (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B14">Brawn; Sevic, 2018</xref>) e a alavancagem das empresas (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B20">Cooper; Lambertides, 2018</xref>) estão associados ao
                pagamento de dividendos.</p>
            <p>O papel dos conselhos de administração na definição da política de dividendos das
                empresas é crucial, uma vez que a decisão sobre o pagamento de dividendos é passada
                por esses conselhos (<xref ref-type="bibr" rid="B65">Thompson; Manu, 2021</xref>).
                Assim, inúmeras pesquisas buscaram analisar os impactos das composições dos
                conselhos de administração na política de dividendos, com foco principal na análise
                da diversidade e independência desses conselhos (<xref ref-type="bibr" rid="B67">Ye
                        <italic>et al</italic>., 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Chen;
                    Leung; Goergen, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">Abdelsalam;
                    El-Masry; Elsegini, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B40">Jiraporn; Ning,
                    2006</xref>). No entanto, o pagamento de dividendos está intrinsecamente ligado
                à proteção conferida aos acionistas, uma vez que a extensão dos mecanismos de
                governança corporativa impacta diretamente a política de dividendos (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B67">Ye <italic>et al</italic>., 2019</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B17">Chen; Leung; Goergen, 2017</xref>).</p>
            <p>Pesquisas relacionadas examinaram o efeito da composição dos conselhos de
                administração sobre a política de dividendos em diferentes países e ambientes
                institucionais, com regras e normas distintas, buscando evidenciar se
                características como diversidade, tamanho, independência, dualidade do CEO,
                    <italic>expertise</italic> financeira e indicação dos membros pelos
                controladores, entre outros, causam impacto na política de dividendos (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B67">Ye <italic>et al</italic>., 2019</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B17">Chen; Leung; Goergen, 2017</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B1">Abdelsalam; El-Masry; Elsegini, 2008</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B5">Bae <italic>et al</italic>., 2021</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B65">Thompson; Manu, 2021</xref>).</p>
            <p>No que diz respeito à estrutura de governança, pesquisas anteriores apontaram que o
                tempo de enquadramento em qualquer nível de governança, exceto o tradicional,
                possuem relação inversa com o pagamento de dividendos, reafirmando possíveis
                gerenciamentos de resultados em companhias não enquadradas ou com pouco tempo de
                enquadramento (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Bachmann; Azevedo; Clemente,
                    2012</xref>). Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B26">Esqueda (2015)</xref>,
                níveis mais elevados de governança permitem que as empresas distribuam uma
                quantidade menor de dividendos, sobretudo voltado para reinvestimento dos lucros em
                projetos de investimentos. Nesse sentido, formula-se a hipótese 1 deste estudo,
                baseada no que foi encontrado nos estudos anteriores e será por esse estudo testado,
                pois não se tem, na literatura, a certeza da sua influência ou não sobre o Conselho
                de Administração, e os estudos anteriores foram aplicados em outros países, o que
                pode trazer uma diferença pelo contexto intrínsecos de cada país, já que alguns
                estudos dizem ter influência e outros não têm influência. Poderíamos destacar que os
                dados coletados são diretamente relacionados com a composição do Conselho de
                Administração, logo serão outros dados para teste das hipóteses:</p>
            <p>Hipótese 1: o nível de governança das companhias não influencia na distribuição de
                dividendos.</p>
            <p>Estudos recentes, como os de <xref ref-type="bibr" rid="B29">Galbreath (2018)</xref>
                e <xref ref-type="bibr" rid="B53">Post e Byron (2015)</xref>, demonstraram que a
                introdução de diversidade nos conselhos de administração não apenas estimula a
                inovação e a criatividade, mas também aprimora o desempenho das empresas. Essa
                melhoria, por sua vez, está diretamente ligada a uma tomada de decisão mais
                eficiente no que diz respeito ao pagamento de dividendos (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B17">Chen; Leung; Goergen, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B67">Ye
                        <italic>et al</italic>., 2019</xref>). A investigação conduzida por <xref
                    ref-type="bibr" rid="B37">Hutchinson, Mack e Plastow (2015)</xref> reforçou que
                a diversidade de gênero no conselho influencia, positivamente, o desempenho da
                empresa, corroborado por <xref ref-type="bibr" rid="B17">Chen, Leung e Goergen
                    (2017)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B65">Thompson e Manu (2021)</xref>,
                que associaram a presença de mulheres nos conselhos ao pagamento de dividendos. Com
                base nessas descobertas, desenvolve-se a segunda hipótese desta pesquisa:</p>
            <p>Hipótese 2: o número de mulheres nos conselhos de administração das companhias
                brasileiras influencia na distribuição de dividendos.</p>
            <p>Empresas com conselhos de administração mais extensos tendem a ter uma maior
                capacidade de controle e monitoramento, reduzindo conflitos de agência (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B49">Mancinelli; Ozkan, 2006</xref>). Estudos, como os de
                    <xref ref-type="bibr" rid="B12">Boumosleh e Cline (2015)</xref> e <xref
                    ref-type="bibr" rid="B3">Adjaoud e Ben-Amar (2010)</xref>, indicaram que
                empresas com conselhos mais amplos são mais eficientes na obtenção de recursos,
                devido à experiência compartilhada entre os membros, o que contribui para aumentar
                os pagamentos de dividendos. Além disso, conselhos maiores têm a capacidade de
                mitigar a influência de ideias minoritárias, evitando que sejam dominados por um
                número restrito de membros (<xref ref-type="bibr" rid="B64">Tahir; Masri; Rahman,
                    2020</xref>).</p>
            <p>Diversas pesquisas (<xref ref-type="bibr" rid="B66">Uwalomwa; Olamide; Francis,
                    2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B62">Subramaniam; Devi, 2011</xref>;
                    <xref ref-type="bibr" rid="B30">Ghasemi; Madrakian; Keivani, 2013</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B58">Sanan, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B64"
                    >Tahir; Masri; Rahman, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B65">Thompson;
                    Manu, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B59">Santos; Félix Júnior,
                    2023</xref>) exploraram a relação entre o tamanho dos conselhos de administração
                e a política de dividendos em diferentes países e mercados, todas concluindo que
                conselhos maiores estão associados a pagamentos de dividendos mais elevados. Esses
                resultados sugerem que o tamanho do conselho é um dos determinantes do pagamento de
                dividendos, levando à formulação da terceira hipótese desta pesquisa:</p>
            <p>Hipótese 3: o tamanho dos conselhos de administração das companhias brasileiras tem
                influência na distribuição de dividendos.</p>
            <p>Conselhos de administração independentes são compostos por membros externos à
                organização, sem vínculos significativos com altos cargos executivos e poucas ou
                nenhuma relação com a empresa, permitindo, assim, a gestão independente de conflitos
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B64">Tahir; Masri; Rahman, 2020</xref>). <xref
                    ref-type="bibr" rid="B36">Gyapong <italic>et al</italic>. (2021)</xref> afirmam
                que os conselheiros independentes são capazes de desempenhar suas funções
                imparcialmente, gerenciando acionistas e cumprindo suas responsabilidades sem viés
                ideológico, político ou de gestão. De acordo com pesquisas como as de <xref
                    ref-type="bibr" rid="B50">Mansourinia <italic>et al</italic>. (2013)</xref> e
                    <xref ref-type="bibr" rid="B8">Batool e Javid (2014)</xref>, não há relação
                entre a proporção de membros independentes e a política de pagamentos de dividendos.
                No entanto, estudos mais recentes, como os de <xref ref-type="bibr" rid="B64">Tahir,
                    Masri e Rahman (2020)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B36">Gyapong <italic>et
                        al</italic>. (2021)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B65">Thompson e Manu
                    (2021)</xref>, encontraram uma relação positiva entre a proporção de membros
                independentes e os pagamentos de dividendos em empresas da Malásia, Austrália e EUA,
                respectivamente. Com base nesses achados, formula-se a quarta hipótese desta
                pesquisa:</p>
            <p>Hipótese 4: a proporção de membros independentes nos conselhos de administração das
                companhias brasileiras influencia na distribuição de dividendos.</p>
            <p>A dualidade de CEO ocorre quando o presidente do Conselho de Administração e o CEO da
                empresa são a mesma pessoa, resultando no compartilhamento de funções (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B52">Ntim; Opong; Danbolt, 2015</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B64">Tahir; Masri; Rahman, 2020</xref>). Entre outras
                implicações, a dualidade do CEO confere maior influência para o CEO ao decidir vetar
                ou aprovar decisões de outros conselheiros. Esse poder pode ser observado na
                política de pagamento de dividendos, uma vez que a dualidade do CEO afeta tanto
                interna quanto externamente a empresa, dada a sua presença na gestão e no seu
                monitoramento (<xref ref-type="bibr" rid="B64">Tahir; Masri; Rahman, 2020</xref>;
                    <xref ref-type="bibr" rid="B36">Gyapong <italic>et al</italic>.,
                2021</xref>).</p>
            <p>A pesquisa de <xref ref-type="bibr" rid="B11">Benjamin e Biswas (2019)</xref>
                sinalizou que a dualidade do CEO não influencia na política de pagamento de
                dividendos, atribuindo isso à redução da capacidade de monitoramento do conselho e à
                maior discricionariedade do CEO (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Dalton; Dalton,
                    2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B10">Benavides; Berggrun; Perafan,
                    2016</xref>). No entanto, pesquisas como as de <xref ref-type="bibr" rid="B31"
                    >Gill e Obradovich (2012)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B64">Tahir, Masri e
                    Rahman (2020)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B24">Dissanayake e
                    Dissabandara (2021)</xref> encontraram uma relação positiva entre a dualidade do
                CEO e a política de dividendos. Com base nessas informações, a quinta hipótese desta
                pesquisa é:</p>
            <p>Hipótese 5: a dualidade do CEO nos conselhos de administração das companhias
                brasileiras influencia na distribuição de dividendos.</p>
            <p>Um importante mecanismo interno de governança é o Comitê de Auditoria, órgão de
                gestão e controle na qual as principais funções são a contratação do auditor
                externo, gestão dos processos internos da companhia e supervisão das atividades da
                auditoria interna (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Caskey; Nagar; Pettachi,
                    2010</xref>). Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B55">Rezaee (2008)</xref>,
                para ampliar a qualidade das informações financeiras que os gestores fornecem aos
                acionistas, é obrigação das companhias formar comitês de auditoria independentes.
                Ademais, <xref ref-type="bibr" rid="B18">Chen (2010)</xref> afirmou que os
                dividendos têm a capacidade de aliviar problemas de agência nas empresas que possuem
                más práticas de governança. Logo, a sexta hipótese a ser testada é:</p>
            <p>Hipótese 6: a presença do Comitê de Auditoria nas companhias brasileiras não
                influencia na distribuição de dividendos.</p>
            <p>A <italic>expertise</italic> financeira dos membros dos conselhos de administração
                pode indicar decisões financeiras mais conservadoras, levando a propostas de não
                distribuição de dividendos, devido às oportunidades de investimento do excesso de
                caixa (<xref ref-type="bibr" rid="B45">Krishnan; Visvanathan, 2008</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B63">Sultana; Van der Zahn, 2015</xref>). A pesquisa de
                    <xref ref-type="bibr" rid="B65">Thompson e Manu (2021)</xref> revelou que uma
                maior presença de membros com <italic>expertise</italic> financeira está associada a
                menores pagamentos de dividendos, sugerindo que esses membros são menos propensos a
                recomendar a distribuição de dividendos, preferindo reter o dinheiro para
                investimentos futuros com expectativa de retorno. Com base nesses achados, foi
                formulada a sétima hipótese desta pesquisa:</p>
            <p>Hipótese 7: a <italic>expertise</italic> financeira dos membros dos conselhos de
                administração das companhias brasileiras não influencia na distribuição de
                dividendos.</p>
            <p>A nomeação de conselheiros pelo controlador da empresa pode instigar uma série de
                conflitos de agência, uma vez que esses conselheiros podem estar inclinados a
                atender aos interesses pessoais daqueles que os designaram (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B52">Ntim; Opong; Danbolt, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B63"
                    >Sultana; Van der Zahn, 2015</xref>). Essa prática tem o potencial de exercer um
                impacto direto nas decisões financeiras, já que o monitoramento do conselho pode ser
                influenciado por escolhas que favoreçam o controlador em detrimento da empresa
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B64">Tahir; Masri; Rahman 2020</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B36">Gyapong <italic>et al</italic>., 2021</xref>). Dentro
                desse contexto, decisões cruciais, como o pagamento de dividendos, podem ser
                moldadas pelo desejo de reinvestir o capital, em vez de distribuí-lo aos acionistas
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B65">Thompson; Manu, 2021</xref>). Consequentemente,
                a proporção de membros indicados pelo controlador não influencia na política de
                dividendos, desenvolvendo-se na oitava hipótese do estudo:</p>
            <p>Hipótese 8: a proporção de membros nos conselhos de administração das companhias
                brasileiras indicados pelo controlador não influencia na distribuição de
                dividendos.</p>
            <p>As hipóteses adotadas neste estudo foram selecionadas com base em trabalhos
                científicos na literatura internacional, os quais investigaram fenômenos semelhantes
                em diferentes mercados de capitais. Dessa forma, além de permitir a comparação entre
                evidências coletadas acerca conselhos de administração e distribuição de dividendos,
                a testagem dessas hipóteses no cenário brasileiro contribui para replicação, a
                atualização ou a contestação de resultados prévios.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="methods">
            <title>3 METODOLOGIA</title>
            <p>A pesquisa classifica-se, quanto aos objetivos, como descritiva, uma vez que tem como
                objetivo analisar a relação entre o Conselho de Administração e a política de
                dividendos adotada pelas companhias. Quanto à abordagem do problema, o estudo
                caracteriza-se como quantitativo. E, com relação aos procedimentos adotados,
                optou-se por uma pesquisa documental mediante a análise de dados secundários, que,
                para este estudo, são os Formulários de Referência e as Demonstrações Financeiras
                das companhias listadas na Brasil, Bolsa, Balcão (B3) durante o período de 2010 a
                2022, fundamentando-se no início da obrigatoriedade das normas IFRS no Brasil a
                partir de 2010. Os dados foram disponibilizados por meio do site da Comissão de
                Valores Mobiliários (CVM). Todas as informações provenientes das demonstrações
                financeiras referem-se aos valores de encerramento anual.</p>
            <p>Salienta-se que foi utilizada a ferramenta Excel para categorização, tabulação e
                elaboração de tabelas dos dados, a fim de apresentar e analisar os resultados com o
                intuito de alcançar os objetivos propostos neste trabalho. Para obtenção dos
                resultados do modelo econométrico, fez-se uso da aplicação web de código aberto
                Jupyter Notebook. A amostra corresponde a um total de 1053 observações oriundas de
                81 empresas, extraídas do universo de empresas listadas na B3.</p>
            <p>As empresas do setor financeiro apresentam padrões de distribuição de dividendos
                substancialmente distintos dos demais setores, caracterizados por pagamentos mais
                frequentes ao longo do ano, em razão de suas particularidades operacionais,
                especialmente no que se refere à liquidez e à lucratividade típicas da atividade. A
                inclusão dessas empresas na amostra poderia introduzir vieses nos resultados, uma
                vez que tais características específicas tenderiam a distorcer as inferências gerais
                da pesquisa. Por esse motivo, optou-se por excluir as empresas do setor financeiro.
                E pesquisas que relacionam dividendos com outros parâmetros costumam remover setor
                financeiro de praxe visto que afeta os dados obtidos na amostra devido a esta
                característica do ramo. Empresas que não apresentaram dados completos para o período
                analisado foram excluídas, assim como aquelas com patrimônio líquido negativo.</p>
            <p>Em relação às variáveis dependentes, utilizaram-se duas variáveis discutidas em
                literatura anterior que visam avaliar a influência da política de dividendos na
                distribuição e ocorrência dos montantes distribuídos (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B64">Tahir; Masri; Rahman, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B24"
                    >Dissanayake; Dissabandara, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B59">Santos;
                    Félix Júnior, 2023</xref>). Nesse sentido, a variável <italic>dummy</italic> DIV
                assume se a empresa distribui dividendos no período ou não. Enquanto isso, a
                variável PAYOUT é calculada pelos valores de dividendos distribuídos em relação ao
                lucro líquido.</p>
            <p>Quanto às variáveis independentes, empregaram-se oito variáveis adotadas em pesquisas
                anteriores que se referem às características das companhias e dos seus respectivos
                conselhos de administração (<xref ref-type="bibr" rid="B58">Sanan, 2019</xref>;
                    <xref ref-type="bibr" rid="B65">Thompson; Manu, 2021</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B59">Santos; Félix Júnior, 2023</xref>): uma
                    <italic>dummy</italic> relacionada ao fato de a empresa estar listada no Novo
                Mercado ou não (NGC), a proporção de membros do gênero feminino do Conselho de
                Administração (FEM), o tamanho do conselho (TAMC), a proporção de membros
                independentes (INDC); uma <italic>dummy</italic> que indica se o cargo de presidente
                do conselho e a presidência executiva são ocupados pela mesma pessoa ou não (DUALC);
                uma <italic>dummy</italic> que indica se as empresas possuem comitê de auditoria ou
                não (CAUD), a proporção de membros com experiência financeira (EXPC) e a proporção
                de membros indicados pelos controladores (IND_CTRL).</p>
            <p>Para o controle de algumas características que podem justificar a distribuição de
                dividendos, optou-se pelas variáveis de controle Tamanho e Endividamento Geral.
                    <xref ref-type="bibr" rid="B57">Saeed e Sameer (2017)</xref> afirmam que a
                distribuição de dividendos pelas empresas é positivamente influenciada pelo seu
                tamanho. Assim, avaliou-se o tamanho das empresas pelo logaritmo do ativo total
                (TAMA). O endividamento geral, dado que, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B15"
                    >Byoun, Chang e Kim (2016)</xref>, empresas com níveis mais elevados de
                endividamento tendem a distribuir menos dividendos, foi quantificado pela razão
                entre o passivo exigível total e o ativo total (ENDV). No <xref ref-type="table"
                    rid="T1">quadro 1</xref>, denotam-se a descrição, as fontes e a fundamentação
                teórica empregada no estudo, juntamente com a classificação das variáveis em
                dependentes, independentes e de controle.</p>
            <table-wrap id="T1">
                <label>Quadro 1</label>
                <caption>
                    <title>Descrição das variáveis da pesquisa</title>
                </caption>
                <table>
                    <thead>
                        <tr>
                            <th valign="top" align="center">Tipo variável</th>
                            <th valign="top" align="center">Sigla</th>
                            <th valign="top" align="center">Descrição</th>
                            <th valign="top" align="center">Fonte de Coleta</th>
                            <th valign="top" align="center">Base teórica</th>
                        </tr>
                    </thead>
                    <tbody>
                        <tr>
                            <td valign="top" align="center">Dependente</td>
                            <td valign="top" align="center">DIV</td>
                            <td valign="top" align="center">Distribuição de Dividendos:
                                    <italic>Dummy –</italic> Valor 1 se a empresa distribuiu
                                dividendos e valor 0 caso o contrário.</td>
                            <td valign="top" align="center">Formulário de referência</td>
                            <td valign="top" align="center"><xref ref-type="bibr" rid="B65">Thompson
                                    e Manu (2021)</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B58">Sanan
                                    (2019)</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Galbreath
                                    (2018)</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B24">Dissabandara
                                        <italic>et al</italic>. (2021)</xref>.</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td valign="top" align="center">Dependente</td>
                            <td valign="top" align="center">PAYOUT</td>
                            <td valign="top" align="center">Dividendo sobre Lucro Líquido: Valor do
                                dividendo distribuído dividido pelo lucro líquido</td>
                            <td valign="top" align="center">Formulário de referência</td>
                            <td valign="top" align="center">Chen <italic>et al</italic>. (2020);
                                    <xref ref-type="bibr" rid="B24">Dissabandara <italic>et
                                        al</italic>. (2021)</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B64"
                                    >Tahir <italic>et al</italic>. (2020)</xref>; <xref
                                    ref-type="bibr" rid="B58">Sanan (2019)</xref>.</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td valign="top" align="center">Independente</td>
                            <td valign="top" align="center">NGC</td>
                            <td valign="top" align="center">Novo Mercado: <italic>Dummy</italic>
                                –Valor 1 se a empresa estava listada no novo mercado, e 0 caso o
                                contrário</td>
                            <td valign="top" align="center">Formulário de referência</td>
                            <td valign="top" align="center">Barros, Silva e Voese (2015); Caroprezzo
                                (2011).</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td valign="top" align="center">Independente</td>
                            <td valign="top" align="center">FEM</td>
                            <td valign="top" align="center">Diversidade de gênero no Conselho de
                                Administração: Proporção de membros do gênero feminino</td>
                            <td valign="top" align="center">Formulário de referência</td>
                            <td valign="top" align="center"><xref ref-type="bibr" rid="B64">Tahir
                                        <italic>et al</italic>. (2020)</xref>; Chen <italic>et
                                    al</italic>. (2020); <xref ref-type="bibr" rid="B36">Gyapong
                                        <italic>et al</italic>. (2021)</xref></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td valign="top" align="center">Independente</td>
                            <td valign="top" align="center">TAMC</td>
                            <td valign="top" align="center">Número de membros dos conselhos</td>
                            <td valign="top" align="center">Formulário de referência</td>
                            <td valign="top" align="center"><xref ref-type="bibr" rid="B36">Gyapong
                                        <italic>et al</italic>. (2021)</xref>; Chen <italic>et
                                    al</italic>. (2020).</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td valign="top" align="center">Independente</td>
                            <td valign="top" align="center">INDC</td>
                            <td valign="top" align="center">Independência do Conselho de
                                Administração: Proporção de membros independentes</td>
                            <td valign="top" align="center">Formulário de referência</td>
                            <td valign="top" align="center"><xref ref-type="bibr" rid="B36">Gyapong
                                        <italic>et al</italic>. (2021)</xref>; <xref ref-type="bibr"
                                    rid="B64">Tahir <italic>et al</italic>. (2020)</xref>; <xref
                                    ref-type="bibr" rid="B58">Sanan (2019)</xref>.</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td valign="top" align="center">Independente</td>
                            <td valign="top" align="center">DUALC</td>
                            <td valign="top" align="center">Dualidade do Conselho de Administração:
                                    <italic>Dummy</italic> – Valor 1 se o presidente do conselho e o
                                presidente da empresa forem a mesma pessoa e 0 caso o contrário</td>
                            <td valign="top" align="center">Formulário de referência</td>
                            <td valign="top" align="center"><xref ref-type="bibr" rid="B36">Gyapong
                                        <italic>et al</italic>. (2021)</xref>; <xref ref-type="bibr"
                                    rid="B64">Tahir <italic>et al</italic>. (2020)</xref>.</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td valign="top" align="center">Independente</td>
                            <td valign="top" align="center">CAUD</td>
                            <td valign="top" align="center">Comitê de Auditoria:
                                    <italic>Dummy</italic> – Valor 1 se a companhia possui comitê de
                                auditoria e 0 caso o contrário</td>
                            <td valign="top" align="center">Formulário de referência</td>
                            <td valign="top" align="center"><xref ref-type="bibr" rid="B24"
                                    >Dissabandara <italic>et al</italic>. (2021)</xref>;
                                Kyereboah-Coleman <italic>et al</italic> (2006).</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td valign="top" align="center">Independente</td>
                            <td valign="top" align="center">EXPC</td>
                            <td valign="top" align="center"><italic>Expertise</italic> financeira do
                                Conselho de Administração: Proporção de membros com experiência
                                financeira</td>
                            <td valign="top" align="center">Formulário de referência</td>
                            <td valign="top" align="center"><xref ref-type="bibr" rid="B65">Thompson
                                    e Manu (2021)</xref>.</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td valign="top" align="center">Independente</td>
                            <td valign="top" align="center">IND_CTRL</td>
                            <td valign="top" align="center">Proporção de membros indicados pelos
                                controladores</td>
                            <td valign="top" align="center">Formulário de referência</td>
                            <td valign="top" align="center"><xref ref-type="bibr" rid="B64">Tahir
                                        <italic>et al</italic>. (2020)</xref>; <xref ref-type="bibr"
                                    rid="B58">Sanan (2019)</xref>.</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td valign="top" align="center">Controle</td>
                            <td valign="top" align="center">TAMA</td>
                            <td valign="top" align="center">Tamanho da Empresa: Logaritmo natural
                                dos ativos das empresas</td>
                            <td valign="top" align="center">Demonstrações financeiras</td>
                            <td valign="top" align="center"><xref ref-type="bibr" rid="B57">Saeed e
                                    Sameer (2017)</xref>; Chen <italic>et al</italic>. (2020).</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td valign="top" align="center">Controle</td>
                            <td valign="top" align="center">ENDV</td>
                            <td valign="top" align="center">Endividamento Geral: Razão entre o
                                passivo exigível e o ativo total</td>
                            <td valign="top" align="center">Demonstrações financeiras</td>
                            <td valign="top" align="center"><xref ref-type="bibr" rid="B65">Thompson
                                    e Manu (2021)</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">Byoun
                                        <italic>et al</italic>. (2016)</xref>.</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <attrib>Fonte: elaborado pelos autores (2025).</attrib>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
            <p>São ajustados dois modelos econométricos: um modelo de regressão logit (<xref
                    ref-type="fig" rid="F1">Equação 1</xref>), que teve a <italic>dummy</italic> de
                distribuição de dividendos (DIV) como variável dependente, e um modelo de regressão
                linear com dados em painel estimado pelo método mínimos quadrados ordinários (<xref
                    ref-type="fig" rid="F2">Equação 2</xref>), que teve o valor dos dividendos sobre
                o lucro líquido (PAYOUT) como variável dependente.</p>
            <fig id="F1">
                <label>Gráfico 1</label>
                <caption>
                    <title>Quantidade de artigos por ano de publicação (2010-2024)</title>
                </caption>
                <graphic xlink:href="1984-7297-regea-15-01-e6124-gf01.tif"/>
            </fig>
            <fig id="F2">
                <label>Gráfico 1</label>
                <caption>
                    <title>Quantidade de artigos por ano de publicação (2010-2024)</title>
                </caption>
                <graphic xlink:href="1984-7297-regea-15-01-e6124-gf02.tif"/>
            </fig>
            <p>Os coeficientes β1 a β8 dos modelos capturam a relação entre a política de dividendos
                e as características investigadas dos conselhos de administração, nível de
                governança e comitê de auditoria, enquanto o coeficiente <italic>βk</italic>
                representa as variáveis de controle dos modelos. A estatística descritiva será
                empregada para a exploração inicial dos dados. Os modelos de regressão buscam
                identificar se as variáveis independentes contribuem para a distribuição de
                dividendos.</p>
            <p>Como no primeiro modelo estimado representado na (<xref ref-type="disp-formula"
                    rid="eqn1">equação 1</xref>), a variável dependente é uma variável dummy, isso
                é, ela é uma variável qualitativa que representa a ocorrência ou não do evento em
                estudo, que, no caso, é a ocorrência ou não da distribuição de dividendos. Então,
                estatisticamente, o modelo mais apropriado para representar a probabilidade de
                ocorrência de um evento é o modelo logístico binário. Diferentemente do modelo de
                regressão linear múltipla, os coeficientes são estimados por meio da máxima
                verossimilhança. O modelo logístico binário pode ser visto na (<xref ref-type="fig"
                    rid="F3">Equação 3</xref>) abaixo (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Fávero;
                    Belfiore, 2017</xref>).</p>
            <fig id="F3">
                <label>Gráfico 1</label>
                <caption>
                    <title>Quantidade de artigos por ano de publicação (2010-2024)</title>
                </caption>
                <graphic xlink:href="1984-7297-regea-15-01-e6124-gf03.tif"/>
            </fig>
            <p>Onde p: probabilidade de ocorrência do evento em questão; z: é o logito que é
                representado na (<xref  ref-type="fig" rid="F1">equação 1</xref>).</p>
            <p>Para o modelo de PAYOUT representado na (<xref ref-type="disp-formula" rid="eqn2"
                    >equação 2</xref>), foi escolhido o modelo de regressão linear múltipla, pois a
                variável dependente é quantitativa. O modelo tem seus parâmetros mínimos quadrados
                ordinários, e a equação geral do modelo pode ser observada na (<xref ref-type="fig"
                    rid="F4">equação 4</xref>).</p>
            <fig id="F4">
                <label>Gráfico 1</label>
                <caption>
                    <title>Quantidade de artigos por ano de publicação (2010-2024)</title>
                </caption>
                <graphic xlink:href="1984-7297-regea-15-01-e6124-gf04.tif"/>
            </fig>

            <p>Onde <italic>ŶŶ</italic>: é a variável dependente; <italic>αα</italic>: é o ponto de
                interseção; <italic>ββ</italic>: é o coeficiente angular da variável independente;
                x: é a variável independente.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>4 ANÁLISE DE DADOS</title>
            <sec>
                <title>4.1 ESTATÍSTICA DESCRITIVA</title>
                <p>Inicialmente, para análise dos dados, apresenta-se a estatística descritiva das
                    variáveis quantitativas utilizadas para atingir os objetivos deste estudo. É
                    apresentada, na <xref ref-type="table" rid="T2">tabela 1</xref>, a média, o
                    desvio-padrão, os percentis 25, 50 e 75, o valor mínimo e o valor máximo das
                    variáveis.</p>
                <table-wrap id="T2">
                    <label>Tabela 1</label>
                    <caption>
                        <title>Estatística Descritiva</title>
                    </caption>
                    <table>
                        <thead>
                            <tr>
                                <th valign="top" align="center">Variáveis</th>
                                <th valign="top" align="center">Empresas</th>
                                <th valign="top" align="center">Obs.:</th>
                                <th valign="top" align="center">Média</th>
                                <th valign="top" align="center">Mínimo</th>
                                <th valign="top" align="center">Máximo</th>
                                <th valign="top" align="center">Desvio Padrão</th>
                                <th valign="top" align="center">P25</th>
                                <th valign="top" align="center">P50</th>
                                <th valign="top" align="center">P75</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">PAYOUT</td>
                                <td valign="top" align="center">81</td>
                                <td valign="top" align="center">1.053</td>
                                <td valign="top" align="center">549,36</td>
                                <td valign="top" align="center">0,00</td>
                                <td valign="top" align="center">47790,79</td>
                                <td valign="top" align="center">2152,90</td>
                                <td valign="top" align="center">64,16</td>
                                <td valign="top" align="center">290,46</td>
                                <td valign="top" align="center">576,46</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">FEM</td>
                                <td valign="top" align="center">81</td>
                                <td valign="top" align="center">1.053</td>
                                <td valign="top" align="center">0,16</td>
                                <td valign="top" align="center">0,00</td>
                                <td valign="top" align="center">5,00</td>
                                <td valign="top" align="center">0,30</td>
                                <td valign="top" align="center">0,00</td>
                                <td valign="top" align="center">0,07</td>
                                <td valign="top" align="center">0,25</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">TAMC</td>
                                <td valign="top" align="center">81</td>
                                <td valign="top" align="center">1.053</td>
                                <td valign="top" align="center">7,72</td>
                                <td valign="top" align="center">1,00</td>
                                <td valign="top" align="center">30,00</td>
                                <td valign="top" align="center">4,64</td>
                                <td valign="top" align="center">5,00</td>
                                <td valign="top" align="center">7,00</td>
                                <td valign="top" align="center">9,00</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">INDC</td>
                                <td valign="top" align="center">81</td>
                                <td valign="top" align="center">1.053</td>
                                <td valign="top" align="center">0,20</td>
                                <td valign="top" align="center">0,00</td>
                                <td valign="top" align="center">1,00</td>
                                <td valign="top" align="center">0,26</td>
                                <td valign="top" align="center">0,00</td>
                                <td valign="top" align="center">0,04</td>
                                <td valign="top" align="center">0,35</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">EXPC</td>
                                <td valign="top" align="center">81</td>
                                <td valign="top" align="center">1.053</td>
                                <td valign="top" align="center">0,36</td>
                                <td valign="top" align="center">0,00</td>
                                <td valign="top" align="center">1,00</td>
                                <td valign="top" align="center">0,23</td>
                                <td valign="top" align="center">0,20</td>
                                <td valign="top" align="center">0,33</td>
                                <td valign="top" align="center">0,50</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">IND_CTRL</td>
                                <td valign="top" align="center">81</td>
                                <td valign="top" align="center">1.053</td>
                                <td valign="top" align="center">0,69</td>
                                <td valign="top" align="center">0,00</td>
                                <td valign="top" align="center">1,00</td>
                                <td valign="top" align="center">0,34</td>
                                <td valign="top" align="center">0,53</td>
                                <td valign="top" align="center">0,78</td>
                                <td valign="top" align="center">1,00</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">TAMA</td>
                                <td valign="top" align="center">81</td>
                                <td valign="top" align="center">1.053</td>
                                <td valign="top" align="center">15,04</td>
                                <td valign="top" align="center">9,42</td>
                                <td valign="top" align="center">20,22</td>
                                <td valign="top" align="center">1,84</td>
                                <td valign="top" align="center">14,15</td>
                                <td valign="top" align="center">15,21</td>
                                <td valign="top" align="center">16,18</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">ENDV</td>
                                <td valign="top" align="center">81</td>
                                <td valign="top" align="center">1.053</td>
                                <td valign="top" align="center">0,52</td>
                                <td valign="top" align="center">0,00</td>
                                <td valign="top" align="center">0,96</td>
                                <td valign="top" align="center">0,22</td>
                                <td valign="top" align="center">0,39</td>
                                <td valign="top" align="center">0,56</td>
                                <td valign="top" align="center">0,68</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <attrib>Fonte: elaborada pelos autores (2025).</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Entre os valores apresentados na <xref ref-type="table" rid="T2">tabela 1</xref>,
                    destacam-se o valor mínimo da variável PAYOUT igual a 0, que ressalta a não
                    distribuição de dividendos em algumas empresas por determinados períodos. Os
                    valores mínimos iguais a 0 para as variáveis FEMC, INDC, EXPC e IND_CTRL denotam
                    que existem conselhos de administração que não têm conselheiros do gênero
                    feminino, independentes, com expertise financeira e nem indicados pelos
                    controladores. Ainda sobre o PAYOUT, o valor máximo atingido pela variável foi
                    de 47790,79, explicado pela Companhia Mahle Metal Leve S.A. ter reconhecido uma
                    provisão contábil de impairment de 188 milhões de reais no resultado do seu
                    exercício de 2016, ocasionando uma distorção no dividendo distribuído sobre o
                    lucro líquido.</p>
                <p>Em relação à variável TAMC, constatou-se que os conselhos de administração são
                    formados em média por 7 membros, e que apenas 20%, em média, desses conselheiros
                    são independentes. Ainda acerca do tamanho, a média corresponde a um número
                    ímpar entre cinco e nove membros, corroborando o recomendado pelo Código de
                    Melhores Práticas de Governança Corporativa (<xref ref-type="bibr" rid="B38"
                        >IBGC, 2023</xref>).</p>
                <p>Na <xref ref-type="table" rid="T3">tabela 2</xref>, descreve-se a frequência da
                    distribuição de dividendos por setor econômico, do período de análise de dados
                    da pesquisa.</p>
                <table-wrap id="T3">
                    <label>Tabela 2</label>
                    <caption>
                        <title>Frequência da distribuição de dividendos por segmento
                            econômico</title>
                    </caption>
                    <table>
                        <thead>
                            <tr>
                                <th valign="top" align="center">Segmento</th>
                                <th valign="top" align="center">Quantidade de empresas</th>
                                <th valign="top" align="center">Variável DIV</th>
                                <th valign="top" align="center">Percentual (%)</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">Bens Industriais</td>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">25</td>
                                <td valign="top" align="center">0 - Empresa não distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">23%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">1 - Empresa distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">77%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">Comunicações</td>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">3</td>
                                <td valign="top" align="center">0 - Empresa não distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">26%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">1 - Empresa distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">74%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">Consumo Cíclico</td>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">8</td>
                                <td valign="top" align="center">0 - Empresa não distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">6%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">1 - Empresa distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">94%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">Consumo não cíclico</td>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">3</td>
                                <td valign="top" align="center">0 - Empresa não distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">8%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">1 - Empresa distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">92%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">Materiais Básicos</td>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">6</td>
                                <td valign="top" align="center">0 - Empresa não distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">3%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">1 - Empresa distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">97%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">Petróleo, Gás e
                                    Biocombustíveis</td>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">2</td>
                                <td valign="top" align="center">0 - Empresa não distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">8%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">1 - Empresa distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">92%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">Saúde</td>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">2</td>
                                <td valign="top" align="center">0 - Empresa não distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">4%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">1 - Empresa distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">96%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">Utilidade Pública</td>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">32</td>
                                <td valign="top" align="center">0 - Empresa não distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">22%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">1 - Empresa distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">78%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">Total</td>
                                <td valign="top" align="center" rowspan="2">81</td>
                                <td valign="top" align="center">0 - Empresa não distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">18%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">1 - Empresa distribuiu
                                    dividendos</td>
                                <td valign="top" align="center">82%</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <attrib>Fonte: elaborada pelos autores (2025).</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Com base nos resultados da <xref ref-type="table" rid="T3">tabela 2</xref>,
                    verificou-se que 82% das companhias distribuíram dividendos durante o período de
                    2010 a 2022. Entre os segmentos, o que apresentou maior frequência foi o setor
                    de materiais básicos, com 6 empresas: Unipar Carbocloro S.A., Schulz S.A.,
                    Baumer S.A., Ferbasa, Metisa S.A. e Panatlantica S.A.</p>
                <p>O segmento com menor frequência na distribuição de dividendos foi o segmento de
                    Comunicações, constituído por 3 companhias: Algar Telecom S.A., Telefônica
                    Brasil S.A. e Totvs S.A. Analisando o geral, 7 empresas não distribuíram
                    dividendos durante todo o período analisado, que são do setor de Bens
                    Industriais (4) e Utilidade Pública (3). Quanto às variáveis binárias
                    independentes, a <xref ref-type="table" rid="T4">tabela 3</xref> apresenta a
                    frequência.</p>
                <table-wrap id="T4">
                    <label>Tabela 3</label>
                    <caption>
                        <title>Frequência das variáveis independentes binárias</title>
                    </caption>
                    <table>
                        <thead>
                            <tr>
                                <th valign="top" align="center">Variáveis</th>
                                <th valign="top" align="center">Descrição</th>
                                <th valign="top" align="center">Percentual (%)</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left" rowspan="2"><bold>NGC</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">0 - Se a empresa estava listada em
                                    Nível 1, Nível 2 e Mercado Tradicional</td>
                                <td valign="top" align="center">68%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">1 - Se a empresa estava listada no
                                    Novo Mercado</td>
                                <td valign="top" align="center">32%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left" rowspan="2"><bold>DUALC</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">0 - Se o presidente do conselho não
                                    for presidente executivo da empresa</td>
                                <td valign="top" align="center">91%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">1 - Se o presidente do conselho
                                    ocupa a presidência da empresa</td>
                                <td valign="top" align="center">9%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left" rowspan="2"><bold>CAUD</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">0 - Se a empresa não possui Comitê
                                    de Auditoria</td>
                                <td valign="top" align="center">73%</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="center">1 - Se a empresa possui Comitê de
                                    Auditoria</td>
                                <td valign="top" align="center">27%</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <attrib>Fonte: elaborada pelos autores (2025).</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>De acordo com a <xref ref-type="table" rid="T4">tabela 3</xref> acima, 32% das
                    companhias são de listadas no Novo Mercado, ou seja, a maioria das companhias
                    que compõem a pesquisa não participa do nível mais elevado de governança nas
                    práticas corporativas. Sobre a dualidade da presidência do conselho e executiva,
                    9% dos presidentes do conselho ocupam a presidência executiva da companhia, e
                    27% das empresas analisadas possuem Comitê de Auditoria.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>4.2 ANÁLISE DAS REGRESSÕES</title>
                <p>As análises de regressão aplicadas na pesquisa empregam duas variáveis
                    dependentes para avaliar a política de distribuição de dividendos na amostra com
                    dados em painel. Uma dessas variáveis é de natureza binária (DIV) enquanto a
                    outra é de natureza quantitativa (PAYOUT). Adentrando a estimativa dos modelos
                    em si, para o modelo de regressão com variável DIV como dependente, a <xref
                        ref-type="disp-formula" rid="eqn1">equação 1</xref> foi utilizada com base
                    no modelo Logit, que é o mais indicado para mensuração de modelos que possuem
                    variáveis dependentes binárias (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Gujarati;
                        Porter, 2011</xref>). Para o modelo de regressão da variável PAYOUT, a <xref
                        ref-type="disp-formula" rid="eqn2">equação 2</xref> foi empregada com base
                    na regressão linear múltipla, modelo mais indicado para variáveis que
                    representem posições financeiras das empresas com o objetivo de estimar
                    coeficientes mais robustos, ainda que as variáveis possuam endogeneidade (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B7">Barros <italic>et al</italic>., 2010</xref>).</p>
                <table-wrap id="T5">
                    <label>Tabela 4</label>
                    <caption>
                        <title>Resultado das Regressões</title>
                    </caption>
                    <table>
                        <thead>
                            <tr>
                                <th valign="top" align="center" colspan="3">Variável dependente –
                                    DIV</th>
                                <th valign="top" align="center" colspan="2">Variável dependente -
                                    PAYOUT</th>
                            </tr>
                            <tr>
                                <th valign="top" align="center" colspan="3">Modelo 1 – Logit</th>
                                <th valign="top" align="center" colspan="2">Modelo 2 – Linear
                                    Múltipla</th>
                            </tr>
                            <tr>
                                <th valign="top" align="center">Variáveis</th>
                                <th valign="top" align="center">Coeficiente</th>
                                <th valign="top" align="center">p-value</th>
                                <th valign="top" align="center">Coeficiente</th>
                                <th valign="top" align="center">p-value</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left"><bold>NGC</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">1,0102</td>
                                <td valign="top" align="center">0,001***</td>
                                <td valign="top" align="center">312,1741</td>
                                <td valign="top" align="center">0,085**</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left"><bold>FEM</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">1,0348</td>
                                <td valign="top" align="center">0,03**</td>
                                <td valign="top" align="center">2,0901</td>
                                <td valign="top" align="center">0,993</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left"><bold>TAMC</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">0,0374</td>
                                <td valign="top" align="center">0,094**</td>
                                <td valign="top" align="center">16,8108</td>
                                <td valign="top" align="center">0,299</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left"><bold>INDC</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">1,2711</td>
                                <td valign="top" align="center">0,013**</td>
                                <td valign="top" align="center">348,5852</td>
                                <td valign="top" align="center">0,305</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left"><bold>DUALC</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">1,1354</td>
                                <td valign="top" align="center">0,088**</td>
                                <td valign="top" align="center">871,6399</td>
                                <td valign="top" align="center">0,016**</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left"><bold>CAUD</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">0,5147</td>
                                <td valign="top" align="center">0,428</td>
                                <td valign="top" align="center">801,4752</td>
                                <td valign="top" align="center">0,028**</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left"><bold>EXPC</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">1,7058</td>
                                <td valign="top" align="center">0,000***</td>
                                <td valign="top" align="center">-9,5318</td>
                                <td valign="top" align="center">0,975</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left"><bold>IND_CTRL</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">-1,3273</td>
                                <td valign="top" align="center">0,000***</td>
                                <td valign="top" align="center">-13,623</td>
                                <td valign="top" align="center">0,946</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left"><bold>TAMA</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">0,2213</td>
                                <td valign="top" align="center">0,011**</td>
                                <td valign="top" align="center">-100,3916</td>
                                <td valign="top" align="center">0,040**</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left"><bold>ENDV</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">-5,5926</td>
                                <td valign="top" align="center">0,000***</td>
                                <td valign="top" align="center">-218,9456</td>
                                <td valign="top" align="center">0,556</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left"><bold>OBSERVAÇÕES</bold></td>
                                <td valign="top" align="center">1.053</td>
                                <td valign="top" align="center"/>
                                <td valign="top" align="center">1.053</td>
                                <td valign="top" align="center"/>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left" colspan="4"><bold>Modelo 1 - Prob
                                            chi<sup>2</sup> = 1.53e+03 / Modelo 2 - Prob > F =
                                        0,100</bold></td>
                                <td valign="top" align="center"/>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td valign="top" align="left" colspan="4"><bold>***, ** e *
                                        representam significância estatística a 1%, 5% e 10%,
                                        respectivamente</bold></td>
                                <td valign="top" align="center"/>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <attrib>Fonte: elaborada pelos autores (2025).</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>O modelo de regressão 1 busca analisar se a composição do Conselho de
                    Administração tem impacto no fato das empresas distribuírem ou não dividendos. A
                    variável INDC apresentou coeficiente 1,1354 a 5% de significância. Os resultados
                    indicam que a presença de conselheiros independentes nas empresas está
                    associada, positivamente, à decisão de distribuir dividendos. Esse resultado
                    respalda as descobertas anteriores de <xref ref-type="bibr" rid="B36">Gyapong
                            <italic>et al.</italic> (2021)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B64"
                        >Tahir, Masri e Rahman (2020)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B65"
                        >Thompson e Manu (2021)</xref>. A variável FEM apresentou coeficiente 1,0348
                    a 5% de significância estatística. Esse resultado evidencia que ter mulheres nos
                    conselhos de administração está relacionado ao aumento da probabilidade de as
                    empresas distribuírem dividendos, corroborando os resultados das pesquisas de
                        <xref ref-type="bibr" rid="B65">Thompson e Manu (2021)</xref> e <xref
                        ref-type="bibr" rid="B17">Chen, Leung e Goergen (2017)</xref>, porém
                    contraria os resultados de <xref ref-type="bibr" rid="B64">Tahir, Masri e Rahman
                        (2020)</xref>.</p>
                <p>A variável TAMA apresentou coeficiente 0,0374 a 5% de significância estatística,
                    sinalizando que o tamanho dos conselhos de administração exerce influência na
                    decisão positiva das empresas em distribuir dividendos. Essas descobertas estão
                    alinhadas com estudos anteriores, como os de <xref ref-type="bibr" rid="B50"
                        >Mansourinia <italic>et al.</italic> (2013)</xref>, <xref ref-type="bibr"
                        rid="B62">Subramaniam e Devi (2011)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B66"
                        >Uwalomwa, Olamide e Francis, (2015)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B30"
                        >Ghasemi, Madrakian e Keivani (2013)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B58"
                        >Sanan (2019)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B65">Thompson e Manu
                        (2021)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B59">Santos e Félix Júnior
                        (2023)</xref>, que evidenciaram que empresas com conselhos maiores têm uma
                    probabilidade maior de distribuir dividendos. A variável DUALC apresentou
                    coeficiente 1,1354 a 5% de significância estatística que, ao evidenciar a
                    coincidência entre a posição de CEO e presidente do conselho dentro da empresa,
                    observa-se um aumento na probabilidade de distribuição de dividendos, em
                    consonância com as conclusões de <xref ref-type="bibr" rid="B31">Gill e
                        Obradovich (2012)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B64">Tahir, Masri e
                        Rahman (2020)</xref>. No entanto, essa constatação contrapõe os resultados
                    de <xref ref-type="bibr" rid="B41">Jo e Pan (2009)</xref> e <xref
                        ref-type="bibr" rid="B59">Santos e Félix Júnior (2023)</xref>, os quais
                    indicaram uma relação negativa nesse contexto. A variável CAUD apresentou
                    coeficiente 0,5147 sem significância relevante, contrariando a pesquisa de <xref
                        ref-type="bibr" rid="B24">Dissanayake e Dissabandara (2021)</xref> que
                    evidenciou relação entre comitê de auditoria e política de dividendos.</p>
                <p>A variável NGC apresentou coeficiente 1,0102 a 1% de significância. Esse
                    resultado sugere que o fato de a empresa possuir nível de governança corporativa
                    maior (Novo Mercado) influencia na decisão positiva das empresas distribuírem
                    dividendos, o que contradiz os achados de <xref ref-type="bibr" rid="B4"
                        >Bachmann, Azevedo e Clemente (2012)</xref> e <xref ref-type="bibr"
                        rid="B26">Esqueda (2015)</xref>. As variáveis EXP e IND_CTRL apresentaram
                    coeficientes 1,7058 e -1,3273 respectivamente, e, em ambos os casos, houve
                    significância estatística a 1%. Dessa forma, esses resultados revelam que a
                    expertise financeira dos membros do conselho e a nomeação pelos controladores
                    têm o poder de elucidar a decisão da empresa quanto à distribuição de
                    dividendos. Esses resultados alinham-se com a pesquisa de <xref ref-type="bibr"
                        rid="B65">Thompson e Manu (2021)</xref>, que identificou uma relação
                    negativa significativa para explicar esse cenário, diferenciando-se, também, das
                    premissas sugeridas que indicaram que a expertise financeira influencia as
                    decisões financeiras relacionadas ao reinvestimento de fundos (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B52">Ntim; Opong; Danbolt, 2015</xref>; <xref
                        ref-type="bibr" rid="B63">Sultana; Van der Zahn, 2015</xref>).</p>
                <p>O modelo de regressão 2 analisa os valores dos Payouts e apresentou a variável
                    NGC com coeficiente 312,1741 e significância estatística em 5%, diferente dos
                    resultados de <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bachmann, Azevedo e Clemente
                        (2012)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B26">Esqueda (2015)</xref>. A
                    variável FEM com coeficientes 2,0901 e, portanto, sem significância estatística,
                    diverge dos resultados encontrados por <xref ref-type="bibr" rid="B64">Tahir,
                        Masri e Rahman (2020)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B59">Santos e
                        Félix Júnior (2023)</xref>. A variável CAUD apresentou coeficiente 801,4752
                    a 5% de significância, sinalizando um resultado alinhado com a pesquisa de <xref
                        ref-type="bibr" rid="B24">Dissanayake e Dissabandara (2021)</xref>, as quais
                    evidenciaram influência positiva na distribuição de dividendos das
                    companhias.</p>
                <p>A variável DUALC apresentou o coeficiente 871,6399 a 1% de significância
                    estatística, demonstrando que o compartilhamento da liderança do Conselho de
                    Administração com o CEO da empresa aumenta o valor dos dividendos distribuídos.
                    Estes resultados estão alinhados com as pesquisas de <xref ref-type="bibr"
                        rid="B31">Gill e Obradovich (2012)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B64"
                        >Tahir, Masri e Rahman (2020)</xref>, os quais demostraram que a dualidade
                    do CEO melhora o monitoramento, tendo consequências diretas em decisões
                    financeiras, inclusive na distribuição de dividendos. No entanto, as variáveis
                    TAMC, INDC, EXPC, IND_CTRL e ENDV apresentaram coeficientes 16,8108 e 348,5852,
                    -9,5318 e -13,6230, -218,9456, respectivamente, mas, em todos os casos, não
                    houve significância estatística, denotando, assim, que o tamanho, a
                    independência, a expertise financeira, a independência do conselho, bem como a
                    indicação de membros pelos controladores e o endividamento da companhia não são
                    capazes de explicar a política de dividendos das empresas. Esses achados
                    sinalizam resultados diferentes dos estudos anteriores de autores como <xref
                        ref-type="bibr" rid="B36">Gyapong <italic>et al.</italic> (2021)</xref>,
                        <xref ref-type="bibr" rid="B64">Tahir, Masri e Rahman (2020)</xref> e <xref
                        ref-type="bibr" rid="B65">Thompson e Manu (2021)</xref>, os quais
                    identificaram relações significativas para elucidar a interação entre esses
                    atributos e a distribuição de dividendos.</p>
                <p>Dessa forma, a hipótese 1 é rejeitada, pois foi identificado que não influencia o
                    nível de governança mais elevado. As hipóteses 2, 3, 4, 7 e 8 não são
                    confirmadas por falta de significância estatística. A hipótese 5 é aceita, uma
                    vez que foi verificado um forte impacto na distribuição de dividendos no
                    compartilhamento do ofício de presidente do conselho e presidente executivo. A
                    hipótese 6 é parcialmente aceita, tendo em vista que a presença do Comitê de
                    Auditoria apresentou significância apenas no payout observado.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec>
            <title>5 CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
            <p>O propósito desta investigação foi examinar a influência da composição do Conselho de
                Administração na política de dividendos em empresas brasileiras de capital aberto.
                Para alcançar esse objetivo, foram consideradas variáveis como tamanho,
                independência, diversidade de gênero, dualidade do CEO, indicação pelos
                controladores e expertise financeira dos conselheiros de administração, a fim de
                compreender a decisão e o montante dos dividendos pagos aos acionistas. Também foi
                atribuído o objetivo específico de evidenciar o nível de listagem na governança
                corporativa, o comitê de auditoria e o setor econômico das companhias. Pesquisas
                similares foram conduzidas recentemente em economias desenvolvidas, como os EUA, e
                em economias emergentes ou em desenvolvimento, como Malásia, Índia, Egito e
                Austrália. Os resultados divergiram em cada caso, destacando a relevância de fatores
                intrínsecos a cada país analisado.</p>
            <p>A pesquisa evidencia que existem elementos na composição do conselho que influenciam
                na decisão de distribuir ou reter dividendos, como possuir nível de governança
                corporativa maior (Novo Mercado), mulheres nos conselhos de administração, tamanho
                dos conselhos de administração, compartilhamento da liderança do Conselho de
                Administração com o CEO, financeira dos membros do conselho e a nomeação pelos
                controladores. Logo a hipótese 1 foi dada significância investida; as hipóteses 2,
                3, 4, 7 e 8 não são confirmadas por falta de significância estatística; a hipótese 5
                é aceita, uma vez que foi verificado um forte impacto na distribuição de dividendos
                no compartilhamento do ofício de presidente do conselho e presidente executivo; a
                hipótese 6 é parcialmente aceita, tendo em vista que a presença do comitê de
                auditoria apresentou significância apenas no payout observado.</p>
            <p>Embora a legislação brasileira estabeleça a distribuição obrigatória de dividendos,
                há exceções que permitem à empresa reter recursos quando o reinvestimento é
                considerado mais vantajoso. Nesse contexto, o Conselho de Administração desempenha
                um papel relevante no processo decisório, atuando como uma instância responsável por
                deliberar sobre alternativas de alocação de resultados.</p>
            <p>Não é possível afirmar de forma conclusiva como essa composição se traduz em efeitos
                específicos para diferentes grupos de acionistas, como minoritários e controladores,
                o que ressalta a necessidade de investigações adicionais sobre a dinâmica entre
                decisões de dividendos e governança corporativa. Algumas limitações enfrentadas
                foram a escassez de informações sobre as empresas e a restrição temporal, pois dados
                disponíveis nos formulários de referência só estão acessíveis a partir de 2010.
                Recomenda-se que futuras pesquisas explorem outras características dos conselhos e
                comitês de auditoria, como idade dos membros, número de mandatos e quantidade de
                reuniões realizadas durante o ano. Também se sugere a continuação desta pesquisa com
                outros mercados de capitais, para haver comparabilidade entre diferentes empresas e
                países.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
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            <title>REFERÊNCIAS</title>
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                    ownership structure and dividend policies in an emerging market: Further
                    evidence from CASE 50. <bold>Managerial finance</bold>, [<italic>s.
                    l</italic>.], v. 34, n. 12, p. 953-964, 2008.</mixed-citation>
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                        <name>
                            <surname>ELSEGINI</surname>
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                    <article-title>Board composition, ownership structure and dividend policies in
                        an emerging market: Further evidence from CASE 50</article-title>
                    <source>Managerial finance, [s. l.]</source>
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                    <issue>12</issue>
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                    <year>2008</year>
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