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			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista Opinião Jurídica</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">R. Opin. Jur.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">1806-0420</issn>
			<issn pub-type="epub">2447-6641</issn>
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				<publisher-name>Centro Universitário Christus</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.12662/2447-6641oj.v16i23.p110-139.2018</article-id>
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					<subject>Artigos</subject>
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			<title-group>
				<article-title>ESTRATÉGIAS E MEDIATOS UTILIZADOS PELO TRÁFICO DE DROGAS PARA
					INTEGRAÇÃO DOS PRESÍDIOS ÀS REDES TERRITORIAIS EXTERNAS: UMA REVISÃO DA
					LITERATURA</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>STRATEGIES AND MEANS USED BY DRUG TRAFFICKING TO INTEGRATE PRISONS
						TO EXTERNAL TERRITORIAL NETWORKS: A LITERATURE REVIEW</trans-title>
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					<trans-title>ESTRATEGIAS Y MEDIATOS UTILIZADOS POR EL TRÁFICO DE DROGAS PARA
						INTEGRACIÓN DE LOS PRESIDIOS A LAS REDES TERRITORIALES EXTERNAS: UNA
						REVISIÓN DE LA LITERATURA</trans-title>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-5076-6149</contrib-id>
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						<surname>Netto</surname>
						<given-names>Roberto Magno Reis</given-names>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-4223-0192</contrib-id>
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						<surname>Chagas</surname>
						<given-names>Clay Anderson Nunes</given-names>
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				<label>*</label>
				<institution content-type="orgname">Tribunal de Justiça do Estado do
					Pará</institution>
				<country country="BR">Brasil</country>
				<email>bob_reis_ufpa@yahoo.com.br</email>
				<institution content-type="original">Mestre em segurança Pública pela Universidade
					Federal do Pará. Especialista em Direito Processual Civil (UGF/DF), Docência no
					Ensino Superior (UGF/DF) e Atividade de Inteligência e Gestão do Conhecimento
					(ESMAC/PA). Bacharel em Direito (UFPA). Professor Universitário e Pesquisador.
					Oficial de Justiça Avaliador do TJ/PA. E-mail:
					&lt;bob_reis_ufpa@yahoo.com.br&gt;. http://orcid.org/0000-0002-5076-6149
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				<label>**</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Pará</institution>
				<country country="BR">Brasil</country>
				<email>claychagas@yahoo.com.br</email>
				<institution content-type="original">Graduado em Geografia Licenciatura e
					Bacharelado (UFPA). Mestre em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido
					(UFPA). Doutor em Desenvolvimento Socioambiental (UFPA). Vice-Reitor da
					Universidade do Estado do Pará, Professor do Programa de Pós Graduação em
					Geografia e do Programa de Pós Graduação em Segurança Pública pela Universidade
					Federal do Pará. Professor da Universidade do Estado do Pará, atuando no curso
					de graduação em Geografia. Professor Colaborador no Instituto de Ensino em
					Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Pará e Professor Colaborador da
					Universidade de Cabo Verde no Programa de Pós Graduação em Segurança Pública. É
					associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto Histórico
					Geográfico do Pará. É consultor do Roster pré aprovado para a América Latina do
					Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD/ONU) na categoria de
					Prevenção à Violência. E-mail: &lt;claychagas@yahoo.com.br&gt;.
					http://orcid.org/0000-0002-4223-0192</institution>
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				<institution content-type="orgname">Universidade do Estado do Pará</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">curso de graduação em Geografia</institution>
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				<institution content-type="orgname">Instituto de Ensino em Segurança Pública e
					Defesa Social do Estado do Pará</institution>
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				<institution content-type="orgname">Universidade de Cabo Verde</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Programa de Pós Graduação em Segurança
					Pública</institution>
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					Pará</institution>
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				<institution content-type="orgdiv1">Programa das Nações Unidas para o
					Desenvolvimento</institution>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jul-Dec</season>
				<year>2018</year>
			</pub-date>
			<volume>16</volume>
			<issue>23</issue>
			<fpage>110</fpage>
			<lpage>139</lpage>
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				<date date-type="accepted">
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					<year>2018</year>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution Non-Commercial que permite uso,
						distribuição e reprodução não-comercial irrestrito em qualquer meio, desde
						que o trabalho original seja devidamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Este estudo teve como objetivo a realização de uma revisão literária em torno da
					relação entre droga e cárcere com intuito de identificar as estratégias e os
					mediatos utilizados pelo tráfico de drogas para a integração dos presídios às
					redes territoriais externas. Sob um método hermenêutico e dialético, foi
					proposta a análise de obras selecionadas conforme critérios metodológicos
					específicos, seguida de uma análise de conteúdo para construção de categorias
					científico-analíticas. Ao fim, foram identificadas seis espécies de estratégias
					que, se aplicadas de forma simultânea e intercruzada, garantem o exercício de
					poderes no mundo externo por agentes territoriais dentro do dos presídios.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This study aimed at conducting a literary review of the relationship between
					drugs and prisons so as to identify strategies and means used by drug
					trafficking to integrate prisons to external territorial networks. With a
					hermeneutical and dialectical method, we carried out the analysis of selected
					studies according to specific criteria, followed by an analysis of the content,
					in order to create scientific-analytical categories. Finally, six types of
					strategies were identified which, applied in a simultaneous and combined manner,
					guarantee the exercise of power in the external world by territorial agents
					inside prisons.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>Este estudio tuvo como objetivo la realización de una revisión literaria en torno
					a la relación droga y cárcel, para identificar las estrategias y mediatos
					utilizados por el tráfico de drogas para integración de los presidios a las
					redes territoriales externas. Bajo un método hermenéutico y dialéctico, se
					propuso el análisis de obras seleccionadas según criterios metodológicos
					específicos, seguido de un análisis de contenido para la construcción de
					categorías científicoanalíticas. Al final, se identificaron seis especies de
					estrategias que, aplicadas de forma simultánea y entrecruzada, garantizan el
					ejercicio de poderes en el mundo externo por agentes territoriales dentro de los
					centros penitenciarios.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Tráfico de Drogas</kwd>
				<kwd>Cárcere</kwd>
				<kwd>Estratégias e Mediatos</kwd>
				<kwd>Revisão de Literatura</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Drug trafficking</kwd>
				<kwd>Prison</kwd>
				<kwd>Strategies and Means</kwd>
				<kwd>Literary Review</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>Tráfico de drogas</kwd>
				<kwd>Cárcel</kwd>
				<kwd>Estrategias y Mediatos</kwd>
				<kwd>Revisión Literaria</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>1 INTRODUÇÃO</title>
			<p>Como uma das atividades mais lucrativas do planeta (<xref ref-type="bibr" rid="B65"
					>CAMPOS, 2014</xref>), muito além de uma <italic>ameaça</italic> à ordem
				jurídica e social, como é apresentado pelos discursos oficiais (<xref
					ref-type="bibr" rid="B22">D’ELIA FILHO, 2014</xref>), o tráfico de drogas se
				caracteriza como algo comparável a uma <italic>empresa</italic> (<xref
					ref-type="bibr" rid="B19">CHAGAS, 2014</xref>), mesmo que ilegal.</p>
			<p>Nos moldes das organizações multinacionais, aliás, o tráfico do século XXI
				compreende, de um lado, um pouco visível <italic>oligopólio</italic> (que articula
				funções e lucros em um nível internacional) e, de outro, uma massa de produtores,
				atravessadores, distribuidores e varejistas que, à semelhança dos trabalhadores
				formais, compõe a parcela palpável do negócio (<xref ref-type="bibr" rid="B57"
					>RODRIGUES, 2004</xref>). Inclusive, por esta visibilidade, estes traficantes de
				menor porte acabam por constituir os alvos preferenciais da atuação dos órgãos
				repressores, razão pela qual os crimes de tráfico, há tempos, representam uma das
				maiores causas de aprisionamento no Brasil e no mundo (<xref ref-type="bibr"
					rid="B57">RODRIGUES, 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">D’ELIA FILHO,
					2014</xref>).</p>
			<p>Em todo caso, seja como empresa, seja como conjunto de atores empenhados na busca do
				lucro da atividade (<xref ref-type="bibr" rid="B6">ARAÚJO, 2012</xref>), o tráfico
				não poupa <italic>estratégias</italic> para burlar e/ou enfrentar a repressão
				estatal e, dessa forma, manter vivas suas redes territoriais. A adoção dessas formas
				de <italic>resistência</italic> à dissolução de seus territórios (<xref
					ref-type="bibr" rid="B37">HAESBAERT, 2014</xref>), inclusive, faz com que o
				tráfico adote estratificações e manifestações diferenciadas em cada país.</p>
			<p>No Brasil, especialmente onde a adesão à política de <italic>guerra às
					drogas</italic> importou na consolidação de mecanismos legislativos criticáveis
					(<xref ref-type="bibr" rid="B57">RODRIGUES, 2004</xref>) e na consagração de uma
				repressão direcionada, sobretudo, a áreas pobres e estigmatizadas, resultando,
				assim, em um superencarceramento seletivo (<xref ref-type="bibr" rid="B22">D’ELIA
					FILHO, 2014</xref>) e em uma desterritorialização precária de contingentes
				populacionais (<xref ref-type="bibr" rid="B37">HAESBAERT, 2014</xref>), o combate ao
				crime ocasionou a adoção de resistências excepcionais por agentes encarcerados,
				resultando no surgimento de organizações sediadas nos presídios - os
					<italic>coletivos</italic> ou <italic>facções</italic> (<xref ref-type="bibr"
					rid="B62">SANTOS, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS,
				2013</xref>).</p>
			<p>Aliás, o sucesso desses grupos, criados sob o intento de luta em prol das condições
				de vida dos presos - que, inseridos no circuito do tráfico internacional (a partir
				da década de 1980), voltaram sua atuação à droga (<xref ref-type="bibr" rid="B62"
					>SANTOS, 2007</xref>) - residiu, justamente, na qualidade das estratégias
				adotadas, paralelamente, à ineficiência das escolhas estatais (<xref ref-type="bibr"
					rid="B27">DIAS, 2013</xref>).</p>
			<p>E se, atualmente, essas <italic>facções</italic> se encontram disseminadas pelo
				território nacional (com destaque para sua presença em presídios de toda a federação
					(<xref ref-type="bibr" rid="B48">MÜLLER, 2017</xref>), é inevitável a conclusão
				de que elas têm obtido sucesso em integrar as prisões (onde está parte de suas
				lideranças (<xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>) às redes territoriais
				externas de sua principal atividade: o tráfico de drogas.</p>
			<p>Nesse contexto, surgiu o questionamento que norteou este trabalho: quais são as
					<italic>estratégias</italic> e os <italic>mediatos</italic> (<xref
					ref-type="bibr" rid="B55">RAFFESTIN, 1993</xref>) apontados na literatura
				recente utilizados pelo tráfico de drogas para integração dos presídios às redes
				territoriais externas?</p>
			<p>Objetivou-se, diante do problema, a realização de uma revisão de literatura para
				identificar as referidas estratégias e mediatos, na qualidade de uma primeira
				aproximação sobre o tema, apta a subsidiar estudos subsequentes.</p>
			<p>Além disso, almejou-se a superação da análise belicista em torno do tráfico (<xref
					ref-type="bibr" rid="B57">RODRIGUES, 2004</xref>), de modo a permitir a visão
				das falhas estatais no enfrentamento da espécie, o que, de pronto, justificou as
				escolhas teóricas esposadas na seção a seguir.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>2 MARCOS TEÓRICOS</title>
			<p>Inicialmente, é prudente afirmar a insuficiência do conceito jurídico-legal de
					<italic>tráfico de drogas</italic> para a compreensão da complexidade da
				atividade (<xref ref-type="bibr" rid="B6">ARAÚJO, 2012</xref>). Como advertiu <xref
					ref-type="bibr" rid="B57">Rodrigues (2004)</xref>, a criação de leis decorrentes
				da política internacional de <italic>Guerra às Drogas</italic> não adveio de um
				compromisso sanitário, como afirmava o discurso oficial, senão de uma ação de
				contenção comercial motivada por interesses econômicos.</p>
			<p>Essa política, desde o século XX, além de consolidar o monopólio da manipulação de
				princípios ativos de substâncias (ditas entorpecentes) nas mãos de grupos
				farmacêuticos transnacionais (sediados, justamente, nos países líderes do
				movimento), ainda incentivou a produção bélica necessária à declarada guerra e o
				direcionamento de esforços em prol de uma política que se constituiu como principal
				causa dos preços e dos lucros do tráfico de drogas no mundo (<xref ref-type="bibr"
					rid="B15">CAMPOS, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">D’ELIA FILHO,
					2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B65">SAVIANO, 2014</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B80">WEIGERT, 2010</xref>).</p>
			<p>O Brasil, por sua vez, como adepto do bloco liberal, alinhou-se àquela política a
				partir da década de 1930 (pela assinatura de tratados internacionais e promulgação
				de normas proibitivas no Código Penal de 1940), mesmo diante da desvinculação desta
				postura com o contexto histórico do vício no país (<xref ref-type="bibr" rid="B18"
					>CARVALHO, 2016</xref>). Nos anos seguintes, deu-se o advento de novas regras
				esparsas, que, ao fim, resultaram na promulgação da Lei nº 11.343/2006. No entanto,
				a imprecisão dos dispositivos da <italic>Lei Antidrogas</italic>, a adoção da
				técnica das <italic>normas penais em branco</italic> (<xref ref-type="bibr"
					rid="B54">QUEIROZ, 2012</xref>) e a <italic>discricionariedade</italic> prática
				conferida aos órgãos do sistema criminal acabaram por gerar uma forte seletividade
				penal em sua aplicação concreta (<xref ref-type="bibr" rid="B22">D’ELIA FILHO,
					2014</xref>), bem como a oposição de argumentos relativos à
				inconstitucionalidade material daquele diploma (<xref ref-type="bibr" rid="B18"
					>CARVALHO, 2016</xref>). É de se dizer, em concordância com <xref
					ref-type="bibr" rid="B11">Bezerra (2009)</xref>, que as reputadas incoerências
				legais apenas se alinham à ausência de uma aplicação organizada de preceitos
				científico-criminológicos na elaboração do que se poderia chamar de política
				criminal brasileira.</p>
			<p>Por sua vez, a partir de uma análise das condutas que conceituariam a atividade de
				tráfico de drogas (abstratamente previstas nos artigos 33, 34, 36 e 37 da Lei nº
				11.343/2006), pode-se constatar que o legislador tentou englobar na lei (por meio de
				verbos de significado amplo) a proibição de uma <italic>cadeia de produção e
					comercialização</italic> de drogas, sem diferenciação de atores, funções ou
				níveis de complexidade. É coerente, portanto, a conclusão de <xref ref-type="bibr"
					rid="B22">D’Elia Filho (2014)</xref> de que o que a lei nomina genericamente de
					<italic>tráfico de drogas</italic>, fora do âmbito jurídico, representa
					<italic>uma proibição de mercado</italic>, com causas e consequências mais
				profundas.</p>
			<p>Mostrou-se mais prudente, ao passo, buscar uma compreensão do tráfico de drogas como
				atividade análoga a uma <italic>empresa</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B19"
					>CHAGAS, 2014</xref>), a despeito de sua ilegalidade, ou seja, uma prática
				comercial que se articula em um nível internacional, regional e local, atendendo a
				questões de demanda-oferta, e que se estratifica e adota estratégias em busca de um
				lucro, sempre tendo em vista a repressão estatal que lhe é dispensada (<xref
					ref-type="bibr" rid="B57">RODRIGUES, 2004</xref>).</p>
			<p>Sobretudo, é uma atividade que ignora as fronteiras políticas dos Estados-Nação,
				estabelecendo territórios (comerciais) próprios e ações de resistência às investidas
				que ameacem sua <italic>territorialidade</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B55"
					>RAFFESTIN, 1993</xref>), em uma postura classificada por <xref ref-type="bibr"
					rid="B78">Vilas Boas (2015)</xref> como <italic>anisotrópica</italic> (contrária
				à lógica e ao planejamento estatal).</p>
			<p>A partir de um esforço zetético (<xref ref-type="bibr" rid="B12">BITTAR,
				2016</xref>), tornou-se coerente reinterpretar o <italic>tráfico de drogas</italic>
				conforme seus aspectos territoriais, momento em que se mostrou pertinente a
				discussão proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B55">Raffestin (1993)</xref>
				diante da ideia de <italic>poder</italic> analisada por <xref ref-type="bibr"
					rid="B32">Foucault (2015)</xref>. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B55"
					>Raffestin (1993)</xref>, o território se constituiria como produto da interação
				humana com o espaço (dado originário), por meio de relações de poder (simétricas ou
				não), em que agentes depositariam suas expectativas, promovendo a construção de
					<italic>vários territórios</italic> em constante interação (os da política, do
				mercado, das facções etc.).</p>
			<p>Esses <italic>agentes sintagmáticos</italic> (que agem conforme interesses
				estabelecidos), por sua vez, utilizar-se-iam de <italic>estratégias</italic> (planos
				de ação que conjugariam diferentes níveis de <italic>energia</italic> e
					<italic>informação</italic>) em prol da realização de seus propósitos,
				valendo-se, para tanto, de diversos <italic>mediatos</italic> (ou seja, de meios) e
				recursos (<italic>bens apropriáveis</italic> ao uso) para o exercício/consolidação
				do poder, assim como de ações de <italic>resistência</italic>, se ameaçados em seu
				território, empenhando-se na preservação daquilo que compreendem
					<italic>ter</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B55">RAFFESTIN,
				1993</xref>).</p>
			<p>Assim, seriam constituídos <italic>múltiplos territórios</italic>, sobrepostos e em
				constante interação em um mesmo espaço (<xref ref-type="bibr" rid="B55">RAFFESTIN,
					1993</xref>), os quais, além de serem <italic>condicionados</italic> pelos
				agentes, igualmente, em função dos poderes que lhe atravessam e de elementos que os
				compõem, seriam também <italic>condicionantes</italic> das suas ações (<xref
					ref-type="bibr" rid="B78">VILAS BOAS, 2015</xref>).</p>
			<p>Aplicando esta noção para superação da ideia <italic>jurídica</italic> de
					<italic>território</italic> (tão limitada quanto o conceito
					<italic>legal</italic> de tráfico de drogas), conclui-se que este, na teoria de
					<xref ref-type="bibr" rid="B55">Raffestin (1993)</xref>, não se denotaria
				somente como uma <italic>zona</italic> (espaço limitado - preponderante na visão
				estatal), mas, também, como conjunto de <italic>redes</italic> (pontos no espaço que
				podem interligar-se por meio de <italic>nós</italic> que se conjugam) e como
					<italic>território simbólico</italic> (permeado por relações de poder que, mesmo
				diante um agente ausente, propiciaria um vínculo entre este e o espaço, constituindo
				um território que aquele poderia nominar, mesmo longe, como <italic>seu</italic>)
					(<xref ref-type="bibr" rid="B37">HAESBAERT, 2014</xref>).</p>
			<p>Esta teoria é de importante valia para a compreensão dos problemas relativos ao
				combate ao tráfico no século XXI: a seletiva preocupação dos órgãos de segurança com
				áreas estigmatizadas (após um histórico processo de segregação socioterritorial)
					(<xref ref-type="bibr" rid="B79">VOLOCHKO, 2015</xref>) acabou por determinar
				uma atuação preponderantemente <italic>zonal</italic>, que encarcera, em regra,
				agentes territoriais específicos, mais <italic>visíveis</italic> ao sistema
				judiciário (<xref ref-type="bibr" rid="B22">D’ELIA FILHO, 2014</xref>), enquanto, de
				outro lado, redes maiores, articuladas em níveis transnacionais, apenas modificariam
				seus fluxos sem qualquer interrupção de suas ações (<xref ref-type="bibr" rid="B57"
					>RODRIGUES, 2004</xref>).</p>
			<p>Em linhas mais diretas, constata-se que a atuação policial no Brasil apresenta
				aspectos fortemente seletivos (<xref ref-type="bibr" rid="B22">D’ELIA FILHO,
					2014</xref>), inclusive, diretamente vinculados a critérios socioeconômicos e
				raciais (<xref ref-type="bibr" rid="B21">CUNHA, 2010</xref>), que, em relação ao
				tráfico, atinge somente a <italic>parcela frágil do empreendimento</italic>,
				notadamente, soldados e pequenos revendedores (embora em alguns parcos casos,
				emblematicamente noticiados em meios de comunicação, se atinja um ou outro
				comerciante de <italic>nível mais elevado</italic>, o que não descaracteriza a
				afirmação).</p>
			<p>A remoção dos agentes territoriais, por outro lado, acabaria por gerar somente uma
					<italic>falsa impressão</italic> de quebra da relação de territorialidade entre
				o traficante e o território, já que, embora aquele seja, de fato, retirado da
					<italic>zona</italic> em que se encontrava, não ocorre uma efetiva quebra da
					<italic>rede</italic> e/ou <italic>relação simbólica</italic>
				preestabelecida.</p>
			<p>A <italic>Guerra às Drogas</italic>, portanto, ao levar diversos agentes territoriais
				ao cárcere em uma <italic>desterritorialização precária</italic> (<xref
					ref-type="bibr" rid="B37">HAESBAERT, 2014</xref>), sem maiores preocupações
				quanto à ressocialização do cidadão (<xref ref-type="bibr" rid="B80">WEIGERT,
					2010</xref>), apenas desafiou os criminosos à adoção de <italic>estratégias de
					resistência</italic> e à busca por novas formas de imposição de seu poder em
				relação ao território originário e ao cárcere. O tráfico de drogas, assim, impôs-se
					<italic>além das grades</italic> e ampliou o problema do comércio das drogas na
				atualidade: na mesma medida em que subsiste o controle de atividades externas a
				partir das cadeias, surgiu, também, um lucrativo comércio interno, demonstrando a
				vinculação territorial dos presídios ao mundo externo.</p>
			<p>Daí a necessidade do estudo em compreender, justamente, as
					<italic>estratégias</italic> e os <italic>mediatos</italic> utilizados por
				agentes do tráfico para integração dos presídios às redes externas. Entretanto, para
				a própria compreensão crítica do fenômeno, afigurou-se necessária a escolha de um
				método e de um conjunto de procedimentos e técnicas adequadas à revisão crítica
				então proposta. A exposição destes elementos, por sua vez, foi realizada na seção a
				seguir.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>3 MÉTODO E TÉCNICAS</title>
			<p>Como primeira aproximação ao tema, o estudo realizou uma revisão da literatura
				recente a respeito da relação entre tráfico de drogas e presídios. Para tanto, foi
				necessária a escolha de um método apropriado ao levantamento e à análise crítica dos
				dados objetivados, haja vista a complexidade do fenômeno.</p>
			<p>Mesmo diante da inexistência de estudos especificamente voltados às ações que
				permitiriam a integração dos presídios às redes externas do tráfico, constatou-se
				como possível a identificação dessas estratégias em pesquisas (envolvendo a relação
				cárcere-tráfico) com objetos e objetivos diversos, tornando viável o objetivo
				inicialmente estabelecido, por intermédio de uma inferência e de um tratamento
				semiótico daquelas obras (<xref ref-type="bibr" rid="B12">BITTAR, 2016</xref>).</p>
			<p>O desafio residiu, portanto, na escolha de um conjunto de procedimentos aptos a
				permitir a seleção de registros encontrados em diferentes propostas, com vistas a
				subsidiar, ao final, uma classificação em categorias científico-analíticas
				compreensíveis (<xref ref-type="bibr" rid="B8">BARDIN, 2011</xref>).</p>
			<p>Considerando, assim, que as fontes da pesquisa (primárias ou secundárias) (<xref
					ref-type="bibr" rid="B31">FLICK, 2013</xref>) representavam uma <italic>visão de
					mundo</italic> oriunda da <italic>racionalidade</italic> de outros pesquisadores
					(<xref ref-type="bibr" rid="B20">CRESWELL, 2014</xref>), ora por contato
				presencial, ora por meio de registros oficiais, entrevistas etc., adotou-se, neste
				estudo, o método <italic>hermenêutico e dialético</italic> (<xref ref-type="bibr"
					rid="B70">STEIN, 1983</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B36">HABERMAS,
					1987</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B46">MINAYO, 2002</xref>) como substrato
				teórico-metodológico fundante.</p>
			<p>Partiu-se da premissa de que a comunicação é a base do conhecimento sensível (<xref
					ref-type="bibr" rid="B36">HABERMAS, 1987</xref>) e, como tal, deve subsidiar o
				processo científico-analítico, afinal, cada texto, em seu conteúdo, representava uma
					<italic>comunicação efetiva</italic> havida em diferentes contextos sendo,
				portanto, cognoscível (<xref ref-type="bibr" rid="B46">MINAYO, 2002</xref>).</p>
			<p>Contudo, não se tomou a informação como um dado <italic>bruto</italic>. Para revelar
				a essência das obras, foi necessário compreender que a linguagem sempre é afetada
				pelo contexto social, econômico, político e histórico em que é emitida, denotando-se
				como uma <italic>linguagem sistematicamente perturbada</italic> (<xref
					ref-type="bibr" rid="B36">HABERMAS, 1987</xref>) pela dissimetria das relações
				sociais de poder (<xref ref-type="bibr" rid="B32">FOUCAULT, 2015</xref>). Assim, o
				método pugnou pela sujeição dos dados a um movimento que desvelasse a perturbação
				linguística e propiciasse uma compreensão do contexto social em que ela se
				originara, o que, por sua vez, realizou-se por meio da consideração dos aspectos
				históricos de cada obra, do respeito pela racionalidade dos autores e pela busca de
				um sentido (intenção) do emissor das mensagens (<xref ref-type="bibr" rid="B46"
					>MINAYO, 2002</xref>).</p>
			<p>Seguiu-se, após esses cuidados, para uma atividade de <italic>triangulação</italic>
					(<xref ref-type="bibr" rid="B47">MINAYO, 2005</xref>), consistente na
				uniformização interna dos dados, bem como na confrontação (<xref ref-type="bibr"
					rid="B70">STEIN, 1983</xref>) destes com a teoria fundante do estudo. Assim,
				foram comparadas (<xref ref-type="bibr" rid="B47">MINAYO, 2005</xref>) diferentes
					<italic>visões</italic>, no sentido de transcender parcialidades teóricas, a fim
				de atingir o fenômeno buscado: as <italic>estratégias</italic> e os
					<italic>mediatos</italic> identificados por cada autor, em essência.</p>
			<p>Adotou-se, por sua vez, uma abordagem qualitativa (preponderante e com foco no
				conteúdo de cada obra) e quantitativa (para aferição da predominância de achados,
				conforme postulados da estatística descritiva).</p>
			<p>Assim, na qualidade de revisão de literatura, o estudo promoveu uma <italic>busca
					seletiva</italic> de trabalhos voltados ao objetivo proposto (<xref
					ref-type="bibr" rid="B61">SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2015</xref>), conforme os
				critérios preestabelecidos a seguir. Primeiramente, procedeu-se ao
					<italic>planejamento</italic> quanto à coleta (<xref ref-type="bibr" rid="B38"
					>LEITE, 2008</xref>):</p>
			<p>
				<list list-type="alpha-lower">
					<list-item>
						<p>os trabalhos que tratassem de maneira direta das variáveis:
								<italic>tráfico de drogas</italic> e <italic>cárcere</italic> foram
							selecionados;</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>para atualidade linguística, um recorte temporal entre os anos de 2011 a
							2017 foi estipulado;</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>a seleção albergou:</p>
						<p>
							<list list-type="simple">
								<list-item>
									<p>- livros (científicos, jornalísticos ou biográficos - nestes
										dois últimos casos, desde que aprovados por conselho
										editorial, por questões éticas, de confiabilidade e de
										validade das amostras) (<xref ref-type="bibr" rid="B45"
											>MARTINS; THEÓPHILO, 2016</xref>);</p>
								</list-item>
								<list-item>
									<p>- artigos, <italic>papers</italic> e trabalhos apresentados
										em eventos, desde que gratuitamente disponíveis, cuja busca
										seria efetivada com o auxílio de bases de dados
											<italic>on-line</italic>, também gratuitas (<xref
											ref-type="bibr" rid="B61">SAMPIERI; COLLADO; LUCIO,
											2015</xref>);</p>
								</list-item>
							</list>
						</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>a seleção tomou por base artigos em português, inglês e espanhol.</p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>Assim, desde o mês de maio de 2016, foram realizadas buscas bimestrais em livrarias
				públicas e privadas do estado do Pará, assim como em livrarias virtuais. Quanto aos
				demais materiais, o levantamento teve periodicidade mensal, restringindo-se às bases
				de dados: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
					xlink:href="http://www.scholar.google.com.br"
						><italic>www.scholar.google.com.br</italic></ext-link><italic>&gt;</italic>
				e &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.scielo.org"
						><italic>www.scielo.org</italic></ext-link><italic>&gt;</italic>, conforme
				os argumentos: “<italic>tráfico de drogas e cárcere”;</italic> “<italic>tráfico de
					drogas e cadeia”;</italic> “<italic>tráfico de drogas e prisão”;</italic>
					“<italic>tráfico de entorpecentes e cárcere”; “tráfico de entorpecentes e
					cadeia”; “tráfico de entorpecentes e prisão”; “drogas e cárcere”; “drogas e
					prisão”;</italic> e <italic>“drogas e cadeia”</italic>.</p>
			<p>A cada mês, eliminavam-se as obras repetidas, retendo-se apenas textos recentes, sem
				olvidar que revisões literárias não necessitam reter <italic>tudo</italic> sobre um
				tema, até mesmo, pela infinidade de fontes e potencial inacessibilidade relativa aos
				meios de busca (<xref ref-type="bibr" rid="B31">FLICK, 2013</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B61">SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2015</xref>). Porém,
				buscou-se ao máximo a obtenção de dados relevantes, o que, inclusive, importou em
				uma atualização final dos resultados, em agosto de 2017.</p>
			<p>A análise de conteúdo do material coletado (<xref ref-type="bibr" rid="B46">MINAYO,
					2002</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B8">BARDIN, 2011</xref>), por sua vez,
				se deu conforme as seguintes etapas:</p>
			<p>
				<list list-type="alpha-lower">
					<list-item>
						<p>procedeu-se à leitura flutuante dos textos, para identificação das
								<italic>estratégias</italic> e dos <italic>mediatos</italic>
							enunciados;</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>seguiu-se à leitura em profundidade, para a delimitação de
								<italic>categorias de análise</italic> (<xref ref-type="bibr"
								rid="B24">BARDIN, 2011</xref>) e as <italic>transcrições</italic>
							dos trechos em que se destacavam os dados perquiridos (o que seguiu a
							ideia de <italic>enunciado</italic>, ou seja, de <italic>unidade
								detentora de importante informação ao objeto em estudo</italic> -
							técnica típica da análise de discurso) (<xref ref-type="bibr" rid="B14"
								>BRANDÃO, 2012</xref>), organizando-as em uma tabela de dupla
							entrada, em que, na horizontal (colunas), foram classificadas as
							estratégias identificadas e, na vertical, foi inserido o trecho
							transcrito e as demais informações espaço-temporais.</p>
					</list-item>
				</list>
			</p>
			<p>Para aferição da confiabilidade e validade das amostras, considerando seu caráter
				qualitativo, o procedimento de busca e seleção, bem como a classificação primária
				foram submetidos à análise de dois juízes (<xref ref-type="bibr" rid="B45">MARTINS;
					THEÓPHILO, 2016</xref>), detentores de conhecimentos sobre o tema. Ao início,
				ambos concordaram quanto aos procedimentos de busca e seleção. Mais adiante, no mês
				de maio de 2017, sugeriram a inclusão de duas obras, além das já albergadas ao tempo
				- uma delas, recém-lançada (<xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2017</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B71">TAVARES, 2016</xref>). Ao fim, manifestaram
				concordância com as amostras nas proporções de 95,03% (juiz 1) e 97,06% (juiz 2) (ou
				seja, um percentual que, qualitativamente, expressa um considerável grau de
				concordância e pertinência) (<xref ref-type="bibr" rid="B45">MARTINS; THEÓPHILO,
					2016</xref>).</p>
			<p>Ambos, ainda, foram unânimes quanto à inadequação de 24 transcrições (em uma amostra
				originária de 1.430 trechos) selecionadas pelo autor (1,67% do total inicial), as
				quais foram eliminadas da etapa final da análise de conteúdo e da triangulação de
				dados (respeitando o critério de validade e a confiabilidade em questão).</p>
			<p>Finalmente, procedeu-se à triangulação interna dos dados, comparando-se elementos
				linguísticos para adaptação das categorias analíticas, seguida de uma triangulação
				com a teoria fundante do estudo (<xref ref-type="bibr" rid="B55">RAFFESTIN,
					1993</xref>). Os resultados, obtidos conforme tais critérios, encontram-se
				expostos na seção subsequente.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results|discussion">
			<title>4 RESULTADOS E DISCUSSÕES</title>
			<sec>
				<title>4.1 OBRAS ANALISADAS E CATEGORIAS ANALÍTICAS</title>
				<p>Ao final dos procedimentos de levantamento, foram selecionadas 138 obras, dentre
					livros, artigos etc. Destas, 39 foram eliminadas por se encontrarem fora do
					recorte temporal da pesquisa. Em sede de leitura flutuante, deu-se a eliminação
					de uma obra que era um romance (sem dados reais); de 20 que não aprofundavam o
					contexto carcerário; de 26 que, embora trabalhassem aquele contexto, não
					identificavam qualquer estratégia ou mediato; e, por fim, de duas obras que,
					embora insinuassem estratégias, não as vinculavam a fatos ou a dados concretos
					(sendo eliminadas para evitar meras especulações).</p>
				<p>Por fim, foram selecionadas 50 obras para o procedimento de análise em
					profundidade, das quais foram extraídas 1.416 transcrições de fragmentos
					textuais (enunciados) (BRANDÃO, 2012) expressivos de estratégias e mediatos
					utilizados pelo tráfico para integração dos presídios às redes territoriais
					externas, as quais, por conseguinte, foram sujeitas ao procedimento de
					categorização (<xref ref-type="bibr" rid="B8">BARDIN, 2011</xref>).</p>
				<p>O estudo havia partido da hipótese de que as estratégias girariam em torno da
						<italic>corrupção de agentes públicos</italic>, da <italic>utilização de
						tecnologias</italic> e da <italic>utilização de parentes e associados para
						traficância</italic>, o que foi superado ao fim da revisão. Encerrados os
					procedimentos, foram encontradas seis estratégias identificadas a partir da
					literatura, assim nominadas, após a triangulação de dados:
						<italic>“estabelecimento/ manutenção de redes e relações entre os agentes
						sintagmáticos internos ao cárcere”; “estabelecimento/manutenção de relações
						e cooptação de agentes do sistema penitenciário”; “utilização de mediatos
						para comunicação a partir do cárcere”; “estabelecimento/manutenção de redes
						e relações junto a agentes sintagmáticos públicos ou privados externos ao
						cárcere”; “estabelecimento de redes comerciais internas do tráfico de
						drogas”</italic>; e, por fim, <italic>“enfrentamento direto de agentes
						sintagmáticos e atingimento de símbolos vinculados ao poder
						público”.</italic>
				</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>4.2 ANÁLISE QUANTITATIVA DA LITERATURA</title>
				<p>Primeiramente, considerando a <italic>relevância</italic> das obras para o
					estudo, constatou-se que as obras de <xref ref-type="bibr" rid="B24">Dias
						(2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B25">2013</xref>, <xref
						ref-type="bibr" rid="B23">2014)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B27">Dias
						e Salla (2013)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B26">Dias, Alvarez e
						Salla (2013)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B3">Amorim (2011</xref>,
						<xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B1"
						>Abreu (2017</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B75">Varella (2012</xref>,
						<xref ref-type="bibr" rid="B76">2015</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B77"
						>2017)</xref> englobaram 70,99% das transcrições selecionadas (sendo que só
					da obra da primeira autora, isoladamente ou em coautoria, foram usadas 24,72%
					das transcrições; da segunda, 22,81%; da terceira, 15,20%; e da última, 8,26%).
					O dado revela tais obras, portanto, como as mais relevantes ao estudo.</p>
				<p>Por conseguinte, levando-se em consideração as categorias já descritas,
					constatou-se que a estratégia de <italic>estabelecimento/manutenção de redes e
						relações entre os agentes sintagmáticos internos ao cárcere</italic>
					concentrou 44,49% das transcrições - importe estatisticamente relevante em
					relação às demais (p-valor &lt; 0,05) (<xref ref-type="bibr" rid="B45">MARTINS;
						THEÓPHILO, 2016</xref>).</p>
				<p>Já a estratégia de <italic>estabelecimento/manutenção de redes e relações junto a
						agentes sintagmáticos públicos ou privados externos ao cárcere</italic>
					concentrou 17,66% das transcrições; a de <italic>enfrentamento direto de agentes
						sintagmáticos e atingimento de símbolos vinculados ao poder
						público,</italic> 13,63%; a de <italic>utilização de mediatos para
						comunicação a partir do cárcere,</italic> 10,81%; a de
						<italic>estabelecimento de redes comerciais internas do tráfico de
						drogas,</italic> 9,82%; e, finalmente, a de
						<italic>estabelecimento/manutenção de relações e cooptação de agentes
						sintagmáticos do sistema penitenciário</italic> concentrou somente
					3,60%.</p>
				<p>É de se advertir, no entanto, que essas porcentagens não expressam a real
					prevalência prática das estratégias, senão, a <italic>predominância</italic>
					(dentro do recorte metodológico realizado) de seu tratamento na literatura
					analisada.</p>
				<p>Quanto à distribuição temporal, constatou-se que 8% das obras selecionadas foram
					publicadas no ano de 2011; 24%, em 2012; 16%, em 2013; 20%, em 2014; 14%, em
					2015; 12%, em 2016; e, por fim, 6%, em 2017. Novamente, não se trata de dado que
					expresse o crescimento, ou não, do percentual de estudos sobre o tema. As
					porcentagens apenas demonstram os anos em que se desenvolveram os estudos que
					mais revelaram, em seu conteúdo, as estratégias ora pesquisadas (conforme os
					critérios de seleção usados).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>4.3 ANÁLISE QUALITATIVA DA LITERATURA</title>
				<p>A presente subseção se debruçou sobre os aspectos qualitativos a respeito das
					estratégias e dos mediatos utilizados para a integração dos presídios às redes
					territoriais externas do tráfico de drogas, em exposição que seguirá as
					categorias analíticas delineadas acima. Porém, a divisão teve fins meramente
					didáticos, já que, em termos práticos, as estratégias são empregadas de maneira
					simultânea, intercruzando-se (<xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>)
					nos jogos de poder firmados entre os agentes territoriais (<xref ref-type="bibr"
						rid="B55">RAFFESTIN, 1993</xref>), de modo a permitir o afloramento da
					territorialidade do tráfico dentro e fora dos presídios.</p>
				<p>Igualmente, deve-se frisar que as referidas estratégias podem ser manejadas de
					maneira independente (por um agente), por intermédio de <italic>facções</italic>
						(<xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>), ou, ainda, por outros
					criminosos que podem utilizá-las para diversas finalidades. Afinal, sob a
					hegemonia de coletivos, é normal que outros usem de iguais trunfos para
					interação com o mundo externo.</p>
				<sec>
					<title>4.3.1 Estratégia de estabelecimento/manutenção de redes e das relações
						entre os atores sintagmáticos internos ao cárcere</title>
					<p>A literatura apontou, como uma primeira estratégia adotada para integração
						dos presídios às redes externas do tráfico, um conjunto de ações que pode
						ser nominado como <italic>estabelecimento/manutenção de redes e relações
							entre os agentes sintagmáticos internos ao cárcere</italic>,
						identificado, inclusive, em estudos estrangeiros, como o de <xref
							ref-type="bibr" rid="B60">Salazar (2014)</xref> - que referiu o uso do
						cárcere para construção de redes por Pablo Escobar, na Colômbia -, de <xref
							ref-type="bibr" rid="B16">Campos (2016)</xref> e de <xref
							ref-type="bibr" rid="B65">Saviano (2014)</xref>, que registraram a
						associação entre presas (no Peru) e cartéis (no México).</p>
					<p>No Brasil, por sua vez, também foi identificada a construção de redes a
						partir do cárcere (<xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2017</xref>), bem
						como de associações havidas em torno da dominação decorrente da dissimetria
						das relações de poder nas prisões, como nas <italic>falanges</italic>
						(embrião das atuais facções), nas quais presos eram obrigados a se associar
						por força de dívidas de drogas, dentre outros (<xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM,
							2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>).</p>
					<p>O fato é que a desterritorialização (<xref ref-type="bibr" rid="B65"
							>HAESBAERT, 2014</xref>) no cárcere, desacompanhada de medidas
						ressocializadoras (<xref ref-type="bibr" rid="B21">CUNHA, 2010</xref>),
						aproximou diferentes agentes territoriais do tráfico que passaram a
						representar, uns em relação aos outros, <italic>trunfos de poder</italic>
							(<xref ref-type="bibr" rid="B55">RAFFESTIN, 1993</xref>), na medida em
						que a proximidade permitiu a construção de redes internas (entre os
						encarcerados) e externas (a partir dos contatos externos -
							<italic>nodosidades</italic> - ligados àqueles) (<xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM,
							2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B65">SAVIANO, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B72">TEIXEIRA, 2015</xref>).</p>
					<p>Mas, foi assente que, no Brasil, essa estratégia teve consequências próprias:
						a gênese das <italic>facções</italic> a partir da agregação (inicialmente
						voltada à defesa das condições de vida dos presos) de redes de criminosos
						(sobretudo, traficantes). Foi o apontado por <xref ref-type="bibr" rid="B3"
							>Amorim (2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2015)</xref> e
							<xref ref-type="bibr" rid="B65">Saviano (2014)</xref>, ao tratar do
						surgimento do Comando Vermelho (CV) no final da década de 1970, no Rio de
						Janeiro, assim como por <xref ref-type="bibr" rid="B27">Dias (2013)</xref> e
							<xref ref-type="bibr" rid="B26">Dias, Alvarez e Salla (2013)</xref>, em
						relação ao Primeiro Comando da Capital (PCC), na década de 1990, no estado
						de São Paulo.</p>
					<p>Esse fenômeno, aliás, teria sido responsável pelo surgimento de outros
						coletivos <italic>antagônicos</italic> àqueles (<xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM,
							2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B52">PIEDADE; CARVALHO, 2015</xref>). <xref
							ref-type="bibr" rid="B27">Dias (2013)</xref>, inclusive, insinuando que
						a criação de alguns grupos teria contado com apoio de governos como forma de
						combater os coletivos em consolidação. Por óbvio, essa multiplicidade de
						atores gerou tensões em torno das redes e dos produtos (notadamente, a
						droga), eclodindo em confrontos emblemáticos nas prisões (<xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">DIAS,
						2013</xref>).</p>
					<p>A associação entre internos, igualmente, teve como dado facilitador as
							<italic>transferências</italic> de presos, que permitiram que lideranças
						iniciassem a construção de novas redes (sob forte <italic>apelo
							ideológico</italic>) junto a outras unidades prisionais (<xref
							ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4"
						>2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">GODOY; TORRES, 2017</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B72">TEIXEIRA, 2015</xref>). Com isso,
						consolidou-se <italic>a designação de funções de liderança entre
							internos</italic> do sistema penal, também apontada no âmbito
						internacional (<xref ref-type="bibr" rid="B65">SAVIANO, 2014</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B64">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B73"
							>TELESE, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B33">FORGIONE,
							2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B60">SALAZAR, 2014</xref>) e com
						registros desde meados do século XX (<xref ref-type="bibr" rid="B73">TELESE,
							2011</xref>).</p>
					<p>No Brasil, desde a fase embrionária das <italic>falanges</italic> (nas quais
						a associação se dava mais por razões de sobrevivência do que sob uma
						ideologia) (<xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>), era comum a reunião de grupos para controle do
						comércio de drogas e busca de proteção em relação a rivais, sendo a
							<italic>violência</italic> o principal mediato de ação (<xref
							ref-type="bibr" rid="B25">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4"
						>2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B39">LOURENÇO; ALMEIDA,
						2013</xref>). Entretanto, com o advento das <italic>facções</italic>,
						organizadas inicialmente a partir de aspectos hierárquicos
							<italic>piramidais</italic>, e, atualmente, de
							<italic>celulares,</italic> como apontou <xref ref-type="bibr" rid="B27"
							>Dias (2013)</xref> em relação ao PCC, sob a propagação de uma ideologia
						de <italic>paz entre os ladrões</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B44"
							>MARQUES, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">DIAS,
						2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B65"
							>SAVIANO, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B39">LOURENÇO;
							ALMEIDA, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">FERRO,
						2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA, 2017</xref>), a
						centralidade das lideranças assumiu um papel diferenciado.</p>
					<p>Como funções atuais, destacam-se: a decisão sobre o uso da violência em
						rebeliões ou no enfrentamento de rivais, bem como por associados externos; a
						normalização do comportamento dos presos; a presidência do procedimento dos
							<italic>debates</italic> (tribunais do crime); a divisão dos territórios
						comerciais (externos e internos) do tráfico, contabilidade e controle das
						redes; recrutamento de líderes; negociação com o Estado; e, até mesmo, a
						decisão pelo enfrentamento direto desse último (<xref ref-type="bibr"
							rid="B50">OLIVEIRA; COSTA, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3"
							>AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B24">DIAS, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B25">2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B68">SILVA,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B39">LOURENÇO; ALMEIDA,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">CAPITANI, 2012</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B72">TEIXEIRA, 2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B44">MARQUES, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B1">ABREU, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA,
							2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B7">BARCELLOS, 2015</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B65">SAVIANO, 2014</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B42">MALVASI, 2012a</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B34">GODOY; TORRES, 2017</xref>).</p>
					<p>Deve-se frisar que, embora não haja uma definição das razões da centralidade
						de lideranças nas mãos de agentes territoriais do tráfico no cárcere,
						autores como <xref ref-type="bibr" rid="B27">Dias (2013)</xref> insinuam que
						os conhecimentos comerciais havidos por esses últimos seriam a razão de tal
						preferência, sobretudo, após a inserção das facções no circuito
						internacional das drogas.</p>
					<p>Além disso, <xref ref-type="bibr" rid="B24">Amorim (2011</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B4">2015)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B27"
							>Dias e Salla (2013)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B39">Lourenço e
							Almeida (2013)</xref> destacaram que a adoção do <italic>Regime
							Disciplinar Diferenciado</italic> (RDD), destinado a presos de alta
						periculosidade, teria sido determinante para aproximar lideranças nacionais,
						permitindo a criação de novas redes e a disseminação da ideologia das
						facções por diversos Estados da Federação (<xref ref-type="bibr" rid="B52"
							>PIEDADE; CARVALHO, 2015</xref>). Igualmente, o RDD teria sido
						fundamental à criação de imagens de <italic>experiência</italic> e
							<italic>poder</italic> em torno de seus presos (<xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B41">MALLART,
							2014</xref>), atribuindo-lhes um <italic>status</italic> especial no
						“mundo do crime’’, inclusive no seio de instituições destinadas à aplicação
						de medidas socioeducativas a adolescentes (<xref ref-type="bibr" rid="B41"
							>MALLART, 2014</xref>).</p>
					<p>Ainda, a literatura aponta que essa estratégia está ligada a um
							<italic>recrutamento de presos sob forte disseminação
							ideológica</italic>. Diante da falha estatal de estabelecimento de
						instâncias de debate em torno das necessidades dos encarcerados, permitiu-se
						que suas <italic>demandas</italic> fossem apropriadas pelas organizações
						criminosas, favorecendo seu prestígio e apoio interno (<xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA,
							2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">DIAS; ALVAREZ; SALLA,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B39">LOURENÇO; ALMEIDA,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B44">MARQUES, 2014</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B65">SAVIANO, 2014</xref>). Instituiu-se uma
							<italic>ideologia de paz entre os ladrões</italic>, que, durante o
						período de consolidação das facções, restou imposta por meio da violência,
						da segregação de dissidentes para ambientes precários ou outros presídios e
						pela definição de um ideal de enfrentamento à administração prisional (<xref
							ref-type="bibr" rid="B44">MARQUES, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B26">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B72">TEIXEIRA,
							2015</xref>).</p>
					<p>Porém, como os conflitos causavam turbulências às atividades dos traficantes,
						a superação das contendas se mostrou necessária para estabilidade das redes
						já tecidas - especialmente, as do comércio de drogas (<xref ref-type="bibr"
							rid="B77">VARELLA, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS,
							2013</xref>).</p>
					<p>Instituiu-se, dessa maneira, uma forma geral de <italic>proceder</italic>
							(<xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B3">AMORIM, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4"
						>2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B44">MARQUES, 2014</xref>), ou
						seja, um conjunto de regras comportamentais impostas por meio de estatutos
						que pregavam fidelidade às facções (mesmo aos não associados), que, se
						desobedecido, ocasionava sanções que não mais englobariam necessariamente a
						morte, senão, interdições para o comércio de drogas, isolamento, expulsão
						etc. (<xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>). E, como
						mencionado, as sanções seriam precedidas de julgamentos (<italic>os
							debates</italic>) a cargo de lideranças, como forma de
							<italic>institucionalização da violência</italic> (<xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU,
							2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B44">MARQUES, 2014</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>).</p>
					<p>A existência de <italic>elementos simbólicos</italic>, por sua vez, também
						foi um aspecto destacado na literatura quanto à estratégia em análise, em
						decorrência do apelo ideológico. À semelhança do observado em relação às
						máfias internacionais (<xref ref-type="bibr" rid="B69">SMITH, 2015</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B63">SAVIANO, 2012</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B65">2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16"
							>CAMPOS 2016</xref>), os coletivos do tráfico revestiram-se de imagens
						na narrativa de sua história e em seu recrutamento, com o estabelecimento de
							<italic>rituais</italic> - envolvendo sangue, imagens, liturgias etc.
							(<xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B39">LOURENÇO; ALMEIDA,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2017</xref>). O
						simbolismo também foi identificado na aplicação de penalidades
						(decapitações, mutilações, enforcamento, interdições, banimento etc.),
						variantes conforme o <italic>status</italic> do apenado no grupo ou fora
						dele (<xref ref-type="bibr" rid="B75">VARELLA, 2012</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4"
						>2015</xref>).</p>
					<p>Quanto ao recrutamento, aliás, constatou-se uma preferência pelo ambiente
						prisional (<xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2017</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B34">GODOY; TORRES, 2017</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA, 2017</xref>), possivelmente, em razão
						da referida centralidade das lideranças no cárcere. Para tanto, os elementos
							<italic>força física</italic> e <italic>capacidade de violência</italic>
						deram lugar a qualidades, como <italic>inteligência</italic> e
							<italic>capacidade de articulação</italic> (interessantes às atividades
						do tráfico), acompanhadas de uma verificação da vida pregressa do iniciando
						e do estabelecimento de meios de controle comportamental dos filiados - como
						por meio da vinculação a padrinhos (<xref ref-type="bibr" rid="B29">FERRO,
							2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">DIAS, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B39">LOURENÇO; ALMEIDA,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2017</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B71">TAVARES, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B44">MARQUES, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B72"
							>TEIXEIRA, 2015</xref>).</p>
					<p>Esses aspectos ideológicos, segundo a literatura, moldaram a identidade dos
						internos em torno de uma <italic>ideologia do crime</italic> (<xref
							ref-type="bibr" rid="B44">MARQUES, 2014</xref>), permitindo uma
						organização, um fluxo de poderes e, sobretudo, uma fidelidade que se
						mantinha mesmo após transferência para outras unidades ou da saída do
						cárcere - transformando-os em agentes externos responsáveis pela manutenção
						da rede com o cárcere, especialmente no que toca ao tráfico (<xref
							ref-type="bibr" rid="B41">MALLART, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS;
							SALLA, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>,
							<xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B1">ABREU, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B42">MALVASI,
							2012a</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">GODOY; TORRES,
						2017</xref>).</p>
					<p>Mas, como somente a ideologia não seria suficiente para manter a fidelização
						dos agentes, os grupos se valeram de outro mediato também presente nas
						organizações internacionais (<xref ref-type="bibr" rid="B63">SAVIANO,
							2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B33">FORGIONE, 2011</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B60">SALAZAR, 2014</xref>): o
							<italic>estabelecimento de uma rede assistencial aos internos</italic>.
						Novamente atuando sobre omissões estatais (<xref ref-type="bibr" rid="B27"
							>DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>,
							<xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B1">ABREU, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B41">MALLART,
							2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B42">MALVASI, 2012a</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B39">LOURENÇO; ALMEIDA, 2013</xref>), os
						agentes do tráfico compreenderam que a fidelidade de seus membros também
						estava ligada a favorecimentos pessoais.</p>
					<p>Tanto nas organizações criminosas, quanto nos grupos independentes de
						traficantes, identificou-se a promoção de clientelismos aos aprisionados,
						tais como a contratação de advogados, a aquisição de bens de consumo (de
						alimentos a objetos pessoais, destinados aos associados ou à população em
						geral), drogas e armas, o financiamento de eventos coletivos - como saraus,
						jogos de futebol, <italic>shows</italic> etc. - e o pagamento de pensões a
						familiares de presos - atraentes, sobretudo, aos menos abastados (<xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B68">SILVA,
						2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B72">TEIXEIRA, 2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B44">MARQUES, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B34">GODOY; TORRES, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27"
							>DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA,
						2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2017</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B42">MALVASI, 2012a</xref>).</p>
					<p>Em relação às facções criminosas, inclusive, constatou-se a criação de
							<italic>caixinhas</italic> (geridas sob cuidadoso controle contábil),
						financiadas inicialmente pelos presos e, posteriormente, somente por membros
						em liberdade, que, além dos benefícios referidos, ainda financiavam fugas e
						resgates, bem como ações criminosas fora do cárcere - numa verdadeira
							<italic>reinserção social às avessas</italic> (<xref ref-type="bibr"
							rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4"
						>2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2017</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS; SALA,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B42">MALVASI, 2012a</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B41">MALLART, 2014</xref>).</p>
					<p>Além da fidelização do agente (<xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS; SALLA,
							2013</xref>), garantiu-se o sucesso da <italic>lei do silêncio</italic>
							(<xref ref-type="bibr" rid="B25">DIAS, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2017</xref>)
						- a <italic>Ormeta</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B63">SAVIANO,
							2012</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B65">2014</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B33">FORGIONE, 2011</xref>) - e o convencimento da
						tomada de sacrifícios pessoais, como a assunção de crimes de terceiros,
						relativos à posse de drogas ou objetos proibidos (<xref ref-type="bibr"
							rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4"
						>2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">DIAS, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B26">DIAS; ALVARES; SALLA, 2013</xref>).</p>
					<p>Essas medidas, somadas aos demais meios descritos, são apontadas como fatores
						determinantes, também, para a consolidação de uma <italic>capacidade de
							gestão da violência</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B65">SAVIANO, 2014</xref>),
						presente em presídios ao redor do mundo (<xref ref-type="bibr" rid="B28"
							>FALCONI, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B73">TELESE,
							2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B60">SALAZAR, 2014</xref>), mas
						com diferenças específicas no Brasil.</p>
					<p>Se anteriormente à consolidação das facções criminosas, ou, ainda, durante o
						início de sua expansão, a violência era um mediato assente nas relações de
						poder, posteriormente, o seu controle e gestão pelas organizações geraram
						uma estabilidade interessante não só aos associados e à massa carcerária,
						como, em especial, ao mercado do tráfico, à administração prisional e ao
						poder público (<xref ref-type="bibr" rid="B53">QUEIROZ, 2016</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B41">MALLART, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B24">DIAS, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B25"
						>2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS; SALLA, 2013</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B5">ANDRADE, 2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B42">MALVASI, 2012a</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B65">SAVIANO, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM,
							2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B39">LOURENÇO; ALMEIDA, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B68">SILVA, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B72">TEIXEIRA, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B44"
							>MARQUES, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA,
							2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B7">BARCELLOS, 2015</xref>).</p>
					<p>Isto, no entanto, não significou a cessação da violência. Houve, ao revés, a
						sua <italic>racionalização</italic>, para evitar que contendas comuns
						prejudicassem as estratégias do comércio de drogas interno ou externo (<xref
							ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS; SALLA, 2013</xref>). Assim, em períodos de estabilidade,
						a violência se restringiu, basicamente, ao enfrentamento estatal e à
						aplicação de penalidades (<xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM,
						2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B25">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS; SALLA, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B77"
							>VARELLA, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU,
						2017</xref>), de modo que <italic>surtos de violência</italic> ocasionais
						podem sinalizar conflitos territoriais entre grupos (<xref ref-type="bibr"
							rid="B40">LUCCA, 2016</xref>), como os registrados no início de 2017 em
						presídios ao redor do país (<xref ref-type="bibr" rid="B48">MÜLLER,
							2017</xref>).</p>
					<p>Essa gestão da violência, inclusive, foi destacada como o motivo do banimento
						do <italic>crack</italic> de presídios, justamente, em razão das rupturas
						que o vício e o descontrole poderiam ocasionar em relação aos códigos de
						conduta estabelecidos (<xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>,
							<xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS; 2013</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B23"
						>2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">ANDRADE, 2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B34">GODOY; TORRES, 2017</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B2">ALMEIDA et al., 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B42">MALVASI, 2012a</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B77">VARELLA, 2017</xref>). O mesmo se diz das interdições
						temporárias de produção e consumo de bebidas artesanais clandestinas - a
							<italic>Maria Louca</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B23">DIAS,
							2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA, 2017</xref>).</p>
					<p>Essas práticas, aliás, são ilustrativas do <italic>uso da droga como trunfo
							de poder</italic> pelos agentes do tráfico: se o comércio de substâncias
						ilícitas representa uma estratégia importante ao tráfico, isto se dá porque,
						muito além de um viés comercial, as redes constituídas entre os presos podem
						se valer da droga como um instrumento de controle social e de
						(des)equilíbrio das relações de poder (<xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2"
							>ALMEIDA et al., 2013</xref>).</p>
					<p>O controle do tráfico ou o poder de interdição de seu comércio é apontado
						como uma forma de autoridade exercida sobre a população prisional (<xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B76">VARELLA,
							2015</xref>) que pode propiciar um <italic>direcionamento</italic> dos
						lucros decorrentes da economia prisional para alguns grupos específicos
							(<xref ref-type="bibr" rid="B39">LOURENÇO; ALMEIDA, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B34">GODOY; TORRES, 2017</xref>), bem como
						influenciar formas de territorialidade nas cadeias (<xref ref-type="bibr"
							rid="B3">AMORIM, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4"
						>2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B5">ANDRADE, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B30">FIGUEIRO, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">GODOY;
							TORRES, 2017</xref>).</p>
					<p>Antes da constituição das facções, como dito, o poder inerente à droga
						permitia a constituição de exércitos de viciados (<xref ref-type="bibr"
							rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4"
						>2015</xref>). Mas também era comum a exigência de contrapartidas de
						natureza sexual (pelo preso ou por parentes) (<xref ref-type="bibr"
							rid="B44">MARQUES, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2">ALMEIDA,
							2013</xref>) ou a assunção de culpa por crimes cometidos por terceiros
							(<xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27"
							>DIAS, 2013</xref>) como forma de saldar débitos. Posteriormente à
						hegemonia dos coletivos, no entanto, essas práticas foram proibidas por seus
						estatutos (<xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>), que, como apresentado anteriormente, baniram o
						uso de <italic>crack</italic> das penitenciárias (<xref ref-type="bibr"
							rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4"
						>2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B23">2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5"
							>ANDRADE, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2">ALMEIDA et al.,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B42">MALVASI, 2012a</xref>) e
						das instituições de internação de adolescentes (<xref ref-type="bibr"
							rid="B41">MALLART, 2014</xref>), a despeito de sua permanência
						intencional no comércio das ruas (<xref ref-type="bibr" rid="B59">RUI,
							2012</xref>).</p>
					<p>A interdição de bebidas artesanais, repita-se, também se mostrou comum entre
						facções, como forma de evitar conflitos, ou, simplesmente, de exercer poder
						sobre as massas (<xref ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA, 2017</xref>),
						afinal, não se trata somente de um controle do mercado das drogas, senão de
						uma manipulação do <italic>impulso consumista</italic> humano (<xref
							ref-type="bibr" rid="B59">RUI, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B77">VARELLA, 2017</xref>).</p>
					<p>Organizadas as redes internas, sob uma rígida disciplina, permitiu-se aos
						agentes do tráfico uma melhor gestão das demais estratégias a serem tratadas
						a seguir, que, por sua vez, retroalimentaram as associações internas,
						garantindo sua permanência e sua solidez (<xref ref-type="bibr" rid="B27"
							>DIAS, 2013</xref>).</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>4.3.2 Estratégia de estabelecimento/manutenção de redes e relações junto
						a atores sintagmáticos públicos ou privados externos ao cárcere</title>
					<p>Por sua vez, o estabelecimento e a manutenção de redes e relações junto a
						atores sintagmáticos externos, sejam eles públicos ou privados, ilustraram
						outra estratégia influente na vinculação dos presídios às redes
						externas.</p>
					<p>A tessitura dessas redes, por sua vez, foi atribuída a múltiplos fatores: em
						primeiro lugar, como dito, com a prisão de um agente sintagmático do
						tráfico, não se dá, de fato, a quebra da rede originária a que ele
						pertencia. Muitas vezes, esse agente apenas passa a ser ligado a outras
						redes dentro do cárcere, criando novas nodosidades com o ambiente
						externo.</p>
					<p>Além disso, a manutenção de tessituras internas, garantida por meio das já
						relatadas ações de assistência/controle dos agentes do tráfico e da massa
						carcerária, importou, também, numa fidelização dos agentes reinseridos nas
						redes externas (<xref ref-type="bibr" rid="B65">SAVIANO, 2014</xref>). Ou
						seja, quando libertados (por vias comuns ou não), os
							<italic>egressos</italic>, sejam membros batizados das facções,
						componentes de organizações avulsas, sejam somente agentes territoriais
						comuns que usufruíram dos benefícios oferecidos, acabariam por assumir
						funções externas na rede do tráfico, por serem vinculados a essa atividade,
						por retribuição às medidas assistenciais dispensadas, ou, ainda, em razão da
						alternativa de <italic>reinserção</italic> na economia que o tráfico
						representa, após a liberdade (<xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B7"
							>BARCELLOS, 2015</xref>).</p>
					<p>Assim, as redes externas passariam a retroalimentar os fluxos de poder (<xref
							ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>) junto às redes internas,
						garantindo não só o escoamento de energia e informação do cárcere para o
						mundo exterior, como, de outro lado, promovendo a alimentação dessas últimas
						com diversos recursos (drogas, armas, dinheiro etc.). Trata-se de prática
						constatada, igualmente, no âmbito internacional (<xref ref-type="bibr"
							rid="B64">SAVIANO, 2015</xref>).</p>
					<p>A literatura também indicou a mediação dessa estratégia por meio de uma
						gestão <italic>da violência no âmbito externo, sob auxílio de agentes
							territoriais em liberdade</italic>. Por meio dela, os internos
						garantiram a promoção de acertos de contas e, em redes mais eficazes - como
						das máfias e facções -, a adoção de táticas (violentas) de <italic>expansão
							territorial</italic>, de <italic>regulação social</italic> da população
						comum e de membros das facções nos territórios sob seu domínio, assim como a
						execução concreta de decisões sintagmáticas e de punições tomadas dentro do
						cárcere (<xref ref-type="bibr" rid="B65">SAVIANO, 2014</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B75">VARELLA,
							2012</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B77">2017</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B39">LOURENÇO; ALMEIDA, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B17">CAPITANI, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B72"
							>TEIXEIRA, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B42">MALVASI, 2012a</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B40">LUCCA, 2016</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B71">TAVARES, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B77">VARELLA, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU,
							2017</xref>).</p>
					<p>Igualmente, o recurso à violência por intermédio de agentes externos foi
						apontado como meio de viabilizar fugas, resgates e outras formas de
						enfrentamento direto do poder público - o que se intercruza com outra
						estratégia, tratada à frente (<xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1"
							>ABREU, 2017</xref>), reforçando, nesse ciclo, as lideranças e as redes
						internas.</p>
					<p>Contudo, as relações com o mundo externo não são somente marcadas pelo
						aspecto da violência. A literatura também indicou que os meios
						assistenciais, ofertados a detentos, também seriam estendidos a parentes e
						contingentes populacionais ligados aos territórios externos do tráfico.
						Novamente, trata-se de tática também encontrada no âmbito internacional
							(<xref ref-type="bibr" rid="B64">SAVIANO, 2015</xref>) que foi apontada
						como de fundamental relevância à expansão das facções no Brasil (<xref
							ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4"
						>2015</xref>).</p>
					<p>Esse <italic>favorecimento de atores territoriais externos</italic> teve
						forte adesão junto a comunidades carentes (<xref ref-type="bibr" rid="B3"
							>AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B75">VARELLA, 2017</xref>), caracterizando-se por
						medidas como: custeio de funerais, concessão de pensões, cestas básicas e
						outros benefícios (remédios, roupas, materiais escolares etc.) a familiares
						de membros presos ou mortos, empréstimos em dinheiro, custeio de transporte
						e aluguel de imóveis próximos às cadeias para visitantes, restauração de
						áreas (não atendidas pelos governos), organização de eventos e/ou sorteios/
						rifas (cuja arrecadação é destinada ao <italic>caixa</italic> das facções)
						e, até mesmo, pela oferta de cargos nas organizações para que familiares de
						membros presos ou mortos mantenham condições materiais das famílias (<xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B51">PICANÇO; LOPES,
							2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B27">DIAS; SALLA, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B42">MALVASI, 2012a</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B41">MALLART, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B75">VARELLA,
							2017</xref>).</p>
					<p>Outra atuação destacada diz respeito à pacificação de conflitos locais,
						inclusive a pedido da população, o que, muito além de uma medida
						assistencial, se explica pela necessidade de um território tranquilo (para o
						comércio de drogas) e sem a presença constante de órgãos policiais ou
						judiciais (<xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27"
							>DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS; SALLA,
							2013</xref>).</p>
					<p>Com isso, garantiu-se a <italic>lei do silêncio</italic> também nas
						comunidades externas (<xref ref-type="bibr" rid="B76">TEIXEIRA,
						2015</xref>). E mais: o clientelismo potencializou outras estratégias
						(tratadas adiante) como o recrutamento de populares para atividades como a
						inserção de drogas nas cadeias e fluxo de informação (<xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS, 2013</xref>). Alguns autores (<xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM,
							2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B40">LUCCA, 2016</xref>), inclusive, insinuaram a participação de
						visitantes - a princípio, simples vítimas - em rebeliões, caracterizando-os,
						conforme <xref ref-type="bibr" rid="B27">Dias (2013)</xref>, como um mediato
						daquelas ações, portanto, <italic>trunfos populacionais de poder</italic>
							(<xref ref-type="bibr" rid="B55">RAFFESTIN, 1993</xref>).</p>
					<p>Mas a lista de favorecidos vai além dos parentes e das comunidades ligadas às
						redes territoriais do tráfico. A literatura também apontou o envolvimento de
						instituições privadas e de profissionais liberais, tanto no âmbito nacional,
						quanto internacional (<xref ref-type="bibr" rid="B64">SAVIANO, 2015</xref>),
						numa simbiose que reforça e aperfeiçoa muitas das ações em debate neste
						estudo.</p>
					<p><xref ref-type="bibr" rid="B24">Amorim (2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015)</xref> destacou relações entre o CV e a Igreja Católica
						no Rio de Janeiro, que, por meio da Pastoral Carcerária, teria inserido
						drogas e armas em presídios dominados pela facção. Já <xref ref-type="bibr"
							rid="B27">Dias (2013)</xref> insinuou simbioses entre denominações
						protestantes e o PCC. As obras também destacaram outros profissionais
						(pilotos de avião e helicóptero, marítimos, radialistas, jornalistas,
						ativistas dos direitos humanos etc.) recrutados não só para o exercício de
						atividades típicas a suas profissões, mas, também, para o transporte de
						drogas e armas, participação em fugas e resgates etc. (<xref ref-type="bibr"
							rid="B1">ABREU, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM,
							2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B41">MALLART, 2014</xref>).</p>
					<p>Muito mais significativo, no entanto, mostrou-se o envolvimento de advogados
						e escritórios de advocacia junto a atores do tráfico (<xref ref-type="bibr"
							rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4"
						>2015</xref>). A literatura atribuiu-lhes não só o patrocínio de interesses
						jurídicos (especialmente, dos encarcerados), como, também, o desempenho de
						atividades como o estabelecimento de canais de comunicação com o mundo
						externo, o transporte de recursos, como celulares e drogas, a coordenação de
						funções administrativas e contábeis, a corrupção de agentes públicos e a
						coordenação de atentados, resgates e fugas (<xref ref-type="bibr" rid="B27"
							>DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>,
							<xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B77">VARELLA, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU,
							2017</xref>).</p>
					<p><xref ref-type="bibr" rid="B27">Dias (2013)</xref>, inclusive, destacou que,
						no PCC, a atuação dos advogados é tão estratégica que foi criada uma
							<italic>sintonia</italic> (célula especializada) voltada ao seu
						recrutamento, à coordenação, ao pagamento etc., e, até mesmo, ao custeio dos
						estudos acadêmicos como contrapartida da realização de serviços para a
						facção. Também foi salientada a existência de outras sintonias
						especializadas, voltadas, por exemplo, ao registro dos membros
							(<italic>sintonia do livro</italic>), com participação de contadores e
						administradores, numa mostra do aprofundamento das relações dos agentes
						entre o tráfico e a sociedade civil (<xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS,
							2013</xref>).</p>
					<p>Essa simbiose, como, inclusive, foi observado no âmbito internacional (<xref
							ref-type="bibr" rid="B33">FORGIONE, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B60">SALAZAR, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B69">SMITH,
							2015</xref>), acabou por criar tessituras que, cedo ou tarde, também
						cooptaram agentes territoriais vinculados ao poder público, no âmbito
						externo ao cárcere.</p>
					<p>A literatura destacou que a associação a esses agentes foi fundamental à
						sobrevivência e à ocultação das redes do tráfico, apontando a corrupção de
						servidores das Polícias Civis e Militar (para ignorar ilícitos, burlar
						inquéritos e apreensões etc.), das forças armadas (para evitar apreensões
						etc.), dos servidores e membros do Poder Judiciário e do Ministério Público
						(para retardar processos, liberar informações privilegiadas, favorecer
						acusados de diversas formas etc.), aos quais restariam atribuíveis várias
						modalidades de crimes vinculados à ideia de improbidade (<xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B72">TEIXEIRA,
							2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B74">VAN DUN, 2014</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B16">CAMPOS, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU,
							2017</xref>). Adiante, por suas peculiaridades, falar-se-á dos agentes
						públicos internos ao cárcere.</p>
					<p>Embora essas associações sejam comuns a qualquer organização do tráfico
							(<xref ref-type="bibr" rid="B33">FORGIONE, 2011</xref>), mais uma vez, a
						literatura tem apontado como elementos fundamentais ao sucesso dos agentes
						territoriais do cárcere no Brasil, justamente, por flexibilizarem
							<italic>barreiras territoriais</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B37"
							>HAESBAERT, 2014</xref>) que deveriam limitar, de várias maneiras, sua
						atuação.</p>
					<p>Como resultado, vê-se que as facções que, ainda no final do século XX,
						representavam somente uma rede relativa a grupos aprisionados e, num segundo
						momento, organizações que integravam morros e zonas precarizadas das cidades
						de São Paulo e Rio de Janeiro (<xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM,
							2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>), no início deste século
						XXI, tornaram-se uma grande rede interestadual, cada vez mais complexa, em
						função dessa estratégia (<xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2015</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B39">LOURENÇO; ALMEIDA, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B25">DIAS, 2013</xref>).</p>
					<p>Atualmente, estudos apontaram que essas redes teriam invadido países
						vizinhos, na América Latina, em busca de fornecedores de drogas e armas.
						Assim, identificou-se a atuação de facções brasileiras, coordenadas por
						lideranças encarceradas, na Colômbia, na Bolívia, na Argentina, no Peru e no
						Paraguai, além de sua relação com grupos armados, como as Forças Armadas
						Revolucionárias da Colômbia (FARC), máfias e cartéis internacionais (<xref
							ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B68">SILVA, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>).</p>
					<p>Sob esse caráter transnacional, o exercício de poderes (inclusive, para
						enfrentamento do poder público) ampliou-se de tal maneira que, como apontou
						a literatura, os agentes passaram a exercer influência direta sobre o rumo
						de algumas políticas públicas, numa verdadeira <italic>associação política
							com o poder público</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B60">SALAZAR,
							2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS 2013</xref>).</p>
					<p>O primeiro sinal dessa prática, no Brasil, diz respeito à autorização que
						lideranças concederam, de dentro do cárcere, para que candidatos (e outras
						autoridades) ingressassem em favelas cariocas (<xref ref-type="bibr"
							rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4"
						>2015</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B3">Amorim (2011</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>) destacou, também, que o CV teria
						representado uma coalisão decisiva na eleição de governadores e deputados
						estaduais do Rio de Janeiro, nas décadas de 1980 e 1990.</p>
					<p>A literatura também insinuou momentos de <italic>tréguas negociadas</italic>,
						costuradas por meio de acordos políticos entre governos e criminosos ao
						longo de momentos nos quais o enfrentamento ao Estado tomou proporções tão
						alarmantes (como na Megarrebelião do PCC, em 2001), que obrigou ao abandono
						da tática de criminalização das facções em prol da aceitação de seus
						pleitos, em troca de uma <italic>paz velada</italic> (<xref ref-type="bibr"
							rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4"
						>2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B2">LOURENÇO; ALMEIDA, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B72">TEIXEIRA, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B41">MALLART, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU,
							2017</xref>).</p>
					<p>Fato é que o tráfico, segundo a literatura, conseguiu, pela eficiência no
						fluxo de energia e informação em suas redes, medir forças com o poder
						político de tal maneira, que o forçou a tecer alianças políticas em busca de
						um equilíbrio interessante a ambos (já que os governos dependem de
							<italic>paz</italic> para se afirmar eficientes, ao passo que o tráfico
						depende de ordem para comercializar tranquilamente).</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>4.3.3 Estratégia de estabelecimento/manutenção de relações e cooptação de
						atores sintagmáticos do sistema penitenciário</title>
					<p>Ainda em relação à interação entre redes internas e externas, deve-se
						destacar como estratégia adotada pelos agentes do tráfico a cooptação de um
						grupo especial de agentes públicos, que detêm uma posição híbrida por também
						transitarem constantemente no âmbito interno das prisões: os agentes
						públicos do cárcere. Assim, o <italic>estabelecimento/manutenção de relações
							e cooptação de agentes sintagmáticos do sistema penitenciário</italic>
						foram apontados na literatura como estratégias comuns ao redor do globo
							(<xref ref-type="bibr" rid="B65">SAVIANO, 2014</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B73">TELESE, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B16">CAMPOS, 2016</xref>) e também presentes no Brasil.</p>
					<p>Embora os servidores do sistema penitenciário sejam apontados como a linha de
						frente na manutenção de uma ordem prisional, há registros na literatura que
						revelam sua vinculação a atores do tráfico (<xref ref-type="bibr" rid="B27"
							>DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS; SALLA,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B75">VARELLA, 2012</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B76">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1"
							>ABREU, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B72">TEIXEIRA,
							2015</xref>), possivelmente, por serem componentes de uma rede (lícita),
						que se estende ao mundo exterior, contextualmente mais próxima dos
						traficantes.</p>
					<p>Com isso, os agentes do tráfico obtiveram facilidades na efetivação de fugas
						e rebeliões, favorecimentos pessoais (priorização de saídas e atendimentos,
						transferências de presos, destinação de melhores celas, remédios e alimentos
						etc.), assim como a entrada de bens de consumo, a rigor proibidos
						(eletrodomésticos e eletrônicos), celulares, armas, drogas, além da
						conivência quanto à realização de atividades ilícitas e quanto ao uso da
						violência no âmbito interno dos presídios (<xref ref-type="bibr" rid="B27"
							>DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>,
							<xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B75">VARELLA, 2012</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B76"
							>2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B72">TEIXEIRA, 2015</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B7">BARCELLOS, 2015</xref>).</p>
					<p>Apesar da tímida exposição dessa estratégia na literatura (possivelmente, em
						razão de sua clandestinidade (<xref ref-type="bibr" rid="B23">DIAS,
							2014</xref>), foram apontadas algumas contrapartidas ofertadas aos
						agentes: benefícios pessoais, como consideráveis quantias em dinheiro
						(sobretudo, se comparadas à remuneração padrão dos cargos) e drogas (para
						consumo ou revenda), além de favores em geral (como proteção pessoal,
						garantia de não agressão etc.) (<xref ref-type="bibr" rid="B25">DIAS,
							2013</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B23">2014</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B27">DIAS; SALLA, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B75">VARELLA,
							2012</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B76">2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B7">BARCELLOS, 2015</xref>).</p>
					<p>De forma mais surpreendente, a literatura também referiu que, em face das
						naturais dificuldades (estrutura física, insuficiências materiais e pessoais
						etc.) e limitações (salariais, organizacionais etc.) enfrentadas pelas
						organizações penitenciárias no combate das ações dos presos (especialmente
						em presídios onde estão instaladas as grandes facções), as primeiras
						acabariam por se tornar coniventes, independentemente de contrapartidas, com
						as ações dos últimos, em razão da impossibilidade de obtenção de provas ou
						fiscalização ostensiva de suas práticas, bem como, em razão da ordem que
						estas impuseram no interior das cadeias, interessante ao Estado (<xref
							ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS; SALLA, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B67"
							>SILVA, A., 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B30">FIGUEIRO,
							2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">CAPITANI, 2012</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B72">TEIXEIRA, 2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B1">ABREU, 2017</xref>).</p>
					<p>Por fim, de maneira mais rara (em razão da posição antagônica entre os
						agentes em questão), destacou-se a corrupção de agentes públicos do cárcere
						por intermédio de <italic>cooptação ideológica</italic>, ou seja, pelo
						convencimento da existência uma <italic>causa comum</italic> entre estes e
						os agentes encarcerados (<xref ref-type="bibr" rid="B65">SAVIANO,
							2014</xref>).</p>
					<p>Mediante contrapartidas ou não, o fato é que, estabelecidas as redes de
						facilidades junto aos agentes que constituiriam a vigilância territorial das
						redes dos internos, certamente, foram eliminadas barreiras territoriais à
						extensão das redes dos atores do tráfico no cárcere, mais uma vez,
						garantindo a integração dos presídios ao mundo exterior.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>4.3.4 Estratégia de utilização de mediatos para comunicação a partir do
						cárcere</title>
					<p>Também foi apontada pela literatura a adoção de uma estratégia voltada ao
						fluxo de informação do cárcere para o mundo externo (e vice-versa),
						permitindo a prática eficiente de todas as demais estratégias aqui tratadas:
						a utilização de <italic>mediatos de comunicação</italic>. Novamente, não se
						trata de exclusividade das redes do tráfico brasileiro (<xref
							ref-type="bibr" rid="B64">SAVIANO, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B33">FORGIONE, 2011</xref>), embora aqui essa ação tenha
						manifestado caracteres peculiares, inclusive, identificados em instituições
						de internação de adolescentes (<xref ref-type="bibr" rid="B41">MALLART,
							2014</xref>).</p>
					<p>Atualmente, o mediato mais importante é o <italic>telefone celular</italic>
						(em substituição aos menos funcionais aparelhos de rádio (<xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>), que, desde a década passada, têm-se tornado um
						item comum em prisões, por permitir não só o controle interno dos negócios
							(<xref ref-type="bibr" rid="B51">PICANÇO; LOPES, 2016</xref>), como
						também a realização de julgamentos (os <italic>debates</italic>), a
						aplicação de penalidades e, até mesmo, a coordenação simultânea de rebeliões
						e revoltas - como ocorrido na Megarrebelião de 2001, comandada pelo PCC
							(<xref ref-type="bibr" rid="B65">SAVIANO, 2014</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B64">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3"
							>AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B39">LOURENÇO; ALMEIDA, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B68">SILVA, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B5">ANDRADE, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B7">BARCELLOS,
							2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B81">ZOMIGHANI JUNIOR,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">CAPITANI, 2012</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B72">TEIXEIRA, 2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B42">MALVASI, 2012a</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B29">FERRO, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B41">MALLART,
							2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">GODOY; TORRES, 2017</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA, 2017</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2017</xref>).</p>
					<p><xref ref-type="bibr" rid="B27">Dias (2013</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B23">2014)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B39">Lourenço e
							Almeida (2013)</xref>, ao mesmo tempo, apontaram que o poderio das
						facções do cárcere só foi possível em razão da centralidade do uso do
						celular, inclusive, destacando-o como instrumento que colocava seu detentor
						em situação de <italic>superioridade</italic> em relação aos demais (<xref
							ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B23">2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">GODOY; TORRES,
							2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2017</xref>).</p>
					<p>A literatura também indicou a preferência por aparelhos modernos, justamente,
						em razão dos aplicativos que permitiriam facilidades comunicativas (como os
						aplicativos de <italic>webmail</italic> e <italic>teleconferência</italic>),
						clonagens e ocultações de centrais telefônicas (<xref ref-type="bibr"
							rid="B1">ABREU, 2017</xref>).</p>
					<p>No entanto, como a comunicação se dá entre agentes territoriais (<xref
							ref-type="bibr" rid="B55">RAFFESTIN, 1993</xref>), certamente a presença
						física nos presídios ainda é a forma de comunicação mais comum no Brasil e
						no mundo (<xref ref-type="bibr" rid="B33">FORGIONE, 2011</xref>). Nesse
						contexto, a literatura apontou uma gama de atores que funcionariam como
							<italic>mensageiros</italic>: parentes, companheiras (os) de presos
						(sendo mais comum a presença de mulheres nessa função) (<xref
							ref-type="bibr" rid="B4">AMORIM, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B77">VARELLA, 2017</xref>), os já referidos advogados, dentre
						outros, responsáveis pelo transporte de bilhetes, cartas ou até mensagens
						memorizadas entre as lideranças encarceradas e o mundo externo (<xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B65">SAVIANO,
							2014</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B64">2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B39">LOURENÇO; ALMEIDA, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B68">SILVA, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B72">TEIXEIRA, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B42"
							>MALVASI, 2012a</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">FERRO,
							2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B41">MALLART, 2014</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B7">BARCELLOS, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU,
							2017</xref>).</p>
					<p>Esses registros, aliás, condizem com a lição de <xref ref-type="bibr"
							rid="B55">Raffestin (1993)</xref>, segundo a qual a
							<italic>população</italic> representa não só uma <italic>força</italic>,
						uma energia, senão, um verdadeiro <italic>receptáculo de
							informações</italic>, que, em sua circulação, permite que dados também
						circulem ao longo das redes, no caso, garantindo o reputado sucesso dos
						projetos elaborados pelos agentes do tráfico.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>4.3.5 Estratégia de enfrentamento direto de agentes sintagmáticos e
						atingimento de símbolos vinculados ao poder público</title>
					<p>Por sua vez, a literatura apontou o <italic>enfrentamento direto do poder
							público</italic> como estratégia utilizada pelo tráfico no cárcere.
						Trata-se de um conjunto de ações que surgem em situações nas quais o diálogo
						com o Estado foi interrompido ou se encontra obstado o fluxo de informação
						nas redes existentes. Conforme a teoria de <xref ref-type="bibr" rid="B55"
							>Raffestin (1993)</xref>, configura-se pela potencialização do fluxo de
						energia (violência) como contrapartida da cessação do fluxo de informação,
						sendo encontrada tanto na literatura brasileira quanto na estrangeira (<xref
							ref-type="bibr" rid="B65">SAVIANO, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B33">FORGIONE, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B60"
							>SALAZAR, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">BONELLA,
							2016</xref>), assim como em presídios comuns e instituições de
						internação de adolescentes (<xref ref-type="bibr" rid="B41">MALLART,
							2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B40">LUCCA, 2016</xref>).</p>
					<p>Esse enfrentamento direto é representado, primeiramente, pelas
							<italic>fugas</italic> e pelos <italic>resgates</italic>, compreendidas
						por <xref ref-type="bibr" rid="B27">Dias (2013)</xref> como o
							<italic>rompimento das barreiras do cárcere</italic>, no primeiro caso,
						por ação exclusiva de internos, e, no segundo, com o auxílio de atores
						externos às prisões.</p>
					<p>A literatura destacou as fugas como forma de (re)integrar agentes do tráfico
						às redes externas - para assunção de funções no comércio das drogas - ou,
						como consequência da <italic>ideologia</italic> de enfrentamento do sistema
						- típica das facções (<xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>,
							<xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B72">TEIXEIRA, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS; SALLA, 2013</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B44">MARQUES, 2014</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2017</xref>). Compreendem, por sua vez,
						desde métodos simples (como dispersão em meio a funcionários e visitas) a
						planos complexos (sequestros, ameaças, simulação de emergências, utilização
						de disfarces, explosivos e veículos como lanchas, helicópteros etc.) (<xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B39">LOURENÇO; ALMEIDA,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">DIAS, 2013</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B1">ABREU, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B7">BARCELLOS,
							2015</xref>).</p>
					<p>Por conseguinte, uma segunda forma de enfrentamento foi representada pelas
							<italic>rebeliões, greves (brancas ou de fome)</italic> e
							<italic>revoltas internas</italic>. Destacadas como meio de insurgência
						às normas de controle, como represália ao fracasso de fugas e resgates; como
						forma de <italic>desmoralizar</italic> ou <italic>pressionar o Estado à
							aceitação de planos</italic> dos agentes do tráfico (como a
						transferência de internos, a adoção de privilégios ou regimes especiais); ou
						como forma de <italic>guerrear contra facções rivais</italic>, essas ações
						se mostraram marcadas pelo uso de intensa violência, principalmente contra
						agentes públicos do sistema carcerário, dissidentes ou membros de facções
						rivais (<xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B68"
							>SILVA, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">CAPITANI,
							2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B24">DIAS, 2011</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B27">2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27"
							>DIAS; SALLA, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B42">MALVASI,
							2012b</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">GODOY; TORRES,
						2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B40">LUCCA, 2016</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B1">ABREU, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B7">BARCELLOS,
							2015</xref>).</p>
					<p>Ainda no contexto das facções brasileiras, restou destacada pela literatura,
						por meio da afirmada estratégia de <italic>estabelecimento/manutenção de
							redes e relações junto a agentes sintagmáticos públicos ou privados
							externos ao cárcere</italic>, a adoção de um enfrentamento ao poder
						público por meio da <italic>agressão a prédios e agentes públicos
							externos</italic> (sobretudo do sistema carcerário, policiais, do
						Ministério Público e Magistratura), bem como à população em geral, de forma
						paralela, ou não, e por meio da realização de rebeliões (a exemplo da
						revolta protagonizada pelo PCC, em São Paulo, no ano de 2001) (<xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B39">LOURENÇO; ALMEIDA,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">CAPITANI, 2012</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B29">FERRO, 2012</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS; SALLA, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B77"
							>VARELLA, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU,
						2017</xref>).</p>
					<p>Por fim, a literatura registrou um ponto relevante: considerando-se a ciência
						das facções a respeito das ações tomadas por órgãos de inteligência, ficou
						evidenciado que alguns grupos adotaram medidas de proteção dos fluxos de
						informação (o que é chamado de <italic>contrainteligência)</italic> (<xref
							ref-type="bibr" rid="B35">GONÇALVES, 2009</xref>), por intermédio da
						criptografia de mensagens, recrutamento de informantes e agentes duplos nos
						órgãos policiais/judiciários, tecnologias de informação (linhas virtuais,
						clonagem de telefones, grupos fraudulentos de teleconferência etc.), como
						forma de obscurecer suas ações (<xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM,
							2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2017</xref>).</p>
					<p>Do conjunto em análise, contatou-se a adoção de estratégias de guerra, a
						partir do cárcere, para imposição da vontade e dos planos dos agentes
						sintagmáticos do tráfico.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>4.3.6 Estratégia de estabelecimento de redes comerciais internas do
						tráfico de drogas</title>
					<p>Ademais, uma última estratégia ficou identificada: ao contrário do que se
						possa pensar, a inserção de drogas no cárcere, comum ao redor do globo
							(<xref ref-type="bibr" rid="B73">TELESE, 2011</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B65">SAVIANO, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B60">SALAZAR, 2014</xref>), não se dá somente para a alimentação do
							<italic>desígnio do vício</italic> dos presos, senão em função de o
						mercado interno ser um dos mais lucrativos ao tráfico (<xref ref-type="bibr"
							rid="B9">BASTOS, 2012</xref>).</p>
					<p>Apontou-se que o valor dos entorpecentes no cárcere, além de seguir a lei da
							<italic>oferta e demanda</italic>, pode atingir valores até dez vezes
						maiores que nas ruas, questão compreendida pelos agentes territoriais do
						tráfico (sobretudo as facções), que voltaram especial atenção a esse público
							(<xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27"
							>DIAS, 2013</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B23">2014</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B68">SILVA, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B58">RUDNICKI,
							2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B44">MARQUES, 2014</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B66">SILVA, A., 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B30">FIGUEIRO, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17"
							>CAPITANI, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B72">TEIXEIRA,
							2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2">ALMEIDA et al., 2013</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B42">MALVASI, 2012a</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B49">NEVES, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B34">GODOY; TORRES, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B71"
							>TAVARES, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU,
						2017</xref>).</p>
					<p>Além do mais, como dito, dominar o comércio das drogas também significa
						utilizá-las como <italic>trunfo de poder</italic> (<xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS, 2013</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B23"
						>2014</xref>). Aliás, essa disputa comercial costuma gerar tensões entre os
						agentes da atividade que se enfrentam, seja por meio de denúncias mútuas
							(<xref ref-type="bibr" rid="B75">VARELLA, 2012</xref>) ou por meio da
						violência (como já destacado no item acima).</p>
					<p>A droga também foi apontada como <italic>recurso polivalente</italic>: ao
						mesmo tempo em que pode ser um <italic>bem de consumo</italic>, pode ser
						usada como <italic>moeda</italic> em diversos tipos de negócios. Igualmente,
						sua aquisição pode ocorrer mediante a cessão de bens (sobretudo cigarros,
						uma moeda de escambo comum em presídios) e favores diversos (<xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">ANDRADE,
							2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">GODOY; TORRES, 2017</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B27">DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B71">TAVARES, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA,
							2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2017</xref>).</p>
					<p>Há autores que, inclusive, informam a ocorrência do pagamento de drogas
						mediante depósitos bancários realizados por parentes, no âmbito externo, ou,
						ainda, por intermédio de celulares possuídos pelos presos (<xref
							ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B34">GODOY; TORRES, 2017</xref>).</p>
					<p>Além das drogas, o consumo de álcool (industrializado ou artesanal) e
						remédios também foi destacado como parte desse mercado - apesar de sua
						proibição nos presídios (<xref ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>,
							<xref ref-type="bibr" rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B27">DIAS, 2013</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B23"
						>2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B67">SILVA, A., 2014</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B17">CAPITANI, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B2">ALMEIDA et al., 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34"
							>GODOY; TORRES, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B77">VARELLA,
							2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2017</xref>) e em
						instituições de internação de adolescentes (<xref ref-type="bibr" rid="B41"
							>MALLART, 2014</xref>).</p>
					<p>Para abastecimento das redes, por sua vez, os agentes do tráfico se utilizam
						de <italic>pontes</italic> (agentes recrutados para inserção clandestina de
						drogas, celulares e outros bens, no cárcere), as quais são constituídas por
							<italic>parentes</italic> ou terceiros (principalmente mulheres,
						ludibriadas ou conscientes do ato, que inserem os produtos em seus corpos,
						camuflam em seus pertences ou, ainda, os levam por meio de crianças),
						profissionais (advogados, principalmente), agentes públicos externos ou
						ligados ao cárcere, ou outros presos (como trabalhadores externos),
						incumbidos de fazer o transporte de maneira remunerada, ou não (<xref
							ref-type="bibr" rid="B3">AMORIM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr"
							rid="B4">2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9">BASTOS,
						2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B75">VARELLA, 2012</xref>, <xref
							ref-type="bibr" rid="B77">2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27"
							>DIAS, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B76">VARELLA,
						2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B67">SILVA, H., 2014</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B65">SILVA, A., 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B58">RUDNICKI, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17"
							>CAPITANI, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2">ALMEIDA et al.,
							2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B10">BERNARDI, 2013</xref>;
							<xref ref-type="bibr" rid="B42">MALVASI, 2012a</xref>; <xref
							ref-type="bibr" rid="B7">BARCELLOS, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B71">TAVARES, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">GODOY;
							TORRES, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU,
						2017</xref>).</p>
					<p>De maneira excepcional, <xref ref-type="bibr" rid="B65">Saviano (2014)</xref>
						apontou a atípica inserção de droga nos presídios por meio de animais
						adestrados. Embora raro, no Brasil, já houve o caso de utilização de um rato
						para essa finalidade (<xref ref-type="bibr" rid="B56">REIS, 2015</xref>). De
						forma igualmente rara, destacou-se que falhas estruturais dos presídios
						(ausência de segurança orgânica das instalações) (<xref ref-type="bibr"
							rid="B35">GONÇALVES, 2009</xref>) constituem uma oportunidade
						substancial para inserção de drogas no interior das prisões (<xref
							ref-type="bibr" rid="B17">CAPITANI, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr"
							rid="B34">GODOY; TORRES, 2017</xref>).</p>
					<p>Assim, com a consolidação dos comércios internos, estratégia viabilizada
						pelas demais ações ora analisadas, reforçam-se, também, as redes
						associativas internas e externas, que, como referido, se retroalimentam,
						possibilitando o fluxo de poderes de dentro para fora do cárcere, e
						vice-versa, consolidando a integração dos presídios às redes territoriais
						externas.</p>
				</sec>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>5 CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
			<p>Ao final deste trabalho, pode-se confirmar, primeiramente, a verossimilhança das
				informações históricas elencadas no referencial teórico, no que toca ao processo de
				formação histórica das facções criminosas, bem como da influência dos procedimentos
				de seletividade penal, desterritorialização precária e superencarceramento naquele
				processo.</p>
			<p>Igualmente, confirmou-se que o tráfico de drogas (que, no século XXI, assume uma
				imagem análoga à de uma <italic>empresa</italic>, a despeito da ilegalidade de suas
				finalidades), mesmo a partir do contexto do cárcere, mostrou-se capaz de manejar uma
				série de estratégias, tomadas como medidas de resistência à quebra de sua relação de
				territorialidade com suas áreas comerciais e demais atores do tráfico no mundo
				externo.</p>
			<p>Apesar da inexistência de estudos especificamente debruçados sobre a temática das
				estratégias e dos mediatos utilizados pelos atores territoriais do tráfico para
				integração dos presídios às redes territoriais externas, por outro lado, por meio do
				tratamento integrativo e semiótico das obras ora selecionadas, propiciou-se uma
				primeira aproximação satisfatória sobre o tema.</p>
			<p>Foram reveladas seis diferentes estratégias, categorizadas a partir da análise das
				informações divulgadas por diversos pesquisadores que se aproximaram do contexto
				tráfico-cárcere, quais sejam: <italic>“estabelecimento/manutenção de redes e
					relações entre os agentes sintagmáticos internos ao cárcere”;
					“estabelecimento/manutenção de relações e cooptação de agentes do sistema
					penitenciário”; “utilização de mediatos para comunicação a partir do cárcere”;
					“estabelecimento/manutenção de redes e relações junto a agentes sintagmáticos
					públicos ou privados externos ao cárcere”; “estabelecimento de redes comerciais
					internas do tráfico de drogas”; e, por fim, “enfrentamento direto de agentes
					sintagmáticos e atingimento de símbolos vinculados ao poder
				público”.</italic></p>
			<p>Diante do atingimento do objetivo do trabalho, por sua vez, constatou-se a superação
				da hipótese originária, tanto quanto ao número de estratégias manejadas pelo tráfico
				de drogas para integração dos presídios às redes territoriais externas, quanto à
				qualidade daquelas.</p>
			<p>Cada uma dessas estratégias, como descrito ao longo do desenvolvimento do trabalho,
				compreende diferentes conjuntos de ações que, por conseguinte, se valem de
				diferentes <italic>mediatos</italic> na realização dos planos sintagmáticos dos
				agentes do tráfico no cárcere. Essas estratégias, igualmente, são manejadas de forma
				simultânea e intercruzada, possibilitando um fluxo de energia e informação do
				interior das cadeias para territórios externos, e vice-versa, retroalimentando os
				poderes internos, consolidando lideranças e organizações e, ainda, viabilizando um
				lucrativo comércio interno de drogas.</p>
			<p>Obviamente, considerando que o estudo partiu de uma perspectiva literária, seu futuro
				aprofundamento impenderá da realização de estudos empíricos que se aproximem do
				contexto carcerário, bem como das instituições e dos atores que o envolvam e se
				encontrem integradas ao problema do tráfico de drogas no cárcere, permitindo a
				verificação prática das categorias teóricas ora levantadas (no sentido de atestar
				sua verossimilhança e adequação aos fenômenos reais a serem observados).</p>
			<p>Contudo, mesmo que estritamente teórica, a análise mostrou-se capaz de oferecer uma
				visão crítica sobre o objeto eleito e, assim, consolidar saberes e reflexões
				diferenciados em torno da relação cárcere-tráfico. De igual maneira, destacou
				substanciais referenciais potencialmente utilizáveis por outras pesquisas, assim
				como demonstrou o caráter satisfatório do método e dos procedimentos utilizados para
				levantamento e análise literária do objeto de estudo.</p>
			<p>Ofertou, ainda, a partir da crítica do discurso oficial sobre a atuação das
				organizações criminosas e suas motivações, elementos para uma potencial superação da
				visão meramente jurídico-repressiva da atuação oficial e das parcialidades teóricas
				hegemonicamente propugnadas sobre o problema da droga.</p>
			<p>Mais que isso, o estudo deixou claro que o tráfico, de fato, tem se imposto
					<italic>além das grades</italic> por meio das estratégias descritas (e
				utilizadas com eficiência), sobretudo consolidando seus planos em face de reputadas
				omissões estatais no âmbito interno ou externo ao cárcere.</p>
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