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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-meta>
            <journal-id journal-id-type="publisher-id">oj</journal-id>
            <journal-title-group>
                <journal-title>Revista Opinião Jurídica</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">R. Opin. Jur.</abbrev-journal-title>
            </journal-title-group>
            <issn pub-type="ppub">1806-0420</issn>
            <issn pub-type="epub">2447-6641</issn>
            <publisher>
                <publisher-name>Centro Universitário Christus</publisher-name>
            </publisher>
        </journal-meta>
        <article-meta>
            <article-id pub-id-type="doi">10.12662/2447-6641oj.v21i37.p212-235.2023</article-id>
            <article-categories>
                <subj-group subj-group-type="heading">
                    <subject>Artigos</subject>
                </subj-group>
            </article-categories>
            <title-group>
                <article-title>Consumo e Questões Socioambientais: a Representação do Eu como
                    Processo Social</article-title>
                <trans-title-group xml:lang="en">
                    <trans-title>Consumption and Socio-Environmental Issues: the Representation of
                        the “Self” as a Social Process</trans-title>
                </trans-title-group>
                <trans-title-group xml:lang="es">
                    <trans-title>Consumo y Cuestiones Socioambientales: la Representación del “Yo”
                        como Proceso Social</trans-title>
                </trans-title-group>
            </title-group>
            <contrib-group>
                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-1840-9598</contrib-id>
                    <contrib-id contrib-id-type="lattes">8547639191475261</contrib-id>
                    <name>
                        <surname>Calgaro</surname>
                        <given-names>Cleide</given-names>
                    </name>
                    <xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref>
                    <role>procedeu a elaboração inicial do artigo</role>
                </contrib>
                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-1297-0795</contrib-id>
                    <name>
                        <surname>Ruscheinsky</surname>
                        <given-names>Aloisio</given-names>
                    </name>
                    <xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref>
                    <role>fez inserção de ideias orgânicas e referências, além do adensamento da
                        análise do artigo</role>
                </contrib>
            </contrib-group>
            <aff id="aff1">
                <label>*</label>
                <institution content-type="orgname">Universidade de Caxias do Sul-UCS</institution>
                <addr-line>
                    <city>Caxias do Sul</city>
                    <state>RS</state>
                </addr-line>
                <country country="BR">BR</country>
                <email>ccalgaro1@hotmail.com</email>
                <institution content-type="original">Pós-Doutora em Filosofia e em Direito ambos
                    pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS. Doutora em
                    Ciências Sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos -UNISINOS. Doutora em
                    Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul -PUCRS.
                    Doutora em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC. Atualmente é
                    Professora da Graduação e Pós-Graduação - Mestrado e Doutorado - em Direito na
                    Universidade de Caxias do Sul - UCS. É Líder do Grupo de Pesquisa “Metamorfose
                    Jurídica” vinculado a Universidade de Caxias do Sul-UCS. Caxias do Sul - RS -
                    BR. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-1840-9598.
                    http://lattes.cnpq.br/8547639191475261. E-mail:
                    &lt;ccalgaro1@hotmail.com&gt;</institution>
            </aff>
            <aff id="aff2">
                <label>**</label>
                <institution content-type="orgname">Universidade do Vale do Rio dos Sinos
                    (Unisinos)</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Programa de Pós-Graduação em Ciências
                    Sociais</institution>
                <email>aloisioruscheinsky@gmail.com</email>
                <institution content-type="original">Doutor em sociologia, com pós-doutorado na
                    Universitat Autònoma de Barcelona (UAB), Espanha. Professor jubilado do Programa
                    de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade do Vale do Rio dos Sinos
                    (Unisinos).
                    http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4791521D3. E-mail:
                    &lt;aloisioruscheinsky@gmail.com&gt;.
                    https://orcid.org/0000-0003-1297-0795</institution>
            </aff>
            <author-notes>
                <fn fn-type="edited-by">
                    <p>Editora responsável: Profa. Dra. Fayga Bedê</p>
                    <p><ext-link ext-link-type="uri"
                            xlink:href="https://orcid.org/0000-0001-6444-2631"
                            >https://orcid.org/0000-0001-6444-2631</ext-link></p>
                </fn>
            </author-notes>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
                <day>08</day>
                <month>05</month>
                <year>2023</year>
            </pub-date>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
                <season>May-Aug</season>
                <year>2023</year>
            </pub-date>
            <volume>21</volume>
            <issue>37</issue>
            <fpage>212</fpage>
            <lpage>235</lpage>
            <history>
                <date date-type="received">
                    <day>23</day>
                    <month>02</month>
                    <year>2022</year>
                </date>
                <date date-type="accepted">
                    <day>24</day>
                    <month>08</month>
                    <year>2022</year>
                </date>
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                <license license-type="open-access"
                    xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" xml:lang="pt">
                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution Non-Commercial que permite uso,
                        distribuição e reprodução não-comercial irrestrito em qualquer meio, desde
                        que o trabalho original seja devidamente citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>RESUMO</title>
                <sec>
                    <title>Objetivo:</title>
                    <p>A dimensão analítica, levando em consideração a obra de autor como base
                        especificada, possui como objetivo explorar as performances em face do
                        consumo perdulário, a representação que consolida fachadas e as questões
                        socioambientais.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Metodologia:</title>
                    <p>Como metodologia, adota-se uma abordagem qualitativa, por meio de revisão da
                        literatura especializada e de legislação, tendo como método o analítico.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Resultados:</title>
                    <p>Ao término, conclui-se que a expansão do consumo requisita a criação de um
                        conjunto de máscaras manejadas pelos atores na sociedade contemporânea para
                        representar e aparentar, concomitantemente emergem os dilemas
                        socioambientais, porém relegados a um segundo plano e deixados de lado. Sob
                        a dimensão do consumidor, a maioria dos problemas socioambientais são
                        engendrados pela adesão ao fenômeno da circulação de mercadorias.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Contribuições:</title>
                    <p>O presente trabalho aborda o nexo entre as representações do eu na vida
                        cotidiana (Goffman) e a conformação da sua possível conexão com o consumo,
                        com envolvimento de questões socioambientais prementes.</p>
                </sec>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>ABSTRACT</title>
                <sec>
                    <title>Objective:</title>
                    <p>The analytical dimension, taking into consideration the author's work as
                        specified basis, aims to explore the performances in face of wasteful
                        consumption, the representation that consolidates facades and
                        socio-environmental issues.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Methodology:</title>
                    <p>As methodology, a qualitative approach is adopted, through a review of
                        specialized literature and legislation, with the analytical method as its
                        method.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Resultados:</title>
                    <p>In the end it is concluded that the expansion of consumption requires the
                        creation of a set of masks managed by actors in contemporary society to
                        represent and appear, concomitantly the socio-environmental dilemmas emerge,
                        but relegated to a second plan and left aside. Under the consumer dimension
                        most socio-environmental problems are engendered by adherence to the
                        phenomenon of commodity circulation.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Contributions:</title>
                    <p>The present paper addresses the nexus between the representations of the self
                        in everyday life (Goffman) and the conformation of its possible connection
                        with consumption, with involvement of pressing socio-environmental
                        issues.</p>
                </sec>
            </trans-abstract>
            <trans-abstract xml:lang="es">
                <title>RESUMEN</title>
                <sec>
                    <title>Objetivo:</title>
                    <p>La dimensión analítica, teniendo en cuenta la obra del autor como base
                        especificada, tiene como objetivo explorar las actuaciones frente al consumo
                        desmedido, la representación que consolida las fachadas y las cuestiones
                        socio-ambientales.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Metodología:</title>
                    <p>Como metodología se adopta un enfoque cualitativo, a través de la revisión
                        bibliográfica y legislativa especializada, teniendo como método el
                        analítico.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Resultados:</title>
                    <p>En este sentido, se concluye que la expansión del consumo requiere la
                        creación de un conjunto de máscaras manejadas por los actores de la sociedad
                        contemporánea para representar y aparentar, al tiempo que surgen los dilemas
                        socioambientales, por lo que se relegan a un segundo plano y se dejan de
                        lado. En la dimensión del consumidor, la mayoría de los problemas
                        socioambientales se generan por la adhesión al fenómeno de la circulación de
                        mercancías.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Contribuciones:</title>
                    <p>El presente trabajo aborda el nexo entre las representaciones del yo en la
                        vida cotidiana (Goffman) y la conformación de su posible conexión con el
                        consumo, con implicación de cuestiones socioambientales acuciantes.</p>
                </sec>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>consumo</kwd>
                <kwd>socioambientalismo</kwd>
                <kwd>Erving Goffman</kwd>
                <kwd>representação</kwd>
                <kwd>relações sociais</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>consumer</kwd>
                <kwd>socio-environmentalism</kwd>
                <kwd>Erving Goffman</kwd>
                <kwd>representation</kwd>
                <kwd>social relationships</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="es">
                <title>Palabras clave:</title>
                <kwd>consumo</kwd>
                <kwd>socioambientalismo</kwd>
                <kwd>Erving Goffman</kwd>
                <kwd>representación</kwd>
                <kwd>relaciones sociale</kwd>
            </kwd-group>
        </article-meta>
    </front>
    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>1 INTRODUÇÃO</title>
            <p>O presente trabalho tem como temática o estudo de uma das características da
                sociedade contemporânea, por meio da centralidade ocupada pela mercantilização e do
                fator consumo na conformação de relações sociais e seus inerentes impactos
                socioambientais. O mote para encetar a abordagem está vinculando com o capítulo
                “representações” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">GOFFMAN, 2014</xref>), que talvez
                poderia ser traduzido como apresentação de si nas relações cotidianas em que se
                combatibilizam formas de comodificação. A dimensão analítica, levando em
                consideração a obra do autor como base especificada, possui como objetivo principal
                explorar as performances engendradas em face do consumo perdulário contemporâneo, a
                representação que consolida fachadas nos processos interativos e as multifacetadas
                questões advidas das incertezas e dos riscos socioambientais.</p>
            <p>Na obra citada, o autor denota a metáfora da vida social como um teatro, no qual os
                atores desempenham papéis a partir do uso de máscaras e expressam uma concepção do
                real. Ora, nesse real, também incide o campo jurídico incidindo na conformação do
                mundo da individualidade. Por mais complexas que se apresentem as relações sociais,
                o indivíduo se interpreta dentro de um cenário, ao mesmo tempo, como autor, ator e
                público, utilizando-se de uma máscara que se entenda como vendável ou agradável aos
                olhos dos demais.</p>
            <p>Para tal conexão entre as contribuições do autor e a abordangem do fenômeno da
                consumação, utiliza-se o método analítico, tendo como suporte um conjunto de
                referências sobre da temática destacada para então apresentar os resultados
                recolhidos a partir dos dilemas estabelecidos anteriormente. Sob certa perspectiva,
                este trabalho acadêmico se encontra substantivamente pautado em seus fundamentos e
                mais direcionado por orientações do campo de conhecimento das ciências sociais. Isso
                tendo em vista que a formação acadêmica dos autores é adequada ao exame do
                pensamento do autor selecionado para uma abordagem exploratória ou de técnicas de
                abordagem (<xref ref-type="bibr" rid="B12">FEFERBAUM <italic>et al.,</italic>
                    2019</xref>). Sendo assim, Goffmann deixou um amplo legado teórico e
                metodológico efetivamente relevante, que pode servir para abordagens em diferentes
                áreas do conhecimento, para além das ciências sociais, como direito, psicologia,
                lingüística, geografia, etc.</p>
            <p>A favor dos argumentos apresentados, a ligação com o mundo jurídico existe implícita,
                mesmo não sendo a inspiração primordial. A abordagem pelo viés jurídico pode obter
                proveito com o enfoque da temática das teatralidades cotidianas, como um timoneiro
                de conhecimentos ou um recurso metodológico para a compreensão de comportamentos
                humanos engendrados a partir das normas legais ou não, a partir das convenções
                socialmente compreendidas e legitimadas (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BITTAR,
                    2016</xref>). Pela ótica da análise da doutrina, poderímos abordar a legislação
                do consumidor, ou ainda, a bem da verdade, uma tipificação de condutas ante os bens
                oferecidos no mercado como um regime ou regramentos específicos. Todavia, isso
                implicaria na ampliação do viés analítico e expansão da superficialidade.</p>
            <p>Em síntese, apresentamos os resultados de um estudo a partir de um paradigma
                metodológico que inclui a revisão bibliográfica, porém com igual desembaraço uma
                observação do campo empírico, em que nos movemos como cidadãos e consumidores.
                Portanto, inclui uma perspectiva sóciocrítica destinada à complementariedade entre a
                revisão bibliográfica e a observação das relações no cotidiano (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B10">COUTINHO, 2014</xref>). Esta é efetivamente uma
                perspectiva ciente de que as análises decorrem do olhar mesclado e necessariamente
                informado por um aparato científico e metodológico, pela posição de classe, pelo
                lugar social do discurso, pela sua inserção na lógica do consumo, entre outros
                aspectos.</p>
            <p>Inicia-se com o estudo da obra e do autor para se poder entender o contexto
                sociocultural em que o autor explana sobre as máscaras sociais existentes. O momento
                paradoxal é que, nessas condições, ocorre um sombreamento entre os efeitos da
                máscara e o eu individual real. A representação do eu na vida cotidiana significa
                também a inserção em relações, materiais e afetivas, em que tudo circula como
                mercadoria, seja material, seja ótica simbólica. Em suma, tudo o que se apresenta ou
                ornamenta possui uma valoração. Em seção subsequente, como em um segundo momento,
                pretende-se desvelar as características do hiperconsumo (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B18">LIPOVETSKY, 2007</xref>) ou consumocentrismo (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B24">PEREIRA; CALGARO, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B23"
                    >PEREIRA; CALGARO, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">CALGARO; PEREIRA,
                    2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4">CALGARO; PEREIRA, 2016</xref>) e
                como este mesmo interfere na compreensão das questões socioambientais na
                contemporaneidade.</p>
            <p>Na verdade, tentaremos visualizar um paradoxo da modernidade, tendo, de um lado, a
                pretensão de uma sociedade sustentável e, de outro, as viscissitudes do
                consumerismo. Esse conflito socioambiental tembém se expressa na interdependência e
                na distinção/diferenciação entre os espaços público e privado, entre a função real e
                a ficção/máscara, entre democracia e mercado, entre o imaginário e a realidade
                factual. Com esse exame, pretende-se aproximar a obra do autor com as práticas
                contagiosas no contexto da cultura de consumo. É importante que se diga, desde logo,
                que a compreensão do consumo abrange a dimensão material e simbólica, o efetivo e o
                imaginário.</p>
            <p>Por fim, em um terceiro instante, aproxima-se a obra de Goffman com a abordagem das
                práticas sociais de consumo para verificar os papéis sociais viveciados na sociedade
                atual. Sem sombra de dúvida, será levada em consideração a distância entre o tempo
                em que o autor elaborou a sua intepretação e o tempo presente que comporta um
                conjunto de inovações recentes. Ao término da narrativa, conclui-se que, na
                sociedade, em que tem a pauta do consumo como um fator fundamental, conformam-se
                atores que representam no âmbito do teatro da modernidade e, ao mesmo tempo, são
                espectadores. Este é o espectro em que se interroga sobre a participação
                performática e dramatizada de diferentes personagens sociais. Para tanto, tem-se
                como pressuposto de que se mobilizam dispositivos que produzem novos arranjos
                interpessoais, bem como disposições culturais que articulam uma multiplicidade de
                sentidos para os empreendimentos desses atores. Por meio do acesso ao consumo, esses
                atores vivem em uma fachada desenvolvendo performances que nem sempre são o que
                querem ser, porém de qualquer forma precisa parecer ser, ou uma performance pela
                qual aparenta.</p>
            <p>Enfim, recorrendo aos principais argumentos do autor, como uma chave de leitura
                específica, intenta-se inserir as reflexões nos debates da teoria social
                contemporânea. Em meados do século 20, concomitantemente, quando Goffman elabora as
                suas contribuições teóricas, também o movimento ao consumo de massa passou a ser
                imperativo, em decorrência dos múltiplos mecanismos de aceleração mercantilização de
                todas as coisas e de novos processos culturais e econômicos (produção e
                circulação).</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>2 A REPRESENTAÇÃO DO EU NA CONSTITUIÇÃO DAS RELAÇÕES SOCIAIS</title>
            <p>Ao longo do livro “A representação do eu na vida cotidiana”, Erving Goffman analisa
                os personagens e as máscaras que cada um desempenha dentro do contexto social, ou
                seja, é uma metáfora da vida social como um teatro, em que cada qual se esmera para
                desempenhar seus respectivos papéis. Contudo, pretendendo realizar uma vinculação
                com a performance advinda do consumo pródigo, para o presente artigo, será enfocado
                o texto denominado “Representações”. No centro da análise de Goffman, está a relação
                entre os conceitos de “performance e fachada”, dessa forma cada ator encena por meio
                de uma posição específica, inclusive considerando uma sociedade de classes, em que
                existe palco, público e bastidores.</p>
            <p>Goffman situa os elementos da atuação em consideração, sendo assim, um ator atém-se a
                um posicionamento, como um lugar determinado em um palco e mesmo onde ele também é
                ciente de que existam bastidores e espectadores. Portanto, existe uma relação
                intrínseca entre o cenário e a sua atuação, bem como o ator está sendo visto por um
                público. Ao mesmo tempo, esse mesmo ator está contido no bojo desse público, um
                entre outros na plateia social de espectadores.</p>
            <p>Portanto, o objetivo principal do ator é manter sua coerência e se ajustar de acordo
                com a situação socialmente ancorrada. Dessa maneira, isso é feito com uma interação
                com os outros atores que também atuam no mesmo cenário. Percebe-se que, nas
                interações ou mesmo nas performances, as partes que estão envolvidas podem ser o
                público e os atores simultaneamente. Assim, os papéis sociais e o seu desempenho
                possuem ligação com a maneira que cada indivíduo concebe a sua imagem e pretende
                mantê-la.</p>
            <p>Goffman trouxe contribuições para várias áreas do conhecimento, contribuindo com os
                estudos da interação humana, a partir da incorporação da noção de alinhamento, da
                posição, da postura e da projeção do 'eu' na relação com o outro ou consigo próprio.
                O autor privilegia o discurso que está em construção, o discurso situado pelo qual
                os enunciantes produzem significados, bem como estes significados circulam.</p>
            <p>Nesse sentido, Goffman trabalha com o contexto e a situação, o entendimento de
                representação e as acepções dramatúrgicas em que surgem palavras, como: “ator”,
                “observadores”, “personagem”, “representação”, “fachada”, “espetáculos”, “desempenho
                de papeis”. Com esse amparo, parece obtermos um arcabouço de modo a avançarmos no
                entendimento de como se (re)constrói um bocado das representações e de estigmas em
                face da lógica do consumo contemporâneo.<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>
                Abordar o consumo significa evidenciar um momento em este estimula, ratifica e
                redimensiona mediações sociais no cotidiano. Para <xref ref-type="bibr" rid="B15"
                    >Goffman (2014, p. 29)</xref>, “quando um indivíduo desempenha um papel,
                implicitamente solicita de seus observadores que levem a sério a impressão
                sustentada perante eles.” Isso significa um cuidado com o (des)crédito da
                representação, pois, em qualquer espaço delimitado, erguem-se de algum modo
                barreiras à percepção, até porque existem graus ou camadas de fachada. Entende que o
                ator pede para que acreditem que o personagem possui os atributos que, de certo
                modo, aparenta possuir, assim <xref ref-type="bibr" rid="B15">Goffman (2014, p.
                    29)</xref> afirma que “o papel que representa terá as conseqüências
                implicitamente pretendidas por ele e que, de um modo geral, as coisas são o que
                parecem ser.”</p>
            <p>No cotidiano das práticas sociais, o ator encena um espetáculo para benefício dos
                demais. O grau de convencimento em face de sua prática acaba trazendo duas situações
                opostas que ilustram um ciclo de crença e de descrença, sendo elas: a primeira está
                no nexo entre o indíviduo imerso no seu desempenho e a realidade propriamente dita.
                Nesse sentido, afirma <xref ref-type="bibr" rid="B15">Goffman (2014, p. 29)</xref>
                “o ator que pode estar inteiramente compenetrado de seu número. Pode estar
                sinceramente convencido de que a impressão de realidade que encena é a verdadeira
                realidade”. Mas, por outro lado, quando o ator não está plenamente convecido quanto
                aos acertos de sua prática e, dessa forma, fica carente da capacidade de persuasão e
                mesmo desinteressado pelo público, ou pode ser simplemente um cínico. Isso quer
                dizer que os atores podem oscilar entre a “sinceridade e o cinismo” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B15">GOFFMAN, 2014, p. 30</xref>) ou mesmo, consciente ou
                inconsciente, misturar as duas dimensões na realização do espetáculo.</p>
            <p>No caso da fachada, significa que se agregam os “elementos do pano de fundo que vão
                constituir os suportes do palco para o devido desenrolar da ação” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B27">SALVINI; SOUZA; MARCHI, 2015, p. 561</xref>). Por sua
                vez, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Goffman (2014, p. 34)</xref> entende que parte
                da questão da representação como toda a “atividade de um indivíduo que acontece num
                período caracterizado por sua presença contínua diante de um grupo de observadores e
                que tem sobre estes alguma influência.” Nesse caso, as relações sociais podem ser
                abordadas como condições específicas em que atores e plateia encenam funções
                determinados por expectativas socialmente ancorradas.</p>
            <p>Nesse caso, a concepção de fachada seria “a parte do desempenho do indivíduo que
                funciona regularmente de forma geral e fixa com o fim de definir a situação para os
                que observam a representação.” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">GOFFMAN, 2014, p.
                    29</xref>). Nesse sentido, pode-se compreender que se consolida algo que perfaz
                a condição de um território, em que as representações são socialmente explicitadas
                por meio das interações cotidianas. Nessas últimas, traduzem-se as impressões
                apreendidas pelo público como uma informação que o ator, de alguma forma, manuseou e
                deseja intencionalmente. Continua afirmando <xref ref-type="bibr" rid="B15">Goffman
                    (2014, p. 34)</xref> que a “fachada, portanto, é o equipamento expressivo de
                tipo padronizado intencional ou inconscientemente empregado pelo indivíduo durante
                sua representação.”</p>
            <p>No que se refere às várias fachadas sociais, destaca-se que uma característica
                importante é o seu caráter diversificado, em que, para Goffman, a fachada pessoal
                que identificamos é como a própria do ator. Seguem-se estímulos para a permanência
                da aparência e a maneira como isto consolida um personagem social. Com base nisso, a
                fachada acaba parte do cenário sendo a parte cênica de equipamentos expressivos, ou
                seja, para <xref ref-type="bibr" rid="B15">Goffman (2014, p. 34)</xref>,
                “compreendendo como a mobília, a decoração, a disposição física e outros elementos
                do pano de fundo que vão construir o cenário e os suportes do palco para desenrolar
                da ação humana executada diante, dentro ou acima dele.”</p>
            <p>A relevância que assume a aparência devido ao incitamento vai funcionar no momento
                para revelar o <italic>status</italic> social do ator. Para <xref ref-type="bibr"
                    rid="B15">Goffman, (2014)</xref> por outra feita, a maneira vai funcionar quando
                se quer saber sobre o papel de interação que o ator espera desempenhar na situação
                que vai se aproximar. Assim, para o ator, as fachadas acabam tendo a tendência de
                serem relacionais, o que implicaria diretamente um dilema de escolha da mais
                adequada dentre tantas fachadas possíveis. Dessa maneira, embora se possa ter
                diferentes práticas para adotar a mesma fachada, deve-se observar que uma fachada
                social acaba se institucionalizando em termos de expectativas estereotipadas
                abstratas. Ainda de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B15">Goffman (2014, p.
                    39)</xref>, “às quais dá lugar e tende a receber um sentido e uma estabilidade à
                parte das tarefas específicas que no momento são realizadas em seu nome.” Portanto,
                a fachada acaba sendo tanto uma representação coletiva quanto uma apropriação
                privada.</p>
            <p>A lógica das relações interpessoais é que cada ator ao assumir um papel social
                estabelecido, tende a verificar se também há uma fachada correspondente previamente
                estabelecida. Dessa maneira, “quer a investidura no papel tenha sido primordialmente
                motivada pelo desejo de desempenhar a mencionada tarefa, quer pelo desejo de manter
                a fachada correspondente, o ator verificará que deve fazer ambas as coisas.” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B15">GOFFMAN, 2014, p. 40</xref>).</p>
            <p>No que se refere à realização dramática, o autor destaca que, em presença de seus
                semelhantes, os indivíduos adicionam as suas atribuições uma mobilização de sinais
                que realçam e ratificam fatos acertivos, durante uma interação quanto ao que
                pretendem transmitir ao entorno. <xref ref-type="bibr" rid="B15">Goffman
                    (2014)</xref> entende que, para os atos, essas atividades focadas para a
                interlocução permitem um desvelamento dramático. Em continuidade, passa a sugerir um
                inventário das técnicas por meio das quais as ações em público se transformam em
                espetáculo. Dessa maneira, compreendem-se as maneiras ou mecanismos de consolidação
                da representação e da socialização. Assim, moldam-se e mesmo modificam as máscaras;
                por isso, Goffman acrescenta outra questão desse processo que seria o fato de que
                “os autores têm a oferecer a seus observadores uma impressão que é idealizada de
                várias maneiras diferentes.” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">GOFFMAN, 2014, p.
                    47</xref>). De modo similar, o autor entende que, “quando o indivíduo se
                apresenta diante dos outros, seu desempenho tenderá a incorporar e exemplificar os
                valores oficialmente reconhecidos pela sociedade e até realmente mais do que o
                comportamento do indivíduo como um todo.” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">GOFFMAN,
                    2014, p. 48</xref>).</p>
            <p>Esse fato que é conveniente tem algumas implicações que são inconvenientes. Assim,
                entende <xref ref-type="bibr" rid="B15">Goffman (2014, p. 63)</xref> que, “em
                virtude da mesma tendência a aceitar os sinais, a plateia pode não compreender o
                sentido que um indício devia transmitir, ou emprestar um significado embaraçoso a
                gestos ou acontecimentos acidentais, inadvertidos ou ocasionais, aos quais o ator
                não pretendia dar significação.” Nesse caso, a coerência expressiva<xref
                    ref-type="fn" rid="fn2">2</xref> exigida nas representações e as possíveis
                discrepâncias podem existir entre o nosso eu individual e o socializado.</p>
            <p>Com base em indicadores, pode-se considerar até características como coações da
                interação, agindo sobre o indivíduo e engendrando representações. No dia a dia, o
                ator representa papéis, com andar na rua com bolsa de grife, e convence sua plateia
                por recíprocidade na troca de informações. Portanto, para <xref ref-type="bibr"
                    rid="B15">Goffman (2014, p. 88)</xref>, “uma condição, uma posição ou um lugar
                social não são coisas materiais que são possuídas e, em seguida, exibidas; são um
                modelo de conduta apropriada, coerente, adequada e bem articulada.” Ao mesmo tempo,
                existem espaços ou momentos em que o ator pode trocar de máscara, somente em um
                momento para assumir outra máscara adequada às circunstâncias.</p>
            <p>A indagação sociológica de Goffman pretende uma “explicación a los sistemas
                interactivos como campo... también está presente en su teoría la influencia de las
                estructuras sociales, un universo determinado, por construcciones colectivas, que
                los integrantes de una comunidad reconocen y revitalizan en su actuar cotidiano.”
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B19">MALDONADO; CONTRERAS, 2011, p. 161</xref>). A
                intensificação e o alargamento dos processos em que se modificam tanto os objetos
                para compor as máscaras quanto os consumidores em suas performances presentifica-se
                e pode ser tributada ao leque de bens, à publicidade, à distinção, entre outros
                aspectos (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BECK; CUNHA, 2017</xref>). Inclusive,
                pode-se cogirar os incentivos para fazer circular itens, bens e atividades que,
                outrora, não eram considerados relevantes para a consolidação de máscaras e
                performances. Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B16">Gottdiener
                    (2000)</xref> atenta para a relevância de como o consumismo transmuta os modos
                de ser na vida cotidiana, com complexos processos, tendências, espaços, variedades
                que se multiplicam de forma inusitada.</p>
            <p>A performance é compreendida dentro de um cenário também flutuante, em que os
                sujeitos mobilizam códigos socialmente aprendidos em suas práticas cotidianas, sendo
                que, com essa apropriação, adquirem capacidades que lhes proporcionam ajustes para
                interagir com diferentes interlocutores (<xref ref-type="bibr" rid="B20">MARCELLINI;
                    MILIANI, 1999</xref>). Bem compreensível que, em sociedade complexa, nas
                relações de troca rmonetarizadas, gradativamente ocorre uma passagem de múltiplas
                dimensões à qualidade de mercadoria (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BECK; CUNHA,
                    2017</xref>). Para o presente caso, incluem-se inclusive todas as dimensões não
                materiais ou simbólicas, questões substantivas para a perspectiva em exame.</p>
            <p>Ora, a pretensão é articular essa abordagem ao fenômeno social do consumo, bem como
                uma nuance com os conflitos socioambientais em curso.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>3 CONSUMO PERDULÁRIO E QUESTÕES SOCIOAMBIENTAIS</title>
            <p>Na presente seção, estuda-se o fenômeno do hiperconsuo e seus impactos nos problemas
                socioambientais, os quais serão tratados dessa maneira, pelo fato de que há questões
                sociais, como as desigualdades múltiplas, a pobreza, o mapa da fome, a violência
                fútil, entre outras, e, ao mesmo tempo, questões ambientais, por exemplo, a
                poluição, o saneamento, escassez, as mudanças climáticas, etc. Esses problemas
                socioambientais nitidamente estão prementes como relações sociais conflituantes,
                sendo que o pacto social requer que se encontre uma alternativa de mitigação (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B26">PEREIRA; CALGARO; PEREIRA, 2016</xref>).</p>
            <p>A cada dia, as mudanças ou pressão sobre os bens ambientais deterioram o planeta e
                engendram contratempos humanos drásticos. Por exemplo, as migrações em que inúmeras
                pessoas são deslocadas devido ao clima no mundo, a busca de acesso ao consumo e ao
                bem-estar. Decorrem dessas circunstâncias ou conjuntamente à questão social da
                pobreza e das desigualdades as condições mínimas de dignidade humana ou o saneamento
                básico, entre outros direitos básicos. A observação atenta dessa série de dilemas
                ambientais permite intuir que as questões sociais estão atreladas aos ambientais e
                vice-versa.</p>
            <p>Esses fatos ocorrem acoplados a uma cultura contemporânea que em tudo se encontra
                atrelada ao fenômeno do consumo, o qual, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B5"
                    >Calgaro e Pereira (2019, p. 403)</xref>, é o “deslocamento do enfoque
                direcionado à produção para direcioná-lo ao consumo, na denominada sociedade moderna
                ou hiperconsumista. Nessa seara, o consumo passa a ser o elemento principal das
                atividades humanas, deslocando o “ser” para o ter ou parecer ter”. Como se pode
                observar, o consumo acaba tornando-se o ponto central das práticas que engendram
                relações sociais, bem como das abordagens acadêmicas, perpassando todas as esferas e
                se tornando o “deus” que tudo provê e satisfaz. Desse modo, os indivíduos acabam
                sendo adestrados a um modo de vida, no qual a atividade laboral se encontra
                estreitamente subordinada ao anseio de consumo. Como centro de toda a existência,
                com isso, a felicidade<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref> e a vida acabam
                atreladas e mascaradas ao que o capital e as grandes corporações determinam.
                Continuam <xref ref-type="bibr" rid="B5">Calgaro e Pereira</xref><xref ref-type="fn"
                    rid="fn4">4</xref> (2019) endossando que a concepção de consumo como algo
                central se concretiza no próprio arcabouço social e de todas as correlações,
                emergindo, lentamente, da complexidade engendrada. Todos os valores que a ele não
                estejam vinculados parecem deslocar-se para um lugar secundário.</p>
            <p>Portanto, o consumo dissipador vem a se caracterizar por um tipo de domesticação para
                comprar e usufruir de bens e serviços de que, muitas vezes, muito além de real
                necessidade. Esse processo ocorre de forma concomitante com a individualização, em
                que a preocupação com questões coletivas se subordina às variáveis particulares ou
                ao controle da informação do olhar sobre si mesmas. Dessa maneira, os desafios
                socioambientais “já não interessam tanto, interessa mais a nova moda a ser lançada e
                as questões mercadológicas. É a difusão do aparentar em detrimento do ser e do ter,
                onde sob o fascínio do consumo se conjuga com o vazio e o espetáculo.” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B5">CALGARO, PEREIRA, 2019, p. 406</xref>).</p>
            <p>Para além da retórica de promoção da questão ambiental por meio de certas atividades,
                estas mesmas consolidam uma forma de consumo material e imaterial. Ponderemos o
                turismo como um elemento de promoção do consumo, tanto que a visualização imagética
                no jornal, em face de outras redes de difusão, consolida uma forma máscara com
                ostentação de lugares e espaços percorridos. O campo ecológico também passa por um
                processo de desencantamento, de mercantilização mesmo que seja somente consumo
                simbólico pelos olhos e pelos retratos da viagem. Sob o consentimento do consumo
                esbanjador ou exuberante, transmutam-se, de acordo com <xref ref-type="bibr"
                    rid="B2">Beck e Cunha (2017, p. 141)</xref>, os “simbolismos associados às
                paisagens no turismo rural e no ecoturismo, bem como a criação de espaços temáticos
                “superartificiais” que buscam o reencantamento dos ambientes urbanos, refletem
                meramente a reprodução do capitalismo tardio”. Em suma, o mundo do entretenimento
                está sob o controle da geração e de consumo de mercadorias.</p>
            <p>Nesse processo histórico, cria-se a percepção de uma felicidade que se aproxima da
                ficção, sendo que ela é uma máscara momentânea e varia conforme os ditames do
                mercado de consumo (<xref ref-type="bibr" rid="B18">LIPOVETSKY, 2007</xref>). Em
                certo sentido, nas relações sociais, vigora uma ditadura que impõe afirmar que, sob
                quaiquer circunstâncias, o indivíduo se apresenta feliz. Ao ator na sua apresentação
                “essa felicidade é incognoscível, .... sempre procurada e nunca é saciada. Na
                atualidade a fórmula do consumo é: buscar uma felicidade que, ao ser trocada,
                evanesce e esmorece para que ela seja buscada novamente e continuamente todos os
                dias.” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">PEREIRA; CALGARO, 2012, p. 72</xref>).
                Portanto, o envolvimento recorrente no ato de consumir “leva à despersonalização, já
                que tudo o que se é se transmuta em objetos de consumo, e o homem se confunde com
                esses objetos, ele é o objeto.” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">PEREIRA; CALGARO;
                    PEREIRA, 2016, p. 268</xref>). Na abordagem do nexo entre consumo e questões
                ambientais, importa apontar como qualquer teoria que destaque a subjetividade
                resiste em consumar a transmutação do sujeito em objeto, ou seja, aderir à
                reificação. Todavia, sob o império do valor de troca e de circulação universal de
                mercadorias, que inclui os indivíduos como atores do cenário, os processos tentam
                negar a priori o direito de serem sujeitos.</p>
            <p>Mais do que ostentar rótulos, cabe expressar e lembrar a dívida com as contradições,
                ambiguidades, conflitos e dimensões paradoxais da realidade. A observação abre os
                caminhos para compreender a relação da ficção e representações com a realidade
                factual. Nesse sentido, cabe somar esforços a fim de apontar o caráter paradoxal e
                instável das relações entre uma cópia e o objeto real, entre o ilusório e o
                autêntico, entre a impostura e a lealdade, entre o cenário e a realidade, entre a
                representação e a vida social, entre a crença e a descrença (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B15">GOFFMAN, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">MARCELLINI;
                    MILIANI, 1999</xref>). Desse ponto de vista, a cultura do consumo permite o
                acesso a momentos da vida social em que se apaga a fronteira entre a dimensão
                simbólica e a atividade real, ou de outra maneira, em que se desvanece a diferença
                entre a máscara e o eu individual. A dimensão paradoxal também se manifesta na
                indeterminação fundamental que rege a realidade cotidiana ao mesmo tempo em que se
                pode demonstrar o caráter previamente estruturado em todas as circunstâncias.</p>
            <p>A sociedade atual pode ser caracterizada dessa forma, pois os indivíduos circundados
                pelo vaticínio do consumo a qualquer custo e desregrado olvidam a geração de
                problemas ambientais e sociais severos. Com base nisso, o consumo comparece como a
                estrela do mercado e do capital. Dessa forma, na concepção de <xref ref-type="bibr"
                    rid="B7">Calgaro e Pilau (2020, p. 172)</xref>, “concebe-se o mundo do aparentar
                ser e ter, no qual se tem tudo, mas ao mesmo tempo não se possui nada instituindo-se
                um vazio paradoxal”. Portanto, a sacralidade do consumo que tudo pode resolver e
                trazer a felicidade na vida humana efêmera contradiz com o poder das grandes
                corporações e do mercado de circulação de mercadorias. Mesmo sob a bandeira da
                criação estratificações e individualizações na sociedade,</p>
            <disp-quote>
                <p>os sujeitos estão mais ligados a mercadorias e a objetos do que, propriamente, a
                    outros sujeitos, pois os valores funcionais dos objetos fazem com que o sujeito
                    se sinta pertencente à sociedade de consumo – sujeito/objeto – e não à sociedade
                    humana, no sentido de ligação sujeito/sujeito (<xref ref-type="bibr" rid="B6"
                        >CALGARO; PEREIRA, 2018, p. 15</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>Com base no exposto, percebe-se que, sob o baluarte do consumo como meta vital,
                caracteriza-se uma profunda ambiguidade: de um lado, a admissão dos problemas
                socioambientais, de outro, estes são deixados em segundo plano em nome do bem-estar.
                Na utilização intesiva de recursos naturais, omite-se a sua finitude, bem como se
                introduziu o descarte de bens ou a obsolescência planejada. As pessoas que estão à
                margem se encontram no cenário da pobreza e, sob a desigualdade social, forjam
                outras máscaras e são esquecidas, pois são vulnerárveis como potenciais
                consumidoras.</p>
            <p>Fica, assim, evidenciado que não cabe reduzir o consumo a aspectos da lógica,
                coerência e racionalidade, há que considerar igualmente questões socioculturais. A
                expansão do consumo a qualquer custo gera um comportamento em tudo adquire o valor
                do descartável, em cuja veia se provocam processos irreversíveis crescentes e
                territórios irrecuperáveis. O sistema produtivo e a circulação de mercadorias, em
                seu ciclo vital, vai da extração da matéria-prima ao descarte pós-consumo,
                implicando marcas profundas ou efeitos catastróficos sobre a sustentabilidade do
                planeta. Portanto, importa endossar, em lugar da perspectiva linear, um processo
                circular: da matéria-prima à reciclagem, pois nada se perde, tudo pode ser
                transformado.</p>
            <p>Um enfoque para a dimensão processual parece particularmente fecunda para o estudo da
                representação do eu na vida cotidiana, na medida em que todo ator joga para se
                situar no mundo social (<xref ref-type="bibr" rid="B9">CARPIGO; DIASIO,
                2018</xref>). Com certeza, a exploração dos bens naturais na acepção de que são
                infinitos leva a um processo em que os seus ciclos vitais são ultrapassados. Tudo
                isso em nome do consumo de bens que são inseridos na sociedade em nome do lucro e do
                poder econômico. O consumo dissimulado e vicioso acaba sendo uma parcela do jogo
                entre sacralizar e profanar na modernidade. Os consumidores sofrem ordinariamente um
                processo de ofuscamento para atrapalhar a percepção de que são adestradas e
                docilizadas, menos ainda se preocupam com questões primordiais como a alteridade em
                se colocar no lugar do outro. Assim também se embaraça o olhar de verificar que
                existem indivíduos que estão à margem da pobreza e da desigualdade social e que
                precisam de ajuda, não somente dos concidadãos, mas do Estado, o qual se torna
                alheio, muitas vezes, à questão social. Em nome do poder econômico e do lucro,
                países desenvolvidos exploram os em desenvolvimento, deixando a conta da devastação
                e da degradação ambiental.</p>
            <p>O campo de atividades socioambientais de alguma forma prolonga-se como um campo de
                batalha entre diferentes posicionamentos. A análise das ciências sociais se esforça
                para trazer à luz os diferentes processos e estratégias pelos quais os indivíduos
                estabelecem e mantêm uma interação com os outros, com o ambiente, com as
                mercadorias. As precauções quanto à relação com os bens naturais, dependendo da
                situação, pode soar como preservação do território em que efetivamente acontece a
                vida ritualizada.</p>
            <p>Ora, essas mazelas do fenômeno central do consumo como forma de depredação conduzem à
                reflexividade sobre o cuidado ecológico, para o reconhecimento de conexões,
                interações e associações entre sociedade e bens naturais. Esse cuidado ainda não
                implica afirmar a construção de outro momento histórico caracterizado pela travessia
                do antropocentrismo ao ecologicentrismo. Essa visão binária é usual na ótica
                sistêmica ao destacar dependências, interações e associações entre todos os
                seres.</p>
            <p>Os indivíduos forjam e acabam representando papéis na sociedade, na qual aparentam
                ter e ser o que não tem e o que não são de fato. De outro lado, a onda ambientalista
                reluta em obter espaço nesse debate, por mais que a lógica da mercadoria tenha
                mecanismos inusitados para cooptar o reverter medidas de cuidado com os bens
                ambientais. As práticas socioambientais de corresponsabilidade põem sob suspeita as
                intenções das grandes corporações e instituições, bem como a condição de
                reflexividade de todos os individuais. Com base nisso, a seção abaixo irá explorar
                essas questões.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>4 CONSUMO, REPRESENTAÇÃO E PERFORMANCES</title>
            <p>A partir da observação das relações sociais e dos estudos acima citados,
                compreende-se que os indivíduos passam a vida representando papéis e vivendo sob
                suas máscaras. O intuito do consumo como propulsor e astucioso induz os indivíduos a
                serem o que não são ou não têm e a viver em um mundo de aparência. Talvez mais
                preciso seja a expressão <xref ref-type="bibr" rid="B1">Bauman (2008)</xref> já que
                a vida é para o consumo, confirma-se a transformação dos sujeitos em mercadoria. Daí
                também o significado da ilusão em um mundo de faz de conta está permeado por marcas,
                estereótipos e modismos. As máscaras e os papéis forjam iludidos ou felizes porque
                rodeados de coisas supostamente boas, mas, na verdade, existe um atrelamento à
                rotina consumerista. Além do que, como forma de inclusão e alienação, existe um
                ritual de reforçar individualistas atrelados à tecnologia. A vida na modernidade se
                pauta pela lógica em que o capital e as grandes corporações ditam o papel que cada
                um vai representar na sociedade. A alienação das pessoas ao consumo as adestra e
                dociliza, fazendo que aceitem as regras do mercado, não refletindo seu papel na
                sociedade e exercendo performances e fachadas de acordo como que é ditado e inserido
                no contexto social.</p>
            <p>As relações sociais adquirem importância e acabam sendo vinculadas a performances e
                fachadas, como afirma Goffman, além do que os atores atuam em posições, em que há
                palco e bastidores. Existe a relação entre a peça e a atuação, uma vez que os
                objetos materiais e imateriais só fazem sentido na utilidade atribuída. Tudo sempre
                está sendo visto por um público, ao mesmo tempo em que esse ator é também o público
                que assiste às encenações de outros e nelas se espelha. Assim, o ator inserto em
                relações sociais possui alguma habilidade para poder escolher peça e palco e qual
                máscara vai utilizar de acordo com cada público. Dessa forma, o objetivo fundamental
                desse ator é manter uma coerência e ajustar-se a determinadas situações, visto que
                fará uma interação com os outros atores também enredados no consumo. Todos os
                indivíduos tendem a realizar uma leitura da situação para delimitar a sua ação,
                porquanto, de acordo com (<xref ref-type="bibr" rid="B14">GASTALDO, 2008, p.
                    151</xref>) “uma definição equivocada da situação, poderia causar
                constrangimento. Definir a situação, pois, é fundamental para a vida de qualquer
                indivíduo que vive em sociedade, no sentido de entender o que está acontecendo e se
                alinhar adequadamente às diferentes situações.” Isso faz que todos os indivíduos
                tendam a avaliar o seu comportamento de acordo as circunstâncias, bem como a sua
                performance para evitar sanções.</p>
            <p>O trabalho de Goffman nos ajuda a compreender os movimentos atrelados ao visual
                entremeados ao consumo de objetos e imagens, ou em suma, tudo o que é possível
                mobilizar para a performance circunstancial. O ator, o consumidor e o cientista são
                diferentemente encorajados a passarem de uma cena ou espetáculo a outro; de troca
                surpreendente de máscara; de uma encenação a uma performance (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B20">MARCELLINI; MILIANI, 1999</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9"
                    >CARPIGO; DIASIO, 2018</xref>). Portanto, a lógica do consumo põe à mostra
                indivíduos irrequietos, perpassados, atores que estão cientes de que estão sendo
                observados. O olhar está focado no corpo e nos detalhes que adornam o corpo ou as
                suas ideias e o seu espaço social, bem como, paradoxalmente, em posicionamento
                buliçoso com a “opinião pública” ou antenado com os espectadores. Em uma cultura de
                consumo, “pode parecer que a noção de definição da situação seja uma prerrogativa
                individual.... Mas existem diferentes maneiras de definir uma mesma situação, e elas
                estão permeadas por uma relação de poder. Quem tem o poder de definir mais
                legitimamente o que está acontecendo ...” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">GASTALDO,
                    2008, p. 152</xref>).</p>
            <p>As necessidades são inumeráveis, reais e imaginárias, da mesma forma que a busca de
                satisfação gera insatisfação no mesmo momento da suposta posse (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B17">HELLER; FEHER, 1998</xref>). O consumo paradoxal
                consolida algo que modifica e controla a ação individual, as máscaras são expressões
                controladas por sentimentos, que sempre vão representar um papel e esperar o
                reconhecimento do público. Além do mais, o consumidor, mesmo o mais convisto, espera
                dos outros papéis que estes o achem importantes. A importância é ditada pelos
                padrões de consumo, os quais as grandes corporações e o poder econômico ditam como
                certo e acabado.</p>
            <p>A cultura de consumo, de alguma forma, tem produzido mutações dramáticas e trágicas
                na questão sociocultural: paradoxalmente se trata de um servilismo consentido que
                naturaliza as relações de poder, ao mesmo tempo em que, de outro, se engendra
                socialmente uma imposição invisibilizada ou alienação política que se estrutura por
                meio de dispositivos corporativistas (<xref ref-type="bibr" rid="B21">MERLIN,
                    2019a</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">2019b</xref>). As relações sociais
                engendradas pelo consentimento voluntário situam-se como obediência às ordens dos
                objetos direcionadas a indivíduos em uma sociedade conformada pela uniformidade
                devido a uma hipnose colectiva. Essa afirmação procede da observação: qual
                consumidor realiza de fato um discernimento que conecte consumo e cuidados com o
                meio ambiente? O ordenamento consiste em consumir de maneira compulsória,
                acreditando ser expressão de cidadania e de liberdade. A justificativa racional
                consiste em crer que, sem o consumo suntuoso, o sistema desvanece. Para os mais
                radiciais, é um sistema escravocrata, em que os submetidos nem sequer o reconhecem
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B21">MERLIN, 2019a</xref>).</p>
            <p>Uma discussão pertinente entre a ótica distinta do cidadão e a do consumidor é
                realizada por <xref ref-type="bibr" rid="B8">Canclini (1996)</xref>, bem como a
                impossibilidade de satisfação das necessidades em uma sociedade caracterizada por
                indivíduos insatisfeitos é realizada por <xref ref-type="bibr" rid="B17">Heller e
                    Fehrer (1998)</xref>. Todavia, o espaço deste texto não permite alongar essas
                contribuições.</p>
            <p>As máscaras dos atores são conchas, as quais escondem pérolas que não podem
                desabrochar, e são cobertas por determinações sociais, sendo que existem
                condicionamentos advindos da conjuntura social e econômica que incide no modo de
                vida, nunca se pode ser o que realmente se é, sob pena de ser excluído socialmente.
                Todas as faces e os produtos envolvidos no ciclo da existência são para agradar aos
                demais e, supostamente, também um deleite a si mesmo. A vida apresenta questões
                fatais, reais e ensaiadas, as quais são desempenhadas para agradar aos espectadores,
                ou seja, o círculo de convivência e influência. A plateia espera, de acordo com o
                seu olhar, o melhor desempenho dos atores.</p>
            <p>No palco, o ator se apresenta sob uma máscara, ou seja, como um personagem projetado
                por outros espaços de poder que condicionam as condutas sociais. Nessa perspectiva,
                está manifesto um imperativo incesante para aderir ao consumo, bem como construir
                sentidos aos produtos estandarizados pela publicidade que promove uma satisfação
                imaginária (<xref ref-type="bibr" rid="B22">MERLIN, 2019b</xref>). Como resultado
                está em cena um ator enredado por mecanismos estruturais e ostentando um gozo
                consumista, como tal (in)capaz de establecer a reflexividade crítica avalizada pelo
                “consumidor consciente”. Sob esse último aspecto, e levando em consideração o nexo
                entre o consumo, a representação do eu e as performances, entramos em uma seara de
                ambiguidades e controvérsias, uma vez que os autores citados até o momento negam o
                ator como simples reflexo do sistema.</p>
            <p>Para a representação do eu nas práticas cotidianas, aplica-se uma recusa ao consumo
                sem consciência. Na realidade paradoxal, desaparece a direção única, seja da
                hogeneidade das práticas sociais, seja da busca por heterogeneidade.<xref
                    ref-type="fn" rid="fn5">5</xref></p>
            <p>A plateia ou espectadores constituem outro elemento de correlação entre os atores no
                cenário. Neste ínterim, forja-se o paradoxo, ao mesmo tempo em que se é ator
                representando para outros, se é plateia assistindo as demais apresentações. Quando
                um indivíduo se encontra na presença de outrem, este procura obter informações a
                respeito, desse modo, sempre estão interessados em determinada situação ou condição
                peculiar, seja cultural, seja imaginária, seja econômica, seja social. As
                informações são filtradas sob a lógica de definir o interlocutor e obter as
                respostas que se espera e as condições a serem satisfeitas naquele contexto. Desse
                modo, sempre se espera do outro o que se tem como estereótipo, por isso, sob um
                “banho de loja”, os consumidores acabam sendo não o que querem, mas sim o que lhes é
                conveniente ou compulsório. Existe uma espécie de controle, mesmo que indivisível,
                bem como invisível, este se torna premente e presente a partir das estruturas
                sociais.</p>
            <p>Nesse cenário, observa-se o constante movimento do capital, cujo propósito, em
                especial por meio da publicidade, consiste em buscar consentimento, alienar os
                sujeitos e capturar os espaços definidores da visão de mundo. A publicidade,
                intencionalmente, tende a esconder os conflitos socioambientais e apresentar como
                alternativa a ideologia da satisfação como meta objetiva e incontestável. Sob essa
                lógica, compreende-se que o processo social do consumo como mediação é perpassado
                por elementos estruturais do contexto mais amplo da sociedade, cujos atores
                encontram dificuldades em direcionar suas práticas na perspectiva da contestação e
                do enfrentamento a tais posicionamentos e intencionalidades do sistema
                capitalista.</p>
            <p>Esse controle, muitas vezes, é realizado por meio da influência sobre a definição da
                situação dos demais partícipes. O indivíduo pode ter incidência nessa definição se
                expressando de modo que demonstre aos demais uma espécie de impressão que os levará
                a agir voluntariamente de acordo com o plano que ele formulou e socialmente
                reconhecido. Dessa maneira, quando ocorre um encontro face a face ou relações
                interpessoais, existe alguma razão que leva a atuar de forma a transmitir o que se
                deseja transmitir. Com esse tipo de controle social e o papel, monta-se um palco
                para um tipo de informação, e o ciclo se torna infinito, no qual há encobrimento,
                descobrimento, revelações falsas, redescobertas, e a fachada acaba sendo posta. A
                busca de consentimento acaba sendo um aspecto importante da publicidade, bem como a
                sua credibilidade parece a base que engendra um comportamento social, o que não
                inibe atos peculiares ou variações de condutas.</p>
            <disp-quote>
                <p>El capitalismo constituye un modo social que rechaza la imposibilidad, sutura la
                    falta estructural del sujeto efecto del lenguaje y tapona los agujeros del
                    cuerpo con objetos de consumo. Las técnicas de marketing diseñan una cultura
                    organizada como una empresa en la que se naturaliza y se habla de capital
                    humano, se miden rendimientos, se establecen objetivos que nunca se alcanzan
                    porque nadie da con la talla esperada, provocando que el sujeto inevitablemente
                    se constituya como un deudor. Este sistema se sostiene en imperativos de consumo
                    y de rendimiento ilimitado, que resultan introyectados y van a operar como una
                    voz interior mediante la cual el sujeto se auto explota (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B22">MERLIN, 2019b, p. 276</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>O desempenho de um papel decorrente do tipo de consumo e o seu significado social, de
                forma implícita, acabam requerendo de quem observa que leve em consideração a
                pressão sustentada perante todos. Assim, o personagem que se observa no momento
                possui os atributos que aparenta ter, sendo que o papel o qual representa tem as
                consequências implícitas pretendidas por ele e que as coisas são realmente o que
                parecem ser. O espetáculo diante dos demais é conveniente à crença do indivíduo na
                impressão de realidade que tenta dar aos cúmplices entre os quais este se encontra.
                Por isso, o aparentar, o ter e o ser possuem consistência, pois imiscue na máscara e
                denota que isso é uma realidade, desempenhando no placo a performance de fachada e
                permitindo que os demais acreditem naquilo que é representado. A pessoa pode ser
                convencida que a encenação é uma realidade em sua vida e que precisa ser desse
                modo.</p>
            <p>Goffman, com sua contribuição para a abordagem das representações no campo do
                consumo, auxilia para refletir sobre as tensões contextuais que transpassam os
                espaços de realização individual e social, com relações de poder circundando a
                representação de papéis sociais (<xref ref-type="bibr" rid="B13">FERREIRA,
                    2018</xref>). O sentido performático traspassa os termos nos quais o ator
                social, em face do consumo, de alguma forma, torna-se potente para qualificá-lo como
                agenciador de impressões causadas nas platéias.</p>
            <p>Em outro sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Goffman (2014)</xref> também
                salientou em seu texto que podem existir os cínicos, ou seja, aqueles que não estão
                competentemente empenhados na prática, e, com isso, há a possibilidade de não
                convencer com sua atuação o público. O cínico demonstra descompromisso profissional,
                pois não está convencido da própria atuação e desqualifica a interlocução a partir
                de suas performances (<xref ref-type="bibr" rid="B13">FERREIRA, 2018</xref>). Pode
                igualmente ser a situação em que se permite a sinceridade e a contestação do
                socialmente esperado.</p>
            <p>Ou o vendedor de mercadorias pode falsear informações para prover significados e
                motivações para obter os resultados a serem atingidos: fazer mercadorias circular,
                incutir felicidade, cumprir com metas, dar lucro à empresa, entre outros aspectos.
                Paradoxalmente, nessa interface estabelecida, o enganoso e o verídico estão
                intrinsecamente associados como realidade representada (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B18">LIPOVETSKY, 2007</xref>). A realidade cínica transforma-se em ordem
                positiva e encorajadora. Portanto, a máscara nem sempre deixa transparecer àquilo
                que se anseia ser diante do outro.</p>
            <p>Existem cínicos que não convencem de seus papéis, mas continuam atuando, cuja prática
                pode ser mais retórica do que incidência sobre a realidade trágica. Os impasses e as
                interrogações socioambientais são elencados e emoldurdos, mas não necessariamente
                resolvidos, pois tanto há cidadãos que se encontram em situações de pobreza e
                favelização ou análogas a de escravos quanto os bens ambientais padecem sem que seus
                ciclos vitais sejam respeitados. O Estado e as grandes corporações desempenham
                papéis, concomitantemente legitimados e sendo questionados, pois que dubiamente
                convencem a plateia e continuam atuando cinicamente. Por vezes, esses atores cínicos
                não estão interessados em iludir a plateia, mas podem julgar ser o próprio bem do
                seu público.</p>
            <p>Em uma cultura pautada no poder de consumo e de performance, ao definir de forma
                equivocada uma situação, o indivíduo pode se expor a outra forma de poder simbólico
                - o poder do vexame, da vergonha, do embaraço em face da feição visibilizada. Essa é
                uma forma fundamental de coerção social<xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref> (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B14">GASTALDO, 2008</xref>). Se bem em que, de outra feita,
                tudo isso justifica que o valor simbólico das mercadorias se configura bem acima e
                para além de sua utilidade, por mais que igualmente estejamos em uma sociedade de
                proeminência do utilitarismo.</p>
            <p>No caso da fachada entendida como uma forma de equipamento expressivo e padronizado
                ou inconscientemente empregado durante a representação, com a finalidade de
                convencer a plateia dentro do cenário montado. A sociedade de consumo acaba criando
                uma série de possíveis fachadas, seja social, seja individual, determinando as suas
                formas e os mecanismos, em que os cenários são montados para convencer a plateia,
                bem como o que é preciso para, naquele momento, ser feliz e ter
                    <italic>status</italic>. Assim, a apresentação de si visa ao
                    <italic>status</italic> social, em que o consumo, em conformidade com relações
                sociais, acaba perfazendo os desígnios do correto e incorreto, do que pode ou não
                ser comodificado. De qualquer forma, está vigente o imperativo, por exemplo, de
                vestir roupas em público, de prezar com as marcas ou de observar as regras
                convencionais, porquanto teme-se a possibilidade de "punição indireta". Nesse
                sentido, na vida cotidiana, na visão goffmaniana, não são soldados ou fiscais que
                nos fazem realizar ações alheias ou que detestamos.</p>
            <p>É a força da fachada que sustenta as interações sociais ou o esforço para ser
                socialmente reconhecido conforme projetado. As práticas de consumo como coração
                pulsante da vida social podem ser vistas sob o crivo paradoxal, de uma suposta
                escolha individual à introjeção de formas de controle, gestando-se, dessa forma, uma
                "prisão na vida social". Existe um consentimento ou a conformação de ser seu próprio
                algoz, bem como alguns indivíduos apresentam a retórica de que adoram a sua cela. A
                vida se imiscue com os desígnios do capital e do mercado, com o poder econômico de
                quem domina e cria os papéis para desempenharem e para que os demais
                desempenhem.</p>
            <p>Portanto, a aparência e a realidade são discrepantes, sendo que existem muitas
                representações que não poderiam ser feitas se determinadas tarefas não tivessem sido
                realizadas, tarefas estas que seriam fisicamente degradantes, contudo fatos
                perturbadores são expressos de forma rara nas representações. Isso porque se tem a
                tendência de esconder do público aquilo que não é correto ou tenha indícios de
                indesejado, e, com isso, sacrifica-se também os bens ambientais. Um dos artifícios
                decorrentes consiste em ocultar os problemas socioambientais gerados em seu
                processo, pois o descarte de resíduos do consumo conduz padecimento ao meio
                ambiente. O espetáculo também produz disfarces em face de contingentes sociais que
                minguam e passam fome e vivem à margem da desigualdade social, sendo excluídas
                socialmente. Esquece-se o fato histórico de que os recursos são finitos, e seus
                ciclos vitais de reposição precisam ser respeitados para uma sociedade
                sustentável.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>5 CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
            <p>O consumo como âmago das relações sociais progressivamente se torna social e
                academicamente reconhecido como característica da sociedade contemporânea. Tal
                fenômeno requer a construção de consentimento, de adestramento para assimilar e
                representar papéis, dentro da fachada preestabelecida, diante de um cenário e da
                platéia social. A vida dos atores está atrelada a um aparentar, sendo que o ser e o
                ter estão inseridos dentro desse aparentar, ao mesmo tempo em que o ator é a plateia
                que assiste aos demais.</p>
            <p>As práticas de representação eclodem a partir dos desígnios do consumo e atuam como
                mediação nas relações sociais, em que as máscaras estão postas acoplads aos seus
                respectivos papeis. Por outro lado, comparece a operatividade da dialética entre ser
                e dever-ser, em cuja ambiguidade se move o consumidor sempre envolto entre a
                dimensão material e o imaginário ou o mundo fantástico.</p>
            <p>Sob a máscara de aparentar de alguma forma, e escondendo os seus padrões reais de
                vida, indivíduos assimilam a exterioridade para poderem simbolicamente se inserir em
                outro grupo social e ser aceito, sendo que vivem de acordo com o que lhes é dado
                como certo e determinado. Por exemplo, as mulheres podem olvidar em serem elas
                mesmas, para usarem as tendências da moda e estilos de vida, em que, muitas vezes, o
                conforto, a praticidade e a saúde são postos em segundo plano por um padrão de
                beleza que varia conforme o espírito do mercado. O endosso a costumes e tendências
                nem sempre responde à interrogação se isso é bom ou ruim para os atores que vão
                desempenhar os papéis no palco sem sobriedade. A ideia é ser incluído e aceito por
                meio dos padrões projetodos no cenário. Apresenta-se um produto ao público e se
                tenta convencê-lo de que aquilo é o real.</p>
            <p>O objeto de consumo que consome o consumidor ... !!!!</p>
            <p>Assim, quando o indivíduo realiza a representação do eu pelo consumo, ambiguamente
                esconde e realiza seus prazeres, desejos e anseios, ou como se o que o circunscre de
                fato o fezesse realmente feliz. Essa perplexidade acompanha o ator quando desempenha
                o papel com o intuito de forma lucrativa para ele mesmo, sendo que visa a um
                proveito no que está realizando, seja social ou mesmo subjetivo.</p>
            <p>Com base no exposto, fica evidente que a obra de Goffman é atual para elucidar
                algumas dimensões do que o consumocentrismo idealiza na sociedade contemporânea. Os
                problemas socioambientais são deixados de lado em prol do capital e do lucro, em
                que, até mesmo, o Estado se alinha com isso. Uma das grandes interrogações nas
                ciências sociais consiste em como suscitar realmente as preocupações e as práticas
                coerentes com os dilemas socioambientais, sejam indivíduos vulneráveis, precisando
                de auxílio, seja o meio ambiente quanto ao respeito aos seus ciclos vitais. Da mesma
                forma, interroga-se sobre as condições de possibilidade para coadunar as relações
                conflitivas entre mercado, poder, sociedade, Estado, direitos, circulação de
                mercadorias, meio ambiente e bem-estar. É a construção das representações que tenha
                efetivamente uma inquietação e solicitude sistêmica da vida no Planeta. Como tal,
                concomitantemente emerge a descoberta das causas dos conflitos socioambientais. Esse
                intuito se atrela às estratégias na forma de negociar as posições, o lugar social do
                discurso, bem como as justificativas pautadas por uma racionalidade. O que torna
                original esta dimensão está na proximidade dessa modalidade reflexiva de
                conhecimento com uma reflexividade peculiar que adota o ambiente como um sujeito de
                direitos.</p>
            <p>A mobilização de ambientalistas é para que a plateia se capacite para orientar a
                representação dos atores, desse modo, é chegado o momento dessa plateia pela
                reflexividade repensar a sua função na sociedade, a fim de planejar soluções aos
                problemas atuais e futuros. Essa meta requer deixar de atrelar a felicidade e a vida
                social a um modo de consumo perverso que gera lucro somente para alguns e
                desigualdades desencantadoras. Do ponto de vista oposto, uma sintonia com a causa
                ambiental significa experenciar a alteridade, pois se verifica um dos maiores
                desafios com a inclusão de muitos na circulação ampliada das mercadorias, ou seja,
                bem-estar socioambiental. Em suma, não existe vida solitária no planeta, porquanto a
                solidariedade é um dos pilares de sustentação da biodiversidade e da sociedade,
                sendo que ela pode mudar os rumos dos excluídos e dos próprios ciclos vitais
                ambientais. Assim, se conseguir-se-á efetivamente harmonizar ser humano e meio
                ambiente, a fim de se continuar a perpetuar gerações que não sejam alijadas de
                valores importantes. Portanto, uma nova racionalidade e percepção ética permitirá
                uma nova representação no palco da sociedade contemporânea, sendo que a plateia terá
                a função importante de fiscalizar a real intenção do ator, mas, para tal, terá
                consciência e educação, o que lhe permitirá discernir os papéis que estão sendo
                executados.</p>
            <p>A partir das reflexões apresentadas por Goffman, sobressai o argumento quanto às
                incertezas inauguradas pela realidade do consumo e de <italic>status</italic>
                ambíguo na apresentação de si mesmo no cenário das relações interpessoais. Mais do
                que conjuntural, nas interfaces entre corpo e mente, entre economia e cultura, entre
                material e imaterial, cabe apontar a relevância das questões atinentes às
                representações do eu como realidade ficcional.</p>
            <p>A partir de uma visão da complexidade dos processos culturais, compreende-se que as
                críticas às práticas do consumo ultrapassam ao desmascaramento de um modo de
                organização social. Acima de tudo, paira uma dinâmica de subordinação e
                insubodinação de forma concomitante. Os consumidores são tanto objetos quanto
                sujeitos, pois, além de adesão aos produtos, também arquitetam novos sentidos no
                mundo do consumo ou rejeição aos significados socialmente engendrados. As disputas
                por sintonizar as significações é parte constituinte do campo cultural, podendo
                engendrar outros modos de organização.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <title>NOTA</title>
            <fn fn-type="other" id="fn1">
                <label>1</label>
                <p>A dimensão simbólica do consumo de bens como a conformação de papéis na vida
                    cotidiana e do imaginário social foi corroborada por Douglas e Isherwood,
                    contemporânea teórica de Goffman, ao afirmar que: “a teoria do consumo tem de
                    ser uma teoria da cultura e uma teoria da vida social. Se a organização funciona
                    suficientemente bem, pode dotar os objetos de valor; dizer de um objeto que ele
                    está apto para o consumo é o mesmo que dizer que o objeto está apto para
                    circular como marcador de conjuntos particulares de papéis sociais.” (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B11">DOUGLAS; ISHERWOOD, 2006, p. 41</xref>).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn2">
                <label>2</label>
                <p>Goffman traz também a questão atinente às representações falsas, sobre elas, o
                    referido autor denomina que os indivíduos que se apresentem com uma fachada
                    pérfida são dissimulados, enganadores e trapaceiros. Dessa forma, o autor
                    entende que essa posição precária em que se coloca o ator poderá causar-lhe
                    certa humilhação ou mesmo a perda permanente da sua reputação caso aconteça algo
                    durante a sua representação que evidencie um erro ou mesmo algo que contradiga o
                    que o ator declarava de forma aberta.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn3">
                <label>3</label>
                <p>Ao estabelecer uma reflexão sobre a constituição da sociedade de hiperconsumo,
                        <xref ref-type="bibr" rid="B18">Lipovetsky (2007)</xref> interroga as
                    condições de possibilidade de realização efetiva da promessa contemporânea
                    quanto à felicidade, pautada em um ideal supremo de consumo. Em um olhar atento,
                    o autor capta os sinais e o impacto de uma "civilização do desejo", cuja etapa
                    permite em muito ultrapassar as dimensões materiais concretas.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn4">
                <label>4</label>
                <p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B23">Pereira e Calgaro (2016, p. 237)</xref>,
                    “O Ato de comprar, nessa sociedade de consume, é “existir” sem pensar nas
                    consequências ao meio ambiente que advém da produção, da utilização e do
                    descarte dos produtos. Aparentemente, mas tão só aparentemente, as pessoas não
                    sabem que a natureza é, indiscutivelmente, a provedora da vida na Terra”.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn5">
                <label>5</label>
                <p>Sob este ponto de vista “estar na moda” congrega tanto algo pelo qual o indivíduo
                    se distingue dos demais, quanto algo que produz identificação com pares adeptos
                    dos mesmos objetos ou olhares.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn6">
                <label>6</label>
                <p>O autor acrescenta “Esse tipo de coerção independe de uma força externa que nos
                    obriga a agir de determinada maneira. Docilmente nos enquadramos, docilmente
                    lemos os livros que todos lêem, docilmente aceitamos um ordenamento social
                    freqüentemente injusto, desigual. Fazer frente a isso pode "pegar mal", pode
                    "ficar chato", pode ser embaraçoso.” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">GASTALDO,
                        2008, p. 154</xref>).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other">
                <p>A autora Cleide Calgaro procedeu a elaboração inicial do artigo. O autor Aloisio
                    Ruscheinsky fez inserção de ideias orgânicas e referências, além do adensamento
                    da análise do artigo.</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>REFERÊNCIAS</title>
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                        acerca das práticas de consumo contemporâneas</article-title>
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