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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-meta>
            <journal-id journal-id-type="publisher-id">oj</journal-id>
            <journal-title-group>
                <journal-title>Revista Opinião Jurídica</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">R. Opin. Jur.</abbrev-journal-title>
            </journal-title-group>
            <issn pub-type="ppub">1806-0420</issn>
            <issn pub-type="epub">2447-6641</issn>
            <publisher>
                <publisher-name>Centro Universitário Christus</publisher-name>
            </publisher>
        </journal-meta>
        <article-meta>
            <article-id pub-id-type="doi">10.12662/2447-6641oj.v24i45.5677.pe5677.2026</article-id>
            <article-categories>
                <subj-group subj-group-type="heading">
                    <subject>Artigos</subject>
                </subj-group>
            </article-categories>
            <title-group>
                <article-title>VIRTUDE, JUSTIÇA E DIREITO</article-title>
                <trans-title-group xml:lang="en">
                    <trans-title>VIRTUE, JUSTICE, AND LAW</trans-title>
                </trans-title-group>
                <trans-title-group xml:lang="es">
                    <trans-title>VIRTUD, JUSTICIA Y DERECHO</trans-title>
                </trans-title-group>
            </title-group>
            <contrib-group>
                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-6567-3981</contrib-id>
                    <name>
                        <surname>Silva Filho</surname>
                        <given-names>Osny da</given-names>
                    </name>
                    <xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref>
                </contrib>
            </contrib-group>
            <aff id="aff1">
                <label>*</label>
                <institution content-type="orgname">Universidade de Roma Tor Vergata</institution>
                <addr-line>
                    <city>São Paulo</city>
                    <state>SP</state>
                </addr-line>
                <country country="BR">BR</country>
                <email>osny.silva@fgv.br</email>
                <institution content-type="original">Professor Associado da FGV Direito SP. Leciona
                    e orienta nas áreas de Direito dos Contratos, Direito do Consumidor, Direito do
                    Mercado Financeiro, Propriedade Intelectual, Direito Imobiliário, Direito
                    Notarial, Direito e Tecnologia e Teoria do Direito. Doutor, mestre e bacharel em
                    direito pela USP. Doutorado sanduíche na Faculdade de Direito de Harvard.
                    Pesquisador visitante no Max-Planck-Institut de Hamburgo, na Universidade da
                    Califórnia em Berkeley, na Universidade de Roma La Sapienza e na Universidade de
                    Roma Tor Vergata. São Paulo, SP, BR.</institution>
            </aff>
            <author-notes>
                <fn fn-type="edited-by">
                    <label>Editora responsável:</label>
                    <p>Profa. Dra. Fayga Bedê</p>
                    <p><ext-link ext-link-type="uri"
                            xlink:href="https://orcid.org/0000-0001-6444-2631"
                            >https://orcid.org/0000-0001-6444-2631</ext-link></p>
                </fn>
            </author-notes>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
                <day>20</day>
                <month>05</month>
                <year>2026</year>
            </pub-date>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
                <season>Jan-Dec</season>
                <year>2026</year>
            </pub-date>
            <volume>24</volume>
            <issue>45</issue>
            <elocation-id>e5677</elocation-id>
            <history>
                <date date-type="received">
                    <day>28</day>
                    <month>12</month>
                    <year>2024</year>
                </date>
                <date date-type="accepted">
                    <day>06</day>
                    <month>03</month>
                    <year>2026</year>
                </date>
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                <license license-type="open-access"
                    xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" xml:lang="pt">
                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution Non-Commercial que permite uso,
                        distribuição e reprodução não-comercial irrestrito em qualquer meio, desde
                        que o trabalho original seja devidamente citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>RESUMO</title>
                <sec>
                    <title>Contexto:</title>
                    <p>A separação contemporânea entre direito e justiça contrasta com a tradição
                        que atribuía um vínculo estreito a esses conceitos. Nesse contexto, o artigo
                        retoma o livro V da <italic>Ética a Nicômaco</italic> de Aristóteles com o
                        propósito de esclarecer categorias jurídicas a partir da ideia de justiça
                        como virtude.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Objetivos:</title>
                    <p>Reapresentar, para o campo jurídico, as distinções aristotélicas centrais
                        sobre justiça – justiça geral e justiça particular, justiça distributiva e
                        justiça corretiva –destacando sua utilidade imediata para a teoria e a
                        prática do direito, inclusive na delimitação de quando desigualdades entre
                        partes devem ser consideradas (p. ex., consumo).</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Método:</title>
                    <p>Pesquisa teórico-bibliográfica e reconstrução conceitual: o texto recapitula
                        e sistematiza as categorias do livro V da <italic>Ética a Nicômaco</italic>,
                        situando-as historicamente (da filosofia moral antiga à tradição jurídica) e
                        articulando-as com problemas jurídicos contemporâneos.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Resultados:</title>
                    <p>A análise explicita o sentido e o alcance das categorias (virtude; justiça
                        geral/particular; distributiva/corretiva; corretiva
                        voluntária/involuntária), indicando como elas podem clarificar critérios de
                        igualdade/desigualdade em relações jurídicas e orientar a identificação de
                        injustiças típicas de trocas e partilhas.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Conclusões:</title>
                    <p>A compreensão rigorosa das distinções aristotélicas oferece ganhos práticos
                        para o pensamento jurídico — notadamente para decidir quando e como
                        desigualdades entre partes devem importar —, sem ignorar os riscos de
                        simplificação e “estilização” do texto aristotélico em usos
                        contemporâneos.</p>
                </sec>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>ABSTRACT</title>
                <sec>
                    <title>Context:</title>
                    <p>The contemporary separation between law and justice contrasts with a long
                        tradition that conceived a close link between them; against this background,
                        the paper revisits Book V of Aristotle’s <italic>Nicomachean
                        Ethics</italic>, a foundational work of Western moral philosophy, to rethink
                        legal categories through justice understood as a virtue.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Objectives:</title>
                    <p>To restate for legal theory and practice Aristotle’s core distinctions
                        –general vs. particular justice, and, within particular justice,
                        distributive vs. corrective justice – and to highlight their immediate
                        usefulness, including a clearer account of when and how inequalities between
                        parties (e.g., in consumer relations) must matter.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Method:</title>
                    <p>Theoretical and bibliographical research combined with conceptual
                        reconstruction: the paper systematizes Book V’s categories, places them in
                        an intellectual–historical trajectory (from ancient moral philosophy to
                        legal traditions) and relates them to contemporary legal problems.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Results:</title>
                    <p>The study clarifies the content and scope of the main categories (virtue;
                        general/particular justice; distributive/corrective justice;
                        voluntary/involuntary corrective justice), showing how they can refine
                        criteria of equality/inequality in legal relations and guide the
                        identification of injustices in exchanges and distributions.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Conclusions:</title>
                    <p>A careful grasp of Aristotle’s distinctions yields practical gains for
                        contemporary legal reasoning—especially in deciding when and how party
                        asymmetries should be taken into account—while warning against overly
                        stylized or instrumental readings of Aristotle.</p>
                </sec>
            </trans-abstract>
            <trans-abstract xml:lang="es">
                <title>RESUMEN</title>
                <sec>
                    <title>Contexto:</title>
                    <p>La separación contemporánea entre derecho y justicia contrasta con la
                        tradición que consideraba un vínculo estrecho entre ambos; en ese marco, el
                        artículo retoma el libro V de la <italic>Ética a Nicómaco</italic> como
                        referencia fundacional de la filosofía moral de Occidente para repensar
                        categorías jurídicas a partir de la justicia como virtud.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Objetivos:</title>
                    <p>Reintroducir en el campo jurídico las distinciones aristotélicas centrales
                        –justicia general y particular, y, dentro de esta, justicia distributiva y
                        correctiva – subrayando su utilidad inmediata para la teoría y la práctica,
                        incluso para precisar cuándo y cómo deben considerarse las desigualdades
                        entre las partes (p. ej., consumo).</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Método:</title>
                    <p>Investigación teórico-bibliográfica y reconstrucción conceptual: el texto
                        recapitula y sistematiza las categorías del libro V, las sitúa en una
                        trayectoria histórico-intelectual y las conecta con problemas jurídicos
                        contemporáneos.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Resultados:</title>
                    <p>Se esclarecen el sentido y el alcance de las categorías (virtud; justicia
                        general/particular; distributiva/correctiva; correctiva
                        voluntaria/involuntaria), mostrando cómo pueden afinar criterios de
                        igualdad/desigualdad y orientar la identificación de injusticias propias de
                        intercambios y repartos.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Conclusiones:</title>
                    <p>La comprensión precisa de las distinciones aristotélicas aporta beneficios
                        prácticos al razonamiento jurídico contemporáneo—en especial, para decidir
                        cuándo y cómo deben importar las asimetrías entre las partes—sin perder de
                        vista los riesgos de lecturas simplificadoras o instrumentalizadas de
                        Aristóteles.</p>
                </sec>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>virtude</kwd>
                <kwd>justiça</kwd>
                <kwd>direito</kwd>
                <kwd>direito privado</kwd>
                <kwd>Aristóteles</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>virtue</kwd>
                <kwd>justice</kwd>
                <kwd>law</kwd>
                <kwd>private law</kwd>
                <kwd>Aristotle</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="es">
                <title>Palabras clave:</title>
                <kwd>virtud</kwd>
                <kwd>justicia</kwd>
                <kwd>derecho</kwd>
                <kwd>derecho privado</kwd>
                <kwd>Aristóteles</kwd>
            </kwd-group>
        </article-meta>
    </front>
    <body>
        <disp-quote>
            <p>Seria um mero acaso que o primeiro livro do <italic>Digesto</italic> seja intitulado,
                precisamente, ‘Sobre a justiça e o direito’? Foi uma escolha meramente acidental,
                arbitrária? A resposta prevalente na história sempre considerou que entre direito —
                o direito positivo e a ciência do direito — e a virtude moral da justiça havia um
                vínculo estreito, verdadeira implicação, isto é, que uma coisa — a justiça —
                estivesse contida na outra — o direito —, e vice-versa, que o direito
                    (<italic>ius</italic>) era o que a justiça visava (Lopes, 2021, p. 286).</p>
        </disp-quote>
        <sec sec-type="intro">
            <title>1 INTRODUÇÃO</title>
            <p>A percepção da injustiça causa indignação, e é por isso que crianças, como alguns
                outros animais, tendem a se revoltar com expropriações, distribuições infundadas ou
                penas desproporcionais (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Ricoeur,
                        2019</xref>)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></sup>. Nós nos
                indignamos diante da injustiça muito antes de sermos capazes de compreendê-la e
                projetá-la sobre o direito. A força dessa indignação contrasta com a aparente
                naturalidade com que hoje afirmamos a separação teórica e prática entre direito e
                justiça. Essa é a inquietação de fundo deste artigo, cujo propósito é contribuir com
                o esclarecimento do vínculo originalmente estabelecido entre direito e justiça a
                partir da recapitulação das distinções propostas por Aristóteles (384–322 a.C.) no
                texto que funda a filosofia moral no Ocidente: o livro V da <italic>Ética a
                    Nicômaco</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref></sup>.</p>
            <p>O texto se organiza em cinco seções. A primeira situa o livro V da
                    <italic>Ética</italic> na história intelectual que liga a filosofia moral antiga
                à <italic>iurisprudentia</italic> romana, e, depois, à Escolástica e às codificações
                modernas. A segunda seção apresenta o conceito de justiça como virtude moral e sua
                inserção na teoria das virtudes de Aristóteles. A terceira distingue justiça geral e
                justiça particular. A quarta examina a justiça distributiva e o papel da ideia de
                mérito na partilha de bens exteriores. A quinta trata da justiça corretiva, em suas
                figuras voluntária e involuntária. Uma seção final sintetiza essas distinções e
                destaca a relevância das categorias aristotélicas para o pensamento jurídico
                contemporâneo.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>2 DIREITO E JUSTIÇA</title>
            <p>O direito privado codificado entre os séculos XIX e XX reflete o pensamento de
                juristas e teólogos que procuraram reconectar a filosofia moral aristotélica com as
                fontes do antigo direito romano. Sua principal referência era Tomás de Aquino, um
                frade dominicano do século XIII que, entre outras obras importantes, escreveu um
                comentário à <italic>Ética</italic> de Aristóteles. Pela influência que a
                escolástica tomista exerceu sobre o pensamento dos principais civilistas dos séculos
                XVI e XII (que eram portugueses e espanhóis), seus representantes são hoje agrupados
                sob a rubrica da Escolástica Tardia. Esses civilistas exerceriam profunda influência
                sobre jusnaturalistas, como Grócio, Domat e Pufendorf, e, a partir deles, chegariam
                às grandes codificações da modernidade<sup><xref ref-type="fn" rid="fn3"
                    >3</xref></sup>.</p>
            <p>Há quem trace a influência de Aristóteles a um período ainda anterior. A sugestão,
                aqui, é de que o texto do livro V já teria sido mobilizado pelos artífices da
                    <italic>iurisprudentia</italic> romana, ainda que, no mais das vezes,
                implicitamente. A similaridade observada entre a exposição aristotélica sobre as
                modalidades voluntária e involuntária da justiça corretiva e a célebre classificação
                romana dos contratos e dos delitos como fontes das obrigações costuma ser tomada
                como um exemplo disso<sup><xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref></sup>. Não há,
                porém, nenhuma prova de que o texto da <italic>Ética</italic> tenha realmente
                circulado em Roma. As primeiras referências inequívocas de seu emprego na reflexão
                jurídica ocorrerão apenas a partir da metade do século XIII, sobretudo após a
                divulgação de sua primeira tradução integral para o latim <xref ref-type="bibr"
                    rid="B21">Gordley (1991</xref>, p. 34)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn5"
                        >5</xref></sup>. Isso não significa, entretanto, que o pensamento
                aristotélico tenha sido irrelevante para a composição da
                    <italic>iurisprudentia</italic>: o método dialético, apresentado na
                    <italic>Retórica</italic> e aplicado exemplarmente na <italic>Ética</italic>,
                está na base do raciocínio orientado pela identificação de gêneros e espécies que
                marcou o trabalho dos jurisconsultos romanos<sup><xref ref-type="fn" rid="fn6"
                        >6</xref></sup>. Ao cabo, o emprego do método dialético permitiu que essa
                atividade consultiva viesse a ser qualificada como <italic>ciência</italic> (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B39">Schulz, 1946</xref>, p. 62-64)<sup><xref ref-type="fn"
                        rid="fn7">7</xref></sup>. Quem já tiver folheado um manual de direito civil
                notará que essa influência é duradoura.</p>
            <p>A relevância do livro V para o pensamento jurídico contemporâneo não se esgota,
                porém, em suas apropriações remotas. Nas últimas décadas, o texto de Aristóteles tem
                sido mobilizado em favor de empreitadas históricas e teóricas ambiciosas. O primeiro
                caso pode ser ilustrado pelas tentativas de organizar a narrativa da distinção entre
                direito público e direito privado ao longo dos séculos XVIII e XIX como uma
                instância da separação entre as esferas da justiça distributiva e da justiça
                        corretiva<sup><xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref></sup>. O segundo é
                exemplificado pelo emprego da <italic>Ética</italic> como ponto de partida para
                investigações a respeito da validade e da normatividade do direito em geral e do
                direito privado em particular, ou seja, sobre o que deve, na prática, ser encarado —
                e acatado — como direito<sup><xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref></sup>. Esse
                propósito é sugerido por James Gordley, para quem os representantes de uma “tradição
                aristotélica” no campo jurídico “distinguem dois conceitos fundamentais de justiça
                sobre os quais o direito ao cabo repousa: a justiça distributiva e a justiça
                comutativa” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Gordley, 2006</xref>, p. 8)<sup><xref
                        ref-type="fn" rid="fn10">10</xref></sup>. <xref ref-type="bibr" rid="B41"
                    >Weinrib (2012</xref>, p. 19) é ainda mais incisivo: “ao distinguir
                decisivamente a justiça corretiva da justiça distributiva, Aristóteles estabeleceu a
                diferença categórica entre o direito privado e outros campos do direito”<sup><xref
                        ref-type="fn" rid="fn11">11</xref></sup>.</p>
            <p>Não é certo, entretanto, que Aristóteles tenha realmente pretendido fazer
                        isso<sup><xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref></sup>, tampouco que a
                integralidade de suas ideias seja compatível com as proposições teóricas de seus
                entusiastas. Como diz Aditi Bagchi, ainda que a associação entre justiça comutativa
                ao direito privado tenha se tornado comum, sobretudo no campo contratual,
                “princípios de justiça distributiva também podem ter uma série de implicações para o
                direito contratual” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Bagchi, 2015</xref>, p.
                        193)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn13">13</xref></sup>.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>3 JUSTIÇA COMO VIRTUDE MORAL</title>
            <p>Aristóteles menciona a justiça (<italic>dikaiosunē</italic>) em várias passagens da
                    <italic>Ética</italic>. Desde o início, ela é apresentada como uma virtude
                    (<italic>aretê</italic>), e, sob essa qualificação, o Filósofo a confronta com
                outras disposições do caráter, como a liberalidade e a veracidade. O livro V é
                integralmente dedicado à justiça. Aristóteles se concentra sobre a ideia de justiça
                como uma virtude individual, mas também divaga sobre sua conformação coletiva,
                chamada de justiça política<sup><xref ref-type="fn" rid="fn14">14</xref></sup>.
                Quando se fala da ideia aristotélica de justiça no campo jurídico, o que se tem em
                conta é a justiça como virtude individual, tanto em suas ocorrências históricas
                quanto em suas referências recentes. A ideia de justiça política não será discutida
                neste trabalho<sup><xref ref-type="fn" rid="fn15">15</xref></sup>.</p>
            <p>Em sua primeira definição, Aristóteles nos diz que a justiça é “uma disposição do
                caráter a partir da qual os homens agem justamente, ou seja, é o fundamento das
                ações justas e o que os faz ansiar pelo que é justo”.<sup><xref ref-type="fn"
                        rid="fn16">16</xref></sup> Como em boa parte da <italic>Ética</italic>, o
                autor reflete aqui o senso comum de seu tempo. Antes que uma ideia filosófica, a
                virtude representava um traço cultural da sociedade grega. Um contemporâneo de
                Aristóteles provavelmente diria que pessoas justas são aquelas dotadas da “virtude
                da justiça” da mesma forma que cavalos velozes são aqueles dotados da “virtude da
                velocidade”. Essa não era uma ideia reservada aos filósofos: virtude significava
                excelência no desempenho de um potencial, e, ainda que nem todo habitante da Grécia
                fosse capaz de articular essa ideia de maneira rigorosa, qualquer pessoa seria capaz
                de compreendê-la (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Crisp, 2000</xref>, p. 14). Esse
                sentido não é muito distante daquele que hoje atribuímos à palavra. A diferença é
                que a virtude já não conta com o protagonismo de que gozava no mundo grego, e isso
                nos ajuda a entender por que as vertentes da filosofia moral contemporânea
                orientadas pela ideia de virtude tendem a ser vistas como heterodoxas.</p>
            <p>Aristóteles parece acompanhar as lições de Sócrates e de Platão neste ponto. Todos
                eles enxergam na virtude o elemento central de uma vida bem vivida. Como Platão,
                Aristóteles associa virtudes como coragem, temperança e justiça a um complexo de
                atributos racionais, emocionais e sociais que nos permitem alcançar a felicidade
                    (<italic>eudaimonia</italic>). As semelhanças, contudo, param por aqui. Através
                de Sócrates, Platão associa a virtude ao conhecimento do bem e sugere que seja
                possível ensiná-la da mesma forma que ensinamos uma equação ou uma regra gramatical.
                Aristóteles discorda. Um de seus primeiros passos na <italic>Ética</italic> é
                distinguir as virtudes morais das virtudes racionais, intelectuais ou lógicas.
                Virtudes morais são aquelas que nos permitem responder corretamente a situações da
                vida prática. Elas são adquiridas pelo hábito. Coragem, calma e liberalidade são
                exemplos de virtudes morais. A justiça também é uma virtude moral. Virtudes
                racionais, por outro lado, são disposições que nos habilitam a conhecer a verdade.
                Ao contrário de suas correlatas morais, elas podem ser ensinadas. É o caso da razão
                intuitiva (<italic>nõus</italic>), do conhecimento científico
                    (<italic>episteme</italic>), da sabedoria filosófica ou da razão teórica
                    (<italic>sofia</italic>), da arte ou técnica (<italic>tekné</italic>) e — há
                várias traduções aqui — da sabedoria prática, prudência, sensatez ou razão prática
                    (<italic>phronesis</italic>)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn17"
                >17</xref></sup>.</p>
            <p>A teoria aristotélica das virtudes se completa com sua noção de meio termo. O
                primeiro passo de Aristóteles é distinguir o meio termo em relação aos objetos do
                meio termo em relação às pessoas. “Por meio termo no objeto”, explica o autor no
                livro II da <italic>Ética</italic>, “entendo aquilo que é equidistante de ambos os
                extremos, e que é um só e o mesmo para todos os homens; e por meio termo
                relativamente a nós, o que não é nem demasiado nem demasiadamente pouco — e este não
                é um só e o mesmo para todos”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn18">18</xref></sup>.
                Aristóteles afirma, então, que “a virtude deve ter o atributo de visar ao meio
                termo”, esclarecendo em seguida que se refere às virtudes morais<sup><xref
                        ref-type="fn" rid="fn19">19</xref></sup>. Seguem vários exemplos: a coragem
                é apresentada como o meio termo entre a temeridade e a covardia; a liberalidade,
                como o meio termo entre a prodigalidade e a avareza; a modéstia, como o meio termo
                entre o acanhamento e o despudor, e assim por diante. Quanto à justiça, Aristóteles
                se contém: diz que o significado do termo “não é simples” e que será preciso
                distinguir suas espécies para então apresentar o meio termo de cada uma
                        delas<sup><xref ref-type="fn" rid="fn20">20</xref></sup>.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>4 JUSTIÇA GERAL E JUSTIÇA PARTICULAR</title>
            <p>No início do livro V, Aristóteles nos informa que a justiça se diz de dois modos. O
                primeiro, geral ou universal, corresponde à observância da lei; o segundo,
                particular ou específico, ao respeito pela igualdade<sup><xref ref-type="fn"
                        rid="fn21">21</xref></sup>. Aristóteles descreve a justiça geral como “uma
                virtude completa”, “a maior das virtudes”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn22"
                        >22</xref></sup>. A lei a que a justiça geral se reporta corresponde a um
                conjunto de disposições que “ordena viver com base em cada virtude e proíbe viver
                com base em cada perversidade”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn23">23</xref></sup>.
                Ser justo em sentido geral é ser genericamente virtuoso, e é por isso que a justiça
                geral é uma virtude que compreende todas as outras<sup><xref ref-type="fn"
                        rid="fn24">24</xref></sup>.</p>
            <p>Em Platão, a justiça é genericamente associada à ideia de que cada um deve fazer o
                que lhe cabe, sendo atribuída de modo indiferente aos homens e à
                    <italic>polis</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn25">25</xref></sup>.
                Aristóteles teria se afastado da ambiguidade platônica ao classificar a justiça
                entre as virtudes morais ou éticas. Essa não é, porém, uma leitura inequívoca.
                Hallvard Fosseheim, por exemplo, procurou mostrar que a justiça geral aristotélica
                não corresponde a uma disposição de caráter individual, mas a certa “atividade,
                entendida como a ação na comunidade política” (<xref ref-type="bibr" rid="B18"
                    >Fossheim, 2011</xref>, p. 274). José Reinaldo de Lima Lopes ecoa esse
                entendimento ao qualificar a concepção rawlsiana de justiça como “primeira virtude
                das instituições sociais” (e não dos indivíduos, portanto) como expressão moderna da
                antiga justiça geral. Hoje, de acordo com o autor, a análise do problema da justiça,
                feita pela ciência ou pela filosofia política, situa-se ainda no mesmo plano dos
                estudos de autores clássicos, pois o atual interesse pelas razões de ser das regras
                e das instituições — isto é, por suas “formas justificáveis (legítimas)” —
                corresponde justamente àquilo “que no passado compreendia-se por <italic>bem
                    comum</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Lopes, 2021</xref>, p.
                330).</p>
            <p>Aristóteles identifica na justiça particular uma parcela específica da justiça geral.
                Sua caracterização é introduzida por exemplos bastante esclarecedores. O primeiro
                deles diz respeito ao adultério. Cometer adultério por dinheiro, explica o Filósofo,
                é diferente de fazê-lo por luxúria. Os dois casos envolvem injustiça, mas apenas o
                primeiro caracteriza injustiça em sentido particular. Os exemplos seguintes seguem a
                mesma estrutura. Abandonar o companheiro de armas é um ato de covardia; agredir
                outra pessoa, um ato de ira. Esses dois atos são injustos em sentido geral, mas só
                são injustos em sentido particular na medida em que sua razão puder ser reconduzida
                ao “prazer proporcionado pelo ganho”, ou seja, a ganância<sup><xref ref-type="fn"
                        rid="fn26">26</xref></sup>. Os exemplos mostram por que os “bens exteriores”
                a que Aristóteles vincula a justiça particular se distinguem como “objeto de boa ou
                má fortuna”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn27">27</xref></sup>. Não é possível
                pensar no “prazer proporcionado pelo ganho” quando o que está em jogo é algo que não
                podemos nem mesmo cobiçar. Os bens exteriores são exemplificados por um rol bastante
                variado no início da <italic>Ética</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn28"
                        >28</xref></sup><italic>,</italic> mas, no livro V, Aristóteles os limita a
                três: a honra, o dinheiro e a segurança<sup><xref ref-type="fn" rid="fn29"
                    >29</xref></sup>.</p>
            <p>Vimos que, no final do livro II, Aristóteles havia prometido discutir o meio termo da
                justiça depois de distinguir suas espécies. Quanto à justiça geral, o Filósofo nada
                nos diz. Esse silêncio talvez se justifique pelo fato de que os componentes da
                justiça geral (cada uma das virtudes que essa virtude contém) já tenham sido
                explorados. Sua promessa será especificamente cumprida em relação à justiça
                particular. Aristóteles reconhece que ela é “uma espécie de meio termo,” mas deixa
                claro que “não do mesmo modo como as virtudes anteriores”. Ela é um meio termo
                porque “se relaciona com uma quantia ou quantidade intermediária, enquanto a
                injustiça se relaciona com os extremos”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn30"
                    >30</xref></sup>. A discussão continua.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>5 JUSTIÇA PARTICULAR DISTRIBUTIVA</title>
            <p>“A justiça particular e o sentido do justo que lhe é conforme têm duas formas
                        fundamentais”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn31">31</xref></sup>. Assim
                começa, na segunda parte do livro V, o discurso aristotélico a respeito daqueles que
                se tornariam “os dois conceitos fundamentais de justiça sobre os quais o direito ao
                cabo repousa”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn32">32</xref></sup>. O primeiro desses
                conceitos “é o justo que se dá nas distribuições de honra, de bens e de todas as
                outras coisas que são partilháveis entre os membros do regime político (pois nestas
                coisas é possível ter de modo desigual ou igual um em relação ao outro)”<sup><xref
                        ref-type="fn" rid="fn33">33</xref></sup>. Trata-se da justiça distributiva.
                A outra forma da justiça particular se chama corretiva: é aquela que cuida do “justo
                corretivo nas transações”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn34">34</xref></sup>.</p>
            <p>Comecemos pela justiça distributiva. Aristóteles explica que ela cuida da
                distribuição de “partes” entre “pessoas”, e que por isso requer:</p>
            <disp-quote>
                <p>[...] pelo menos quatro termos: àqueles para os quais se dá o justo são duas
                    pessoas; aquelas em que se dá o justo, as coisas, são duas. E será a mesma
                    igualdade, àquele para os quais e as coisas nas quais: assim como estão aquelas,
                    as coisas nas quais, assim também aqueles: se eles não são iguais, não terão
                    coisas iguais — mas é daqui que surgem as disputas e queixas, quando iguais
                    ganham e têm por partilha não iguais ou não iguais, iguais<sup><xref
                            ref-type="fn" rid="fn35">35</xref></sup>.</p>
            </disp-quote>
            <p>O Filósofo julga que uma análise matemática possa esclarecer o que está dizendo:
                sendo P<sup>1</sup> e P<sup>2</sup> os sujeitos da distribuição e B<sub>1</sub> e
                    B<sub>2</sub> seus respectivos quinhões, o produto de P<sub>1</sub> e
                    P<sub>2</sub> deve ser igual ao produto de B<sub>1</sub> e B<sub>2</sub>, assim
                como o produto de P<sub>1</sub> e B<sub>1</sub> deve ser igual ao produto de
                    P<sub>2</sub> e B<sub>2</sub>. Nessa espécie de proporção — que, informa
                Aristóteles, os matemáticos chamam de “geométrica”<sup><xref ref-type="fn"
                        rid="fn36">36</xref></sup>, — “o todo está para o todo precisamente como a
                parte está para a parte”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn37">37</xref></sup>. O
                Filósofo aproveita, ainda, para recobrar a teoria do meio termo lançada no livro II:
                “este justo é o meio termo, ao passo que o injusto é o que viola a proporção, pois a
                proporção é o meio termo e o justo é a proporção”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn38"
                        >38</xref></sup>.</p>
            <p>Não é difícil apurar a igualdade e a desigualdade dos bens distribuídos,
                especialmente quando pensamos nos exemplos aristotélicos da honra e do dinheiro. A
                questão se complica quando o que está em jogo são as pessoas. Aristóteles deixa
                claro que todos estão de acordo “que o justo nas partilhas deve ocorrer por dado
                        mérito”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn39">39</xref></sup>. O problema é que
                não há consenso quanto ao sentido do mérito: “os partidários da democracia nomeiam a
                liberdade; os oligarcas, a riqueza; outros, a boa estirpe; os aristocratas, a
                        virtude”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn40">40</xref></sup>. <xref
                    ref-type="bibr" rid="B7">Aristóteles (1995)</xref> flerta com a orientação
                aristocrática ao longo da <italic>Ética</italic>, mas não chega a confessar filiação
                (ele o faz na <italic>Política</italic>). O significado atribuído ao mérito pelos
                aristocratas explicita um traço relevante da distinção entre justiça particular e
                justiça geral. Sabemos que a justiça distributiva é uma forma da justiça particular,
                e que a justiça particular é uma disposição de caráter situada entre as virtudes
                morais. Também sabemos que a lei, no sentido ideal empregado por Aristóteles,
                manda-nos praticar todas as virtudes. Vimos que a justiça geral é aquela conforme a
                lei, e, portanto, relativa a todas as virtudes. Logo, dizer que o mérito
                aristocrático da distribuição é a virtude significa dizer que ele corresponde à
                justiça geral. Aristóteles infelizmente não esclarece se isso implica uma análise
                integral da virtude em todas as hipóteses ou apenas a consideração da virtude que
                importe a cada caso concreto (podemos imaginar, por exemplo, que a liberalidade seja
                relevante quando o que está em jogo é a distribuição de dinheiro, mas não quando o
                objeto da distribuição forem honras).</p>
            <p>Uma ilustração pode ajudar a esclarecer o que foi exposto até aqui. Suponhamos que
                seja preciso distribuir certa quantidade de dinheiro entre Sócrates e Platão. Como
                ambos são homens livres, um democrata diria que a mesma quantidade de dinheiro deve
                ser entregue a cada um deles. Pessoas iguais, partes iguais. A resposta de um
                aristocrata seria diferente. Sócrates era um homem simples. Embora livre, consta que
                sempre foi pobre, e nada indica que seus pais tenham sido pessoas importantes.
                Platão, ao contrário, não só era rico como também descendia de figuras de vulto na
                política ateniense. Do ponto de vista oligárquico, Sócrates e Platão eram desiguais,
                e, por isso, suas parcelas na distribuição também deveriam sê-lo. Platão receberia
                mais. (Algo desse raciocínio, tão consistente quanto ofensivo à democracia,
                preserva-se na ideia de que pessoas ricas tenham direito a indenizações ou a
                compensações mais elevadas que pessoas pobres)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn41"
                        >41</xref></sup>. Um aristocrata como Aristóteles, por fim, diria que o
                dinheiro deve ser dividido de acordo com a virtude dos filósofos. A depender da
                interpretação que déssemos ao mérito neste caso, a partilha seria orientada por
                todas as virtudes de Sócrates e Platão ou apenas pela sua liberalidade. Esta segunda
                hipótese seria mais simples de ser colocada em prática<sup><xref ref-type="fn"
                        rid="fn42">42</xref></sup>.</p>
            <p>A racionalidade subjacente à justiça distributiva é particularmente perceptível em
                campos definidos pela desigualdade, a exemplo do direito do trabalho e do direito do
                consumidor. Neles, a assimetria não é mero acidente, mas dado estrutural da relação.
                Aristóteles fala em mérito como critério de distribuição de bens exteriores; o
                direito contemporâneo, ao lidar com trabalhadores e consumidores, substitui a
                linguagem positiva do mérito por categorias negativas como dependência econômica,
                vulnerabilidade e exposição ao risco. Ainda assim, a estrutura é semelhante:
                discute-se quem são os sujeitos relevantes, quais bens entram em jogo e segundo que
                proporção devem ser partilhados. A justiça distributiva oferece, então, menos um
                modelo pronto e mais uma gramática para descrever arranjos em que a igualdade formal
                é insuficiente (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Lopes, 2002</xref>). Normas que
                organizam o acesso a bens essenciais, à informação e à segurança nas relações de
                consumo podem, assim, ser lidas como respostas jurídicas a uma questão antiga: como
                distribuir cargas e vantagens quando as pessoas não ocupam posições equivalentes na
                ordem social.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>6 JUSTIÇA PARTICULAR CORRETIVA</title>
            <p>A justiça corretiva cuida das retificações. No início do livro V, já sabemos que ela
                se apresenta em duas situações diferentes. De um lado, encontramos a justiça
                corretiva que abrange as transações voluntárias: estão nesse grupo transações como
                “venda, compra, empréstimo, caução, arrendamento, depósito” e o que Marco Zingano
                traduz como “assalariamento”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn43">43</xref></sup>. Ela
                se manifesta na ideia de paridade e equivalência das prestações advindas dessas
                relações voluntárias de troca (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Noronha, 1994</xref>,
                p. 214): a título de exemplo, o pagamento do preço, na compra e venda, justifica-se
                pelo recebimento da mercadoria. Não ao acaso, juristas medievais e dos séculos XVI e
                XVII associavam fortemente o direito contratual à justiça comutativa (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B38">Silva Filho, 2017</xref>, p. 93). Mas a justiça
                corretiva também cuida de transações involuntárias. Entre elas, “algumas são
                clandestinas, como o furto, o adultério, o envenenamento, o lenocínio, o engodo a
                fim de escravizar, o falso testemunho”, enquanto outras “são violentas, como a
                agressão, o sequestro, o homicídio, o roubo a mão armada, a mutilação, as invectivas
                e os insultos”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn44">44</xref></sup>. A justiça
                corretiva involuntária não deve ser confundida com a retaliação: “se quem agrediu
                ocupa um posto de comando, não se deve ser agredido em represália, e, se quem foi
                agredido está no comando, não deve somente ser agredido quem o agrediu, mas também
                ser castigado”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn45">45</xref></sup>.</p>
            <p>O propósito da justiça corretiva é evitar que atos injustos introduzam novas
                desigualdades em um arranjo previamente determinado de bens exteriores<sup><xref
                        ref-type="fn" rid="fn46">46</xref></sup>. Se uma pessoa P<sub>1</sub> causa
                um prejuízo equivalente a 10 a uma pessoa P<sub>2</sub>, a justiça corretiva
                determina que esta mesma pessoa P<sub>2</sub> receba um benefício equivalente a 10
                da pessoa P<sub>1</sub>. Há, portanto, relação de equivalência entre o prejuízo
                sofrido e o valor da reparação (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Noronha,
                1994</xref>, p. 214), que é evocada no artigo 944 do Código Civil: a “indenização
                mede-se pela extensão do dano”. Não importa, aqui, se as pessoas P<sub>1</sub> e
                    P<sub>2</sub> são iguais ou desiguais, e é por isso que a proporção relevante
                para a justiça corretiva não é “geométrica”, mas “aritmética”<sup><xref
                        ref-type="fn" rid="fn47">47</xref></sup>. Aristóteles explica ser
                irrelevante a circunstância de que tenha sido um homem bom a defraudar um homem mau
                ou vice-versa, assim como não faria diferença se tiver sido “um homem bom ou mau que
                cometeu adultério”, porque “a lei considera apenas o caráter distintivo do delito e
                trata as partes como iguais, se uma comete e a outra sofre injustiça, se uma é
                autora e a outra é vítima do delito”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn48"
                    >48</xref></sup>.</p>
            <p>Adiante, o Filósofo evoca uma vez mais sua teoria do meio termo. Desta vez, no
                entanto, sua discussão é menos clara. Aristóteles teria de adaptar a ideia de meio
                termo como aquilo que está entre o excesso e a falta para adequá-la à justiça
                corretiva. No entanto, em vez disso, o que encontramos neste ponto do texto é um
                jogo de palavras<sup><xref ref-type="fn" rid="fn49">49</xref></sup>. Uma formulação
                mais clara será oferecida apenas no quinto capítulo do livro V. “A justiça”, lemos
                ali, “e? uma espécie de meio termo, porém não no mesmo sentido que as outras
                virtudes, e sim porque se relaciona com uma quantia ou quantidade intermediária,
                enquanto a injustiça se relaciona com os extremos”<sup><xref ref-type="fn"
                        rid="fn50">50</xref></sup>. Essa explicação é convincente e atenua o caráter
                metafórico da sequência de sua exposição no quarto capítulo:</p>
            <disp-quote>
                <p>Eis aí por que as pessoas em disputa recorrem ao juiz; recorrer ao juiz é
                    recorrer à justiça, pois a natureza do juiz é ser uma espécie de justiça
                    animada; e procuram o juiz como um intermediário, e em alguns Estados os juízes
                    são chamados mediadores, na convicção de que, se os litigantes conseguirem o
                    meio termo, conseguirão o que é justo. O justo, pois, é um meio termo já que o
                    juiz o é<sup><xref ref-type="fn" rid="fn51">51</xref></sup>.</p>
            </disp-quote>
        </sec>
        <sec>
            <title>7 CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
            <p>No livro V da <italic>Ética a Nicômaco</italic>, Aristóteles apresenta a justiça como
                uma virtude, e, em seguida, procura distinguir dois de seus sentidos. No primeiro, a
                justiça corresponde ao conjunto de todas as virtudes morais, cuja persecução é
                determinada por uma noção ideal de lei. Essa ideia ecoa a discussão platônica sobre
                a justiça. Aristóteles fala, neste caso, de justiça geral. Em seu segundo sentido, a
                justiça é encarada como uma virtude moral relativa à circulação de bens exteriores.
                Aristóteles logo explica que, neste segundo sentido, chamado de particular, a
                justiça se apresenta de duas formas: a primeira, distributiva, cuida das partilhas
                de acordo com o mérito; a segunda, corretiva, dá conta de retificar trocas
                voluntárias e involuntárias que promovam desigualdades injustas.</p>
            <p>A partir do texto aristotélico, a justiça corretiva seria empregada por autores como
                James Gordley e Win Decock para conferir unidade ao conjunto de regras que hoje
                associamos genericamente ao direito privado. Essa retomada está longe de ser
                trivial. Não é difícil estilizar um texto às vezes truncado como o de Aristóteles e
                sua manipulação em favor deste ou daquele interesse velado está sempre à espreita.
                Sem embargo disso, a apreciação clara do que signifiquem justiça corretiva e justiça
                distributiva pode trazer ganhos imediatos: ela pode nos ajudar, por exemplo, a
                definir quando e como a desigualdade das pessoas envolvidas em uma dada relação deve
                ser levada em conta — algo com que nos deparamos cotidianamente no campo do trabalho
                e especialmente do consumo. Mesmo a discussão aristotélica sobre a justiça geral,
                aparentemente mais distante das atuais preocupações da teoria do direito<sup><xref
                        ref-type="fn" rid="fn52">52</xref></sup>, pode ser recobrada em discussões
                que levem em consideração o mérito aristocrático privilegiado por Aristóteles.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn id="fn1" fn-type="other">
                <label>1</label>
                <p>A verdade é que, assim como crianças ou cães que se irritam quando alguém pega
                    seu brinquedo, nós também temos, ao que parece, uma irritação inata contra a
                    injustiça — o que levanta a dúvida desconfortável de que talvez estejamos mais
                    próximos emocionalmente das crianças pirracentas e dos <italic>pets</italic> do
                    que dos filósofos atenienses.</p>
            </fn>
            <fn id="fn2" fn-type="other">
                <label>2</label>
                <p>Aristóteles não foi o primeiro a tratar do assunto. Antes dele, Platão (c.
                    427-348 a.C.) e o Sócrates platônico (c. 470-399 a.C) também mobilizaram noções
                    de justiça em suas reflexões, assim como uma série de pensadores pré-socráticos.
                    A novidade da <italic>Ética a Nicômaco</italic> reside no tratamento
                    sistemático, exemplificado e praticamente dirigido que seu autor confere ao
                    assunto. Aristóteles insere a justiça entre as virtudes morais, distingue suas
                    formas distributiva e corretiva, evidencia as dificuldades envolvidas em sua
                    aplicação e explica, já no livro VI, de que modo a razão prática pode ser
                    empregada na busca do justo.</p>
                <p>O Filósofo também lida com a justiça em outros trabalhos. Na
                        <italic>Política</italic> e na <italic>Retórica</italic>, sua exposição
                    parece alinhada com aquilo que Aristóteles apresenta na <italic>Ética a
                        Nicômaco</italic>. Isso não ocorre na <italic>Magna Moralia</italic>. Essa
                    diferença pode ser explicada pela autoria das obras: não há dúvida de que
                    Aristóteles seja o responsável pelo texto da <italic>Política</italic> e da
                        <italic>Retórica</italic>, tampouco de que ele seja o autor da <italic>Ética
                        a Nicômaco</italic>, mas hoje se sabe que a <italic>Magna Moralia</italic>
                    foi escrita por outra pessoa. As passagens sobre a justiça na <italic>Ética a
                        Eudemo</italic>, por sua vez, são idênticas àquelas que encontramos na
                        <italic>Ética a Nicômaco</italic>.</p>
                <p>Ao longo deste texto, as reproduções do texto da <italic>Ética a
                        Nicômaco</italic> seguirão a nova tradução brasileira (NTB) de Marco
                    Zingano, publicada pela Editora Odysseus. Em alguns pontos, essa tradução será
                    confrontada com a antiga tradução brasileira (TB), publicada na coleção
                        <italic>Os pensadores</italic>, e a mais recente tradução portuguesa (TP) de
                    António de Castro Caeiro. Suas referências serão feitas de modo abreviado: EN
                        (<italic>Ética a Nicômaco</italic>), [livro].[capítulo], [fragmento, de
                    acordo com a notação convencionalmente empregada] (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B3">Aristóteles, 2017</xref>, NTB; <xref ref-type="bibr" rid="B4"
                        >Aristóteles, 1991</xref>, TB; <xref ref-type="bibr" rid="B5">Aristóteles,
                        2009</xref>, TP). Versões estrangeiras do texto foram usadas aqui e ali para
                    entender melhor as alternativas de tradução (<xref ref-type="bibr" rid="B7"
                        >Aristotle, 1995</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">Aristotle,
                        2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2">Aristotele, 1986</xref>; <xref
                        ref-type="bibr" rid="B1">Aristote, 1940</xref>).</p>
                <p>Quatro introduções à filosofia moral de Aristóteles foram consultadas ao longo da
                    preparação deste trabalho: (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Hutchinson,
                        1995</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B32">Pakaluk, 2005</xref>; <xref
                        ref-type="bibr" rid="B29">Miller, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr"
                        rid="B34">Polansky, 2014</xref>).</p>
            </fn>
            <fn id="fn3" fn-type="other">
                <label>3</label>
                <p>James Gordley vem desenvolvendo essa tese há vários anos (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B19">Gordley, 1981</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B21">1991</xref>,
                        <xref ref-type="bibr" rid="B22">1995</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B20"
                        >2006</xref>). Outras referências incluem a pioneira coletânea de <xref
                        ref-type="bibr" rid="B23">Grossi (1972)</xref>; e a recente monografia de
                        <xref ref-type="bibr" rid="B15">Decock (2013)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn id="fn4" fn-type="other">
                <label>4</label>
                <p>EN, V.2, 1131a39 (retomado adiante); e Gai. 3, 88 (contratos e delitos); Gai. 2
                        <italic>aur.</italic>, D. 44, 7, 1 pr. (contratos, delitos e outras causas);
                    e Inst. 3, 13, 2 (contratos, <italic>quasi</italic>-contratos, delitos e
                        <italic>quasi</italic>-delitos). É o que também ressalta <xref
                        ref-type="bibr" rid="B42">Zimmermann (1996</xref>, p. 10-11).</p>
            </fn>
            <fn id="fn5" fn-type="other">
                <label>5</label>
                <p>(referindo-se à exposição de Fernand van Steenberghen em <italic>Aristotle in the
                        West</italic>).</p>
            </fn>
            <fn id="fn6" fn-type="other">
                <label>6</label>
                <p>Sobre a atividade de sistematização por meio de categorias como gênero e espécie
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Talamanca, 1977</xref>. p. 4).</p>
            </fn>
            <fn id="fn7" fn-type="other">
                <label>7</label>
                <p>. Nesse contexto, o termo “ciência” não é empregado, tal qual modernamente se
                    faz, “como um sistema organizado de conhecimentos adquiridos e coordenados
                    consoante uma metodologia que chamamos de ‘científica’ – em sentido cartesiano”.
                    A <italic>iurisprudentia</italic> romana era antes uma <italic>scientia</italic>
                    no sentido de “conhecimento”, como sugere o verbo latino <italic>scire</italic>,
                    do qual o termo deriva: cuidava-se, pois, do “conhecimento das coisas divinas e
                    humanas, a noção do justo e injusto”, conforme pensava Ulpiano: Ulp. 1
                        <italic>inst</italic>., D. 1, 1, 4. Em outros termos, a
                        <italic>iurisprudentia</italic> era “o resultado da aplicação do bom-senso e
                    da experiência humana vivida”. A esse respeito, <xref ref-type="bibr" rid="B37"
                        >Rodrigues (2002</xref>, p. 24).</p>
            </fn>
            <fn id="fn8" fn-type="other">
                <label>8</label>
                <p><italic>e.g.</italic>
                    <xref ref-type="bibr" rid="B25">Lopes (2004</xref>, p. 202-204). As
                    transformações sofridas pela ideia de justiça distributiva e pela justiça
                    corretiva após sua definição aristotélica são discutidas em <xref
                        ref-type="bibr" rid="B17">Fleischacker (2005)</xref>; e <xref
                        ref-type="bibr" rid="B16">Englard (2009)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn id="fn9" fn-type="other">
                <label>9</label>
                <p><italic>e.g.</italic>
                    <xref ref-type="bibr" rid="B41">Weinrib (2012</xref>, <italic>passim</italic>),
                        <xref ref-type="bibr" rid="B11">Canaris (1997)</xref> e <xref
                        ref-type="bibr" rid="B12">Coleman (2002)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn id="fn10" fn-type="other">
                <label>10</label>
                <p>Ao longo de seus textos, no entanto, Gordley privilegia a discussão histórica em
                    detrimento das proposições teóricas.</p>
            </fn>
            <fn id="fn11" fn-type="other">
                <label>11</label>
                <p>“In the history of Philosphy,” empolga-se Weinrib algumas páginas à frente (p.
                    56), “private law is Aristotle’s discovery.”</p>
            </fn>
            <fn id="fn12" fn-type="other">
                <label>12</label>
                <p>Hodiernamente, critica-se, por exemplo, a ideia de que a <italic>iustitia
                        distributiva</italic> seria a “forma de justiça” do direito público e de que
                    a <italic>iustitia commutativa</italic> regeria o direito privado. Esse critério
                    pouco ajuda a diferenciar os dois grandes campos do direito, como salienta Jörg
                    Neuner na recensão à obra de Stefan Arnold (<xref ref-type="bibr" rid="B30"
                        >Neuner, 2017</xref>, p. 426).</p>
            </fn>
            <fn id="fn13" fn-type="other">
                <label>13</label>
                <p>“Principles of distributive justice may have a number of implications for
                    contract law”. Os trabalhos de Aditi Bagchi são um esforço para desafiar a ideia
                    de que o direito contratual deve se manter alheio a questões distributivas. Esse
                    esforço remonta à tese de <xref ref-type="bibr" rid="B11">Canaris (1997)</xref>.
                    Discussão em <xref ref-type="bibr" rid="B38">Silva Filho (2017</xref>, p.
                    99-100).</p>
            </fn>
            <fn id="fn14" fn-type="other">
                <label>14</label>
                <p>EN, V.7, 1134b17-1135a14.</p>
            </fn>
            <fn id="fn15" fn-type="other">
                <label>15</label>
                <p>Referências em <xref ref-type="bibr" rid="B43">Zingano (2013</xref>, p.
                    199-222).</p>
            </fn>
            <fn id="fn16" fn-type="other">
                <label>16</label>
                <p>EN, V.1, 1129a7 (TP).</p>
            </fn>
            <fn id="fn17" fn-type="other">
                <label>17</label>
                <p>EN, II.1, 1103a14-20. A discussão da prudência merece um texto à parte.</p>
            </fn>
            <fn id="fn18" fn-type="other">
                <label>18</label>
                <p>EN, II.6, 1106a28-32 (TB).</p>
            </fn>
            <fn id="fn19" fn-type="other">
                <label>19</label>
                <p>EN, II.6, 1106b14-18 (TB). No final do capítulo, Aristóteles afirma que também as
                    virtudes racionais (TP: virtudes lógicas) serão analisadas a partir da ideia de
                    meio termo, mas isso não chega a ser feito.</p>
            </fn>
            <fn id="fn20" fn-type="other">
                <label>20</label>
                <p>EN, II.6, 1108b6-8 (TB). Aristóteles fará isso apenas com a justiça particular,
                    como veremos adiante.</p>
            </fn>
            <fn id="fn21" fn-type="other">
                <label>21</label>
                <p>EN, V.1, 1129a35-b1.</p>
            </fn>
            <fn id="fn22" fn-type="other">
                <label>22</label>
                <p>EN, V.1, 1129b29 (NTB).</p>
            </fn>
            <fn id="fn23" fn-type="other">
                <label>23</label>
                <p>EN, V.2, 1130b23-25 (NTB). Aristóteles admite, porém, a possibilidade de leis
                    malfeitas. EN, V.1, 1129b24–5. Uma tentativa de eliminar a aparente contradição
                    entre essas referências foi empreendida por <xref ref-type="bibr" rid="B9"
                        >Aubenque (1980)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn id="fn24" fn-type="other">
                <label>24</label>
                <p>Na última edição inglesa da <italic>República</italic>, a justiça platônica foi
                    traduzida como “moralidade”, uma alternativa mais esclarecedora que a “justiça
                    geral” de Aristóteles. <italic>v.</italic>
                    <xref ref-type="bibr" rid="B33">Plato (1993)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn id="fn25" fn-type="other">
                <label>25</label>
                <p>(<xref ref-type="bibr" rid="B33">Plato, 1993</xref>, IV, 433b-443b. A ideia de
                    justiça como “vontade constante e perpétua de dar a cada um o que é seu”
                    apresentada no início do Digesto (Ulp. 2 <italic>reg.</italic>, D. 1, 1, 10 pr.)
                    remete à noção platônica de justiça.</p>
            </fn>
            <fn id="fn26" fn-type="other">
                <label>26</label>
                <p>EN, V.2, 1130b4 (NTB).</p>
            </fn>
            <fn id="fn27" fn-type="other">
                <label>27</label>
                <p>EN, V.1, 1129b1-4 (NTB).</p>
            </fn>
            <fn id="fn28" fn-type="other">
                <label>28</label>
                <p>EN, I.8, 1099a31–b8 (amigos, dinheiro, poder político, estirpe, bons filhos e
                    beleza).</p>
            </fn>
            <fn id="fn29" fn-type="other">
                <label>29</label>
                <p>EN, V.2, 1130b2-3.</p>
            </fn>
            <fn id="fn30" fn-type="other">
                <label>30</label>
                <p>EN, V.5., 1133b32–1134a1 (TB).</p>
            </fn>
            <fn id="fn31" fn-type="other">
                <label>31</label>
                <p>EN, V.2, 1130b31 (TP).</p>
            </fn>
            <fn id="fn32" fn-type="other">
                <label>32</label>
                <p>GORDLEY, James R. <bold>Foundations of Private Law</bold>. p. 8.</p>
            </fn>
            <fn id="fn33" fn-type="other">
                <label>33</label>
                <p>EN, V.2, 1130b32-35 (NTB).</p>
            </fn>
            <fn id="fn34" fn-type="other">
                <label>34</label>
                <p>EN, V.2, 1131a1-2 (NTB).</p>
            </fn>
            <fn id="fn35" fn-type="other">
                <label>35</label>
                <p>EN, V.3, 1131a19–23 (NTB).</p>
            </fn>
            <fn id="fn36" fn-type="other">
                <label>36</label>
                <p>EN, V.3, 1131b1-12.</p>
            </fn>
            <fn id="fn37" fn-type="other">
                <label>37</label>
                <p>EN, V.3, 1131b14-15 (NTB).</p>
            </fn>
            <fn id="fn38" fn-type="other">
                <label>38</label>
                <p>EN, V.3, 1131b12-13 (NTB).</p>
            </fn>
            <fn id="fn39" fn-type="other">
                <label>39</label>
                <p>EN, V.3, 1131a25-26 (TB).</p>
            </fn>
            <fn id="fn40" fn-type="other">
                <label>40</label>
                <p>EN, V.3, 1131a27-29 (NTB). Na TP, “virtude” é traduzida como “excelência”.</p>
            </fn>
            <fn id="fn41" fn-type="other">
                <label>41</label>
                <p>Para uma crítica a essa ideia, <xref ref-type="bibr" rid="B35">Reinig e Carnaúba
                        (2023)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn id="fn42" fn-type="other">
                <label>42</label>
                <p>Parece possível, aliás, associar esse último procedimento àquilo que fazemos
                    quando adjudicamos um contrato a partir de parâmetros como “melhores esforços”
                    ou “melhor conhecimento”. No primeiro caso, podemos dizer que o que está em jogo
                    é a temperança, e, no segundo, a veracidade. Parece haver um terreno fértil
                    neste ponto para a integração entre o tratamento abrangente da virtude
                    reconduzido por Aristóteles à ideia de justiça geral e a definição dos critérios
                    envolvidos na aplicação da justiça distributiva.</p>
            </fn>
            <fn id="fn43" fn-type="other">
                <label>43</label>
                <p>EN, V.2, 1131a4-5 (NTB).</p>
            </fn>
            <fn id="fn44" fn-type="other">
                <label>44</label>
                <p>EN, V.2, 1131a7-9 (TB). Neste ponto, a TB está mais próxima da terminologia
                    jurídica do que a NTB, na qual transações involuntárias clandestinas
                        (<italic>clam</italic>, como diziam os romanos) são chamadas de
                    “sub-reptícias” e transações involuntárias violentas (<italic>vi</italic>) são
                    chamadas de “transações por coerção”.</p>
            </fn>
            <fn id="fn45" fn-type="other">
                <label>45</label>
                <p>EN, V.5, 1132b28-31 (NTB).</p>
            </fn>
            <fn id="fn46" fn-type="other">
                <label>46</label>
                <p>Tratando a “reparação individual de danos” como concretização da “justiça
                    retributiva/comutativa”, <xref ref-type="bibr" rid="B27">Lopes (1994</xref>, p.
                    28). <xref ref-type="bibr" rid="B41">Weinrib (2012</xref>, p. 57) discorda:
                        “<italic>Aristotle presents corrective justice as a transactional equality,
                        but he does not tell us what the equality is an equality of. This omission
                        is serious, because corrective justice remains opaque to the extent that the
                        equality that lies at its heart is unexplained</italic>”.</p>
            </fn>
            <fn id="fn47" fn-type="other">
                <label>47</label>
                <p>EN, V.4, 1132a2.</p>
            </fn>
            <fn id="fn48" fn-type="other">
                <label>48</label>
                <p>EN, V.4, 1132a2-6 (TB)</p>
            </fn>
            <fn id="fn49" fn-type="other">
                <label>49</label>
                <p>EN, V.4, 1132a15-18 (NTB): “o igual é um meio termo entre o mais e o menos; o
                    ganho e a perda são, como contrários, um o mais; o outro, o menos: o ganho é
                    mais de bem e menos de mal, e o seu contrário é a perda, dos quais, como foi
                    dito, o igual é o meio termo, o que afirmamos ser o justo, de sorte que o justo
                    corretivo é o meio termo entre a perda e o ganho.”</p>
            </fn>
            <fn id="fn50" fn-type="other">
                <label>50</label>
                <p>EN, V.5, 1133b35-1134a1 (TB).</p>
            </fn>
            <fn id="fn51" fn-type="other">
                <label>51</label>
                <p>EN, V.4, 1132a19-25 (TB). <italic>v.</italic>
                    <xref ref-type="bibr" rid="B14">Curzer (1996)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn id="fn52" fn-type="other">
                <label>52</label>
                <p>José Reinaldo de Lima Lopes propõe uma aproximação, a meu ver, muito mais
                    original do que seu texto dá a entender, entre a justiça geral aristotélica e a
                    justiça como equidade rawlsiana: “A ciência ou filosofia política contemporânea,
                    ao tratar da justiça, coloca-se no nível da análise da justiça legal ou geral de
                    que falavam os clássicos, pois interessa-se pelas formas justificáveis
                    (legítimas) das instituições ou regras fundamentais da organização política,
                    exatamente aquilo que ,no passado, compreendia-se por <italic>bem
                    comum</italic>. Basta ver como o conceito de <italic>justiça política ,e não
                        metafísica</italic>, como queria John Rawls, fica mais claro quando
                    retomamos a teoria clássica da justiça” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Lopes,
                        2021</xref>, p. 314). Essa proposta merece um texto à parte.</p>
            </fn>
        </fn-group>
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