Mortalidade cardiovascular negra no Brasil
por que região e porte populacional não explicam a variância estadual?
DOI:
https://doi.org/10.12662/2317-3076jhbs.v14i1.6425.pe6425.2026Palavras-chave:
mortalidade cardiovascular, população negra, desigualdades raciais em saúde, estudo ecológico, Brasil, DATASUSResumo
Objetivo: descrever a distribuição da proporção de mortalidade cardiovascular negra (PMN) nos estados brasileiros e testar se os fatores geopolíticos explicam sua heterogeneidade. Métodos: foi realizado um estudo ecológico descritivo com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS) entre 1996 e 2024. O desfecho principal foi a PMN, definida como a razão entre óbitos cardiovasculares de indivíduos pretos e pardos e o total de óbitos cardiovasculares de cada estado, sem padronização pela composição racial da população estadual. Foram aplicados testes de Shapiro-Wilk para normalidade, Kruskal-Wallis nas comparações regionais e correlação de Spearman para avaliar a associação com o porte do estado. Um modelo de regressão OLS exploratório foi ajustado utilizando região e porte como preditores. Resultados: dos 9.291.685 óbitos cardiovasculares registrados, 743.045 (8,0%) ocorreram na população negra. A PMN média entre os estados foi de 7,47%, com uma variação expressiva de 5,8 vezes entre o maior índice (Rio de Janeiro, 15,0%) e o menor (Santa Catarina, 2,6%). A análise demonstrou que as diferenças regionais não foram estatisticamente significativas (p = 0,147), e o porte do estado não apresentou correlação com a PMN (p = 0,758). O modelo OLS também não foi significativo (R² ajustado = 0,077; p = 0,253), indicando que as variáveis geopolíticas tradicionais não explicam a variância observada. Conclusões: a proporção de mortalidade cardiovascular negra (PMN) — razão entre óbitos cardiovasculares de pretos e pardos e o total de óbitos cardiovasculares estaduais, sem padronização pela composição racial da população — apresenta alta heterogeneidade interestadual e intrarregional no Brasil. O fato de a região geográfica e o porte populacional não explicarem essa variação sugere que os determinantes da elevada participação proporcional de negros na mortalidade cardiovascular operam por fatores estruturais mais complexos, compatíveis com hipóteses envolvendo a composição demográfica local, o acesso diferencial ao cuidado e o racismo estrutural. Tais achados reforçam a necessidade de políticas de equidade que considerem indicadores raciais específicos além do volume absoluto de óbitos.
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